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As minhas ideias estavam confusas. De uma forma muito peculiar, a irrealidade do mundo exterior parecia ser uma extensão do meu perturbado estado de espírito.
Gelo de Anna Kavan (pág. 65)

anna kavan

Anna Kavan nascida Helen Emily Woods, em Cannes, em 1901, Anna Kavan foi uma escritora cuja obra the valeu comparações a Virginia Woolf ou Sylvia Plath. Tendo passado a infância a viajar pela Europa e Estados Unidos, regressa com a família ao Reino Unido, onde, após um casamento falhado, se inscreve na London Central School of Arts and Crafts. Em 1929, publica o seu primeiro livro, A Charmed Circle, sob o pseudónimo de Helen Ferguson, lancando, nos oito anos seguintes, mais cinco romances. Como consequência de um segundo divórcio e da morte de um filho, sofre o primeiro de vários colapsos nervosos, sujeitando-se a um longo período de internamento numa clínica, na Suiça. Nunca mais ira recuperar inteiramente a sua saúde mental, agravada por uma dependência de longa data à heroína. Em 1940, publica Asylum Piece, o seu primeiro livro assinado como Anna Kavan, protagonista de duas suas obras anteriores, Let Me Alone (1930) e A Stranger Still (1935). Morre em 1968, pouco depois da publicação do seu livro mais celebrado, Gelo. Antes de morrer, a autora destruiu toda a sua correspondência e diários pessoais, ambicionando tornar-se «um dos maiores segredos do mundo literário». Quase o conseguia, não fosse a força profundamente inovadora da sua escrita e a admiração incondicional dos seus pares, entre os quais se contam nomes como Anaïs Nin, J. G. Ballard, Doris Lessing ou Patti Smith, a terem resgatado de um possível e injusto esquecimento.


Biografia extraída do livro “Gelo” publicado pela editora Cavalo de Ferro.

A casa era vil. Estremeceu e pensou, com as palavras a fluírem livremente na sua mente: Hill House é vil, é doentia; vai-te embora daqui já.
A Maldição de Hill House de Shirley Jackson (página 32)