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os passageiros do vento para 2020

Ébano foi até 1985 o último volume da saga Os Passageiros do Vento de François Bourgeon. Em 2009 o autor entendeu publicar mais dois excelentes tomos: A Menina de Bois-Caïman (vol. I) e A Menina de Bois-Caïman (vol. II).

Este ano foi publicado O Sangue das Cerejas (vol. I).

Neste último tomo, com a mesma excelência que François Bourgeon nos habituou, é inaugurado um novo ciclo d’ Os Passageiros do Vento

  • o primeiro ciclo é composto por 5 tomos – escravatura do século XVIII (aventuras de uma rebelde Isabel de Marnaye)
  • o segundo ciclo é composto por dois tomos – guerra de Secessão Americana (segue as aventuras de Zabo, a bisneta de Isa)
  • o terceiro ciclo será composto por dois tomos – Paris e a Comuna (Zabo é Clara e vive em Paris)

os passageiros do vento – a menina de bois-caïman (v. 7 – parte 2)

É redundante continuar a falar da mestria de Bourgeon. Ele é mesmo bom.
Quanto a esta segunda parte d’A Menina de Bois-Caïman foi com alegria que iniciei a sua leitura e com tristeza que cheguei à última prancha. Sim, com tristeza!

Bourgeon foi, pensando bem, um grande maroto. Não se presenteiam dois grandes presentes como estes – Menina de Bois-Caïman, parte 1 e parte 2 -, passados que foram 25 anos de uma saga (Passageiros do Vento) que eu suponha terminada e como tal já estava, devidamente, anestesiado, e agora sei que terminou definitivamente. Saber que não haverá mais Isa outra vez… Ter de assimilar uma vez mais esta ideia.

Claro que, apesar deste senão(?), é uma leitura recomendada e um abrir de 2010 em grande para a banda desenhada editada em Portugal.

os passageiros do vento – a menina de bois-caïman (v. 6 – parte 1)

Em 1985 terminei a leitura de Ébano que era o último volume da saga Os Passageiros do Vento de François Bourgeon. Tinha na altura uns lindos 17 anos. Adorei Os Passageiros do Vento e a par com A Balada do Mar Salgado, Silêncio, Koolau – O Leproso, O Vagabundo dos Limbos, Os Olhos do Gato e O Cruzeiro dos Esquecidos foi o descobrir outro mundo na banda desenhada para além da Disney.

passageiros do vento

ébano

Em 1985 Ébano agradou-me 99.99%; queria um final para a história mais definido. O conjunto da obra-prima deliciou-me a 110%. A história de uma Isa depravada, nem sempre com a sorte do seu lado, nascida em boa família, mas enganada, decorre no século XVIII, é servida com requinte. Bourgeon revela uma autêntica mestria no desenho. Os desenhos são cuidadosamente detalhados: são as armas, as roupas, os navios. Tudo está tão bem documentado que por vezes fico hipnotizado pela profundidade do ambiente.

Relendo agora a história contada em Ébano com outra maturidade e vivência, tenho de concluir que aquela indefinição, que me aborreceu nos meus 17 anos de idade, ao deixar abertas inúmeras possibilidades, tornou a aventura ainda mais deliciosa e por isso acabava, pensava eu, esta saga marítima com chave de ouro.

Assim não o entendeu Bourgeon. As questões que coloquei ao saber que Bourgeon decidiu, passados que são 25 anos, reunir-se com Isa foi: o que mais há para contar? ou melhor dizendo, será que vale a pena contar algo mais? Bourgeon não correrá um sério risco em perder-se?

Ao ler o 6º álbum (parte 1) d’ Os Passageiros do Vento senti-me novamente imerso em doces sensações. O desenho está melhor do que nunca. E como é isso possível? Simples, o mestre agora com 64 anos superou-se a si mesmo de forma incrível. A história é agora a de uma Zabo, jovem de 18 anos, que em plena guerra civil atravessa o Lousiana, acompanhada por Quentin, um fotográfico, para alcançar a casa da sua bisavó. Inicialmente não pode deixar de pensar o que levou Bourgeon a abandonar as antigas personagens e, odiando estes saltos no tempo, fui levado através de uma narrativa rápida, em que nada foi deixado ao acaso, à presença de uma Isa maltratada pelos infortúnios da vida; Zabo é a bisneta da Isa de Hoel e em flashback somos enviados para o século XVIII e novamente para a vida de Isa.

O resultado final é de tal forma soberbo e nada entediante que mal posso esperar por Janeiro de 2010. Mês que vai encerrar definitivamente este fresco histórico. E baseio-me nestas palavras do autor para ter escrito isso:

La suite de La Petite Fille Bois-Caïman sortira en janvier. J’ai réalisé 142 pages qui forment un tout, et sont scindées en deux albums. En lisant la deuxième partie, on saura ce qui arrive à nos deux héroïnes, et cela mettra un point final aux Passagers. Car je ne vais pas faire vivre Isa pendant 150 ans ! Et je n’ai pas d’envies particulières concernant Zabo. Ensuite, je terminerai le cycle de Cyann, dont il me reste un album à faire. Il sera moins dense que les précédents, ce sera ma récré!

de boidoi.info

apontamentos

Com coragem e farta ousadia ataquei dois livros que já tinha tentado concluir. Há leituras que não pegam de raiz. O mesmo acontece com a música. Não estando para lá virado o apetite não aparece. A culpa pode ser mais do leitor do que do livro. Mas que não pega, não pega. Pode ser que um dia, improvável digo eu, mas pode ser que um dia, esse e outros livros sejam lidos.

O primeiro é “A Idade de Ouro”, John C. Wright. Sei que é uma obra excelente. Um grande apreciador de fc já me tinha falado do livro. De quanto ele é espectacular. Mas a verdade é que não me encantou o suficiente para avançar da página 30/39 pela segunda vez. E como tal “A Fénix Exultante” ficou, igualmente para depois.

O segundo é “O Codex 632”, José Rodrigues dos Santos. Perdi como que o tes[pii] nas cenas de sexo escaldante com a sueca. Ler

Numa reacção quase animal, Tomás sentiu o desejo tomar instantaneamente conta da vontade e apalpou-lhe o peito farto como quem espreme um fruto sumarento e espera que dele jorre o suco leitoso, mas a sueca afastou-o com um sorriso picante.

página 237

não me dá pica. É como estar a ver um filme de morte, horror, violência e de repente sem aviso aparente assistirmos a 10 minutos de sexo ardente, a uma exibição gratuita de mamilos e tudo o mais que vem no pacote. Enfim, filmes à Greta Scacchi. É fácil deduzir que a sueca não seria coisa boa, que atendendo aos problemas em casa Tomás facilmente molharia o pincel fora do penico e para mim isso bastava, mas não, tínhamos de ter texto ao quase estilo Fanny Hill. Arrumei o livro apesar de loucamente ter atingido a página 299.

Como hoje a minha filhota me pediu uma revista das Winx – sim, eu sei que ela tem apenas 3 anos e 2 meses – para ler(?) lá me desloquei à Milionária para a oferenda. E o que vi lá? O volume I (“A Rapariga no Tombadilho”) da nova edição ASA/Público d’ “Os Passageiros do Vento”. E desde já digo que não sou partidário de adquirir novas edições de obras que já tenho. Excepto se for uma grande mudança relativamente à edição original. Sei que a minha colecção de 1987 já não me permite tentar reler com satisfação as aventuras de Isa, porque e como diz Bongop e muito bem “começa a cola da lombada a fazer barulho de batatas fritas…”. Mas só isso não seria para mim motivo válido para a aquisição da nova edição. Contudo, o livro estava tristemente isolado, apesar de junto a diversos jornais, e ainda devidamente protegido; e já tinha visto as novas capas no Leituras de BD; e como tal já me tinham dado os desejos tal grávida-de-fim-de-tempo de ler “Os Passageiros do Vento”; e, assim, sem receio de represálias comprei voluptuosamente “A Rapariga no Tombadilho” e encomendei os restantes volumes. E já foi uma leitura novamente deliciosa.