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Nessa noite fui nadar. Nadei durante mais de uma hora, sob o olho único de uma Lua imensa. Nadei até que as luzes, na praia, se misturaram à confusa torrente de estrelas. Então, estendi-me de costas, a flutuar, puxado para o alto pela força da Lua. Se ela estivesse um pouco mais perto talvez me arrancasse da água. Eu ficaria levitando, um corpo solto, entre as estrelas e o mar.
Hossi esperava por mim, sentado na areia.
— Nunca sei se voltas.
— Nunca sei se volto. Mas sempre que volto, maninho, volto mais livre.
A Sociedade dos Sonhadores Involuntários de José Eduardo Agualusa (pág. 135)

josé eduardo agualusa

Depois de ter lido “A Teoria Geral do Esquecimento”, por José Eduardo Agualusa, fiquei de tal forma fascinado pela sua escrita que tenha decidido começar a ler o resto da sua obra pela ordem de obtenção de cada título – pois claro.

Na seguinte lista não coloquei as suas obras de literatura infantil, “Estranhões e Bizarrocos”, ” A Girafa que Comia Estrelas”, “Um Pai em Nascimento”; “Lisboa Africana” grande reportagem sobre a comunidade africana de Lisboa, em parceria com Fernando Semedo (texto) e Elza Rocha (fotografia).


Acho que nesta lista não falta nada. A corrigir se necessário.


A existir links é a prova provada de que já li a obra.

[1] Os contos deste livro inicialmente publicados pela editora Vega foram reunidos no livro “A Feira dos Assombrados” publicado pela Quetzal. Todas as histórias partilham o Dondo como ponto comum.

descender – vol.1: estrelas de lata de dustin nguyen e jeff lemire

Este primeiro álbum de Descender é visualmente impressionante que se cola perfeitamente a uma história elegante.
Com Jess Lemire nas rédeas do texto e Dustin Nguyen no desenho Descender é uma cena marada a seguir.

G Floy está uma vez mais de parabéns.

1000 estrelas – rabiscos

Rabisco inspirado no poema “1000 estrelas“.

Nada de especialmente especial.

green and moon

As estrelas e o verde.

1000 estrelas

O meu poema “1000 estrelas” irá ver a luz do dia – vai ser publicado.

o ladrão de arte por noah charney

Roma – Na pequena igreja barroca de Santa Giuliana, uma magnífica pintura de Caravaggio desaparece sem deixar pistas.
Paris – Na câmara de segurança do porão da Sociedade Malevitch, a curadora Geneviève Delacloche é surpreendida com o desaparecimento do maior tesouro da instituição – Branco sobre Branco, obra do russo Kasimir Malevitch.
Londres – Roubada a mais recente aquisição da National Gallery of Modern Art. Os inspectores Jean-Jacques Bizot, da polícia parisiense, e Harry Wickenden, da Scotland Yard, recompõem as peças desse intrincado quebra-cabeça. O que parecia uma série de roubos sem conexão é parte de um plano monumental que conjuga pistas falsas e enigmas de sofisticação apaixonante. Nos bastidores do mundo artístico, nos museus, galerias e casas de leilões se esconde um mistério.

Livraria Civilização Editora

Por 5 euros trouxe este livro para casa o que revelou ser uma boa compra e uma espectacular leitura.
Noah Charney em “Ladrão de Arte” oferece uma história perfeitamente rendilhada; com um final delicioso.

Apesar do autor ser um perito em crimes de arte com um curriculum 5 estrelas consegue criar um enredo complexo sem assustar o leigo com pormenores demasiados técnicos; eles estão lá mas explicados sem maçar o leitor. Sim, as personagens podiam estar mais desenvolvidas, mas estão suficientemente delineadas para divertir, sim, tem um erendo muito intrincado, e isso é mau?

Um livro que proporciona uma leitura cativante, final surpreendente.

os escolhidos: maio, 2011

  1. Passado que é mais um ano cá me encontro a percorrer o mesmo caminho; a arrotar bom dia, boa tarde, boa noite. Estou a ficar farto
  2. há mulheres mesmo muito boas… mas que são de plástico.
  3. está a ficar calor. e ela está começar a morder as unhas das mãos.
  4. foi-me dito que “hoje em dia tudo tem um preço; até as putas!”
  5. e lá estava ela (sim ela) hipnotizada a olhar para a estrelas do monitor enquanto coça a barbicha disfarçada por uma mal depilação.
  6. continua a chover; e eu que estive a pensar em vestir o meu lindo kilt.
  7. alguém é suficientemente suicida para dizer à mulher/amante que está com um ligeiro (pequeno, minúsculo) excesso de peso?
  8. vou escrever uma coisa muito, mas muito intima, mesmo, mesmo ora leiam: hoje sinto-me adocicado
  9. acordei mesmo agora. bastou colocar os óculos.
  10. e o dedo furava-lhe o queixo com aquela unha suja que usava para tirar cera das orelhas
  11. era chamado de urso sempre que ela se abafava naquele corpo felpudo. uma catarse de pêlo
  12. que inveja tenho daquelas mulheres que milagrosamente perdem peso passados que são 9 meses; eu continuo constantemente grávido!
  13. o lápis ameaçava uma imaculada folha branca com um risco. é um lápis anarquista. se ao menos fosse para escrever um poema.
  14. se os economistas se dedicassem a fazer desenhos o mundo seria um melhor lugar para viver
  15. fui acusado de não ter papas na língua! eu por acaso tenho culpa de ter sido treinado pela minha mãe a papar tudo e a não deixar nada?
  16. a aturar o canal panda. a filha faz desenhos. vê televisão. já é um sistema operativo multi-tarefa
  17. dizem-me que sou complicado; uma decisão rápida: entre o vodka martini e o dry martini vou por este último. sou de escolhas fáceis
  18. chegaram à conclusão que não sou maluquinho; sou mesmo doido.
  19. um bêbedo é como um pombo-correio sabe sempre o caminho para o pombal.
  20. chovia… um vizinho perguntou se não era melhor atravessar a rua a correr para se abrigar. respondi que assim se molhava mais rápido.
  21. Margarida, qual é a pessoa mais doida que conheces?, perguntei. És tu pai. E a seguir a mim?. Só tu pai, só tu é que és doido.
  22. ele não é simplesmente um chato; é um verdadeiro asno. zurra.
  23. existem pessoas que deixam crescer a barba por desleixo; eu não – a minha sobeja por uma questão de estilo. okay! fiquem bem.
  24. há visitas a blogs ao estilo “prostituta” – entram, e saiem satisfatoriamente anónimos.
  25. outras há ao estilo “coito interrompido” – antes de entrar já estavam de saída!
  26. ela puxava o lábio superior até o nariz beber da humidade labial; os dentes revelam-se em toda a sua magia amarela
  27. não me está a acontecer nada de especial. mas achei, apesar de tudo, dar a conhecer esta irrelevância.

from the perverse mind of paulo brito

fragmento.00129

(…) que direito temos nós de tomar decisões em nome do mundo? Que o mundo faça a sua opção entre a vida e a morte. Por que há-de a responsabilidade ser nossa?
— Somos obrigados a isso? (…) — Precisamos de tomar sobre nós a responsabilidade a quem o homem médio quer eximir-se.
— Então que ele deixe de se furtar à responsabilidade. Que ele deixe de lançar sobre os outros o seu dever e a sua culpa. Havemos de ser sempre os bodes expiatórios do mundo?
— Diabos o levem! (…) Eles não possuem um mínimo de conhecimentos indispensáveis para o seu próprio bem.
— Então que aprendam ou morram. Estamos todos no mesmo barco. Vivamos ou morramos juntos.
Estrelas o Meu Destino por Alfred Bester

fragmento.00128

(…)
— Porquê? Porquê alcançar as estrelas e as galáxias? Para quê?
— Porque está vivo. O senhor também poderia perguntar: por que há vida? Não pergunte, viva-a.
— Completamente doido — murmurou Dagenham.
— Mas fascinante — disse Y’ang-Yeovil em voz baixa.
— A vida deve ser mais do que limitarmos-nos a vivê-la — disse Foyle ao robot.
— Então descubra o senhor. Não peça ao mundo que pare de girar porque tem dúvidas.
— Por que não podemos todos avançar juntos?
— Por que são todos diferentes, não são animais de laboratório. Alguns devem tomar a chefia e esperar que os outros o sigam.
— Quem toma a chefia?
— Os homens que devem… homens decididos, empreendedores.
— Os homens extravagantes.
— Vocês são todos fora do comum, e sempre foram. A vida é a extravagância. Aí reside a sua esperança e a sua glória.
— Muito obrigado.
— Foi um prazer.
— Salvou o dia.
— Está sempre um belo dia em qualquer sitio — respondeu o robot (…)
Estrelas o Meu Destino por Alfred Bester