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quando o cuco chama

Há mais de 3 dias que ando a questionar os meus queridos familiares com:

— O que fazes “quando o cuco chama”?
— Ah! O que queres?
— Diz-me, o que fazes “quando o cuco chama”?
— Estás tolo?
— A sério, o que fazes “quando o cuco chama”?
— Outra vez?

Não tenho recebido qualquer resposta adequada. Apenas insultos e abanares de cabeça. E, também, muitos suspiros.

de rosca!

Há dias em que seria tão bom, mas mesmo bom, ser possível trocar de cabeça.

fragmento.000459

(…) — E a segunda?
— Ócio.
— Oh, mas já temos imenso tempo livre!
— Tempo livre, sim. Mas tempo para pensar? Se não estamos a conduzir a mais de cem à hora, sem espaço na cabeça para outra coisa que não seja o perigo da situação, estamos em casa a jogar um jogo qualquer ou sentados numa salinha rodeados de ecrãs de televisão. Porquê? Porque a televisão é “real”. É imediata, tem dimensão. Diz-nos o que pensar e di-lo aos gritos. Aquilo só pode ser certo para nós, parece tão certo. Leva-nos tão depressa na enxurrada até às suas conclusões que a nossa mente não tem nem tempo para protestar e pensar no absurdo de tudo aquilo.
(…)
— A minha mulher diz que os livros não são reais.
— Graças a Deus por isso! Podemos fechá-los e dizer: “Espera lá…” Podemos ser Deus com eles. Mas quem já conseguiu desprender-se das garras que nos envolvem numa sala de ecrãs? Estes fazem de nós o que querem! São um ambiente tão real como o mundo lá fora. Tornam-se e são a verdade.
Fahrenheit 451 de Ray Bradbury (página 116)

coisas sonhadas

Não tenho dormido quase nada. A insónia é constante, mais devidos a sonhos que me obrigam a acordar do que a outra coisa qualquer.

E qual o motivo dos sonhos forçarem o meu acordar?

Simples, tenho uma cabeça que quando não entende o que está a passar no mundo de Morfeu me acorda, simples como isso.

Ontem fui obrigado, primeiro a correr 100 metros e 20 minutos e depois 20 minutos em 100 metros e perante isto… pois… acordei!

De seguida tive de fazer umas análises ao sangue, mas as indicações no hospital estavam todas em chinês – perdi-me constantemente e… acordei.

05. referências culturais em sr. mercedes

Continuam os meus registos em tom obsessivo das referências descobertas por mim no livro Sr. Mercedes de Stephen King. Deixei passar outras porque não tinha o telemóvel à mão para tirar foto da página.

Está numa cadeira de rodas, inclinada numa postura que lembra a Hodges O Pensador de Rodin

página 183

o pensador

O Pensador (Le Penseur) é uma das mais famosas esculturas de bronze do escultor francês Auguste Rodin.

— Como o Dexter Morgan naquela série de televisão.
Hodges sabe de que série ela está a falar e abana enfaticamente a cabeça. Mas não só porque a série é pura fantasia.

página 200

Dexter Morgan é o anti-herói da série de livros de Jeff Lindsay. Em 2006, o primeiro livro foi adaptado na série televisiva “Dexter”.

(…) aos olhos de Brady, aquilo faz lembrar o gigantesco óvni no final de Encontros Imediatos do Terceiro Grau.

página 281

Close Encounters of the Third Kind (Encontros Imediatos de Terceiro Grau) é um filme americano de 1977 escrito e dirigido por Steven Spielberg, 

Não sabe ao certo quem foi Manet (…), mas os quadros dele são fantásticos. (…) Uma delas mostra um toureiro morto. (…) O toureiro não está ferido nem nada desse género, mas o rasto de sangue oriundo do ombro esquerdo parece mais real do que o sangue de todos os filmes violentos que Brady já assistiu, e ele já viu a sua dose.

página 284

Édouard Manet (1832 — 1883) foi um pintor francês e uma das figuras mais importantes da arte do século XIX, considerado como um dos mais importantes representantes do impressionismo francês, embora muitas de suas obras possuam fortes características do realismo.

O Homem Morto (L’Homme mort; originalmente intitulada O Toreador Morto ou Le Torero mort) é uma pintura a óleo sobre tela da década de 1860 realizada por Édouard Manet, produzida durante o período em que Manet estava fortemente influenciado por temas hispânicos.

o homem morto

Pois sim, pensa Hodges. Pois sim. Fecha os olhos e tomba no chão, fazendo lembrar Humpty Dumpty a cair de cima do muro.

página 449

Humpty Dumpty é uma personagem de uma rima enigmática infantil, melhor conhecida pela versão de Mamãe Gansa na Inglaterra. Ela é retratado como um ovo antropomórfico, com rosto, braços e pernas. Esta personagem aparece em muitas obras literárias, como Alice Através do Espelho de Lewis Carroll.

Humpty Dumpty sat on a wall,
Humpty Dumpty had a great fall.
All the king’s horses and all the king’s men
Couldn’t put Humpty together again

— Assustador como o caraças. Alguma vez viste aquele filme sobre o palhaço no esgoto?
Hodges abanou a cabeça. Mais tarde — apenas semanas depois da sua reforma — tinha comprado o DVD do filme e Pete tinha razão. O rosto da máscara era muito semelhante ao rosto de Pennywise, o palhaço do filme.
Mr. Mercedes de Stephen King (pág. 69)

Referência à mini-série de 1990, posteriormente convertida em filme, e que se baseia no livro homónimo de Stephen King escrito em 1986.

santuário de santa rosália

Descrição de Goethe na sua “Viagem a Itália“.

À luz frouxa de algumas das lamparinas descobri uma bela Virgem.
Estava numa espécie de êxtase, os olhos meio fechados, a cabeça solta e pousada sobre a mão direita adornada de muitos anéis. Não me cansava de olhar para esta imagem, que me parecia ter encantos muito especiais. O manto é de folha dourada que imita muito bem um tecido rico de ouro. A cabeça e as mãos, em mármore branco, são, não direi de estilo elevado, mas trabalhadas de forma tão natural e agradável que pensa-mos que a todo o momento ela vai respirar e mexer-se.
Tem ao lado um anjinho que parece abaná-la com um pé de lírio.

página 310

cara – 049

Uma cabeça com estilo!

blacker against the deep dark by alexander zelenyj

In a simplistic and sympathetic way I could say that the stories of “Blacker Against the Deep Dark” by Alexander Zelenyj become a surreal extension of our day-to-day experiences – they delve into the interior emotions of its readers. But is it just that? That would be nice, even attentive I would say, by the author, but Alexander Zelenyj does not miss the opportunity to creep, with a refreshing originality, under and under our skin.

In a non-simplistic way the book doesn’t use many psychedelic special effects, but blows our head up. An in-depth and provoking book, fantastic!

flamingos no quênia

Lago Nakuru é um dos três lagos inter-relacionados província do vale do Rift, no Quênia. Estes lagos são lar de 13 espécies de aves globalmente ameaçadas e algumas das diversidades de pássaro mais altas do mundo. Uma característica absolutamente incrível do Lago Nakuru são as grandes reuniões de flamingos. Durante esse fenómeno, é possível encontrar duas espécies diferentes de flamingos: o “Greater Flamingo” e o “Lesser Flamingo”.

wiki culturama
wiki culturama
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Os lagos de soda, superficiais e corrosivos, situados perto de Naivasha e Nakuru, eram justificadamente famosos pelos seus flamingos. Os flamingos menores reuniam-se no lago Nakuru, os maiores no lago Natron. Avistei enormes manchas cor-de-rosa no lago Elmenteita: milhares de aves. Alimentavam-se nos seus baixios, de cabeça inclinada, fazendo oscilar os graciosos pescoços; arrastavam o bico pela água e picavam os alimentos.
Os turistas só viam estes pássaros encantadores e nada sabiam acerca do padre Kaiser ou das forças obscuras do Quénia que o tinham liquidado.

Viagem por África de Paul Theroux (página 245)