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o fim da solidão de benedict wells

Jules Moreau tem onze anos quando os pais morrem num acidente de carro. Nessa noite, a sua infância termina. Segue-se a ida para um colégio interno, juntamente com os dois irmãos mais velhos. Pouco a pouco, os laços que os unem quebram-se. Jules isola-se, alimentando-se das suas memórias; Marty refugia-se ferozmente nos estudos; e Liz procura todas as formas de evasão possíveis para preencher o vazio.
O único consolo do protagonista advém dos momentos que passa na companhia de uma menina ruiva chamada Alva. As duas crianças lêem, ouvem música, partilham o silêncio das tardes no colégio. E nunca falam sobre si mesmas. Quinze anos mais tarde, os irmãos afastaram-se irremediavelmente uns dos outros. Jules, que continua a reviver o passado interrompido, apenas encontra alento no sonho de se tornar escritor e na ânsia de reencontrar Alva. E quando, por uma vez, tudo parece subitamente possível, uma força invisível – talvez o destino – volta a intervir.
O fim da história de Jules está ainda por acontecer.

Edições Asa

Excelente livro. Depois do rotundo falhanço do “The Last Emperox” (que nem serviu como aperitivo) nada como sentir uma escrita profunda, perturbadora e bela na ousadia como trata as relações humanas.

Aqui o autor fala do amor, da amizade, das perdas, da solidão, do silêncio, dos encontros e reencontros com uma delicadeza que transcende as páginas e toca no coração do leitor. Recomenda-se sem ressalvas.

Tradução de Paulo Rêgo

(…) Uma infância difícil é como um inimigo invisível, pensei. Nunca se sabe quando nos vai atingir.
O Fim da Solidão de Benedict Wells (pág. 123)

doutor sono de stephen king

Uma tribo de gente chamada o Nó Verdadeiro viaja à procura de sustento pelas autoestradas da América. Parecem inofensivos e são, sobretudo, velhos. Mas, tal como Dan Torrance bem sabe, e Abra Stone não tarda a descobrir, os membros do Nó Verdadeiro são quase imortais e vivem do «vapor» produzido pelas crianças com o «brilho» quando são lentamente torturadas até à morte. Assombrado pelos residentes do Hotel Overlook, onde passou um ano horrível da sua infância, Dan anda há décadas à deriva, tentando libertar-se do legado de desespero, alcoolismo e violência deixado pelo seu pai. Por fim, instala-se numa cidade de New Hampshire, numa comunidade de Alcoólicos Anónimos que o apoia e num trabalho num lar, onde o «brilho» que lhe resta oferece um derradeiro conforto aos moribundos. Com o auxílio de um gato presciente, torna-se o «Doutor Sono». E depois Dan conhece a evanescente Abra Stone, e é o espetacular dom dela, o brilho mais vivo que ele já viu, que dá novo alento aos fantasmas de Dan e o impulsiona para uma guerra épica entre o bem e o mal para salvar Abra e a sua alma.

Wook

Adorei a leitura da sequela The Shining. Stephen King no seu melhor.

Doutor Sono é uma leitura que assusta e diverte – delirante.


Tradução de Ana Lourenço e Maria João Lourenço

Na esquina uma miniatura da personagem Altaïr Ibn La’ahad da saga Assassin’s Creed.

A minha infância está cheia de bons sabores. Cheira bem a minha infância.
O Vendedor de Passados por José Eduardo Agualusa (página 70)

ana vidazinha, uma visita ao forno

Hoje realizo a Ana Vidazinha uma necrópsia ao melhor estilo sofista. Para quem não sabe Ana Vidazinha escreveu em perfeita simbiose com Hugo Teixeira o álbum de banda desenhada “Mahou Na Origem da Magia” e tem no forno em modo grill simples o segundo volume – não tenham medo o forno tem um bloqueio de segurança. Sei de fonte segura que teremos um segundo álbum com “uma bela mistura de amoras, framboesas, morangos e cerejas.” A originalidade foi combinar isto tudo com “uma bola de gelado stracciatella estrategicamente colocada no topo de tudo” – simples? sem dúvida, mas quem se iria lembrar disto? quem?? pois… Ana Vidazinha.

E ao contrário de Hugo Teixeira que gosta de cenas ela gosta de coisas. Tem uma queda para a tortura médica, considerada in por quem visita dólmenes; é bafejada por um palato fora do comum.

mahou_na_origem_da_magia

mahou, na origem da magia

Foi a entrevista possível tendo em conta que o microondas tinha acabado de fazer beep – altura para levar o caldo de legumes ao bichano da casa.

1. acreditas que atrás de um homem está sempre uma mulher pronta a lhe fustigar com o rolo da massa ou é mais um mito urbano? já que qualquer homem come com prazer as vossas experiências culinárias?
– Não sei, eu não sou mulher para fustigar com rolos da massa. Em caso de necessidade de armamento prefiro o bisturi, a serra oscilante e o berbequim ortopédico. E uma seringa de quetamina.

2. sabendo que tu és uma grande mulher achas que por essa ordem de raciocínio Hugo Teixeira é um grande homem? ou só de perfil é que engana?
– Não, não, cá em casa sou só eu que sou gorda. Bem, eu e o gato.

3. na altura de dar mimos ficas durante quanto tempo indecisa entre os dois bichanos da casa? e sempre que escolhes o mais fofo é por causa dos bigodes?
– Enquanto decido o gato não espera e instala-se logo no meu colo. Não são os bigodes, é o ronron que me vence.

4. não achas que se Hugo Teixeira tivesse uma dieta à base de brócolos pintalgados com bacon estaria menos virado para certas cenas e inclinado para as cenas que realmente interessam?
– Não resulta, tenho experimentado. Melhores resultados têm as pataniscas de bacalhau. Acabam é depressa.

dolmen

ana vidazinha

5. sei que escreves mais rápido do que o Hugo Teixeira tenta desenhar. Já pensaste em lhe colocar um ultimato tipo “ou avanças com essa prancha ou passo eu a desenhar as tuas cenas?” ou achas que com isso ele regressava à infância que realmente nunca deixou e passaria todo o tempo a brincar com legos?
– Uia, isso era uma ameaça mais para mim que para ele. Não, cada página que escrevo é uma estratégia de fuga. Faço-a, entrego-lha, ele atira-se a ela e enquanto está ocupado, eu posso esquecer que tenho mais pra escrever e dedicar-me a outras coisas.

6. quanto à banda desenhada achas que vais à frente do Hugo Teixeira ou atrás dele? ou tudo depende de quem leva a chave do carro?
– Os nossos carros só têm dois lugares: não dá para ir ninguém atrás. Ainda assim, se um dia tivermos um carrinho de mão prefiro que ele vá atrás a conduzi-lo enquanto eu vou refastelada à frente, no veículo, a ler um livro de BD.

Fiquei a saber que Ana Vidazinha com coisas faz magia na cozinha e com palavras magia nos livros.
Se não tiverem a oportunidade de visitar a cozinha de Ana Vidazinha, temos pena; comprem o seu livro Mahou, Na Origem da Magia e mergulhem numa receita que faz bem ao coração.

[1] a imagem de Crumble de Frutos Vermelhos foi rapinada do blog A Casa da Vidazinha
[2] a imagem do dólmen rapinada do perfil da Ana Vidazinha no Facebook
Bom apetite!

milagres

Existem na Bíblia dois episódios mágicos de que gosto especialmente:

  • a multiplicação dos pães e peixes
  • e a transformação da água em vinho.

Agora, em adulto, imagino-me sentado num sofá de massagem com suporte para um copo de Dry Martini a que nunca faltaria o maravilhoso licor e as verdejantes azeitonas.

Descendo para os anos da infância constato com uma cristalina clarividência que todos os dias a minha mãe e pai realizavam diariamente a magia mais poderosa:

  • o afecto multiplicava-se
  • ingredientes esquisitos transformavam-se em carinhosa comida
  • roupa rasgada aparecia cosida

and last but not least a gaveta das meias e cuecas nunca esvaziava.

vade retro demónios

Hoje pelas 07h00, minuto a mais, minuto a menos, expeli muitos demónios do corpo.
Se estivesse em casa da minha mãe, com ainda 15 anos, o mais certo era ter bebido um pozinho, inocentemente misturado na cevada, para afastar o permanente mal de inveja. O motivo de soltar com arrojo demónios em estado liquido deveu-se simplesmente a abusos gastronómicos no feriado. Motivo menos poético, eu sei.

As idas sazonais às bruxas na infância e durante a adolescência foram sempre espectaculares e acabaram por ser a minha primeira aproximação com o imaginário popular.

luluzinha teen e sua turma

Já tinha falado que a Turma da Mônica ultrapassou a infância e entrado numa fase pós-adolescência.

O mesmo aconteceu com a personagem Luluzinha. A revista “Luluzinha Teen e sua Turma” (o roqueiro Bolinha, a fashion Glorinha, o surfista Alvinho e a gamer Aninha) estão de volta em estilo manga.

lulu

lulu e bolinha

Apenas tenho o número um por uma questão de “arquivo” – pois diz o viciado.

as outras duas descobertas: “janelas de futuro”

No dia 25 de Setembro escrevi

Hoje foi um dia de descobertas; duas trouxeram uma frutada surpresa a terceira revelou-se completamente inebriante.
Resolvo para já assinalar a descoberta “inebriante”.

Hoje é dia de escrever sobre as duas descobertas frutadas. Aqui está a segunda.

O projecto Braga Parque “Janelas de Futuro” – Exposição urbana de arte criado no âmbito do rebranding da marca Braga Parque teve uma breve passagem pela cidade de Barcelos; até fim de Outubro, ainda, pode ser visto no Braga Parque.

Foi uma exposição interessante e um desafio ganho pelos criadores:

  • Storytailors – Moda
  • Alexandre Farto (Vhils) – Consumo Urbano
  • Filipe Pinto Soares – Universo Infantil
  • Tiago Bettencourt – Música

janelas de futuro

infância feita de futuro, filipe pinto soares

Enquanto a minha filha passeava pelo Largo da Porta Nova de bicicleta pude sem confusão e com tranquilidade admirar os trabalhos.
Não consegui tirar grandes fotos devido à claridade da manhã e aos vidros que protegiam os quatro enormes expositores. Mas eu vi bem e é isso que interessa.

dedo mineiro

Alguns farrapos avulsos.

Hoje é dia de limpeza para muita boa gente tal é a ferocidade com que escarafuncham nas narinas e pestanejam hipnotizadas para a ponta do dedo mineiro.

Em tom de brincadeira perguntei ao meu filho: “quando eu for novamente criança vais-me limpar o rabinho como fiz quando eras bébé?” A sua resposta em tom de choque foi acutilante: “Ah! Nem penses; que nojo!”
Inicialmente fiquei surpreso, depois assustado, posteriormente um sorriso aflorou os lábios quando uma ideia rompeu as trevas: tenho, assim, uma boa desculpa para ser assistido na segunda infância por uma amorosa (para o sensual) enfermeira de cabelos verdes.