Tag Archive for: dor

o evangelho do enforcado

16 Ago
16.08.2010

O pouco que aprendi, mas sou um tipo novo, com apenas uns simpáticos 4? anos, sobre a crítica ou os críticos em Portugal é que existem quase em exclusivo dois tipos quando tratam de autores portugueses:
# 1 – há aqueles que dizem bem por dizer (talvez pensando que assim lhe tecerão críticas igualmente boas)
# 2 – há aqueles que dizem mal porque sim (possivelmente porque a editora não lhes ofereceu um exemplar ou na melhor das hipóteses por pura inveja; não se iludam que esta existe e é visceral)

Existe um terceiro tipo de crítico que escreve com sinceridade, são poucos, mas felizmente são bons. Escrevo isto porque já li tantos disparates críticos que só são concebíveis com este “tipo” de críticos.

Evidente que quando falo em críticos são aqueles que têm um estatuto?, digamos, de crítico institucionalizado.

No fim da pirâmide (fico na dúvida se na base ou no topo) temos o leitor anónimo, como eu, que opina como pode ou sabe sobre o que lê. E é neste sentido que irei tecer algumas palavras sobre “O Evangelho do Enforcado” de David Soares.

David Soares não precisou de muito para que eu ficasse convencido que estava perante uma obra grande. Logo no primeiro capítulo consegue sem dificuldade narrar um nascimento fantasticamente perturbador que é o perfeito comburente para continuar a minha leitura – depois “daquilo” o que mais David Soares me vai oferecer?

Oferece-me não apenas uma Lisboa deliciosamente nauseabunda, mas igualmente um Portugal sem alma. A cobiça pérfida pelo poder da nobreza é narrada magistralmente e ficaria convencido se não estivesse a ler uma romance que as conversas ocorreram mesmo daquela forma. E quando intervém a personagem Henrique quase que sinto o seu bafo, a sua transpiração a pulsar nas páginas. É a personagem mais loucamente saudável – se tal é possível dizer-se – e que se torna nesta sua alienação a mais consistente com o mundo que a rodeia; a frase “sobrevivência do mais apto” poderia ter sido criada para Henrique.

Naturalmente que Nuno Gonçalves, o pintor maldito dos misteriosos Painéis de São Vicente, é o nec plus ultra das personagens que vivem na obra “O Evangelho do Enforcado”. É impossível não sentir empatia com este assassino que consegue ser genial na pintura e esplendoroso nas mortes que executa.

“O Evangelho do Enforcado” foi um dos melhores livros que li este ano. Poderá não ser uma leitura fácil para muita boa gente porque David Soares não tem qualquer tipo de inibição a narrar o que quer que seja: morte, violação, sodomia, necrofilia.
Há quem se preocupe obsessivamente em colar ao “O Evangelho do Enforcado” um estilo. Eu resolvo? o problema afirmando que é uma amálgama de estilos que só David Soares é capaz de criar; o que se passará naquela cabeça?

Não posso deixar, igualmente, de salientar o trabalho de paginação e as fontes utilizadas no livro nas conversas de Geronte com Nuno Gonçalves.

Recomendo vivamente a leitura do livro “O Evangelho do Enforcado”.

E nada como dar um ar de erudito e colocar a propósito do romance “O Evangelho do Enforcado” esta frase

He cried in a whisper at some image, at some vision—he cried out twice, a cry that was no more than a breath—”The horror! The horror!”

Joseph Conrad, Heart of Darkness

apenas formigas…

26 Jul
26.07.2010

Sempre adorei formigas.
Quando era miúdo tinha um labirinto feito com legos cheio de formigas e entretinha-me a colocar nessa casota? outros insectos para admirar o poderio das formigas a desmembrarem, comerem, arrasarem aranhas, centopeias e outros bichos que tais.

uma sensação

31 Mai
31.05.2010

São, apenas 09h21 e tenho uma sensação esquisita no fundo do meu umbigo indiciadora de que alguma coisa me escapou e não é a costumeira bola de cotão que o meu umbigo gosta de armazenar.

O que será?

enxaqueca

08 Mai
08.05.2010

Até uma certa idade pensei que a enxaqueca fosse resultado de um excesso de “quecas”. Afinal é “uma dor de cabeça intensa na região frontal ou temporal.”

Outro mito adolescente que foi destruído.

from the perverse mind of paulo brito

os cinco e os dois testículos

04 Fev
04.02.2010

vasectomia, fase um

Por motivos de força externa – a saúde da minha mais-que-tudo – tive de ser submetido a uma vasectomia; intervenção cirúrgica menos agressiva do que a laqueação de trompas e muito mais simples.

À semelhança de Dave, interpretado por Vince Vaughn no fraco Couples Retreat, que foi “beijado” por um tubarão e está vivo para contar a história eu faço, agora, parte de um grupo de elite – aqueles homens que voluntariamente decidiram colocar o falo, o escroto e o resto ao alcance de um bisturi!

pulseira de controlo

Não foi fácil estar todo nu e vulnerável a ser “barbeado” nas partes baixas por um enfermeiro. A única satisfação que tive nessa altura da minha travessia do deserto foi verificar que outro profissional da enfermagem desviou o olhar ao constatar o quanto bem constituído eu sou; outros poderão dizer que foi do choque por ter entrado no quarto errado e me descobrir ali deitado e nu a ser electricamente depilado – não liguemos a essas vozes maliciosas.

O bloco operatório não foi um oásis a descobrir, que bem precisava depois da travessia, mas sim um inferno. Não chegava o cirurgião, o anestesista, o assistente do cirurgião, não chegava, ainda foram precisas as duas enfermeiras. Não sei se hei-de mais alguma vez ter fantasias com enfermeiras. Fiquei, como que ligeiramente, traumatizado porque nunca pensei que o meu pénis fosse capaz de hibernar de tal forma que seria necessário uma lupa de filatelista para o descobrir.

cueca de rede modelo genérico

Fiquei com as “bolas” totalmente trucidadas que pareciam ter sido mordidas por uma enfermeira praticante de sadomasoquismo atropeladas por um camião.
O aspecto visual final era o que se vê – vestia apenas uma branca, mas elegante e voluptuosa cueca de rede modelo genérico; a listra superior em azul dava o seu devido requinte; a rede deixava ainda transparecer a franja de gaze que delicadamente aconchegava a bolsa escrotal.

Hoje já me sinto melhor.
Não “os” sinto já tão doridos – o que doí é saber que estarei +/- 10 dias de dieta sexual.

as aranhas douradas

02 Nov
02.11.2009

— Não me consultaste — prosseguiu Wolfe com frieza. — Descobrir que um dos meus pratos preferidos foi radicalmente alterado, sem qualquer espécie de aviso. é um choque desagradável. Talvez seja comestível, mas não estou com disposição para correr esse risco.

páginas 5 e 6

Foram 174 páginas lidas em poucas horas. A noite de ontem, e a de hoje vai pelo mesmo caminho, não puxava o sono. Daí que me tenha socorrido de um companheiro solitário para servir distracção, mas foi pouca distracção para me permitir adormecer.

Apenas pelas 07.?? é que fechei os olhos bastante ensonado e cansado.

rastilhos

26 Set
26.09.2009
  • Só há dois motivos indesculpáveis para uma pessoa ser desconfiada: a ignorância e a maldade.
  • Só ontem percebi a fobia com a gripe H1N1v quando um familiar não me cumprimentou como medida profiláctica. E analisando de lado, por linhas laterais, vejo o meu filho com um spray desinfectante na pasta da escola. Ao que isto chegou.
  • A minha filha recusou-se a beijar as minhas lindas bochechas porque a “babara” pica. Ao que isto chegou. Fui obrigado a desfazer uma linda e colorida barba. Claro, que virei-me para o câmara do telemóvel e registei para a posteridade a minha “babara
  • o McDonald’s abriu em Barcelos. E foi um acontecimento social, gastronómico e cultural único nesta aldeia com muitas casas. Houve esperas de mais de 30 minutos para um hambúrguer. O MacDrive exibia uma fila assustadora. Sei que não devia brincar com a fome de pessoas que se pouparam durante 7 dias, pela não ingestão de comida, para este evento. Por favor(!) o que abriu foi mais um McDonald’s.
  • As razões para alguém fazer uma tatuagem devem ser diversas.
    Eu desde que vi no excelente e espectacular Highlander os Watchers com uma marca (era gravada a fogo, mas isso fogo!) nos pulsos fiquei fascinado.
    Após mais de 20 anos ganhei coragem e fiz uma tatuagem no pulso direito. Já passaram cerca de 5 anos desde essa altura de grande coragem e/ou estupidez; é chegado, talvez, o momento de fazer outra. Afinal esta não doeu nada? A dor é tão, mas tão subjectiva; ou doeu e abafei a dor subjectiva no lugar mais escuro da minha mente para dar a ideia de que sou um gajo com uma coragem do caraças.

comer gelados

09 Set
09.09.2009

Relutantemente acordado, ainda eram 14.05, feri de morte um gelado perna-de-pau.
O calor a isso me obrigou. E é sempre adorável sentir nos lábios e na língua uma doce frescura. E ao trincar a ponta do gelado reflecti se o jeito como atacamos um gelado diz algo sobre a nossa personalidade.

Andarei a revelar os segredos da minha alma pela forma como mordo os gelados?

09 Jun
09.06.2009 LIBERTA, SENHOR, A HUMANIDADE SOFREDORA
MAS LIBERTA-ME PRIMEIRO A MIM, QUE SOU QUEM MAIS SOFRE
Basta andar alguns quilómetros na automotora para descobrir isso. Se não puderem queixar-se de mais nada, queixam-se das suas estúpidas doenças, das dores nos joelhos, das pedras na vesícula, das úlceras, das veias inflamadas, dos soluços e das azias, das diarreias e das caganitas empedernidas que até fazem barulho ao bater no fundo do penicoe imaginam, enquanto falam de tudo isto, que alguém lhes dá importância só por se queixarem.
IDIOTAS DE MERDA
A Morte de Um Apicultor por Lars Gustafsson (página 87)

banho matinal

29 Set
29.09.2008

Há, pelos menos, duas más razões para detestar tomar banho de manhã.
.fico sempre enregelado. Depois de um noite boa ou mal dormida o corpo está letargicamente acordado.
.fico sempre avermelhado. O meu organismo tem perante qualquer gel / champô / sabonete / sabão uma sensibilidade anormal.
Há, pelo menos, uma boa razão para detestar tomar banho de manhã.
.tenho de acordar mais cedo.

© 1999.2020 porta VIII. todos os direitos reservados. alimentado pelo wordpress | alojamento por oitava esfera
beam me up, scotty!