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andorinhas? oops!

Hoje ao subir a Rua de Santa Marta observei uns pássaros ruidosos a esvoaçar loucamente de um lado para o outro. “morcegos a esta hora da manhã? esquisito!”, questionei-me.

A uma segunda aproximação das aves constatei que eram andorinhas. Estamos, efectivamente na natural Primavera e o país em constante Inverno – “ah! aqui está porque pensei inicialmente em morcegos!”, sinto que estou ainda no Inverno com o Governo a morder-me silenciosamente o pescoço à procura de mais umas gotas de sangue.

As andorinhas, essas, continuaram a esvoaçar nas alturas alheias ao Inverno Glacial que se agita nas ruas.

enfim

– Precisamos é de um cristal – sugeriu Piper. – De ver onde estão os demónios.
– Ou uma bola de cristal. Onde as guardam neste lugar?
– Deve haver uma. Venham lá.

O Portão de Ptolomeu, Jonathan Stroud,
editor: Editorial Presença, colecção Via Láctea
citação: página 386

Esta noticia do Público Online se for bem lida é como uma bola de cristal. Vejam algumas palavras interessantes a negrito:

O plano anti-crise do Governo marcou o debate quinzenal de hoje na Assembleia da República, com a oposição a classificá-lo de insuficiente e a esquerda a questionar os apoios à banca. O primeiro-ministro, José Sócrates, desvalorizou as críticas, acusando a oposição de sectarismo e demagogia, e salientou que o plano anti-crise do Governo “Investimento e Emprego” deverá apoiar cem mil portugueses.

É verdade, temos uma oposição insuficiente. Sim, o Governo desvaloriza as críticas. E eu podia continuar, assim, pela notícia toda, mas ia repetir-me. Por isso um resumo:

  1. governo apresenta medidas “boas”
  2. oposição afirma que as medidas são “más”
  3. governo afirma que são medidas “boas”
  4. oposição reafirma que as medidas são “más”
  5. governa reafirma que as medidas são “boas”
  6. oposição confirma a reafirmação de que as medidas são “más”

A conclusão é lógica. Em Portugal sabemos muito bem onde estão os demónios. E nem se escondem. Andam entre nós. Orgulhosos. Petulantes. Intocáveis. Dogmáticos.

pedaços de loucura anónimos

Pronto, o costume, os Lamechas dos professores .. Só me lembram o anúncio : – «Falam, falam mas não dizem nada . » . Se exceptuarmos os pedidos de Aumentos Salariais , o que propõem os coitadinhos dos Desfavorecidos dos professores ? Que respeito eles próprios têm com os Alunos e os Pais ao fazerem greve sem proporem alternativas ?. Se não estão satisfeitos com a Entidade Patronal (que somos Todos nós afinal… ) procurem emprego na “privada” …

Isto das agressões é algo de muito grave e uma agressão que seja a um professor já é muito. Nos meus tempos de escola e até universidade, às vezes que bem apetecia dar uns tabefes na cara a um ou outro professor. E só se perdiam as que fossem ao lado. A arrogância e o facto de terem o poder (nas notas) por vezes dava origem a abusos. Não se confunda vandalos e faltas de respeito gratuitas com revolta de alunos por outro tipo de situações. Falta de vocação de professores provavelmente é um grande contribuinte para a violência. No entanto é algo que com uma correcta avaliação dos professores isso pudesse ser corrigido. Alguns até deviam ser convidados a procurar outras profissões. São mesmo uma nódoa. Deviam pagar para trabalhar, quanto mais se queixarem do ordenado. A ideia que uma licenciatura serve para dar aulas é o maior erro que se tem cometido. Há alunos, principalmente nas Universidades, que põe e com razão, os conhecimentos dos professores em causa. Foram tantas as situações…………. Há muitos professores que embora não sejam muito bons a nível de conhecimento, eram esforçados e até acabavam por ter um resultado satisfatório. Mas a violência é sempre um caso de polícia. Na esquadra que lhes acertem o passo sem marcas claro, que isso não pode ser. Paginas amarelas 30X na cabeça bem atestadas resolve para levar os neurónios ao sítio.

Porque será que a maior parte das pessoas fala do que não sabe? que povo mais estúpido… vão às escolas ver o que se passa ou então calem-se… na escola onde dou aulas há tentativas de agressão ou insultos TODOS os dias… acham normal??? gostam de ser todos os dias chamados de “filhos da p… ” ou “vai pó caral…”. Gostava de assistir a um dia de aulas dada por um qualque cidadão para ver as suas reacções quando um aluno o mandasse para o outro lado ou lhe oferecesse porrada. Será que já pensaram que a violência decresceu porque muitos professores nem sequer fazem queixa??? porque não vale a pena fazer, pois não acontece nada… porque no dia seguinte a pobre criança está na escola de novo para insultar e agredir mais professores. Tristes são aqueles que falam sem saber dos factos. pelo que vejo aqui escrito, muitos são daqueles pais que descarregam os filhos nas escolas para que os outros os eduquem… se não tem tempo para os educar não tenham filhos… agora não queiram que os outros façam o trabalho por vocês. Não falem do que não sabem… vão assistir a aulas, mas nas escolas reais de Portugal e não nas que aparecem nas notícias… vão conhecer aquilo sobre o qual querem opinar e deixem de ser hipócritas… se isto anda assim também é porque não os educam em casa. Gostava que este povo acima de tudo deixasse de se armar em conhecedor de tudo, e se preocupasse em saber do que fala antes de fazer papel de carrasco. Tenham consciência de uma coisa… neste momento muitas escolas não estão a servir para ensinar nada aos vossos filhos… apenas gerimos comportamentos na sala de aula, e depois somos obrigados a passar os alunos no final, por causa das estatísticas do governo. Tenho alunos que nem sabem escrever, e ler só com muitas pausas… fazer 5 a dividir por 2, é para esquecer… e são do 8º e 9º ano… por isso continuem a aprovar as medidas do governo, e são estes alunos analfabetos que daqui a 15 anos estão a caminho do poder deste país. PARABÉNS ao governo e ao povo ainda mais inculto que apoia as medidas.

Comentários na caixa do Público Online

Leiam e opinem. Porque, enfim.

o dr de hoje…

O empenho na luta contra a podridão anelar da batateira é uma prioridade deste governo apesar de não constar do programa eleitoral. E medidas urgentes devem ser tomadas para que Ralstonia solanacearum (Smith) Yabuuchi e outros seus amigos não possam nunca mais causar pus ou mal murcho à batateira e mais importante ao tomate.

Não quero viver num país em que o tomate sofra de mal murcho.
Louvamos estas iniciativas que farão de Portugal um melhor local para viver.

mais info Decreto-Lei n.º 248/2007
e Decreto-Lei n.º 249/2007

toti

O governo num jogo de ancas ímpar a nível mundial está a pensar criar um novo imposto para o cidadão português.
Já se sabe que para o governo português qualquer individuo não é uma mais valia nacional, mas apenas uma fonte de dinheiro para pagamento de taxas, impostos, tributos…

Assim, nesta mesma linha de pensamento, o governo tem para aprovação no próximo conselho de ministro o TOTI (Taxa de Ocupação Territorial para Indivíduos). Este imposto tem como objectivo cobrar a ocupação de cada pessoa medida pelo seu peso e pelo seu diâmetro da cintura. A preocupação do governo ao contrário do que se possa pensar não é obter dinheiros extras para os cofres do estado, mas cultivar o culto do corpo elegante e saudável sem se cair na bulimia nem na anorexia. Sem esquecer que menos peso não maltrata tanto o planeta terra.

Neste seguimento as cadeias de fast-food vão ser taxadas com um IVA especial e temporário de 32%

Naturalmente a AGPS (Associação dos Gordos Por Que Sim), a AGPTS (Associação de Gordos Por Que Tem de Ser), o clube OBS (Obesos, Belos e Sensuais) e a, entidade com fins pouco lucrativos, BIFE (Balofos, Intensos, Fortes mas Elegantes) revoltam-se contra o TOTI que entendem ser inconstitucional e ameaçam boicotar a compra de tripas, gomas de açúcar, pastéis de nata, suspiros, farturas e pasmem-se avançam, igualmente, com o cancelamento de assinaturas da revista Epicuro.

As associações do sector de comes & bebes encabeçadas pelo monstro sindical SINCOP (Sindicato do Coração Preocupado) ameaçam inundar o mercado com uma produção massiva de doces caramelizados com adoçante e o não fornecimento de bifanas nas próximas romarias.

Surgiu entretanto um slogan de luta: “Gordos ao poder pela força do comer.”

Estaremos perante uma revolução das tripas?

apenas

(…) o murmúrio dos indiferentes. Ou pior ainda – o murmúrio do conformados. (…) Paradigma de um povo que vive sem viver. Que existe apenas… Permanentemente à espera. À espera que chova ou faça sol… à espera do fim do mês ou da consulta da Caixa… à espera de um governo que não seja pior que o anterior… à espera de um Sebastião salvador… à espera da morte…

in Jornal de Barcelos de 14.12.2005, Crónica de Luís Manuel Cunha