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há-de desligar

Tenho o alarme do meu telemóvel apontado para as 13h40, assim de segunda a sexta-feira, um Bip-Bip-Bop-Bip é emitido pelo aparelho.

Hoje foi outro dia em que religiosamente o BipppppppBiiiiip soou estava eu deitado no chão da sala anexa ao escritório e a minha mais-que-tudo deitada no sofá (ambos em total relaxamento). BipppppppBiiiiip: o alarme soava com persistência na outra divisão.

+QT – Este barulho é irritante.
EU – Já vai parar.

BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip

+QT – Este barulho está a tirar-me do sério.
EU – Deve estar a parar.
+QT – Gostava de saber por que tens isto a funcionar mesmo quando não precisas.

BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop

+QT – Pára ou não pára?
EU – Sim há-de parar.
+QT – Xiça!

A +QT levantou-se e foi desligar o alarme que tocava mesmo ali ao lado. Depois daquela porta, em cima da mesa do escritório.

BipppppppBiiiiip BipppppppBiiiiip Bop Bippp… e o alarme parou. Eu não dizia que o alarme iria parar em breve. Sou bruxo ou quê?

give time time

‘Daddy, I’m scared.’
‘But you don’t need to be afraid my little pumpkin. You still don’t have the right weight for the witch to be interested in you.’

a luz fantástica

A Luz Fantástica (The Light Fantastic, 1986) de Terry Pratchett é o segundo livro da excelente série Discworld.
É uma obra super divertida. Mais explicações? Só lendo. (e já escrevi isto anteriormente)

(…) a inconsciência do homenzinho em relação a todas as formas de perigo fazia de alguma modo o perigo sentir-se de tal maneira desencorajado que acabava por desistir e ir-se embora.

página 20

Esta é a lista dos livros que já li do universo Discworld que está a ser lida sem ordem.

  • Luz Fantástica (The Light Fantastic, 1986)
  • Ritos Iguais (Equal Rites, 1987)
  • Mort (Mort, 1987)
  • As Três Bruxas (Wyrd Sisters, 1988)

ritos iguais

Ritos Iguais (Equal Rites, 1987) de Terry Pratchett é o terceiro livro da excelente série Discworld.
É uma obra super divertida. Mais explicações? Só lendo.

O proprietário do Enigma do Violinista considerava-se um homem do mundo, e com razão, porque era demasiado estúpido para ser verdadeiramente cruel, e demasiado preguiçoso para ser verdadeiramente mau, e, embora o corpo dele tivesse viajado bastante, o espírito nunca fora mais longe do que o interior da própria cabeça.

página 80

Como não sei já o que li ou deixei de ler aqui me deixo uma lista do que encontrei nas estantes.

  • Ritos Iguais (Equal Rites, 1987)
  • Mort (Mort, 1987)
  • As Três Bruxas (Wyrd Sisters, 1988)

vade retro demónios

Hoje pelas 07h00, minuto a mais, minuto a menos, expeli muitos demónios do corpo.
Se estivesse em casa da minha mãe, com ainda 15 anos, o mais certo era ter bebido um pozinho, inocentemente misturado na cevada, para afastar o permanente mal de inveja. O motivo de soltar com arrojo demónios em estado liquido deveu-se simplesmente a abusos gastronómicos no feriado. Motivo menos poético, eu sei.

As idas sazonais às bruxas na infância e durante a adolescência foram sempre espectaculares e acabaram por ser a minha primeira aproximação com o imaginário popular.

corpo aberto

Nos tempos em que acompanhava agrilhoado a minha mãe às bruxas, porque sofria do mal de inveja, ia de tal forma agoniado que as minhas tripas sofriam uma constante convulsão vulcânica; “Este rapaz tem o corpo aberto!” era sempre a resposta das mulheres seláquias quando o wc se transformava no meu natural refúgio. E o facto de estar agarrado dolorosamente à minha barriga enquanto as tripas lançavam jactos de fezes derretidas numa sanita desgastada não pelo uso, mas pela falta de limpeza, era a cereja no topo das vidências; os santos demónios que coabitavam com as profetas da pureza espiritual tinham conseguido uma vez mais concretizar um bom trabalho: fazerem-me evacuar.

Nunca pensei que esse acto biológico da mais perfeita normalidade se transfigurasse numa troca comercial; eu defecava e a minha mãe pagava.

Eram outros tempos; tempos de merda.

a turma do arrepio

Encontrei noutra palete de revistas, que já estão arrumadas, alguns números d’ A Turma do Arrepio criação de César Sandoval.

As revistas que foram publicadas desde 1989 até 1993 pela Editora Globo tiveram em Junho deste ano o seu regresso, mas desta feita pela editora As Américas.

O elenco do arrepio(?) é composto por algumas versões infantis de monstros da cultura popular.

Luby – licantropo.
Draky – vampiro.
Stein – o monstro criado por Victor Frankenstein. [1]
Tuty – múmia.
Belfedo – morcego. Nada de monstro aqui, excepto se for entendido como uma versão soft de um vampiro.
Medéia – bruxa. As bruxas serão sempre bruxas.

belfeldo

Só pela personagem Belfedo já vale a pena ler as aventuras da turma. É a personagem, mais amorosa e divertida.

Lamentável e incompreensivelmente “A Turma do Arrepio” não se tornou uma série mainstream apesar de ter tido grande sucesso nos anos 90; a banda desenhada teve até uma série de televisão com actores reais. Foram 50 episódios, 43 revistas e um almanaque.

A Portugal ainda não chegaram as novas revistas pela editora As Américas; ou melhor dizendo ainda não encontrei nas bancas as novas revistas. Mas é um gibi que vou adorar reler com bastante agrado.

[1] Frankenstein não é a criação, mas sim o criador de um ser humano(?) em laboratório. Mary Shelley nunca dá na sua obra qualquer nome à criação de Victor Frankenstein.