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bhagavad-gita

Acabei de ler Bhagavad-Gita.

(…)

Nada de aplausos ou olhos esbugalhados em sinal de surpresa – não se acaba o Bhagavad-Gita.
Bhagavad-Gita é um livro cheio de camadas, camadas e mais camadas que nunca está lido.

Por isso: cheguei à última página do Bhagavad-Gita. O Bhagavad-Gita foi-me de forma maquiavélica – brincadeira! – oferecido por João.
Não sei o que dizer depois de o pousar na mesinha da cabeceira. Não tenho qualquer comentário saído da cartola. Talvez arrisque a dizer que é um livro inexplicável e de uma pureza espiritual assustadora.

Ler Bhagavad-Gita e ouvir diariamente os cânticos védicos, em especial o Maha Mantra, tornou-me mais feliz, mais relaxado, mais tolerante comigo e com os outros. Ainda não sou capaz de dar “um salto de fé” e avançar para um outro nível. Algumas das razões eu sei quais são e são razões menores; as outras razões ainda estão a ser desfiadas na minha consciência ateística – o “salto” é uma coisa realmente danada!

em 1994, mário soares era amigo?

Este meu artigo de opinião foi escrito em 15 de Dezembro de 1994 no jornal “Notícias de Barcelos”, ano VI, nº 305.
Como outras “coisas” foi descoberto dentro dos imensos caixotes de cartão que ainda não foram realojados após ter deixado a minha antiga casa – vulgo casa dos pais.
Agora, sempre que posso ou a nostalgia pede um maior encontro com o meu passado lá me encontro a “arrumar” – o desejo? é esse, mas o resultado é muitas das vezes perder-me pelas “coisas” – em locais adequados o conteúdo das caixas ou a despacha-lo definitivamente para o lixo.
Não deixa de dar algo gozo ler, passados quase 16 anos, como debitava, certamente delirando, algumas opiniões “políticas” com a vontade de mudar, não o mundo, mas pelo menos algumas consciências; claro, que é maior a desilusão pela descoberta do quando nada mudou.

Nessa altura, 1994, o “animal” político ainda mexia dentro de mim.
Actualmente, apenas, estrebucha.

as minhas roupas

Se há coisa que odeie é levantar-me da cama. Não se pense que adoro a cama acima de tudo; não, nada disso ou, então, que deteste diligenciar uma parte da minha actividade para questões económicas – apenas gostava todos os dias de me erguer da cama indolentemente, desentesado das pressões diárias que se iniciam logo que afasto os lençóis, enfim sem horários; e já agora porque não sair do sono, acima de tudo, sem as cotoveladas lancinantes da mulher e dos seus sussurros cavernosos juntos ao meu sensual lóbulo:

acorda… olha as horas… LEVANTA-TE… lê menos e deita-te mais cedo… olha as horas… sempre o mesmo… raios te partam! tu, os livros e o computador!

Mas mesmo que me levantasse da cama à mandrião seria ofuscado por outro ódio; porque se há coisa que odeie para além de sair da cama em alerta laranja é trajar-me e não porque seja um praticante do nudismo ou um mero paladino de uma doutrina higiénica que postula a nudez total – essas coisas são-me totalmente indiferentes, apesar de ter consciência que O meu corpo de quase perfeito zagal, excelente altura para usar este vocábulo, num campo de nudismo seria um monumento de incontestável e total veneração para qualquer basbaque -, mas porque todos os dias antes de vestir-me tenho de separar as peças de roupa que irão adornar o meu corpo e é esta escolha diária que me mortifica: nunca consigo atingir com o meu vestuário um estado de lucidez cromática primorosa e como tal evitar as críticas viperinas da minha mulher.


rompi as nuvens das escolhas com esta solução

camisas, camisolas, calças, sapatilhas tudo igual e de preferência tudo preto… mas é a minha mais-que-tudo que compra a indumentária, porque me recuso veemente descolar-me para essas “compras”, e quase acredito que para ulterior crítica ela decide-se conscientemente sempre, e sempre por peças diferentes – tenho de lhe louvar a ousadia e a coragem… acho eu!

remanescente

Porque estava eu tão obcecado com a morte deste homem que ­nunca conhecera? Não parei para interrogar-me sobre isso. Claro que eu sabia que tínhamos coisas em comum. Ele fora atingido por uma coisa, ferido, atirado ao chão e perdera a consciência – eu também. Ambos passáramos para uma zona de escuridão total, silêncio, vazio, sem memória e sem previsões, um local fora do alcance de qualquer tipo de estímulo.
(…)
No entanto, reduzir todo o meu fascínio por ele à experiência que partilháramos seria contar apenas metade da história. Menos de meta­de. A verdade é que, para mim, este homem tornara-se um símbolo de perfeição. Podia ter sido desajeitado ao cair da bicicleta, mas ao morrer sobre o alcatrão, ao lado dos postes, ele fizera o que eu teria desejado fazer: fundira-se com o espaço em seu redor, mergulhara e escorrera para dentro dele até já não haver distância entre ambos – e fundir-se, também, com as suas acções, fundir-se ao ponto de já não ter consciên­cia delas. Deixara de estar separado, removido, imperfeito. Eliminara o desvio. Então, tanto a mente como as acções transformaram-se em pura estase. O ponto em que isto acontecera era o grau zero da perfeição – de toda a perfeição, aquela que ele conseguira atingir, aquela que eu desejava, aquela que qualquer outra pessoa desejava mas simplesmente não tinha noção de desejar e em qualquer caso não tinha oito milhões e meio para a perseguir, mesmo que tivesse noção dela. Por isso precisava de reconstituir a sua morte: por mim, sem dúvida, mas também pelo mundo em geral. Ninguém que compreendesse isto poderia acusar-me de não ser generoso.

página 155

Terminei a leitura da obra “Remanescente”. É um livro único não só pela espectacular história, mas também pela enorme e infindável riqueza dos pormenores. É fascinante assistir às reconstituições/duplicações de lembranças e acontecimentos criados pelo protagonista.


Remanescente, Tom McCarthy // título original: Remainder // editor: Editorial Estampa, Colecção Promoteu, n.º 31

livre-arbítrio

Os baptizados são realizados em pessoas, em crianças, que não têm a possibilidade de dizer não ou sim. Não têm qualquer consciência das implicações do acto que lhes é imposto pela sua família.

A religião cristã defende que o homem é responsável pelas suas acções. Deus deu-lhe uma arma poderosa o livre-arbítrio. Ele não impõe a sua vontade nas nossas escolhas, no nosso caminho, na nossa estrada da vida. Como é que esta imposição baptismal é conciliada com o livre-arbítrio?

Este livre-arbítrio existe igualmente na estrada do amor.

Why is commitment such a big problem for a man? I think that for some reason when a man is driving down that freeway of love, the woman he’s with is like an exit, but he doesn’t want to get off there. He wants to keep driving. And the woman is like, “Look, gas, food, lodging, that’s our exit, that’s everything we need to be happy… Get off here, now.” But the man is focusing on sign underneath that says, “Next exit 27 miles,” and he thinks, “I can make it.” Sometimes he can, sometimes he can’t. Sometimes, the car ends up on the side of the road, hood up and smoke pouring out of the engine. He’s sitting on the curb all alone, “I guess I didn’t realize how many miles I was racking up.”

Mas, e sem descurar a importância do amor, quero é falar do primeiro livre-arbítrio, o concedido por Deus. Este livre-arbítrio é uma “coisa” muito boa, especialmente para Ele. Ele nunca faz asneiras. Somos sempre nós que as cometemos. Quer seja por omissão, quer seja por acção ele irá sempre dizer:
– “A estrada que seguias levou-te a uma encruzilhada. Havia o caminho da direita e o caminho da esquerda. A escolha foi tua, meu filho.”
– Sim, a escolha foi minha. E essa escolha que ditou todo o meu futuro ficava como todas as decisões “na encruzilhada do bom e do mau caminho”[1] e como sempre não basta “choose wisely”[2]. Faltou, falta, sempre, um pormenor, que como todos os pormenores é um pormenor de merda.
As guerras, os desastres, a fome, a miséria humana não são culpa de Deus. Dele nunca. São culpa nossa. Como filosofia é uma coisa espectacular. Como isenção de culpa é uma coisa ainda melhor. Sem esquecer que Ele até nos dá linhas orientadoras, um código de conduta, uma constituição moral, os 10 mandamentos.

Há filhos que se podem orgulhar de pais, mais ou menos, semelhantes a esta presença/ausência divina.

Há filhos que têm pais sentinela, não os vemos, não os cheiramos, mas eles estão lá para nos premiarem com uma bofetada por alguma acção “potencialmente” mal feita. Nunca sabemos a razão da marca gravada a quente na cara. O pai sentinela não informa. Faz-nos pensar. Faz-nos crescer. Magoa-nos.

Há, também, os pais faróis, firmes, hirtos, iluminam o nosso caminho – “i’m the light“, mas mudam de direcção com uma regularidade constante. São defensores do cinzento, do “nim” e estão lá para nos premiarem com uma iluminada bofetada por alguma acção que já pode ter sido boa, mas que já não o é. Nunca sabemos a verdadeira razão do ardor na cara. O pai farol não informa. Faz-nos pensar na volatilidade das nossas acções. Faz-nos crescer. Faz-nos políticos.

E, já agora, por que é que me estou a queixar? Sou ateu. Bem, sou mais agnóstico. Porque um agnóstico é um ateu politicamente correcto. E o meu pai é o meu Pai.

[1] Vinicius de Moraes, O terceiro filho
Em busca dos irmãos que tinham ido
Eu parti com pouco ouro e muita bênção
Sob o olhar dos pais aflitos.
Eu encontrei os meus irmãos
Que a ira do Senhor transformou em pedra
Mas ainda não encontrei o velho mendigo
Que ficava na encruzilhada do bom e do mau caminho
E que se parecia com Jesus de Nazaré…”

[2] Palavras ditas pelo Cavaleiro do Graal no filme Indiana Jones and the Last Crusade.

pedaços de loucura anónimos

Pronto, o costume, os Lamechas dos professores .. Só me lembram o anúncio : – «Falam, falam mas não dizem nada . » . Se exceptuarmos os pedidos de Aumentos Salariais , o que propõem os coitadinhos dos Desfavorecidos dos professores ? Que respeito eles próprios têm com os Alunos e os Pais ao fazerem greve sem proporem alternativas ?. Se não estão satisfeitos com a Entidade Patronal (que somos Todos nós afinal… ) procurem emprego na “privada” …

Isto das agressões é algo de muito grave e uma agressão que seja a um professor já é muito. Nos meus tempos de escola e até universidade, às vezes que bem apetecia dar uns tabefes na cara a um ou outro professor. E só se perdiam as que fossem ao lado. A arrogância e o facto de terem o poder (nas notas) por vezes dava origem a abusos. Não se confunda vandalos e faltas de respeito gratuitas com revolta de alunos por outro tipo de situações. Falta de vocação de professores provavelmente é um grande contribuinte para a violência. No entanto é algo que com uma correcta avaliação dos professores isso pudesse ser corrigido. Alguns até deviam ser convidados a procurar outras profissões. São mesmo uma nódoa. Deviam pagar para trabalhar, quanto mais se queixarem do ordenado. A ideia que uma licenciatura serve para dar aulas é o maior erro que se tem cometido. Há alunos, principalmente nas Universidades, que põe e com razão, os conhecimentos dos professores em causa. Foram tantas as situações…………. Há muitos professores que embora não sejam muito bons a nível de conhecimento, eram esforçados e até acabavam por ter um resultado satisfatório. Mas a violência é sempre um caso de polícia. Na esquadra que lhes acertem o passo sem marcas claro, que isso não pode ser. Paginas amarelas 30X na cabeça bem atestadas resolve para levar os neurónios ao sítio.

Porque será que a maior parte das pessoas fala do que não sabe? que povo mais estúpido… vão às escolas ver o que se passa ou então calem-se… na escola onde dou aulas há tentativas de agressão ou insultos TODOS os dias… acham normal??? gostam de ser todos os dias chamados de “filhos da p… ” ou “vai pó caral…”. Gostava de assistir a um dia de aulas dada por um qualque cidadão para ver as suas reacções quando um aluno o mandasse para o outro lado ou lhe oferecesse porrada. Será que já pensaram que a violência decresceu porque muitos professores nem sequer fazem queixa??? porque não vale a pena fazer, pois não acontece nada… porque no dia seguinte a pobre criança está na escola de novo para insultar e agredir mais professores. Tristes são aqueles que falam sem saber dos factos. pelo que vejo aqui escrito, muitos são daqueles pais que descarregam os filhos nas escolas para que os outros os eduquem… se não tem tempo para os educar não tenham filhos… agora não queiram que os outros façam o trabalho por vocês. Não falem do que não sabem… vão assistir a aulas, mas nas escolas reais de Portugal e não nas que aparecem nas notícias… vão conhecer aquilo sobre o qual querem opinar e deixem de ser hipócritas… se isto anda assim também é porque não os educam em casa. Gostava que este povo acima de tudo deixasse de se armar em conhecedor de tudo, e se preocupasse em saber do que fala antes de fazer papel de carrasco. Tenham consciência de uma coisa… neste momento muitas escolas não estão a servir para ensinar nada aos vossos filhos… apenas gerimos comportamentos na sala de aula, e depois somos obrigados a passar os alunos no final, por causa das estatísticas do governo. Tenho alunos que nem sabem escrever, e ler só com muitas pausas… fazer 5 a dividir por 2, é para esquecer… e são do 8º e 9º ano… por isso continuem a aprovar as medidas do governo, e são estes alunos analfabetos que daqui a 15 anos estão a caminho do poder deste país. PARABÉNS ao governo e ao povo ainda mais inculto que apoia as medidas.

Comentários na caixa do Público Online

Leiam e opinem. Porque, enfim.

a vinda do futuro

Como num transe, caminhou pelas avenidas, misturando-se com a louca e infinda torrente de nova-iorquinos. Sob o transe, sem consciência da passagem do tempo, foi levado a uma intemporal peregrinação a parte alguma.

página 118

Neste livro estão reunidos os seguintes contos:

  • Welcome Home
  • Death Watch
  • The Piccadilly Interval
  • The Mouse That Roared
  • Nineteen Ninety-Four
  • When the Saucers Came
  • The First Martian
  • The Lizard of Woz
  • The Life and Death of Plunky Goo
  • Judgement Day
  • Vertical Hold
  • The Doomsday Story

Edmund Cooper, A Vinda do Futuro // título original: Tomorrow Came // tradução: Eurico da Fonseca // editor: Livros do Brasil, Colecção Argonauta n.º 477, Lisboa, Jun.1997

vocabulário

O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional a quantidade de foda-se! que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do foda-se!? O foda-se! aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor.

Reorganiza as coisas. Me liberta. Não quer sair comigo?

Então foda-se!! Vai querer decidir essa merda sozinho (a) mesmo? Então foda-se!! O direito ao foda-se! deveria estar assegurado na Constituição Federal.

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.

Prá caralho, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que Prá caralho? Prá caralho tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas prá caralho, o Sol é quente prá caralho, o universo é antigo prá caralho, eu gosto de cerveja prá caralho, entende? No gênero do Prá caralho, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso Nem fodendo!! O Não, não e não! e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade Não, absolutamente não! o substituem.

O Nem fodendo é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral?

Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo Marquinhos presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!! O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicinio.

Por sua vez, o porra nenhuma! atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um PHD porra nenhuma!, ou ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!! O porra nenhuma, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.

São dessa mesma gênese os clássicos aspone, chepone, repone e mais recentemente, o prepone – presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um Puta-que-pariu!, ou seu correlato Puta-que-o-pariu!, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba… Diante de uma notícia irritante qualquer puta-que-o-pariu! dito assim te coloca outra vez em seu eixo.

Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso vai tomar no cu!? E sua maravilhosa e reforçadora derivação vai tomar no olho do seu cu!! Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus uando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: Chega. Vai tomar no olho do seu cu!!

Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai a rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: Fodeu!! E sua derivação mais avassaladora ainda: Fodeu de vez!! Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação?

Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? Fodeu de vez!!

Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se …

– via email Sir Paxo

Trabalho original de Millôr Fernandes.

o fim da história

O problema do cristianismo, no entanto, é que não passa de uma outra ideologia de escravos, isto é, não é verdadeira em determinados aspectos cruciais. O cristianismo não defende a realização da liberdade humana na Terra, mas apenas no Reino dos Céus. Por outras palavras, o cristianismo contém o conceito certo de liberdade, mas, ao afirmar que não existe libertação nesta vida, acabou por reconciliar os servos deste mundo com a sua falta de liberdade. Segundo Hegel, o cristão não tem consciência de que não foi Deus que criou o homem, mas sim o homem que criou Deus. Criou-O como uma espécie de projecção da sua ideia de liberdade, pois o Deus cristão personifica o senhor perfeito de si próprio e da natureza. O cristão, no entanto, acaba por se tornar servo deste Deus que ele próprio criou. Reconciliou-se com uma vida de servidão na Terra, acreditando que seria mais tarde redimido por Deus, quando poderia ser o redentor de si próprio. O cristianismo constituiu, pois, uma espécie de alienação, isto é, uma nova forma de servidão em que o homem passava a servir algo que ele mesmo havia criado, tornando-se portanto um ser interiormente dividido.
O cristianismo, essa última grande ideologia de escravos, deu ao servo uma visão do que deveria ser a essência da liberdade humana. (…) Hegel considerava a sua filosofia como uma transformação da doutrina cristã, já não fundamentada no mito ou na autoridade das Escrituras, mas na conquista pelo escravo do conhecimento e autoconsciência absolutos.

página 199

Francis Fukuyama, O Fim da História // título original: The End of History and The Last Man // tradução: Maria Goes // editor: Círculo de Leitores, Lisboa, Out. 1992 // isbn: 972-42-0562-2

Só quando estamos acordados é que tomamos consciência de que estamos com sono.

from the perverse mind of paulo brito