Tag Archive for: homem

21 Fev
21.02.2020 Quando digo que amo o deserto, estou a dizer que amo o quê? A areia ardente de dia e gelada de noite? As muitas e variadas formas das dunas? O céu estrelado e a Lua enorme, como um astro vivo e erróneo? A solidão? O vazio? Talvez só ame o conceito de deserto, e talvez o ame porque quero ser como ele. Amo o deserto porque é o lugar da possibilidade absoluta: o lugar em que o horizonte tem a amplitude que o homem merece e de que necessita. O deserto: essa metáfora do infinito.
O Amigo do Deserto de Pablo d’Ors (pág. 84)

oton lustosa

17 Fev
17.02.2020

O homem não busca apenas satisfazer as suas necessidades materiais. Para viver, plenamente, busca a satisfação espiritual. Cheio de poder, posto que dotado de inteligência – esta explosiva força criadora -, o homem transforma o mundo. Escarafuncha, mexe, bisbilhota as coisas da Natureza… Queda-se extasiado diante das belezas naturais… Encafifa-se com os mistérios que levam à perfeição das coisas criadas… Chega a uma conclusão derradeira, inapelável: Deus existe! Mas… De tanto investigar termina por concluir que algo deve ser melhorado ainda neste mundo de Deus. Quer o homem o mundo ao seu serviço, útil e prático; que lhe proporcione um estado tal de bonança, inenarrável, sublime. Algo a que deu o nome de Felicidade! Eis o objetivo primeiro e último do gênero humano: Ser Feliz! Por isso transforma, modifica, cria, destrói, luta. E a tal felicidade como uma miragem, ora perto ora longe. E haja esperanças e haja angústias e haja sonhos! Ah! os sonhos!… Quer o homem, em pleno estado de vigília, entender os sonhos, torná-los concretos. Freud bem que tentou ensinar a fórmula. Mas a psicanálise freudiana, para muitos, ainda é um imenso labirinto onírico. Por isso, em perseguição dessa tão sonhada felicidade, o homem desanda a sofrer. Busca, finalmente, um lenitivo para essas dores do espírito. Põe-se a serviço da construção e da contemplação da Beleza. Nesta sua caminhada terráquea, a estação que o leva a mais se aproximar da felicidade é a contemplação da Beleza. É aí que as artes ocupam importantíssimo papel na vida do homem. Aliás, ouso dizer, sem a arte – expressão maior da inteligência humana -, o homem não passaria de um miserável bicho bípede, deslanado, sem cauda, sem garras, despreparado para a caça e para a pesca; e sem nenhuma chance de cavar, mergulhar e voar. Mas o homem, ser divino, tem a Inteligência!… Que o leva ao trabalho maneiroso, ao engenho, à arte, à perfeição, ao amor… E ainda o levará à felicidade!

Oton Lustosa

Texto extraído do discurso de posse do escritor Oton Lustosa na cadeira n° 05 da Academia Piauiense de Letras.

bruce chatwin

01 Jan
01.01.2020 BRUCE CHATWIN ACREDITAVA QUE O DESTINO do homem era viajar, o vadiar, andar de terra em terra. Para o comprovar temos o resumo luminoso da sua obra e o exemplo pessoal, quando se despediu do emprego londrino com um simples bilhete a dizer: «Fui para a Patagónia.» Esta frase deve ter existido — mas entrou no domínio das lendas passíveis de serem comprovadas. Ou seja: pode ser verdadeira, mas, se for falsa, tanto melhor, porque é quase perfeita. «Fui para a Patagónia» é o resumo de uma vida que — leitores ingénuos como somos — acreditamos ter sido consagrada ao nomadismo.
Canto Nómada de Bruce Chatwin (págs. 7)

Fragmento do prefácio “Chatwin: os lugares aonde o nosso olhar ainda não chegou” por Francisco José Viegas.

03 Dez
03.12.2019 Vai-se até ao fim do mundo para se começar uma vida nova, pensa-se que se conseguiu e o passado acaba por nos invadir o presente, como um fugitivo disfarçado que é detetado por um velho inimigo. Fora feliz no seu anonimato, quando não passava de um homem branco no meio do mato. Agora, sentia-se nu.
Assim for Rimbaud em Harar.
Viagem Por África de Paul Theroux (pág. 144)

última hora

28 Nov
28.11.2019

ÚLTIMA HORA: “Homem suicida-se e de seguida mata ninhada de gatos e a vizinha da cave. Familiares estão em estado de choque. O padre da freguesia afirmou que os suicidas vão para o purgatório e como tal não irá realizar qualquer cerimónia religiosa. Na ausência de resposta da GNR os ANJOS estão a tomar conta da ocorrência e o morto, que se encontrava em fuga no cemitério, já foi capturado.”

y, o último homem: mãe terra #9

31 Out
31.10.2019

Juntos uma vez mais, os dois últimos mamíferos do sexo masculino na Terra – Yorick Brown e seu macaco de estimação, Ampersand – rumam lentamente à China, de onde O Último Homem partirá para o reencontro com sua noiva Beth em Paris. Mas, enquanto ambos se preparam para atravessar mais dois continentes com a ajuda da agente 355, as suas outras companheiras de jornada estão quase no fim de uma busca muito diferente: encontrar o que causou a extinção em massa dos mamíferos machos há quatro anos.
Algo inesperado as aguarda num laboratório secreto em Hong Kong, podendo mesmo significar  não apenas o fim do Último Homem, como também o fim da espécie humana.

Levoir

Estamos a chegar ao final de Y O Último Homem, série escrita por Brian K. Vaughan e desenhada por Pia Guerra.

Série bombástica!

nietzsche’s übermensch

18 Out
18.10.2019

Nietzsche numa versão Super-Homem. Excelente!


Desconheço o autor da imagem.

e então vai entender de claudio magris

16 Out
16.10.2019

Neste monólogo narrativo sobre um amor total e falhado, uma mulher fala-nos a partir de uma obscuridade misteriosa – a partir da morte? – e revela-nos num tom terno e impiedoso, que contém toda a grandeza e mesquinhez da vida e da morte, as alegrias e misérias da paixão – e do homem que ela ama, mas renuncia seguir de volta à vida. Em E Então Vai Entender, Claudio Magris movesse entre a experiência pessoal e o mito; entre a vontade de fuga e a intensidade da permanência, entre a ligeireza e a tragédia.

Quetzal Editores

Excelente narrativa.


Tradução de José Colaço Barreiros

livros na palete – posição 014

13 Set
13.09.2019

Nesta palete tenho mais uns livros de Aquilino Ribeiro e três autores novos.

contrastes

08 Ago
08.08.2019

Ontem vi um homem gordo. Realmente gordo. Orgulhosamente gordo. Esse gordo passeava-se com um cão esquálido preso a uma elegante correia. O contraste era tanto surrealista como anedótico. Imaginem um gigante Stay Puft de braço dado com uma ressequida girafa Geoffrey vítima da falência da Toys”R”Us.

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