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de lado – 0113

O beijo da noite lambuzou-me a cara e com isso acordei.

from the perverse mind of paulo brito

manter a paixão

Desde o início da pandemia que Aleksandro é recebido no hall, assim que chega do trabalho, pela sua mulher Rubena ornada com luvas e máscara cirúrgica. Ela despe-lhe toda a roupa, colocando-a num saco de plástico; a roupa irá posteriormente para a máquina de lavar roupa.

Completamente nu, Rubena inicia uma tarefa que Salas sente ser agora o epítome da paixão. Rubena besunta-lhe o corpo com gel desinfectante com uma solução de 95% de álcool e demora-se pacientemente em todas as partes; sem pressas Aleksandro sente o corpo ser higienizado – sublime. E com um beijo nos lábios do seu marido Rubena dá o trabalho por terminado.

Esta rotina decorreu sem sobressaltos durante catorze dias. Hoje antes do ritual do beijo Rubena coloca uma máscara em Aleksandro e sussurra-lhe sensualmente ‘espera pela surpresa’. De olhos vendados ele aguarda saturado de desejo o regresso de Rubena.

A última frase que Aleksandro ouviu na sua vida antes do raspar de um fósforo foi ‘sente agora o ardor da nossa paixão’.

retribuições

Todos os dias a minha filha vem dar-me beijos de boa-noite. Dá um beijo e eu retribuo. Dá outro e eu retribuo. Outro e eu retribuo. Ainda outro e eu retribuo. Pimba mais um e eu retribuo. Termina encostando o seu rosto ao meu; e enquanto se afasta coloca os dedos no meu cabelo e despenteia-o. Eu tremo de exasperação, fecho os punhos e digo-lhe sempre “não gosto que faças isso”. Mas ela faz-lo continuamente.

Ontem a mesma rotina exceptuando um pormenor. Quando colocou os dedos no meu cabelo para o escangalhar ele não se mexeu. Olhou para mim espantada e disse zangada:
— Não teve piada. Por que colocas-te laca no cabelo?
— Porque a tua expressão valeu mil beijos.
— Não tornes a fazer isso pai.
— Okay.

lol, camouflage 11.0 – spicy

Wearing a turban, his body covered with sandalwood ashes and painted with dye, his face decorated with an outline of a black beard, precariously wrapped in a ragged saffron robe, fastened on a piece of rope is a loincloth that pretends to hide his nakedness, with sacred beads and sequins around his neck, a gold chain looped on his right ankle, which makes him appear to be a young sadhu although he does not have any tilaka on his forehead, he walks through Rishikesh towards Haridwar.
A smile of pure satisfaction radiates from his face as his senses embrace the colors, smells and flavors of the spice stands that surround him.
Sitting near the bank of the Ganges River, wearing the shade of a tree, after having crossed the Laxman Jhula Bridge, he realizes how magnificent the smells of Rishikesh are and is proud to have chosen this pilgrimage route to the Maha Kumbha Mela. ‘It is incredible how in a crowd one can better perceive healthy solitude’ is the thought that arises before the undulating mystique of the Ganges River. It is this refuge that he needed and also the absorption of millennial energies.
It is almost sunset. The young sadhu rises and as he leaves behind the Ganges the aquatic magic is diluted harmoniously in the bustle of the metropolis and he feels like the link that unites the two landscapes. His readings taught him that there may be no chaos in chaos, as there may be no order in order, but these maxims begin to be broken when he is surrounded by a group of tourists who had hitherto been photographing the exterior of Trayambakeshwar.
‘A HOLY MAN!’ they shouted.
‘Holy? Where?’ he questions himself, but as he is pointed out by cell phones, he suspects that they think he is the saint, ‘crazy people!’

[… an excerpt …]

kiss me

‘Kiss me’, she said.
‘Sorry but I do not want to miss the train.’
‘It’s just a kiss.’
‘For you maybe, but I am a marathon kisser.’

Esta é a “história” mãe. Depois decidi efectuar uma alteração para ter apenas 10 letras. Submeti-a… a ver vamos.

escravo!?

Virei um escravo, nada pago, da minha filha. Sou um fazedor de pulseiras em série. Ela escolhe as cores e eu trabalho porque sou “um pai fixe” e toma lá um beijo.

01740

A beber um gin até que aguento a escravidão.

o crime das maçarocas

— Há quanto tempo são íntimos?
— Bom, existem várias definições de “íntimo”? Está a referir-se a qual?
— Sabe muito bem a qual estou a referir-me.
Ergui os ombros.
— Se não mo quer dizer, vou ser forçado a adivinhar. — Deixei cair os ombros. — Se está a referir-se à pior de todas as definições, ou à melhor, segundo os pontos de vista, não tenho nada para lhe dizer. Conheço-a há três anos, desde o dia em que veio entregar-nos o milho. Já falou com ela?
— Já.
— Nesse caso conhece os atributos físicos de Sue, e eu tenho que lhe agradecer o cumprimento. Ela tem os seus dias. Penso que não faz por mal e que não é culpa dela quando não consegue esconder o que é, uma vez que já nasceu assim. As conversas dela são qualquer coisa de especial. Não só nunca sabemos o que ela irá dizer a seguir, como ela própria não sabe. Certa noite, beijei-a, um beijo saudável, e quando nos separámos ela diz: “Uma vez, vi um cavalo beijar uma vaca”.

páginas 98/99

Uma forma agradável? de elogiar uma moçoila.
“O Crime das Maçarocas” é o segundo conto do livro “Terceto para Instrumentos Letais” de Rex Stout. O livro reúne contos bastantes simpáticos e que revelam que Rex Sout movimenta-se, igualmente sem qualquer problema nas histórias curtas.
Foi boa uma leitura – relaxante q.b.

até ao inferno

hummmm….
hummmmmm….
………….. hummmm …
que dizer???????

resumindo:
um filme que me divertiu. ri-me o suficiente para afastar o que poderia ser uma má digestão. sam raimi realizou um simpático filme de humor.
achei excessivo os beijos ou tipo beijos entre as duas mulheres: a amaldiçoada e a cigana. foi um exagero de beijos vomitados. não havia necessidade. talvez seja moda na meca do cinema. mas não posso dizer com muita certeza porque a minha mãe não me deixa sair de casa muitas vezes. sam raimi demonstrou, pois, com grande desenvoltura e sem pudor um grande fetiche por lesbianismo? entre uma morta e uma mulher viva.

aconselho o filme a quem aguenta, qual groumet, um bom vomitado e humor nauseabundo. e uma história sem qualquer sentido de orientação. sam raimi podia ter comprado um gps?

enfim… acho que afinal não gostei.

devo estar a fazer anos?? acho eu? oops já fiz!!

aqui estou eu

Lá fiz 4? – um homem sério nunca diz a sua idade, fornece indicações…. deixa pistas.

De qualquer forma é uma boa idade de dupla vintage e como tal sinto-me com um bom vinho do Porto: saboroso, sensual e suavemente avantajado nos aromas.

Aqui ao lado sou eu mesmo com um bigode. Foi-me exigido que desfizesse a “babara” para poder receber beijos apetitosos de parabéns; em acesso diabólico deixei aquela penugem que o meu filho fez ontem questão de fotografar quando estava a descansar depois de umas compras de bd (poucas…) na Fnac.

mais um

Desde que coloquei dois desenhos com alguma ideia do que está desenhado fui hoje sujeito a chantagem – com um simples beijo – para que este desenho fosse virtualizado porque é diferente dos outros todos.

Já se nota a grandiosa habilidade com que ela desgasta qualquer lápis. Não é para todos, tenho de reconhecer.