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a especulação imobiliária de italo calvino

Numa pequena cidade da Riviera, que conhece um rápido desenvolvimento económico, começa a falar-se de turismo. Por isso, é inevitável que o mercado imobiliário cresça e o cimento se espalhe de um modo febril e desordenado.
Quinto Anfossi, um intelectual que leva uma vida económica e espiritual muito recolhida, fica fascinado pelo novo espírito que parece ter invadido a Itália, pela energia vital que emana dos construtores e dos homens de negócios, indivíduos que, aos seus olhos representam o homem novo. Esmagado pelos impostos que, pela morte do seu pai, pesam sobre a propriedade da família, transforma-se em empresário imobiliário, seduzido, mais do que pelo dinheiro, por aquilo que interpreta como o novo espírito dos tempos. Para isso associa-se a um certo Pietro Caisotti, um homem rústico e ignorante que conseguiu já fazer uma pequena fortuna.
À medida que o tempo passa, o negócio torna-se mais complicado do que parecia e, depois de muitas vicissitudes legais e burocráticas que levam inclusive à ruptura com o seu irmão, Quinto, cada vez mais preso nas areias movediças da sua relação de negócios com Caisotti, decide chegar a um acordo com o empresário do qual o limitado e vulgar Caisotti sai obviamente vencedor.

Wook

Outro grande conto. Italo Calvino é um mestre – excelente como a corrente do absurdo nos começa a abafar.

Tradução de José Colaço Barreiros

delirium tremens

Ontem à noite (ou hoje de madrugada) iniciei a leitura do livro “O Terror”; nessa noite fui sem motivo aparente, pelo menos eu na minha doce ignorância à loiro não consegui discernir a razão, vitima de uma ameaça tão anedótica como patética de uma pessoa a sofrer de qualquer sintoma de delirium tremens.

Sem adiantar dados sobre a pessoa em questão fiquei durante uns breves segundos a pensar o que decrepitude pode fazer a algumas pessoas que se julgam, sabe-se lá porquê, motivo de alguma perseguição medieval; a seguir bebi um gole de um Vodka Martini e continuei a minha leitura.

Hoje não posso deixar de verter um farrapo sobre o acontecimento que me podia ter feito render uma boa massa de dinheiro se a minha mulher não me tivesse sensualmente pedido para não telefonar à policia; agora estou arrependido porque este ano ia ter umas férias pagas.

anigamix 2011

CONCLUSÃO: Nunca mais vou forçar os rebentos a eventos de BD. O meu filho mais velho estava com uma cara de enterro capaz de envergonhar qualquer recente viúva (alegre ou não); nunca vi em funerais uma melhor cara de enterro do que a exibida por ele ontem no Anigamix 2011. Saiu-me tudo trocado; devia-o ter deixado em casa a ficar mais entorpecido em frente da XBOX 360. Nada de assinaturas desenhadas (exceptuando uma), nada de apresentação da Zona Monstra – um completo vazio na confusão do Anigamix.

[….] Quanto ao Anigamix 2011?

Os pontos positivos foi umas boas compras e ter sido descoberto pelo Nuno Amado aka bongop. Quando alguém me diz “Olá Paulo Brito!” e não sei quem o diz o meu cérebro começa a processar pelas minhas memórias ao melhor estilo CSI um reconhecimento facial. Salvou-me mais embaraços a identificação “Sou o Nuno Amado, reconheci-te pelo chapéu.” Não deixou de ser engraçado ter encontrado a pessoa que me levou a comprar novamente livros de BD em Português – confiança nas editoras portuguesas precisa-se. Nuno Amado é o responsável pelo excelente blog de divulgação de banda desenhada: Leituras de BD.

Gostava de ter conversado com ele, fora da blogosfera, mas as ditas circunstâncias explicadas na “CONCLUSÃO” inicial isso impediram.

nuno amado e mim

Deixo-me com mais umas fotos; comprei, igualmente, o “Zona Mostra”, “O Amor Infinito que te Tenho e Outras Histórias” e mais umas obras.

boring europa

boring europa

diogo carvalho, obscurum nocturnus

diogo carvalho, obscurum nocturnus

Foto rapinada do blog Leituras de BD de Nuno Amado – é possível ver ali a minha grande pujança.

mim por ele

mim por ele

cement

Um suporte.
Fotografia tirada com o carro em movimento.

“minha mãe, vou perder a razão”

“(…) Afinal, quem esperamos nós…? (…) ”E então? Ele não é, por certo…?(…) ”Quem mais poderia ser? (…) Quem mais poderia ser, senão ele? Que loucura a nossa”

A Marquesa de O por Heinrich Von Kleist

Hoje pela manhã uma enorme ansiedade colou-se à minha pele mal ultrapassei os muros do cemitério. Não sei o motivo de tal acontecimento. Nunca antes me tinha acontecido. Veio-me, imediatamente, à memória esta frase:

Aconteceu-me qualquer coisa; já não posso duvidar. Qualquer coisa que veio à maneira de duma doença, não como uma vulgar certeza, não como uma evidência; que se instalou sorrateiramente, pouco a pouco. A dada altura senti-me um tanto esquisito, algo incomodado, mais nada.

A Náusea por Jean-Paul Sartre

E ainda agora, não num estado tão avançado, sinto-me incomodado. Sem perceber as razões escrevo, sempre, como forma de exorcizar e compreender esse sentimento pegajoso.

a tube and green

Um tubo em verde, muito verde e musgo.

buraco

E porque não? um pouco de verde em cimento.

wire embrace

Abraço de arame – amor em ferro.

o nim

Ontem recusei por imenso tempo sair de casa para jogar à bola com os meus filhos. Mas lá cedi, infelizmente. E infelizmente porque a poderosa Margarida a lutar contra o mano pela posse da bola caiu, bateu contra um vaso de cimento, abriu a testa e ficou com uma ferida a jorrar sangue abundantemente.

Peguei nela ao colo, galguei, imaginem, as escadas para o apartamento e friamente, se tal foi possível com o Luís Miguel a chorar desesperado e a Carla sem reacção, a ferida foi limpa e estancada. É uma ferida feia numa testa linda e pequena, mas o sangue apesar de ter coberto totalmente a sua cara e ter sujado várias peças de roupa criou na altura a imagem de algo que parecia ser muito grave, mas que felizmente não o foi. Felizmente.

E se o meu não tivesse sido mesmo um não e não um nim?

artigo 75º

Este artigo 75º não é irmão e muito menos enteado do artigo 22º que, desde já, aconselho a sua leitura. O artigo 75º em questão é aquele novelizado na crónica “A ironia de certas decisões.” publicada no Barcelos Popular (ano XXXI, n.º 441 de 17.04.2008) “que concede aos docentes com bastantes anos de trabalho uma redução horária lectiva”.

Sobre este artigo irei verter, apenas, uma singela pergunta.
Como é conciliada esta redução com a acumulação em estabelecimentos privados de ensino? E assim sendo que desgaste é esse?

Foram duas perguntas, as minhas desculpas.