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the subjugate by amanda bridgeman

Leitura, na escala de classificação cinematográfica de Paxo, catita. Este livro da australiana Amanda Bridgeman coloca, sem dificuldade, KO a última trilogia de John Scalzi (que é uma coisa fraca, pior de que filmes de Série B).

Apesar de o enredo estar longe de ser original, mas o que é actualmente original? este “The Subjugate” tem uma história que envolve e que agrada e diverte sem pretensões de qualquer espécie.

Não The Wire, nem Blade Runner – vale por si.

snowpiercer, a série

Snowpiercer, a série, com Jennifer Connelly não vale nada. Foi com esforço que vi o primeiro episódio, pensando “okay isto até pode melhorar” – erro meu.

A série descarrila.

A única cena engraçada foi quando li alguns comentários sobre a série em que uns iluminados disseram que melhor, mas mesmo melhor foi o filme original? Ah! Como?

Pesquisem um pouco, a Internet está aí para isso. O original é a banda desenhada franco-belga “Le Transperceneige” de 1982, de Jacques Lob (argumento) e Jean-Marc Rochette (desenhos) e que vai ter graças, felizmente isto, ao lançamento da série uma edição em Portugal em dois volumes:

  • Transperceneige/L´Échappée 1984
  • L´Arpenteur 1999
  • La Traversée 2000

into the dark: the body

A professional hitman transports his latest victim in plain sight, assuming that Halloween revelers will think that the body is part of an elaborate costume. On his way to dispose of the corpse, however, the killer becomes involved with some admirers.

wikipédia

Gostei este episódio – delirante!

altered carbon

A primeira temporada como que me convenceu – pronto, até gostei. As personagens estão no ponto, a história desenrola-se com desenvoltura.

Para ver a segunda temporada tenho feito um esforço para visualizar episódio atrás de episódio. Este Takeshi Kovacs é insosso. A única personagem interessante é Poe. Esta, mesma, sensação ocorreu com a leitura do segundo livro.

Assim, sem muitas mais indecisões, coloquei a série de lado.

o homem que matou lucky luke de matthieu bonhomme

Destruí a lenda! Matei Lucky Luke!
Ao chegar a Frog Town numa noite de tempestade, Lucky Luke, além de ter de enfrentar o bando dos irmãos Bones, não imaginava que estava prestes a encontrar o homem que o iria matar.
Matthieu Bonhomme criou esta maravilhosa homenagem ao cowboy de Morris por ocasião do 70.º aniversário da personagem, num álbum vencedor do prémio do público em Angoulême, reinventando o cowboy solitário criado por Morris numa magnífica história que, entre outras revelações, explica o motivo por que Lucky Luke deixou de fumar!

A Seita

Livro cheio de referências à cultura popular, começando logo pela capa em clara homenagem a Clint Eastwood dos filmes que compõem a “Trilogia Dólares” realizado por Sergio Leone.

O álbum, “O Homem que Matou Lucky Luke”, publicado em 2016 no ano em que se comemoraram os 70 anos da criação do famoso personagem por Morris, faz parte de um série intitulada “Lucky Luke (visto por …)”.

Esta criação de Matthieu Bonhomme é simplesmente maravilhosa em todos os seus detalhes: argumento, desenhos, cores.

Não me desapontou em nada. E não foi à toa que o álbum recebeu o prémio belga Saint-Michel para o Melhor Álbum em 2016 e os Prémios do Público Cultura e dos Liceus no festival de Angoulême em 2017.

Um livro para quem gosta de coisas mesmo boas.

Estou ansioso por mais duas edições d’ A Seita da série (visto por…): “Lucky Luke Muda de Sela” e “Jolly Jumper Não Responde”

Tradução por Sandra Alvarez

la casa de papel, s03

Já não tem a frescura das primeiras duas temporadas e não é por ser mais do mesmo, mas porque tem uma falha, quanto a mim, monumental. Com tanto dinheiro uma plástica não seria nada de complicado tendo em conta até que o Professor se movimenta bem nos meandros do crime, mas… a estupidez impera na terra dos génios – também.

Tive a mesma sensação com a série Prison Break. Acho que há séries que não deviam ter mais do que uma ou duas temporadas.

Claro que a Teoria do Big Bang é mais do mesmo, mas também não tem pretensões a ser mais do que isso.

Agora esta La Casa de Papel veste-se como um manifesto político/social, porque:

O Estado pode aceitar que teve que colocar o exército nas ruas. O Estado pode permitir que entre na Reserva Nacional e roube o ouro, mas há algo que não podem permitir. Ele não permite que descubram os seus segredos.

Season 3, episódio 5

E ao tentar ir mais longe comete erros, atrás de erros que se tornam tão obtusos e repetitivos que até assustam. Chega uma altura que a falta de discernimento das personagens cansa, realmente cansa.

la casa de papel, s01 e s02

Decidi ver esta série porque o meu filho disse que é muito fixe.

Devo dizer que não está nada mal.

As interpretações estão elegantes – competentes. O plano perfeito falha no decorrer do assalto sem motivos justificáveis, o que faz acelerar o drama e o suspense, mas afinal errar é humano, certo?

Série refrescante com um enredo engenhoso e cativante.

a reunião

Elvira Dark recorda-se do seu primeiro filme como se fosse hoje. Uma adolescente percorre um abandonado parque de estacionamento quando é vítima de um ataque tecnológico inaudito: é enforcada com um telefone sem fios até a cabeça ser decapitada. O arrojo de sangue marrom que besuntou a tela branca foi tão intenso que Elvira ficou nesse momento fascinada por sangue e por bifes tártaros.

O hoje é o dia da semana em que vai à reunião. Entrou sem qualquer receio na sala contígua à sacristia da Igreja Matriz em Barcelos, sem antes ter visitado o pelourinho. Sentia um dilacerante prazer ao imaginar o sofrimento e o sangue que aquelas pedras tinham testemunhado e bebido.

Na sala já se encontravam sentados em círculo Carl Maia, Francis Barnard, Cataline Stone, o orientador Hezekiah e surpresa… um novo membro.

‘Como já repararam temos hoje entre nós um novo membro’, iniciou a conversa Hezekiah após Elvira ter ocupado a cadeira remanescente, ‘e é altura de lhe desejar as boas vindas.’

‘Olá!’, responderam os membros em sincronia.

‘Olá. O meu nome é Bruce, Bruce Campbell e sou… não consigo, desculpem!’

‘Bruce se desejares podes apenas ouvir, não precisas de participar. Vai com calma. Todos nos sabemos o quanto é difícil’, aconselhou Hezekiah.

Elvira ficava constantemente extasiada pelo pescoço à touro seminal que Hezekiah exibia em cima de uns largos ombros. A imagem que se projectava, sempre, no seu pensamento era ela vestida apenas de luvas de mirtilo em azul a fazer carving na carne e ossos do portentoso Hezekiah com uma moto-serra STIHL MS 192 T. O seu delicioso devaneio durou pouco tempo; foi interrompido pelo gorgolejar a seco do novo membro.

‘Queres dizer alguma coisa Bruce?’, questionou Hezekiah.

‘Sim. O meu nome é Bruce Campbell e sou viciado em filmes Série B.’

05. referências culturais em sr. mercedes

Continuam os meus registos em tom obsessivo das referências descobertas por mim no livro Sr. Mercedes de Stephen King. Deixei passar outras porque não tinha o telemóvel à mão para tirar foto da página.

Está numa cadeira de rodas, inclinada numa postura que lembra a Hodges O Pensador de Rodin

página 183

o pensador

O Pensador (Le Penseur) é uma das mais famosas esculturas de bronze do escultor francês Auguste Rodin.

— Como o Dexter Morgan naquela série de televisão.
Hodges sabe de que série ela está a falar e abana enfaticamente a cabeça. Mas não só porque a série é pura fantasia.

página 200

Dexter Morgan é o anti-herói da série de livros de Jeff Lindsay. Em 2006, o primeiro livro foi adaptado na série televisiva “Dexter”.

(…) aos olhos de Brady, aquilo faz lembrar o gigantesco óvni no final de Encontros Imediatos do Terceiro Grau.

página 281

Close Encounters of the Third Kind (Encontros Imediatos de Terceiro Grau) é um filme americano de 1977 escrito e dirigido por Steven Spielberg, 

Não sabe ao certo quem foi Manet (…), mas os quadros dele são fantásticos. (…) Uma delas mostra um toureiro morto. (…) O toureiro não está ferido nem nada desse género, mas o rasto de sangue oriundo do ombro esquerdo parece mais real do que o sangue de todos os filmes violentos que Brady já assistiu, e ele já viu a sua dose.

página 284

Édouard Manet (1832 — 1883) foi um pintor francês e uma das figuras mais importantes da arte do século XIX, considerado como um dos mais importantes representantes do impressionismo francês, embora muitas de suas obras possuam fortes características do realismo.

O Homem Morto (L’Homme mort; originalmente intitulada O Toreador Morto ou Le Torero mort) é uma pintura a óleo sobre tela da década de 1860 realizada por Édouard Manet, produzida durante o período em que Manet estava fortemente influenciado por temas hispânicos.

o homem morto

Pois sim, pensa Hodges. Pois sim. Fecha os olhos e tomba no chão, fazendo lembrar Humpty Dumpty a cair de cima do muro.

página 449

Humpty Dumpty é uma personagem de uma rima enigmática infantil, melhor conhecida pela versão de Mamãe Gansa na Inglaterra. Ela é retratado como um ovo antropomórfico, com rosto, braços e pernas. Esta personagem aparece em muitas obras literárias, como Alice Através do Espelho de Lewis Carroll.

Humpty Dumpty sat on a wall,
Humpty Dumpty had a great fall.
All the king’s horses and all the king’s men
Couldn’t put Humpty together again

04. referências culturais em sr. mercedes

Continuam os meus registos em tom obsessivo das referências descobertas por mim no livro Mr. Mercedes de Stephen King.

(…) que a fazia parecer-se um pouco com Elsa Lanchester em A Noiva de Frankenstein.

página 123

“A Noiva de Frankenstein” (Bride of Frankenstein) é um filme de 1935 dirigido por James Whale. Houve uma nova versão em 1985, com o novo “A Prometida”, realizado por Franc Roddam.

Talvez afinal possa ser Philip Marlowe. Imagina-se num escritório miserável, com duas salas, a dar para o corredor do segundo andar de um prédio de escritórios barato. A contratar uma secretária boazona com um nome como Lola ou Velma.

página 123

Philip Marlowe é um personagem criada pelo escritor Raymond Chandler. A estreia do detective particular Marlowe foi no livro o “Grande Sono”, publicado em 1939.

(…) Entram em sites destes e de repente os seus computadores parecem adquirir inteligência artificial como o Hal 9000 e começam a descarregar fotografias de prostitutas adolescentes ou vídeos terroristas que mostram pessoas a ser decapitadas.

página 135

Hal 9000 é o computador é uma personagem do livro “2001 – Odisseia no Espaço” de Arthur C. Clarke, e imortalizado pela adaptação cinematográfica feita por Stanley Kubrick em 1968.