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causas e consequências

Quando algo nos ocorre que foge à rotina tentamos encontrar o acontecimento catalisador desse evento. No meu caso é a compra e utilização da bicicleta elíptica – que não existam dúvidas.

Desde essa altura tive uma crise de gota no pé direito; tenho frieiras nos dedos dos pés e kaboummm uma tendinite da coifa.

O que me vai mais acontecer? Não sei. Na dúvida vendi a bicicleta.

de rosca!

Há dias em que seria tão bom, mas mesmo bom, ser possível trocar de cabeça.

crise de gota

Sofri no passado domingo a primeira crise de gota – porra!

Podia ser uma crise de amnésica, uma crise de sorte, uma crise ambiental, um crise cubana, em última recurso uma crise de estupidez, mas não, não teve de ser uma crise de gota. Uma cena que não é motivo de orgulho para ninguém. Acordar com dores enormes no dedão do pé direito, assistir ao seu crescimento, à sua deformação foi inesquecível.

Na unidade de saúde a que me desloquei para perceber o que se passava tive de passar por uma máquina que detecta, quase automaticamente, a temperatura corporal – colocava a testa, a mão direita, a mão esquerda, as palmas, mas apenas passados 3 minutos é que a máquina debitou “35.3 graus” e lançou jactos de vapor desinfectante e passei à fase seguinte: sala de espera.

Estamos, realmente, num mundo em que a alienação é a ordem do dia. Dentro daquela máquina, senti-me pela primeira vez, alienado – vítima inocente ou não de uma maluquice mundial.

barbaridade

Entrei no apartamento. Sentia-se a atmosfera pesada, como se o local soubesse que ali tinha sido cometido um crime.

Antes de entrar no quatro já se ouvia a azáfama da equipa forense. Apesar de ter visitado muitos cenários de crimes hediondos nunca deixo de ficar chocado com a capacidade humana para a crueldade. O que deparava perante os meus pés era o crime dos crimes. Uma bíblia foi desventrada por um punhal. Deu para perceber que proporcionou luta: diversas páginas estavam rasgadas, ainda coladas ao miolo, outras páginas encontravam-se espalhadas pelo chão – barbaridade.

(…) a sensibilidade é a melhor máscara do egoísmo, o seu advogado de defesa mais eficaz, pela convicção daquilo que diz, mesmo que seja falso. Estão todos, estamos todos angustiados e sensíveis, tão sensíveis à dor do outro a ponto de a tirarmos da nossa frente para não nos estragar o apetite. Há pessoas, escrevia Bernanos, tão sensíveis que não podem ver sofrer nem uma pequena criatura, esmagando-a de imediato para não a verem sofrer.
Instantâneos de Claudio Magris (pág. 103)

A dor não traz nada de positivo neste processo de descoberta de si. Não aprendemos nada de essencial sobre a nossa intimidade ao voltar contra nós o impulso de morte e ao tentar transfigurar esse movimento em estética do sofrimento. Já nos basta o negativismo em pequenas doses injetadas naturalmente pelo real, não é necessário acrescentar energia negra e malévola.
Teoria da Viagem. Uma Poética da Geografia de Michel Onfray (página 75)
Louis achava que Deus, em toda a Sua infinita sabedoria, parecia muito mais generoso quando de tratava de prodigalizar a dor.
Samitério de Animais de Stephen King (pág. 250)

doutor sono de stephen king

Uma tribo de gente chamada o Nó Verdadeiro viaja à procura de sustento pelas autoestradas da América. Parecem inofensivos e são, sobretudo, velhos. Mas, tal como Dan Torrance bem sabe, e Abra Stone não tarda a descobrir, os membros do Nó Verdadeiro são quase imortais e vivem do «vapor» produzido pelas crianças com o «brilho» quando são lentamente torturadas até à morte. Assombrado pelos residentes do Hotel Overlook, onde passou um ano horrível da sua infância, Dan anda há décadas à deriva, tentando libertar-se do legado de desespero, alcoolismo e violência deixado pelo seu pai. Por fim, instala-se numa cidade de New Hampshire, numa comunidade de Alcoólicos Anónimos que o apoia e num trabalho num lar, onde o «brilho» que lhe resta oferece um derradeiro conforto aos moribundos. Com o auxílio de um gato presciente, torna-se o «Doutor Sono». E depois Dan conhece a evanescente Abra Stone, e é o espetacular dom dela, o brilho mais vivo que ele já viu, que dá novo alento aos fantasmas de Dan e o impulsiona para uma guerra épica entre o bem e o mal para salvar Abra e a sua alma.

Wook

Adorei a leitura da sequela The Shining. Stephen King no seu melhor.

Doutor Sono é uma leitura que assusta e diverte – delirante.


Tradução de Ana Lourenço e Maria João Lourenço

Na esquina uma miniatura da personagem Altaïr Ibn La’ahad da saga Assassin’s Creed.

de lado – 0018

pensamento renovado versão 1.1.b
quando Deus criou a mulher esta inventou a dor de cabeça; a mulher do século XXI engendrou as infecções urinárias; não sendo já isto doloroso outras decidiram ainda arrojar um abcesso gengival.

a criação da mulher

Quando Deus criou a mulher esta inventou a dor de cabeça; as mais modernas engendraram as infecções urinárias.

from the perverse mind of paulo brito