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a parábola dos cegos

A Parábola dos Cegos é uma pintura do artista do Renascimento flamengo Pieter Bruegel, o Velho, concuída em 1568. Executada usando a técnica de tinta plástica sobre tela de linho, ela mede 86 cm × 154 cm. Atualmente, a tela faz parte do acervo do Museu de Capodimonte, em Nápoles, Itália.
A obra retrata a parábola contada por Jesus Cristo, na qual o cego guia outro cego. A passagem bíblica aparece em Mateus 15:14, quando Jesus dirige uma crítica aos fariseus: “Deixai-os. São cegos e guias de cegos. Ora, se um cego conduz a outro, tombarão ambos na mesma vala.” A narrativa é comumente interpretada como uma metáfora para descrever uma situação em que uma pessoa sem conhecimento é aconselhada por outra pessoa que também não tem conhecimento algum sobre determinado assunto.

Wikipédia


Quero percorrer o meu caminho pela vida no anonimato. A cegueira dos outros é a minha segurança e a minha liberdade.
Comboio Nocturno para Lisboa de Pascal Mercier (págs. 409 e 410)

quem quer ser bilionário

Li este livro quando foi colocado à disposição dos sócios do Circulo de Leitores. Numa escala de 0 a 10 classificaria o livro com um suave 6.

Devo ser uma pessoa mais ou menos desligada porque li o livro como mero passatempo de lazer e não compreendi a mensagem: pobreza, miséria, degradação.
Pesquisei um pouco para descobrir desde quando surgiu a polémica do “quem quer ser bilionário” e surpresa das surpresas foi com o filme. Isto só prova que uma imagem vale mais do que mil palavras.

Contudo, para mim, o que é, ainda, mais chocante é estar muita gente à espera que saia o filme.
– Já lestes o livro?
– Nah. Estou à espera do filme. Sou um gajo que funciona em multi tarefa. Comigo é som e imagem.

Mas como é possível saber que aquele livro também vai ser filme? E se não houver filme? Vai ser então lido o livro? Questões profundas.

Os livros não causam, actualmente, muitas ondas. Exceptuando se tratam temas religiosos. Vejam que não houve polémica com o “Ensaio Sobre a Cegueira“, mas com o filme sim.

E eu até entendo que ler é um anacronismo. Como se pode ler a comer pipocas e beber pepsi.

blindness

The only thing more terrifying than blindness is being the only one who can see.

José Saramago, Blindness

Blindness é um filme perturbador e tal como na obra “O Senhor das Moscas” de William Golding, adaptada já ao cinema, revela que o mal é próprio da natureza humana.

Túnel no Céu de Robert A. Heinlein, editado entre nós pelas PEA em 1996, conta-nos, igualmente, a história de um grupo de indivíduos que não nos deixa esquecer que o homem é um “animal social”.

O filme e as obras referidas colocam, ao fim e ao cabo a pergunta:
Será o homem naturalmente mau?
Eu aceito melhor o pessimismo antropológico de Hobbes – homo homini lupus, o homem é o lobo do homem – do que o optimismo antropológico do bom selvagem de Jean-Jacques Rousseau.

an enquiry concerning human understanding

The Sceptic is another enemy of religion, who naturally provokes the indignation of all divines and graver philosophers; though it is certain, that no man ever met with any such absurd creature, or conversed with a man, who had no opinion or principle concerning any subject, either of action or speculation. This begets a very natural question; What is meant by a sceptic? And how far it is possible to push these philosophical principles of doubt and uncertainty?

David Hume, An Enquiry Concerning Human Understanding

Acossado pela cegueira mental P. refugiou-se na biblioteca.