Tag Archive for: hospital

sunset park de paul auster

27 Ago
27.08.2019

Durante os meses sombrios do colapso económico de 2008, quatro jovens ocupam ilegalmente uma casa abandonada em Sunset Park, um bairro perigoso de Brooklyn. 
Bing, o cabecilha, toca bateria e dirige o Hospital das Coisas Escangalhadas, onde conserta relíquias de um passado mais próspero. Ellen, uma artista melancólica, é assaltada por visões eróticas. Alice está a fazer uma tese sobre a forma como a cultura popular encarava o sexo no pós-guerra. Miles vive consumido por uma culpa que o leva a cortar todos os laços familiares. Em comum têm a busca por coerência, beleza e contacto humano.
São quatro vidas que Paul Auster entrelaça em tantas outras para criar uma complexa teia de relações humanas, num romance sobre a América contemporânea e os seus fantasmas.

Wook

Outro livro de Paul Auster que não desaponta. Adorei.

venda de sangue

07 Nov
07.11.2012

Qual a minha surpresa, mas não total, era mais que previsto, ao ver em Barcelos a primeira loja franchisada de compra de sangue e de órgãos.
Como estava a ser sangrado pelo Estado mais que “social“, pelos bancos e outros parasitas, sem a aplicação de um qualquer hirudo medicinalis ao melhor estilo medieval, até que perdi qualquer vontade de viver, vender um pulmão e um rim para liquidar a totalidade dos meus débitos foi uma decisão fácil de tomar.

Vi-me passados 30 dias com uma conta do hospital impossível de suportar. Hoje venderei o meu coração para ser cremado e atirado aos quatro ventos.

os cinco e os dois testículos

04 Fev
04.02.2010

vasectomia, fase um

Por motivos de força externa – a saúde da minha mais-que-tudo – tive de ser submetido a uma vasectomia; intervenção cirúrgica menos agressiva do que a laqueação de trompas e muito mais simples.

À semelhança de Dave, interpretado por Vince Vaughn no fraco Couples Retreat, que foi “beijado” por um tubarão e está vivo para contar a história eu faço, agora, parte de um grupo de elite – aqueles homens que voluntariamente decidiram colocar o falo, o escroto e o resto ao alcance de um bisturi!

pulseira de controlo

Não foi fácil estar todo nu e vulnerável a ser “barbeado” nas partes baixas por um enfermeiro. A única satisfação que tive nessa altura da minha travessia do deserto foi verificar que outro profissional da enfermagem desviou o olhar ao constatar o quanto bem constituído eu sou; outros poderão dizer que foi do choque por ter entrado no quarto errado e me descobrir ali deitado e nu a ser electricamente depilado – não liguemos a essas vozes maliciosas.

O bloco operatório não foi um oásis a descobrir, que bem precisava depois da travessia, mas sim um inferno. Não chegava o cirurgião, o anestesista, o assistente do cirurgião, não chegava, ainda foram precisas as duas enfermeiras. Não sei se hei-de mais alguma vez ter fantasias com enfermeiras. Fiquei, como que ligeiramente, traumatizado porque nunca pensei que o meu pénis fosse capaz de hibernar de tal forma que seria necessário uma lupa de filatelista para o descobrir.

cueca de rede modelo genérico

Fiquei com as “bolas” totalmente trucidadas que pareciam ter sido mordidas por uma enfermeira praticante de sadomasoquismo atropeladas por um camião.
O aspecto visual final era o que se vê – vestia apenas uma branca, mas elegante e voluptuosa cueca de rede modelo genérico; a listra superior em azul dava o seu devido requinte; a rede deixava ainda transparecer a franja de gaze que delicadamente aconchegava a bolsa escrotal.

Hoje já me sinto melhor.
Não “os” sinto já tão doridos – o que doí é saber que estarei +/- 10 dias de dieta sexual.

o farol

13 Jul
13.07.2008

Ia rascunhar sobre uma semelhança entre o último livro de P. D. James (The LightHouse) e o anterior (Death in Holy Orders) quando ao pesquisar pelo título original descobri que o meu penúltimo é afinal um antepenúltimo.

# Death in Holy Orders (2001) – Morte em Ordens Sagradas
# The Murder Room (2003) – A Sala do Crime

Commander Adam Dalgliesh is already acquainted with the Dupayne–a museum dedicated to the interwar years, with a room celebrating the most notorious murders of that time–when he is called to investigate the killing of one of the family trustees. He soon discovers that the victim was seeking to close the museum against the wishes of the fellow trustees and the Dupayne’s devoted staff. Everyone, it seems, has something to gain from the crime. When it becomes clear that the murderer has been inspired by the real-life crimes from the murder room–and is preparing to kill again–Dalgliesh knows that to solve this case he has to get into the mind of a ruthless killer.

# The Lighthouse (2005) – O Farol

Mas a premissa, de alguma forma, mantém-se.
– Morte em Ordens Sagradas desenrola-se num colégio teológico anglicano situado numa região desolada da costa de East Anglia.
– O Farol tem o seu enredo na isolada ilha de Combe, “perdida ao largo da costa da Cornualha.”

Quanto a mim P. D. James cresceu como escritora de histórias de crime e mistério com Devices and Desires (1989).[1] E o mais engraçado é que nesta história também temos:

Commander Dalgliesh of Scotland Yard has just published a new book of poems and has taken a brief respite from publicity on the remote Larksoken headland on the Norfolk coast in a converted windmill left to him by his aunt.

P. D. James nestes títulos coloca o homicídio em zonas inóspitas e isoladas o que reduz, aparentemente, o leque de suspeitos, mas aumenta, consideravelmente, a dificuldade de o leitor encontrar a solução. Penso que isto não é subgénero de histórias de crime e mistério, mas mais uma opção da autora.
Relembro, como parênteses, que a história de crime mais célebre que ocorre num local pouco “hospitaleiro” é sem dúvida “The Hound of the Baskervilles”.[2]

Estes locais trazem um condicionamento espacial interessante às histórias, mas que não alcança a especificidade dos mistérios de “quarto fechado”.[3]

Espero que “O Farol” me divirta imenso como o seu antepenúltimo livro.

[1] .título em português “Intrigas e Desejos”. Edição de 1990 pelo Círculo de Leitores.
[2] .a edição sobre a qual verti os meus sedentos olhos faz parte da colecção “As Aventuras de Sherlock Holmes” do Círculo de Leitores. Colecção de 1982/1983 composta por 7 volumes. No volume 4 temos a história O Cão dos Baskervilles.
[3] .o senhor dos mistérios de “quarto fechado” é com naturalidade John Dickson Carr aka Carter Dickson. “A Flecha Assassina” (Colecção Vampiro, n.º 571, 1995) foi o último livro que li.
É “The Murders in the Rue Morgue” a primeira grande história deste subgénero. “Os Crimes da Rua Morge” (Livros de Bolso europa-américa, n.º 279, 1981) é um conto de Edgar Allan Poe no qual os crimes são investigados pelo Detective Dupin, o pai de Sherlock Holmes. Um conto a ler ou a reler. O .pdf deste conto pode ser descarregado aqui.

insónia v.3

10 Set
10.09.2006

It was starting to end, after what seemed most of eternity to me.
I attempted to wriggle my toes, succeeded. I was sprawled there in a hospital bed and my legs were done up in plaster casts, but they were still mine.
I squeezed my eyes shut, and opened them, three times.
The room grew steady.
Where the hell was I?
Then the fogs were slowly broken, and some of that which is called memory returned to me. I recalled nights and nurses and needles. Every time things would begin to clear a bit, somenone would come in and jab me with something. That’s how it had been. Yes. Now, thought, I was feeling halfway decent. They’d have to stop.
Wouldn’t they?
The thought came to assail me. Maybe not.
Some natural skepticism as to the purity of all human motives came and sat upon my chest. I’d been over-narcotized, I suddenly knew. No real reason for it, from the way I felt, and no reason for them to stop now, if they’d been paid to keep it up. So play it cool and stay dopey, said the voice which was my worst, if wiser, self.
So I did.

página 1

Roger Zelazny, The Great Book of Amber // editor: Avon Books, New York, Dez. 1999 // isbn: 0-380-80906-0

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