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no cemitério père lachaise

Esta escultura cemiterial, em bronze, no cemitério Père Lachaise, representando uma criança sentada numa poltrona com seu cão é referida no livro “Rei dos Espinhos” de Mark Lawrence.

O cemitério alongava-se por distância escondida, uma necrópole oculta. Chamam-lhe Perechaise em livros poeirentos (…)
Vi-a pela primeira vez no outono, muito tempo antes, quando as folhas caídas se empilhavam, escondendo o cão de pedra que perseguia.

página 69

aqui tinha falado desta nova Terra. Com este novo pormenor talvez possa arriscar dizer que o Castelo Alto é a Torre Montparnasse.

tour montparnasse

príncipe dos espinhos de mark lawrence

Ao longo de quatro anos, Jorg cresce no seio de batalhas sangrentas, amadurece em guerras impiedosas, torna-se um guerreiro cruel e vai ganhando o respeito dos seus irmãos até que se torna o seu líder. Agora, um reencontro vai levá-lo de volta ao castelo onde cresceu e ao pai que abandonou. O que vai encontrar não é o mesmo sítio idílico de que se lembra, mas o príncipe que agora retorna também não é mais a inocente criança de outrora, é o Príncipe dos Espinhos.
Com apenas 9 anos, numa emboscada planeada pelo inimigo para erradicar a descendência real, o príncipe Jorg Ancrath é atirado para dentro de um espinheiro, onde fica preso, com espinhos cravados na sua carne, a ver, impotente, a mãe e o irmão mais novo a serem brutalmente assassinados.
De alma destruída, sedento de sangue e de vingança, Jorg foge da sua vida luxuosa e junta-se a um bando de criminosos e mercenários, a quem passa a chamar de irmãos. Na sua mente há apenas um pensamento, matar o Conde de Renar, o responsável pelas mortes da mãe e do irmão, pelas suas cicatrizes e pela sua alma vazia.

Topseller

Depois de um planeta terra devastado por uma, aparente guerra nuclear, as pistas estão lá, surge milénios depois um mundo de fantasia dilacerado pela guerra. E é neste novo mundo medievo que a personagem Jorg Ancrath percorre o seu caminho de vingança.

Temos uma história bem cadenciada, violenta, até mais violenta do que a A Lâmina, na qual a crueldade é o prato do dia.

A personagem Jorg é amoral, e está bem acompanhado pelos seus “irmãos”, e apesar de ser cruel, maldita desejamos que vença. O mal tem de compensar… às vezes.

Gostei. Foi mais do que catita.

Tradução de Renato Carreira

george carlin 1.0

What kind of empty people need to validate themselves through the achievements of their children?

George Carlin

Uma pergunta feita George Carlin num dos seus números de stand-up comedy.

o fim da solidão de benedict wells

Jules Moreau tem onze anos quando os pais morrem num acidente de carro. Nessa noite, a sua infância termina. Segue-se a ida para um colégio interno, juntamente com os dois irmãos mais velhos. Pouco a pouco, os laços que os unem quebram-se. Jules isola-se, alimentando-se das suas memórias; Marty refugia-se ferozmente nos estudos; e Liz procura todas as formas de evasão possíveis para preencher o vazio.
O único consolo do protagonista advém dos momentos que passa na companhia de uma menina ruiva chamada Alva. As duas crianças lêem, ouvem música, partilham o silêncio das tardes no colégio. E nunca falam sobre si mesmas. Quinze anos mais tarde, os irmãos afastaram-se irremediavelmente uns dos outros. Jules, que continua a reviver o passado interrompido, apenas encontra alento no sonho de se tornar escritor e na ânsia de reencontrar Alva. E quando, por uma vez, tudo parece subitamente possível, uma força invisível – talvez o destino – volta a intervir.
O fim da história de Jules está ainda por acontecer.

Edições Asa

Excelente livro. Depois do rotundo falhanço do “The Last Emperox” (que nem serviu como aperitivo) nada como sentir uma escrita profunda, perturbadora e bela na ousadia como trata as relações humanas.

Aqui o autor fala do amor, da amizade, das perdas, da solidão, do silêncio, dos encontros e reencontros com uma delicadeza que transcende as páginas e toca no coração do leitor. Recomenda-se sem ressalvas.

Tradução de Paulo Rêgo

doutor sono de stephen king

Uma tribo de gente chamada o Nó Verdadeiro viaja à procura de sustento pelas autoestradas da América. Parecem inofensivos e são, sobretudo, velhos. Mas, tal como Dan Torrance bem sabe, e Abra Stone não tarda a descobrir, os membros do Nó Verdadeiro são quase imortais e vivem do «vapor» produzido pelas crianças com o «brilho» quando são lentamente torturadas até à morte. Assombrado pelos residentes do Hotel Overlook, onde passou um ano horrível da sua infância, Dan anda há décadas à deriva, tentando libertar-se do legado de desespero, alcoolismo e violência deixado pelo seu pai. Por fim, instala-se numa cidade de New Hampshire, numa comunidade de Alcoólicos Anónimos que o apoia e num trabalho num lar, onde o «brilho» que lhe resta oferece um derradeiro conforto aos moribundos. Com o auxílio de um gato presciente, torna-se o «Doutor Sono». E depois Dan conhece a evanescente Abra Stone, e é o espetacular dom dela, o brilho mais vivo que ele já viu, que dá novo alento aos fantasmas de Dan e o impulsiona para uma guerra épica entre o bem e o mal para salvar Abra e a sua alma.

Wook

Adorei a leitura da sequela The Shining. Stephen King no seu melhor.

Doutor Sono é uma leitura que assusta e diverte – delirante.


Tradução de Ana Lourenço e Maria João Lourenço

Na esquina uma miniatura da personagem Altaïr Ibn La’ahad da saga Assassin’s Creed.

kurt vonnegut

Uma breve biografia da escritora Kurt Vonnegut extraída do livro “Matadouro Cinco” publicado pela Porto Editora na sua colecção 11X17.

Kurt Vonnegut nasceu em Indianápolis, EUA, em 1922. É autor de trinta romances, vários ensaios e peças de teatro, muitos dos quais com adaptações ao cinema e à televisão. É um dos poucos grandes mestres da literatura norte-americana contemporânea. Sem ele, a própria expressão «literatura norte-americana» perderia parte do sentido.
Apesar da sua vasta obra, para além de «Um Homem Sem Pátria», somente «Galápagos» e «Matadouro Cinco ou A Cruzada das Crianças» se encontram disponíveis em português.
Morreu no dia 11 de Abril de 2007.

Wook

estatísticas

Enquanto escrevo este post alguns valores para ajudar a ultrapassar o choque com a morte de Reyes.

  • Pessoas que hoje morreram de fome = 15.807
  • Mortes este ano de crianças com menos de 5 anos = 3.195.715
  • Mortes hoje = 83.686
Ali parado sob a chuva miudinha (…), ocorreu-lhe que as crianças eram melhores em quase morrer, e também eram melhores em incorporar o inexplicável nas suas vidas. Acreditavam implicitamente no mundo invisível.
A Coisa por Stephen King (página 584)

sou cristão por ter sido baptizado?

Ser cristão é acreditar em Cristo filho de Deus pai.

Não sou cristão apenas por ter sido baptizado ainda bebé. Só me faltava uma decisão unilateral rotular a minha crença para todo o sempre.

Foi a discussão com uma beata, não beata de cigarro – certo.

Tive de a informar de que o baptismo não torna per si uma criança parte do corpo de Cristo. Sim, ela já traz em si, segundo a definição de baptismo, o nome de Cristo, mas sendo o baptismo essencialmente relacionado ao indivíduo depende dele aceitar a responsabilidade de encontrar Deus. O baptismo torna apenas a pessoa apta a crer.

Explicação dada e não aceite.

festas e comemorações

Quando terminei a quarta classe a recompensa foi ter terminado a quarta classe.
Quando terminei o 6º ano (o ciclo) a recompensa foi um gelado Corneto.
Quando terminei… não houve nada.

Actualmente existe a festa de finalistas da pré-escola, do 1º ciclo, do 2º ciclo, do 3º ciclo, do secundário, viagens de finalistas, até do 2º ciclo. Já não chegavam, também, as festas de aniversário, de casamento, baptizado, comunhão, descobri, também, festas de divórcio. Para quando em Portugal as festas de funeral?

A vida é tão miserável que tenha que ser compensada com futilidades? As crianças, adolescentes, adultos, velhos precisam de comemorar qualquer feito por irrelevante que seja?

Estarei errado?