Tag Archive for: círculo de leitores

09 Mai
09.05.2018 O humor não salva; o humor, em definitivo, não serve para quase nada. Podem ver-se, durante anos, muitos anos mesmo, os acontecimentos da vida com humor. Nalguns casos pode adoptar-se uma atitude divertida praticamente até ao fim; mas a vida acaba sempre por nos deixar de rastos. Por melhores que sejam as qualidades de coragem, sangue-frio e humor que criemos ao longo da vida, acabamos sempre por ficar com o coração em fanicos. E, então, deixamos de rir. No fim de contas, só nos resta a morte.
As Partículas Elementares de Michel Houellebecq

as melhores obras policiais de edgar wallace

08 Jan
08.01.2016

Sempre desejei ter esta colecção de Edgar Wallace (As melhores obras policiais de Edgar Wallace, edição Círculo de Leitores).
O preço dela foi tão insultuosamente baixo que… enfim! Se já tinha muita coisa para ler, aumentei o lote ao triplo – vou ter mais umas histórias para reler e outras para descobrir.

o fio do tempo

02 Out
02.10.2011

4 de Outubro de 1500. Um homem contempla Lisboa à janela dos seus aposentos, no paço da Alcáçova. Tem 101 anos, e é o último conquistador de Ceuta vivo. Enquanto aguarda a inevitável visita da morte, D. Álvaro de Ataíde recorda a sua vida aventurosa: servidor da Casa de Viseu, conquistou Ceuta, lutou na Guerra dos Cem Anos, foi campeão de justas e torneios, sofreu em Tânger, ajudou a criar as caravelas, visitou a Guiné, ganhou fama na Borgonha, esteve em Alfarrobeira, na tomada de Arzila e na batalha de Toro. Conselheiro de reis e de duques, assistiu às lutas políticas e às tragédias do século XV português; viu a sua Casa ascender com D. Henrique e D. Fernando, cair em desgraça com D. Diogo, para finalmente subir ao trono com D. Manuel. Assistiu ao novo rumo que o destino de Portugal tomava, mudanças que o seu escravo, um guinéu que se entregava à prática da feitiçaria, acreditava terem acontecido graças à maldição que lançara sobre el-rei de Portugal.

Círculo de Leitores

“O Fio do Tempo” de João Paulo Oliveira e Costa editado pelo Circulo de Leitores foi uma excelente surpresa. É um livro que nos faz mergulhar na história de Portugal através das memórias de D. Álvaro de Ataíde, que com de 101 anos é o último representante vivo dos conquistadores de Ceuta.

O livro, que se lê de uma penada, é um fabuloso romance histórico.

requiem para d. quixote

28 Jan
28.01.2011

“Requiem Para D. Quixote” narra as aventuras de Peter Maynard (“Califa”) depois do seu exílio em Roma na sequência dos acontecimentos ocorridos na história “Mão Direita do Diabo”.
Dennis McShade continua a convencer e a deliciar-me com as deambulações do seu incomum assassino profissional.
“Requiem Para D. Quixote” é um livro de paixões, traições, humor, morte e filosofia.

sobre o escritor

Nasceu em 1930, em Lisboa, cidade onde cresceu, tendo como pano de fundo o Bairro Alto. Estudou na Escola Comercial, que não completou para se dedicar ao jornalismo desportivo, à crítica cinematográfica e à banda desenhada. Durante o regime salazarista (nos anos de 1967-68), publicou três policiais — Mão Direita do Diabo, Requiem Para D. Quixote e Mulher e Arma com Guitarra Espanhola) —, conseguindo evitar represálias políticas ao esconder-se atrás do pseudónimo Dennis McShade, uma americanização do seu nome. Anos depois (1977), publicou o best-seller O Que Diz Molero, obra fortemente aclamada pela crítica e já adaptada para teatro. Faleceu em 2008.

mão direita do diabo

25 Jan
25.01.2011

Outro livro do fantástico Dennis McShade. Não estou a ler pela ordem de edição, mas pela ordem com que os arranco da mesa de cabeceira. Mais uma vez seguimos Peter Maynard e os seus fantásticos monólogos. Um livro apetitoso comido de um só trago.

mulher e arma com guitarra espanhola

24 Jan
24.01.2011

– A situação tornou-se insuportável – disse ele, devagar. – Tentei reagir, mas não consegui. Experimentei outras mulheres. Você sabe como é, Maynard. Nos meus bons tempos, esquecia uma mulher procurando outra. Mas isso era nos meus bons tempos. Agora, só Nora me ocupava o pensamento. E quanto mais ela me atraiçoava, maior era o meu desejo dela, a minha paixão. Um estado patológico. Qual é o nome científico que isto tem?
– Parvoíce – disse eu.

página 23

Dinis Machado aka Dennis McShade ofereceu-me com “Mulher e Arma com Guitarra Espanhola” umas horas de boa diversão. Excelente.

Uma edição oportuna do Círculo de Leitores

a diaba

25 Set
25.09.2009

Ontem a minha filha irrompeu pelo escritório enquanto atendia um cliente e amigo. Atirou-me um beijo e seguiu para casa com a mãe.
O Hugo lá me perguntou se ela ainda tinha as pilhas carregadas. Embasbaquei porque não soube o que lhe responder. Acabei por dizer que era uma autêntica diaba. Uma linda diaba, convenhamos. Uma marota. Um amor. Um desastre ambulante. A causa da família não ir comer fora como habitualmente. Nunca sabemos como vai correr. A razão dos meus cabelos brancos. Do meu aumento de peso – okay esta é demasiado forçada. Umas vezes adormece às 21.00, outras às 01.00. É uma incógnita perfeita e absoluta. Terminei dizendo que não há palavras para descrever o amor que ela é. O “terror” que ela é.

Pela noitinha ao passear pelo corredor reparei no Doutor Fausto de Thomas Mann e recordei-me da conversa e da impossibilidade em descrever por palavras o comportamento da minha filha.
Aventurei-me de seguida a procurar o “amoroso” diálogo de Adrian Leverküh (Fausto) com ELE [diabo].

(…) Informai-me! Como é que se vive na casa do Cão-Tinhoso? Que destino terá na espelunca aquele que se congraçou convosco?
ELE (dando uma gargalhada aguda, cascateante) (…) no fundo, não é fácil falar acerca disso, quer dizer, na verdade, não se pode falar disso de maneira nenhuma, porque o essencial não se ajusta inteiramente às palavras. A gente pode empregar e fabricar muitas palavras, mas todas elas são apenas substitutos; fazem as vezes de nomes que não existem, não lhes cabe pretender designar o que é totalmente impossível de definir e qualificar por meio de palavras. A volúpia secreta, a segurança do Inferno, consiste precisamente no facto de eler ser indefenível e conservar-se impenetrável às tentativas da língua; consiste no facto de ele se limitar a existir, sem que seja possível denunciá-lo aos jornais (…) Denominações tais como «subterrâneo», «cave», «muros espessos», «ausência de ruídos», «olvido», «desesperança» não passam de fracos simbolos, e, meu prezado amigo, convém, portanto que se contente com symbolis quem quiser falar do Inferno, uma vez que lá se acaba tudo – não só a palavra indicadora, mas tudo, tudo, simplesmente! (…) é penoso falar destas coisas que se passam muito além e fora da língua, a qual não tem nada a ver com elas e não as consegue interpretar; motivo porque nunca sabe claramente que forma de tempo dever usar a seu respeito e então escolhe o futuro, como solução de emergência, dizendo: «Ali haverá gemido e ranger dos dentes.» Bem, estes são alguns termos onomatopaicos, seleccionados em domínios bastante remotos do idioma, mas, mesmo assim, apenas símbolos fracos, sem relação autêntica com aquilo que «ali haverá» (…)

Doutor Fausto, ed. Círculo Leitores, 1991, págs. 285 e 286

11 Mar
11.03.2008 Lábios pintados. Comprimidos como se fossem pregar um beijo, ou num beicinho jocoso, ou levemente entreabertos como que numa erótica surpresa perante a electricidade do contacto de um amante, outros a formar sorrisos tímidos, uns recatados, outros mais pronunciados, o brilho mortiço de dentes, aqui um sorriso mais pensativo, além um completo e perpétuo riso. Não. Errado. O brilho mortiço de dentes. Os dentes dos manequins não brilham. Não há saliva nos dentes dos manequins.
Lágrimas de Dragão por Dean Koontz (página 61)

Dean Koontz, Lágrimas de Dragão // título original: Dragon Tear // tradução: J. Teixeira de Aguilar // >editor: Círculo de Leitores, Set. 1994 // isbn: 972-42-0986-5

os olhos do dragão

08 Mar
08.03.2008

– Um conselheiro do rei é muito parecido com os veados que existem no parque particular do rei. Este tipo de veado é afagado, mimado e alimentado à mão. Tanto os conselheiros como os veados domesticados levam vidas agradáveis, mas são muitas as ocasiões em que tive a oportunidade de ver um veado domesticado do parque acabar à mesa do rei, quando não havia nas coutadas reais um cervo selvagem para os bifes ou para o guisado dessa noite. Quando um rei morre, os antigos conselheiros desaparecem sem se saber bem como.

página 147

Stephen King, Os Olhos do Dragão // título original: The Eyes of the Dragon // tradução: Lídia Geer // editor: Círculo de Leitores, Dez. 2000 // isbn: 972-42-2391-4

o fim da história

13 Jun
13.06.2006

O problema do cristianismo, no entanto, é que não passa de uma outra ideologia de escravos, isto é, não é verdadeira em determinados aspectos cruciais. O cristianismo não defende a realização da liberdade humana na Terra, mas apenas no Reino dos Céus. Por outras palavras, o cristianismo contém o conceito certo de liberdade, mas, ao afirmar que não existe libertação nesta vida, acabou por reconciliar os servos deste mundo com a sua falta de liberdade. Segundo Hegel, o cristão não tem consciência de que não foi Deus que criou o homem, mas sim o homem que criou Deus. Criou-O como uma espécie de projecção da sua ideia de liberdade, pois o Deus cristão personifica o senhor perfeito de si próprio e da natureza. O cristão, no entanto, acaba por se tornar servo deste Deus que ele próprio criou. Reconciliou-se com uma vida de servidão na Terra, acreditando que seria mais tarde redimido por Deus, quando poderia ser o redentor de si próprio. O cristianismo constituiu, pois, uma espécie de alienação, isto é, uma nova forma de servidão em que o homem passava a servir algo que ele mesmo havia criado, tornando-se portanto um ser interiormente dividido.
O cristianismo, essa última grande ideologia de escravos, deu ao servo uma visão do que deveria ser a essência da liberdade humana. (…) Hegel considerava a sua filosofia como uma transformação da doutrina cristã, já não fundamentada no mito ou na autoridade das Escrituras, mas na conquista pelo escravo do conhecimento e autoconsciência absolutos.

página 199

Francis Fukuyama, O Fim da História // título original: The End of History and The Last Man // tradução: Maria Goes // editor: Círculo de Leitores, Lisboa, Out. 1992 // isbn: 972-42-0562-2

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