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rever paris de schuiten e peeters

Este álbum de Schuiten e Peeters está fora do universo “Cidades Obscuras”, mas a história enigmática, os desenhos está sempre presentes. Álbum visionário, surrealista – mestria sempre presente.

Fantástico. Autores que não sabem desapontar.

Tradução: João Miguel Lameiras

livros na palete – posição 025.2020

Desta feita boa banda desenhada não falta.

les murailles de samaris

Perguntaram-me “qual a razão de o meu rogue se chamar Samaris”. Expliquei que era uma cidade do mundo maravilhoso Das Cidades Obscuras, criação de Benoît Peeters e François Schuiten.

Para satisfação própria ainda enviei esta foto do meu álbum assinado pelos dois autores em 1998.

A pessoa atirou para o ar “tenho a ideia que também foi um jogador do Benfica” – que cena.

Fiquei com isto na pulga da orelha e por isso esclareço…

…para que fique claro o meu Samaris não tem nada a ver com Andreas Samaris, que é o resultado que aparece no Google se se colocar apenas na pesquisa Samaris. Aconselho a colocarem Samaris BD.

une vision d’eugen robick

Une vision d’Eugen Robick é um suplemento de 1992 da revista (A Suivre) número 172.

cidades_obscuras

les cités obscures

as171

(a suivre) 171

As Cidades Obscuras é a criação máxima de François Schuiten e de Benoît Peeters e os autores, felizmente, foram com alguma, muito pouca infelizmente, regularidade oferecendo pérolas sobre As Cidades Obscuras.

As Cidades Obscuras (Les Cités Obscures) é uma série de álbuns de banda desenhada franco-belga desenhada por François Schuiten e escrita por Benoît Peeters. O primeiro álbum, “Les Murailles de Samaris”, foi lançado em 1983. A série se passa em um continente imaginário localizado em um mundo paralelo, em princípio invisível ao nosso, no qual uma multiplicidade de influências se misturam, do surrealismo metafísico borgiano à literatura de Júlio Verne (principalmente suas viagens extraordinárias). (via wikipédia)

L’Echo des Cités é um jornal dentro do universo As Cidades Obscuras que teve a sua primeira publicação em 719 AT com um editorial por Elmar Obstig von Offenstein.

Em 1996 L’Echo Des Cités teve uma edição em álbum pela Casterman.

Le titre de l’album, L’Echo des Cités, est aussi celui du journal dont il retrace l’histoire, depuis son numéro un « historique » daté d’avril 719 jusqu’à sa fin, en passant par les années fastes et celles qui le furent moins…

Infelizmente é outro dos álbuns que não tenho.

fórum fantástico, 2010

O dia 13 foi o meu grande dia, e lamentavelmente o único, no Fórum Fantástico 2010. Soube a pouco, soube a muito.

Balian of Ibelin: What is Jerusalem worth?
Saladin: Nothing.
[walks away]
Saladin: Everything!

from Kingdom of Heaven

Depois de uma viagem hiper-mega cansativa como diria o meu adolescente caseiro e sem ter ainda almoçado (trinquei entretanto um chocolate no fórum) lá me sentei a tempo de assistir ao Painel “Lisboa Fantástica”, moderado por Rui Tavares, com João Barreiros, David Soares e Octávio dos Santos. Só tenho a tecer elogias à loquacidade dos intervenientes que permitiu sem qualquer dificuldade “beber” atentamente das palavras que foram sendo debitadas por pessoas que sabem (amam) do que falam sem artificialismos.

com david soares

com david soares

Encontrei, cumprimentei, fotografei-me com David Soares a causa da minha saudável loucura – deslocação a Lisboa para ver/ouvir pessoas a falar de livros, “mas podia dar-te para pior” terá dito um conhecido meu que já anteriormente tinha ficado chocado por através de um simples lápis, mas afiadíssimo digo em abono da verdade, eu ter assassinado uma anónima personagem num dos meus contos. Não se pense que ataquei verbalmente David Soares com perguntas e mais perguntas e talvez, ainda, mais perguntas. Nada disso. Eu sou um fã sóbrio que não ficou nem embrutecido, nem paralisado pelo encontro. Apenas entendo, modestamente, que David Soares vem respondendo às minhas perguntas não apenas através do seu blog, mas igualmente pelas suas histórias. A minha satisfação foi atingida pela simpatia e facilidade como qualquer um de nós pode “chegar” a ele. No final do dia senti-me mimado por estar ali ao vivo na apresentação d’ “A Luz Miserável” e pelas suas duas dedicatórias. Já não experimentava uma grande admiração por um autor e pela sua obra desde a saga das cidades obscuras por Benoît Peeters e François Schuiten (que estiveram presentes num dos salões internacionais de banda desenhada do Porto).

com joão barreiros

com joão barreiros

E foi esta facilidade de aproximação que tenho a salientar relativamente a todos os convidados presentes. Algumas vez me passaria pela cabeça falar com João Barreiros, ou ser conhecido pelo Peter Brett como um “Facebook friend”? Se foi com apenas uma ideia em mente que me desloquei a Lisboa a verdade é que nunca pensei que o dia fosse tão positivo. Não bastou David Soares, João Barreiros, Peter Brett, tive ainda um reencontro, desta vez não falhado com Geraldes Lino.

com geraldes lino

com geraldes lino

A apresentação da “A Luz Miserável” foi, claramente, o momento alto do dia e motivo por estar ali sentado na plateia. Valeu a pena. Lamentavelmente tive de partir no dia seguinte (o regresso a casa, inevitável) e não pude como tal assistir à intervenção de David Soares: A Mecânica da Escrita Fantástica (IV) – “Quando a Realidade se mistura com o Fantástico”.

david soares

Sem esquecer que me vi na necessidade de comprar uma mala para carregar os livros que comprei. Pois. Um fim-de-semana em cheio.

quando o homem-aranha encontra o homem-aranha

.um farrapo verbal à guisa de explicação.
Adoro banda desenhada e sempre adorei desde que me lembro. E recuando ao meu antigamente, não ao estilo high magic de Harry Potter, constato que as primeiras bandas desenhadas que devo ter lido, porque aparecem dentro daquela névoa mental própria de bons tempos idos, foram:

  • a Garra de Aço [Steel Claw]. Recordo a garra de aço negra suspensa no ar a combater o crime
  • e umas revistas com o Homem-Bala [BulletMan]

Eram as minhas personagens preferidas. Haviam outras, como o Tex, Mandrake, mas a Garra de Aço e o Homem-Bala faziam-me verdadeiramente vibrar.

Não guardo nenhuma revista, porque eram emprestadas pelo meu querido Tio João e o que maroto fez delas não sei; foram para o lixo provavelmente, grande sacana. E quem, assim, se recorda do que lia é um eterno apaixonado. E quem me conhece sabe que gosto muito de falar, menos emprestar porque demoram tempo a regressar, o bilhete é de ida-e-volta, mas o comboio de volta deve estar sempre lotado, da minha colecção de bd e dos meus autores/heróis preferidos, quase todos descobertos nos meus tempos de Coimbra. Uau, isto agora foi mesmo à quase Saramago.

garra de aço

Ia dizendo; e neste meu umbigo virtual sempre que para aí a memória, ou uma qualquer conversa puxava lá escrevia sobre bd, mas nunca tão abundantemente quanto agora. O(s) motivo(s) é(são) simples, a descoberta do lançamento de um novo “Cidades Obscuras” e da paixão encontrada nos posts do bongop. Fiquei com o desejo ardente de escrever, também e porque não, sobre a minha paixão: banda desenhada.

Escrevo isto hoje, já o deveria ter feito, eu sei, porque é a forma com que eu estou na vida e nesta, às vezes, (im)pessoal, internet; daí que envio, também, para mal dos meus pecados, porque escrevo primeiramente para o meu próprio gozo, o meu agradecimento ao bongop pelo post que me espicaçou a escrever.
.fim de um farrapo verbal à guisa de explicação.

Marvel 2099 teve o primeiro lançamento em 1992 e a revista Spider-Man 2099 foi a que me chegou primeiro aos olhos e às mãos.
Gostei do que li. Da sociedade controlada por gigantescas corporações, do submundo, da cultura cyberpunk.
Já não fui convencido com o novo Hulk 2099, os novos X-Men 2099, o novo The Punisher 2099 e muito menos com novo Thor. O aborrecido desta série para mim é a recriação de heróis e vilões num contexto temporal, social, politico e religioso diferente. São os mesmos heróis, os mesmos vilões com um ruído de fundo diferente. E por vezes, quase sempre, o guisado não funciona. No Spider-Man 2099 temos, também, o Abutre 2099. Poderia haver um pouco mais de imaginação. Reconheço que desta forma é facilitada a empatia do leitor ao novo universo, mas um esforço teria sido bem vindo.

A série teve um fulgor inicial, mas acabou por terminar em 1996 no seguimento de um controlo de custos pela Marvel.

dois spider men

Spider-Man 2099 ainda é uma revista que vale a pena folhear. A personagem está bem recriada. Mantendo, até, inalterável o seu sentido de humor. Spider-Man 2099 (Miguel O’Hara) é o carácter que menos perde e o que mais ganha incluindo uma projecção holográfica da Marilyn Monroe.

spider man 2500

Em 1995 Peter David (escritor), Rick Leonardi (desenhador) e Al Williamson (arte finalista) trazem uma aventura one-shot inteligente.

“Spider-Man 2099 Meets Spider-Man” é uma história relaxante e carregada de frivolidades tão próprias de Peter David.
O aparecimento do Homem-Aranha (Peter Parker) em 2099 e do Homem-Aranha (Miguel O’Hara) em 1995 cria situações de conflito engraçadas, mas ambos se adaptam perfeitamente a ambientes hostis tão díspares.

No final da aventura os nossos heróis conhecem o especular Homem-Aranha 2500. O que é uma surpresa para eles e um triplo bónus para o leitor.
Pessoalmente acho ser um Homem-Aranha pouco original; muito parecido com o seu melhor inimigo o Dr. Octopus. Mas que dizer de uma simples imagem? apenas que em 2500 ainda haverá aventuras do Homem-Aranha.

a teoria do grão de areia, vol I

Graças ao blog Reféns da BD fiquei a saber da BOMBA: o lançamento do 10º tomo da espectacular obra “As Cidades Obscuras” que foi ontem distribuído com o jornal “O Público”. Daqui fui levado ao Leituras de BD/Reading Comics onde está a verdadeira referência.

Li-o ontem e é simplesmente brilhante como o são todas as histórias d’ “As Cidades Obscuras”. Gostando mais da “Torre”, com “A Teoria do Grão de Areia” vol I temos a mesma qualidade gráfica, um ambiente de requinte requintada, personagens únicas – a “A Menina Inclinada” é uma das personagens nesta nova história – e uma história como sempre surrealista nos seus ângulos e simetrias.

o jantar 2.0

O livro de banda-desenhada “As Muralhas de Samaris” foi comprado num pacote juntamente com “O Arquivista” e “A Fronteira Invisível”, vol. I. Como já tinha a edição em francês de “Les murailles de Samaris” assinada pelos autores lembrei-me de o oferecer como bónus 2 em 1 ao sir p.. Acho que sir p. ficou contente com as prendas que recebeu da minha modesta pessoa quando ele sabe que detesto dar livros que não tenho e gostava de ter. Contudo por muito que me custe não me sinto confortável a oferecer uma obra que já tenho. A aventura de procurar o tal livro é muitas das vezes compensatória e faz-me, quase, esquecer o quanto detesto oferecer livros.

“As Muralhas de Samaris” é a primeira obra da saga “As Cidades Obscuras” criação máxima de François Schuiten (desenho) e de Benoît Peeters (escrita).

Série Oficial

  1. Les Murailles de Samaris (1983) – As Muralhas de Samaris [1]
  2. La Fièvre d’Urbicande (1985) – A Febre de Urbicanda, pela Edições 70 [2]
  3. La Tour (1987) – A Torre [3]
  4. La route d’Armilia (1988) – [1]
  5. Brüsel (1992) – Brusel [4]
  6. L’enfant Penchée (1996) – A Menina Inclinada
  7. L’Ombre d’un Homme (1999) – A Sombra de um Homem [2]
  8. La Frontière Invisible, vol. 1 (2002) – A Fronteira Invisível, vol. 1, pela Witloof[2]
  9. La Frontière Invisible, vol. 2 (2004)
  10. La Théorie du grain de sable, vol. 1 (2007)
  11. La Théorie du grain de sable, vol. 2 (2007)

Outras Obras

  • L’archiviste (1987) – O Arquivista, pela Meribérica [5]

Mas voltando ao meu rascunho inicial. No tal jantar falou-se de muitas coisas e uma delas foi o esquecimento regular, digamos que compreensível, de sir p. em dar-me os parabéns quando a passagem do tempo permite que eu a comemore anualmente; e apesar de ficar geralmente aborrecido, outras vezes fodido, mas só foram duas vezes, perdoo por amizade, como Wilson, as diabruras de um fraco candidato a House.

Mas voltando, novamente ao ano em que deveria fazer e devo dizer que fiz os meus 33 anos de idade. Por cerca de, sei lá, 11 meses mencionei que estava morto desejoso de passar os 33 anos porque foi a idade com que JC morreu. E como sou um ateu e se estiver maldisposto um agnóstico eu seria a prova viva de que Ele não existe ou se existe não me liga puto. Nesse ano, 2001, sir p. deu-me os parabéns. E fazendo umas contas assim para o “a correr” já privamos, umas vezes assim outras vezes menos assim, há cerca de 11 anos.

Ainda não é um bom vintage, mas talvez venha a ser.


[1] tenho as edições em francês assinadas pelos autores
[2] edições em português
[3] tenho a edição em espanhol
[4] tenho esta obra, salvo erro, na coleção “Selecções BD”
[5] é a única obra que tenho fora da série d’ “As Cidades Obscuras”. As restantes obras podem ser consultadas na wikipedia.