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em todo o lado

Deus está em todo o lado? A omnipresença divina é avassaladora e uma falta de respeito. Qualquer vampiro pede licença para entrar em casa; se a autorização não lhe for dada não pode entrar e, muito importante, a permissão pode se revogada a qualquer momento.

Claro que a sorte do Deus é além da sua omnipresença ser imbuído de omnisciência, porque não acredito que quando eu tenha as nádegas estacionadas na sanita em ideal posição de expulsão dos meus demónios interiores Ele esteja na divisão a levar nas narinas com um ataque biológico infernal; mas se lá estiver problema dele – que aguente.

Foram as minhas dúvidas teológicas de 2011.

tradições

Como as tradições ainda podem ser o que não são (ou que são – quem quiser que resolva esta dialéctica de alcova) vejo-me do meu ponto de vista a colocar um pouco tradicional post neste meu canto.

Acho, com uma fácil (cristalina) clarividência, que esta imagem ilustra sem dúvidas e sem sombras o que será o próximo ano de 2011. O criador desta obra visionária foi Edvard Munch (1863-1944), um pintor norueguês, que com este quadro revelou uma grande visão para a futurologia; roi-te de inveja Nostradamus.

greener

Uma decoração de halloween de… pelo menos em penso que seja, mas agora com a confusão que fiz na fotografia tenho as minhas dúvidas.

bolachas maria

Que me perdoe Umberto Eco, mas não consigo digerir o seu livro “A Ilha do Dia Antes”. É culpa minha eu sei, mas devo dizer que tentei por diversas vezes avançar uma página e outra página e mais outra, sem resultado. Não me sinto tão culpado se não me esquecer que adorei ler “O Nome da Rosa” e “O Pêndulo de Foucault”.

Agora falo assim porque finalmente compreendi tudo do meu corpo. Estudo-o dia após dia, sei o que se passa nele, salvo que não posso intervir, as células já não me obedecem. Morro porque convenci as minhas células de que não há regras, e de que de cada texto se pode fazer o que se quiser.

O Pêndulo de Foucault, ed. Círculo Leitores, 1990, pág. 497

Mas será que, afinal, ando temporariamente sem paciência para este tipo de literatura ou é algo de definitivo? Este pensamento já me tinha vindo à mente quando escrevi o post a diaba. Na altura pensei, como é que tive paciência para ler isto? O isto é o “Doutor Fausto” de Thomas Mann. Ao seu lado está encostada a Divina Comédia de Dante, traduzida por Vasco Graça Moura, em edição cuidada do Círculo de Leitores (1998). Como consegui continuar a sua leitura depois de

No meio do caminho em nossa vida,
eu me encontrei por uma selva escura
porque a direita via era perdida.

Divina Comédia de Dante

ainda está por explicar ou tem duas simples explicações:

– não fui obrigado a ler Dante, como o fui, por exemplo, a ler Luís de Camões ou Eça. Fraca explicação porque adorei de tal maneira Eça que depois d’ “Os Mais” “papei” tudo que era de Eça;

– sou saudavelmente fascinado por ambientes góticos – ver inclusive a minha tatoo – e o inferno é na sua essência algo de dark. Esclareço que posso ser, sem grande esforço, um gótico hedonista – o prazer é bom e deve ser perseguido pelo homem; também posso ser um gótico niilista, mas aqui a culpa é desse Nietzsche e da falsa moral cristã que me quiseram impor a ferro-e-fogo. Posso ter perdido os valores de Deus, mas não perdi o sentido da moral. “Deus está morto!” e serviu um doce propósito, ser superado.

São explicações pobres. São, contudo, as que entendo existir, e como não desejei mais continuar a sofrer mandei-me de cabeça, feito tolo, ao livro “A Viagem De Théo” de Catherine Clément.

Assim, ontem ou antes de ontem, ou mais tarde, não me lembro, estava então a ler “A Viagem De Théo” quando fui bafejado por uma chávena de cevada e 6 parcas bolachas Maria entregues pela minha mulher – não digo esposa porque o meu professor de português castigou-me no 10º ano, a propósito de sei lá o quê, dizendo que esposa (sponsa, lat.) significa a prometida, aquela que assumiu um compromisso, enfim, coisas.

Com prazer imerso até metade duas bolachas na cálida cevada e essa metade despega-se e cai dentro da chávena. Não desistindo afundo de uma só vez as 4 bolachas restantes e consigo sem problema leva-las à boca. Continuo a saga mergulhando, mas sempre até metade, as 4 meias bolachas e pumba na boca novamente. Decidido a testar mais arduamente a minha experiência saco de um pacote de bolachas Maria.

Constatei, sem qualquer dúvida, não só que se deve mergulhar sempre 4 bolachas Maria na cevada quente para que estas não se partam, mas também que um pacote inteiro de bolachas Maria sabe muito melhor do que 6 bolachas Maria.

remanescente

Porque estava eu tão obcecado com a morte deste homem que ­nunca conhecera? Não parei para interrogar-me sobre isso. Claro que eu sabia que tínhamos coisas em comum. Ele fora atingido por uma coisa, ferido, atirado ao chão e perdera a consciência – eu também. Ambos passáramos para uma zona de escuridão total, silêncio, vazio, sem memória e sem previsões, um local fora do alcance de qualquer tipo de estímulo.
(…)
No entanto, reduzir todo o meu fascínio por ele à experiência que partilháramos seria contar apenas metade da história. Menos de meta­de. A verdade é que, para mim, este homem tornara-se um símbolo de perfeição. Podia ter sido desajeitado ao cair da bicicleta, mas ao morrer sobre o alcatrão, ao lado dos postes, ele fizera o que eu teria desejado fazer: fundira-se com o espaço em seu redor, mergulhara e escorrera para dentro dele até já não haver distância entre ambos – e fundir-se, também, com as suas acções, fundir-se ao ponto de já não ter consciên­cia delas. Deixara de estar separado, removido, imperfeito. Eliminara o desvio. Então, tanto a mente como as acções transformaram-se em pura estase. O ponto em que isto acontecera era o grau zero da perfeição – de toda a perfeição, aquela que ele conseguira atingir, aquela que eu desejava, aquela que qualquer outra pessoa desejava mas simplesmente não tinha noção de desejar e em qualquer caso não tinha oito milhões e meio para a perseguir, mesmo que tivesse noção dela. Por isso precisava de reconstituir a sua morte: por mim, sem dúvida, mas também pelo mundo em geral. Ninguém que compreendesse isto poderia acusar-me de não ser generoso.

página 155

Terminei a leitura da obra “Remanescente”. É um livro único não só pela espectacular história, mas também pela enorme e infindável riqueza dos pormenores. É fascinante assistir às reconstituições/duplicações de lembranças e acontecimentos criados pelo protagonista.


Remanescente, Tom McCarthy // título original: Remainder // editor: Editorial Estampa, Colecção Promoteu, n.º 31

é a altura

Hoje é a altura de colocar o sexo da mulher em primeiro plano neste blog perto de si sem que me possa ser apontado o dedo para dizer violentamente “ah, pornografia
É esta obra de arte chocante?
Sem dúvida que o é. A exibição daquela pilosidade é realisticamente assustadora.

Mas para se perceber o “choque pornográfico” olhemos uma vez mais a imagem propriamente dita.

ao terceiro dia

A questão de celebrar a ressurreição de Cristo ao terceiro dia levantou-me hoje uma pequena dúvida.
Temos de contar os 3 dias desde a morte ou a partir do dia útil seguinte?

De qualquer das formas Cristo morreu e ressuscitou a um terceiro dia.