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estamos a falar de coisas diferentes

— Queres a mãe morta? Mas que raio de filho és tu?
— Eu gosto da nossa mãe tanto como tu. Que merda de acusação é essa?
— Não disseste que ela está a sofrer muito?
— Sim disse.
— Não disseste que não há ninguém para tomar conta dela?
— Sim disse.
— Não disseste que a morte acabaria com o seu sofrimento?
— Sim disse.
— E então, sacana da merda, ainda dizes que não queres a mãe morta.
— Estamos a falar de coisas diferentes. Eu não disse que desejo a sua morte; apenas que estava melhor morta.


Uma história com exactamente 101 palavras.


Fascinado pela frase “estamos a falar de coisas diferentes” do conto “Um Conto Popular Para a Minha Geração: Na Pré-História do Capitalismo Tardio” de Haruki Murakami constante no livro “A Rapariga que Inventou Um Sonho”, tentei criar um texto sem sentido com apenas 101 palavras. Aqui está ele.

olha-me isto!

– O que está a fazer agora?
– Agora estou a falar consigo.
– O senhor está a gozar comigo?
– Nem pensar nisso. E agradeço que o assédio sexual termine já.
– Assédio…
– Sim, a senhora está a dizer que estou a gozar consigo. Ora isso é realmente assustador e ilegal.
– O senhor gosta mesmo de desconversar.
– Tenho de o fazer. É a única forma de me manter são. Com o dinheiro que vou gastar no psiquiatra ele vai conseguir comprar um Ferrari.
– Mas o senhor está na brincadeira? Olhe que eu meto-lhe um processo.
– Lá estão as insinuações sexuais. A senhora nem pense que eu lhe deixo meter alguma coisa nos meus orifícios. Olha-me esta!

black scat review #17

Yes, Virginia, Black Scat Review does DADA FORGERY. But is it anti-art?

You be the judge.

#17 is loaded with incendiary art & texts by Captain Anonymous, David Moscovich, Tristan Tzara, Anna Keeler, Christy Sheffield Sanford, Karl Waldmann, Ruth Crossman, Norman Conquest, Paulo Brito, Harry McCullagh, Michael Leigh, Gregory Autry Wallace, Eîlot Tuerie, Terri Lloyd, Doug Skinner, and Joseph Heathcott.

This is the last issue of BSR and a fitting finale it is. Don’t miss this one, folks, it’s destined to wind up a collector’s item on the ash heap of art history.
from Black Scat Books

Black Scat Books

Aqui está outro excelente número da Black Scat Review. A minha contribuição foi feita na forma de duas brincadeiras visuais.

revista minatura, capa – gatos

A capa para a Revista miNatura sobre o tema gatos.
Espero ter uma brincadeira publicada nesta edição.

brincadeiras

Primeira imagem:
A trapped woman has been found in a painting by the French artist Edgar Degas. Infrared and conventional X-ray photography revealed the ghostly image. The Ghostbusters are called in.

Segunda imagem:
Origins of the World promises to be a challenging, mobile-friendly real-time strategy game for all platforms.

origins of the world

origins of the world

a poção

Como não sei desenhar faço rabiscos. É o que eu faço rabiscos. Aqui tenho outro para ilustrar uma história.

duas cores e três

Uma brincadeira em papel que decidi depois colorir.

venham a mim

Uma série de brincadeiras fotográficas.

A imagem do “alienado” é uma criação de Into the Phoenix.

the scream inside my head by into the phoenix

the scream inside my head

Ilustração por Into the Phoenix

a sereia de curitiba

It was very pleasant reading Rhys Hughes in Portuguese. The three first stories that comprise the book can be read in the ebook “The Mermaid Variations”; the remaining stories were a world exclusive for the Portuguese edition of “A Sereia de Curitiba” by the publisher Livros de Areia.

a sereia de curitiba

a sereia de curitiba

The translation by Safaa Dib is tasteful. The games that Rhys Hughes do with the words are not lost in the translation. In addition to this we have the drawings of Paulo Barros.

“A Sereia de Curitiba” is an edition of immense quality and it does not disappoint those who already like the author, and certainly will create more followers for those wishing to venture diving in the seas of Rhys Hughes – mermaids not included!

a assassinar um escritor

Uma pequena brincadeira que fiz na sequência de umas fotos publicados por Rhys Hughes no Facebook.