Artigos

É possível, à distância, manter a ficção da antiga felicidade – infância ou tempos de escola – e depois volta-se a um antigo cenário, os anos vão caindo e vemos como éramos amargamente infelizes.
O Grande Bazar Ferroviário de Paul Theroux (página 273)

Ele disse que se eu acreditasse no ioga não me preocuparia em apanhar comboios. Disse-lhe que por isso é que não acreditava em ioga
O Grande Bazar Ferroviário de Paul Theroux (página 138)

no interior: “lucky luke muda de sela”

A guarda deste álbum tem uma diferença relativamente às outras existentes nos álbuns do Lucy Luke. Além das imagens serem do Luck Luke desenhado por Mawil a última imagem é não apenas original, mas delirante!

Um pormenor da arte – um comboio em grande plano.

glacier express

Não é novidade; tenho um gosto por comboios e por viagens de comboio. Aqui me apresento uma viagem de 8h03m que adoraria fazer.

O Glacier Express é o nome de um comboio que na Suiça faz o trajecto entre Zermatt ⇀ Brig ⇀ Chur ⇀ St. Moritz, num total de 291km. Este comboio é o expresso mais lento do mundo.

o trajecto

Imagens retiradas da Brochura Oficial.

moonshine: comboio do tormento, vol. ii de azzarello e risso

Com este segundo volume termina-se em grande esta obra. Realmente excelente. O primeiro volume já deu cartas, este oferece o baralho todo.

Outra banda desenhada de extrema qualidade editada pela G Floy.

(…) A chegada à cidade de comboio, penetrar na manhã fresca e na luz que refulgia no rio e se apaziguava nos telhados e na perspetiva das ruas era o princípio imaculado e definitivo de qualquer coisa, a primeira página de um romance, a plenitude do mundo recém-iniciado.
Como a Sombra que Passa de Antonio Muñoz Molina (pág. 125)
(…) Os primeiros solavancos metálicos do comboio a arrancar transmitiam a sensação física e perentória do início da viagem, o corte brusco que nos separa e liberta do quotidiano; como o momento em que os músicos começam a tocar e é como se uma corrente poderosa tivesse irrompido; como a imersão nas primeiras imagens de um filme ou nas primeiras frases definitivas de um livro. Cada começo é um era uma vez e o princípio do Génesis, o primeiro verso da Ilíada, a primeira linha de ou do Lazarilho de Tormes ou de Moby Dick. Tratem-me por Ismael. Antes de tudo o mais, saiba pois Vossa Mercê que me chamam Lázaro de Tormes. Se numa noite de inverno um viajante. A primeira vez que vi Terry Lennox, estava ele perdido de bêbado dentro de um Rolls-Royce último modelo. Porventura não existe melhor começo do que uma enunciação impessoal de factos muito precisos. É deste modo que a literatura reclama ou imita a objetividade do mundo. Por isso mesmo, o início de romance de que mais gosto foi o que Flaubert escreveu para A Educação Sentimental, que versa sobre o início de uma viagem e tem qualquer coisa de registo administrativo ou de anotação num diário de bordo: «Em 15 de setembro de 1840, pelas seis da manhã, o Ville-de-Montereau, prestes a partir, lançava grossos rolos de fumo em frente do cais de Saint-Bernard.» Às onze da noite de 1 de janeiro de 1987, o Lusitânia Expresso saiu da estação de Atocha, em Madrid, em direção a Lisboa. No dia 8 de maio de 1968, à uma e um quarto da madrugada, um viajante de perto de quarenta anos, com um fato escuro e gabardina, chegou ao aeroporto de Lisboa num voo procedente de Londres.
Como A Sombra Que Passa de Antonio Muñoz Molina (página 107)

o comboio da noite de martin amis

Mike Hoolihan, uma mulher polícia de uma cidade americana, depara-se com a morte suspeita da jovem Jennifer Rockwell. Mike conhecera-a: era muito bela, inteligente, amorável, gregária, uma criatura extraordinariamente adorada por toda a comunidade. Encontrá- -la morta em casa, com um tiro na cabeça, foi um choque tremendo, e maior ainda foi a perplexidade quando todos os indícios apontaram para o suicídio. Até mesmo o facto suspeito de terem sido disparados não um mas três tiros pôde ser rapidamente explicado. 

Bertrand

Outro excelente livro de Martin Amis.


Tradução de Telma Costa

O SUICÍDIO É O COMBOIO DA NOITE, a correr para as trevas. Por meios naturais não se chega lá tão depressa. Tira-se bilhete e sobe-se a bordo. O bilhete custa tudo o que se tem. Mas é só de ida. Este comboio leva para a noite e deixa-nos lá ficar. É o comboio da noite.
O Comboio da Noite de Martin Amis (página 77)

no interior: “o comboio da noite”

Vinheta extraída do livro “O Comboio da Noite” de Martin Amis editado pela Quetzal.

E uma fotografia.