Tag Archive for: corto maltese

as minhas leituras de 2011

23 Dez
23.12.2011

De muita leitura saliento os seguintes livros por ordem de chegada:

  • The Coandă Effect, Rhys Hughes (Ex Occidente Press)
    # porque adoro a personagem Corto Maltese; ler uma aventura deste anti-herói foi gratificante
  • Metro 2033, Dmitry Glukhovsky (1001 Mundos)
    # já não me recordava de ler um livro de ficção cientifica com imensa qualidade
  • Eis o Homem, Michael Moorcock (Saída de Emergência)
    # Michael Moorcock no seu melhor
  • Wilt, Tom Sharpe (Teorema)
    # uma história delirante
  • Os Olhos de Allan Poe, Louis Bayard (Saída de Emergência)
    # temos uma história de assassinatos tenebrosa; temos magia negra; alguns fantasmas;
  • Batalha, David Soares (Saída de Emergência)
    # li e reli “Batalha” de David Soares e ainda estou impressionado com a capacidade de inovação de um escritor que me surpreendeu em cada livro que fui lendo; “Batalha” não é excepção – nunca pensei ler David Soares a “poetizar” sobre as verdades da vida de forma tão profunda sob a capa da fantasia.
  • As Mentiras de Locke Lamora, Scott Lynch (Saída de Emergência)
    # leitura vertiginosa e labiríntica.

Tenho para 2012 alguns livros para ler. Terminar a leitura de Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa, e outros mais.

Batalha é o livro que recomendo sem medo. As restante obras de David Soares editadas em 2011 ainda não foram lidas (aguardo o mês de Janeiro para mergulhar nas páginas). O ano de 2011 foi um annus mirabilis em David Soares; mas ele que me desculpe ainda esperei no Halloween assistir ao lançamento de um livro com contos de horror.

A editora que continua a dar cartas é sem dúvida a Saída de Emergência e o motivo do desbaste da minha carteira.

rotas e percursos

01 Out
1.10.2011

Finalmente trouxe do meu local de compra preferido os restantes volumes da colecção “Rotas e Percursos” editada pela Público/Asa. Não é uma colecção de banda desenhada, mas sete guias que dão a conhecer sete cidades. Inicialmente publicados pela Casterman em 2009. Cada livro é uma perfeita simbiose entre um artista da arte sequencial e um autor de livros de viagens.

No primeiro livro descobre-se Veneza com Corto Maltese, no sétimo livro é Bruxelas com François Schuiten; serão estes a minha primeira escolha pela paixão enorme que tenho pelos artistas de banda desenhada que os ilustram.

De qualquer forma aqui fica a lista completa da colecção:

  1. “Veneza – Percursos com Corto Maltese” de Hugo Pratt, Guido Fuga e Lele Vianello
  2. “Roma – Percursos com Alix” de Thérèse de Cherisey, Jacques Martin, Gilles Chaillet e Enrico Salustio
  3. “Nova Iorque – Percursos” de Miles Hyman e Vincent Réa
  4. “Florença – Percursos” de Nicolas de Crécy e Elodie Lepage
  5. “Marraquexe – Percursos” de Jacques Ferrandez e Olivier Cirendini
  6. “Praga – Percursos” de Guillaume Sorel e Christine Coste
  7. “Bruxelas – Percursos” de François Schuiten e Christine Coste

a balada do mar salgado

15 Mai
15.05.2011
a_balada_do_mar_salgado

a balada do mar salgado

A leitura – como já aqui referi – do álbum “A Balada do Mar Salgado” (“Una Ballata del Mare Salato” de 1967), editada pela Bertrand (1982), na sua colecção Banda Desenha a preto, foi amor à primeira vista.

Na mesma altura lembro-me de ler o “Silêncio” de Didier Comès, mas foi com Pratt que fui descobrir outro universo de BD.

Pratt é O autor que cria com uma tal intensidade uma BD que podemos dizer que estamos perante um romance de aventuras em forma de BD.

Corto Maltese é o herói/anti-herói que vive aventuras de sonho num mundo real(?).

É outro álbum que trago directamente do sótão

the coandă effect, the reading

05 Jan
5.01.2011

I finished reading the book “The Coandă Effect”. It is, unfortunately, a short book. It is, thankfully, a book of a poetic Corto Maltese who strolls through the pages as in the “Favola di Venezia”.

It is a work that honors Hugo Pratt and his character. And, as I said, Rhys Hughes reveals that it is endowed with an enormous imagination and versatility.

It is a book that has a special place in my memory and in my library. Thanks Rhys Hughes.

the coandă effect

27 Dez
27.12.2010

The Coandă Effect is a sewn hardcover book of 124 pages with dust-jacket, silk ribbon, endpapers and frontispiece. Edition limited to only 100 hand numbered copies. $55 inc. p&p to Europe and USA, $55 to the rest of the world. This is a collector’s edition.
from Ex Occidente Press

O meu exemplar chegou hoje e é o número 89. Só vou começar a ler esta obra de Rhys Hughes após terminar uma leitura que tenho em mãos, mas não me queria deixar de apontar o que pode ser considerado um mimo de Natal.

Rhys Henry Hughes (24.09.1966), é um escritor nascido em Wales. Muito do seu trabalho tem um toque de humor excêntrico. São paródias e pastiches absurdos e surreais. Mas as suas capacidades vão muito além disto; é doptado de uma extrema versatilidade.

A edição tem a data de lançamento de Novembro de 2010 e é uma obra que desejei como nunca colocar a mão e os olhos. Vinda directamente da Roménia (Bucareste) é a minha última grande aquisição de 2010.

Os meus agradecimentos a Dan Ghetu pela rapidez com que providenciou o envio do livro encomendado.

eu babo-me e tu?

04 Out
4.10.2009

Ao reler Incal pensei no que me leva a gostar de tal forma de uma história que serve não apenas de referência para todas as outras que vou lendo, mas, também, como ponta de lança numa conversa quando falo, completamente babado, sobre a 9º arte ou sobre a 6º arte; já não tão babado, claro.

Apenas recorrendo à memória e não às estantes aponto como os meus autores de BD de excelência: Moebius, Druillet, Pratt, Bilal [1], Goscinny e Greg; e Alexandre Dumas, Walter Scott, Tolstoi, Nietzsche, Kafka, Eça, Hubbard, Heinlein, Robert Silverberg, Camus, Sartre, Gautier, Balzac, Sthendal e Flaubert na literatura. [2]

Starwatcher

Starwatcher (1)

Sei que se fosse agora mesmo às estantes iria descobrir outros autores tão espectaculares quanto estes, mas a verdade é que são estes e não outros autores que foram aqui escritos.

.Moebius
A primeira história que li era passada num mundo estranho. Havia um menino numa janela; uma personagem impassível. E um gato. E uma águia. O desenho é fascinante. O argumento assombroso. O conjunto é uma história com uma narração cinematográfica de um surrealismo magnético. É uma obra a duas cores, metálicas, que se lê em 5 minutos, como um filme(?), mas que deixa uma sensação inesquecível. A primeira aquisição que tenho de Moebius é, pois, “Os Olhos do Gato” (Martins Fontes, 1987); o argumento é de Alejandro Jodorowsky, o mesmo argumentista do Incal.

Incal Negro

Incal Negro (2)

Depois veio o Incal. A paixão pelo Incal começou logo na prancha 1bis (2 página d’ “O Incal Negro”, Editorial Futura, 1983).
Após isto com Moebius aka Giraud ou Giraud aka Moebius foi sempre a abrir. Tenho praticamente todo o Moebius – ainda não comprei, mais por preguiça, acho eu, Arzach – não tanto Giraud, apesar de adorar Blueberry.
A grande aquisição que tenho de Moebius é “Starwatcher”, Edition Aedena, 1986; o livro é uma reedição “De la Mémoire du Futur” inteiramente revista e ampliada.

Moebius é para mim dentro da excelência a maior referência na banda desenhada.

.Druillet
Foi descoberto a ver revistas Écho des Savanes. Não foi uma história, mas uma entrevista. Os desenhos eram diferentes. Tinham vida própria. De Druillet apenas tenho Salammbô, mas os desenhos são um desespero visual.

. Hugo Pratt
“A Balada do Mar Salgado”, editada pela Bertrand (1982) e emprestada por um colega (Ilídio Torres [IT]) em Coimbra, foi amor à primeira vista. Na mesma altura lembro-me de ler o “Silêncio” de Didier Comès, mas foi com Pratt que fui descobrir outro universo de BD. Pratt é O autor que cria com uma tal intensidade uma BD que podemos dizer que estamos perante um romance de aventuras em forma de BD. Corto Maltese é o herói/anti-herói que vive aventuras de sonho num mundo real(?).

.Enki Bilal
“O Cruzeiro dos Esquecidos”. Mais uma vez Coimbra e IT. Bilal com um desenho de sombras único cria personagens que são de tal forma psicologicamente credíveis que nos contaminam com os seus medos; vivem num futuro com características assustadoramente reais e possíveis.

.Réne Goscinny
Coimbra e as revistas Tintin perdidas em desleixo na Real República dos Pyn-Guyns onde residia IT. Goscinny é Humor + Humor + Fantasia. Uma simplicidade a contar histórias que nos faz sonhar ao quadrado.

.Greg
Achille Talon com naturalidade. Ainda adoro dizer/escrever o “espirrar baboseiras pelo nariz”. Greg (Michel Regnier) é Humor + Aventura + Fantasia. Experimentou com sucesso todos os géneros. Grandes heróis de aventuras têm a sua marca: Chick Bill, Spirou e Fantasio, Bernard Prince, Luc Orient, Bruno Brazil, Comanche, Spaghetti e muitos mais.

A Armadilha Diabólica

A Armadilha Diabólica (3)

Se com os autores acima descritos foi sempre amor à primeira vista houve pelo menos dois autores que tive dificuldade em comer à primeira, segunda e até terceira vez:
– um foi Edgar E. Jacobs e “As Aventuras de Blake e Mortimer”; tanto texto, mas tanto texto que me assustava sempre que folheava um álbum, mas quando finalmente ganhei coragem foi uma paixão para sempre.
Haverá alguém que não fique com suores frios ao descobrir n’ “Armadilha Diabólica” (Meribérica/Liber, 1987) a prancha da página 38?

– o segundo foi Tardi com “As Aventuras Extraordinárias de Adéle Blanc-Sec”. O desenho de “Adéle e o Monstro” (Bertrand, 1978) não me convidava, sabe-se lá porquê, a avançar. Foi muito mais tarde, quando ganhei a colecção completa a IT, que me senti obrigado a ler “Adéle” e adorei.

Graças a este esforço e persistência adorei, mais tarde, Alix de Jacques Martin e não perdi na (A Suivre) as aventuras de “Nestor Burma” baseadas nos livros de Léo Malet.


[1] descobri na sequência de estar a ler “A Viagem de Théo” (Circulo de Leitores, pág. 63) que Bilal, um escravo negro, foi um dos primeiros convertidos aos ensinamentos do profeta Maomé.
[2] falarei destes escritores noutro post.
imagem (1) – descrição: imagem retirada da edição Starwatcher”, Edition Aedena, 1986
imagem (2) – descrição: prancha (página 2) retirada da edição da Editorial Futura, 1983
imagem (3) – descrição: prancha (página 38) da da edição da “Armadilha Diabólica”, editada pela Meribérica/Liber, 1987.
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