Tag Archive for: história

as novas mil e uma noites

08 Jul
08.07.2010

Li até à página que me apeteceu esta obra de Robert Louis Stevenson que vai ter uma nova edição pela editora Assírio & Alvim em dois volumes ainda este mês.

As aventuras do Príncipe Florizel da Bohemia e do Coronel Geraldine estão bem urdidas e são de fácil leitura. São personagens cativantes; mas de uma forma geral todos os contos revelam um grande mestre a contar histórias.

Claro que é mais facil ler a “A Ilha do Tesouro” e “O Estranho Caso do Dr Jekyll e Mr Hyde”, mas estas “novas mil e uma noites” são uma pérola a não perder.

il viaggio di g. mastorna detto fernet

03 Jul
03.07.2010

Continuo com algumas, pequenas, arrumações e desta vez parei na revista (À Suivre) n.º 177 de Outubro de 1992.
Este número vale muito – não no sentido económico – pela banda desenhada “Le voyage de G. Mastorna” com desenhos de Manara e argumento de Fellini. Como pequeno parênteses esta história foi editada em álbum em 1996 pela Casterman e penso que ainda pode ser encontrado em alguma loja online.

Não foi a primeira vez que Milo Manara trabalhou com Fellini; ambos já tinham criado a obra “Voyage à Tulum” (1986), álbum, também, editado pela Casterman.

tulum

voyage a tulum

Gosto mais desta última viagem – “Le voyage de G. Mastorna” – pela cor, pelo surrealismo da história; há algumas pranchas que são um verdadeiro delírio visual e musical!
“Le voyage de G. Mastorna” foi, igualmente, o filme não realizado por Fellini.

Hésitante, elle s’avance vers la tempête, tandis que Fellini commen­te: “Voici Mastorna, le héros de mon film, un violoncelliste… Cela devait commencer ainsi, par un atterris­sage de fortune… sur une place étrange… de rêve.” Un speaker lui demande : “Alors, mon­sieur Fellini, vous ne l’avez pas fait, Il Viaggio di G. Mastorna?” Et Fellini de répondre : “Non, pas encore. Mais je le ferai, parce que c’est le film auquel je tiens le plus. J’avais tout préparé pour que mon personnage se matérialise… Voilà, parfois, j’avais la sen­sation de l’avoir vrai­ment connu, Mastor­na… Puis, il me fuyait à nouveau…”
Depuis, plus de vingt-cinq ans sont passés et, ponctuellement, à la fin de chaque film, quand on l’interrogeait sur ses projets, Fellini faisait ré-émerger la silhouette de Mastorna. Peut-être pour l’exorciser, mais toujours dans l’éven­tail des histoires qui lui tenaient à cœur.

(à suivre) n.º 177, página 6 – “Le Rêve du Maestro”.

 

fellini_manara

fellini & manara

mais de antigamente

02 Jul
02.07.2010

Na tarefa ingrata da arrumação dos caixotes descobri, como sempre, felizmente, mais duas verdadeiras pérolas.

A primeira pérola é o livrinho “Gata Borralheira”, n.º 3 da Colecção Série Classica editada pelo Centro de Caridade “Nossa Senhora do Perpétuo Socorro” – Porto.
Os desenhos são da responsabilidade da simplesmente identificada, “Magda”.
A história é uma adaptação de Charles Perrault.

gata borralheira

A segunda pérola é o livrinho “Joaninha Dançarinha”, n.º 16 da Colecção Alvor edição da responsabilidade da “Editorial Promoção” de 1972.
O desenhador é tem apenas o nome “Gabriel” e o autor é identificado por “Colabor”.

joaninha dançarinha

guia prático para cuidar de demónios

30 Mai
30.05.2010

“Guia Prático para Cuidar de Demónios, Uma Comédia de Terror” de Christopher Moore foi uma deliciosa descoberta.

A história é surpreendente e bem montada; o terror é verdadeiramente hilariante.
As personagens estão bem delineadas e e a cidade misteriosa de Pine Cove é realmente misteriosa e fantástica.

Adorei o livro e fixei o autor para me preparar para novas comédias? de terror? Ai que medo!

os cinco e os dois testículos

04 Fev
04.02.2010

vasectomia, fase um

Por motivos de força externa – a saúde da minha mais-que-tudo – tive de ser submetido a uma vasectomia; intervenção cirúrgica menos agressiva do que a laqueação de trompas e muito mais simples.

À semelhança de Dave, interpretado por Vince Vaughn no fraco Couples Retreat, que foi “beijado” por um tubarão e está vivo para contar a história eu faço, agora, parte de um grupo de elite – aqueles homens que voluntariamente decidiram colocar o falo, o escroto e o resto ao alcance de um bisturi!

pulseira de controlo

Não foi fácil estar todo nu e vulnerável a ser “barbeado” nas partes baixas por um enfermeiro. A única satisfação que tive nessa altura da minha travessia do deserto foi verificar que outro profissional da enfermagem desviou o olhar ao constatar o quanto bem constituído eu sou; outros poderão dizer que foi do choque por ter entrado no quarto errado e me descobrir ali deitado e nu a ser electricamente depilado – não liguemos a essas vozes maliciosas.

O bloco operatório não foi um oásis a descobrir, que bem precisava depois da travessia, mas sim um inferno. Não chegava o cirurgião, o anestesista, o assistente do cirurgião, não chegava, ainda foram precisas as duas enfermeiras. Não sei se hei-de mais alguma vez ter fantasias com enfermeiras. Fiquei, como que ligeiramente, traumatizado porque nunca pensei que o meu pénis fosse capaz de hibernar de tal forma que seria necessário uma lupa de filatelista para o descobrir.

cueca de rede modelo genérico

Fiquei com as “bolas” totalmente trucidadas que pareciam ter sido mordidas por uma enfermeira praticante de sadomasoquismo atropeladas por um camião.
O aspecto visual final era o que se vê – vestia apenas uma branca, mas elegante e voluptuosa cueca de rede modelo genérico; a listra superior em azul dava o seu devido requinte; a rede deixava ainda transparecer a franja de gaze que delicadamente aconchegava a bolsa escrotal.

Hoje já me sinto melhor.
Não “os” sinto já tão doridos – o que doí é saber que estarei +/- 10 dias de dieta sexual.

a viagem de théo

29 Out
29.10.2009

— Vou-te contar uma história zen — começou ela. — Um dia, um monge foi visitar um mestre e disse-lhe: «Vim sem trazer nada». Sabes o que é que o mestre lhe respondeu? «Então pouse-o».
— Mas ele não tinha nada.
— Tinha sim. Não trazer nada é ter a ideia de que se poderia trazer qualquer coisa. O monge não percebeu. Zangou-se. Então, calmamente, o mestre disse: «Por favor, pega nisso e volte para casa». Pousa o teu nada de hoje, Théo. Porque não perdeste nada.

página 370

Ao contrário d’ O Mundo de Sofia de Jostein Gaarder, publicado em 1991, que é um guia de filosofia e por isso para mim muito mais fácil de ler, A Viagem de Théo é uma “viagem” pelas religiões. E se há algumas pelas quais me movimento com alguma facilidade, naturalmente as monoteístas (cristianismo, judaísmo e islamismo), houve outras que foram de dificílima digestão. O hinduísmo foi a religião que me causou mais vontade de arrumar o livro na estante. Ainda bem que de seguida foi refrescado pelo budismo. Recuperei a fé no livro e terminei a leitura de 594 páginas.

Apesar de não ser uma pessoa mística é sempre agradável mergulhar nas crenças que tentam racionalizar o irracional.

directamente do sotão

16 Out
16.10.2009
cristovão e o balão

cristóvão e o balão

Descobri livros da Colecção Pintarroxo, da Colecção Princesinha e da Colecção Pequerrucha nos armários. Esta descoberta é digna de figurar em qualquer manual de história.

As vantagens das arrumações é a descoberta de autênticas pérolas da minha infância.
Os livros estão, claro que sim, em bom estado atendendo que estiveram nas mãos de uma criança.

Uma maravilha! Fiquei embebecido e embasbacado ao ver as imagens das capas de dois dos meus livros preferidos quando tinha 7/8/9 anos.

“Cristóvão e o Balão” narra as aventuras de um rapaz que deseja tanto ter um balão vermelho igual ao que viu nas mãos de umas crianças.

o pequeno móquinhas procura amigos

o pequeno móquinhas

História de coragem, de luta pela realização de um desejo, de honestidade e de humildade narrada com uma simplicidade assombrosa.

“O Pequeno Móquinhas Procura Amigos” é sobre um pequeno rapaz que vivia sozinho no distante Oriente numa enorme casa, cheia de salas. Vivia triste porque não tinha amigos para brincar. Então decide usar um tapete mágico para voar e procurar amigos. A viagem leva-o a descobrir que a amizade é mais importante do que a maior riqueza.

Os livros são todas das Edições Majora.
Não imagino qual o ano de edição das colecções.
Alguns deles têm a seguinte indicação:

Visado pela Comissão de Censura

Edições Majora

ou

Visado pela Comissão de Literatura Infantil

Edições Majora

e em vários sites de bibliotecas consta geralmente a indicação [195-?]. Serão mesmo da década de 50 ou 60? Estranho pois só comecei a ler pelos 6 anos de idade (1974). Será que a minha mãe comprou os últimos vestígios da censura? Dúvidas sem qualquer importância.

marketing do crime

22 Jun
22.06.2009

“Marketing do Crime” editado pela primeira vez em 1946 [1] de Frank Gruber é um livro que não me convenceu.
Divertiu-me “bué de pouco”.

Se as personagens – Otis Beagle & Joe Peel – são de alguma forma interessantes e estão em perfeita simbiose a história é, digamos, pobrezinha.
É uma pena, porque são raras as histórias criadas por Frank Gruber que me têm deixado indiferente; especialmente nas quais entram os ímpares Johnny Fletcher e Sam Cragg.


[1] Livros do Brasil, Colecção Vampiro, n.º 636
título original: Beagle Scented Murder

blindness

17 Nov
17.11.2008

The only thing more terrifying than blindness is being the only one who can see.

José Saramago, Blindness

Blindness é um filme perturbador e tal como na obra “O Senhor das Moscas” de William Golding, adaptada já ao cinema, revela que o mal é próprio da natureza humana.

Túnel no Céu de Robert A. Heinlein, editado entre nós pelas PEA em 1996, conta-nos, igualmente, a história de um grupo de indivíduos que não nos deixa esquecer que o homem é um “animal social”.

O filme e as obras referidas colocam, ao fim e ao cabo a pergunta:
Será o homem naturalmente mau?
Eu aceito melhor o pessimismo antropológico de Hobbes – homo homini lupus, o homem é o lobo do homem – do que o optimismo antropológico do bom selvagem de Jean-Jacques Rousseau.

sem continuação

31 Jul
31.07.2008

De boca rasgada
De olhos fechados
respiro. soluço. sufoco. respiro
e eis que morro…
suavemente, dizem. como um passarinho, comentam.
Gostava de dizer que morri devagarinho
sem glória. sem história.

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beam me up, scotty!