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(…) Também eu, devo dizê-lo, estou convencido de que o espírito do humanismo acabará por triunfar, mas receio bem que ao mesmo tempo o mundo seja um grande hospital e cada um dos homens o enfermeiro do outro.
Viagem a Itália de Johann Wolfgang von Goethe (pág. 414)

santuário de santa rosália

Descrição de Goethe na sua “Viagem a Itália“.

À luz frouxa de algumas das lamparinas descobri uma bela Virgem.
Estava numa espécie de êxtase, os olhos meio fechados, a cabeça solta e pousada sobre a mão direita adornada de muitos anéis. Não me cansava de olhar para esta imagem, que me parecia ter encantos muito especiais. O manto é de folha dourada que imita muito bem um tecido rico de ouro. A cabeça e as mãos, em mármore branco, são, não direi de estilo elevado, mas trabalhadas de forma tão natural e agradável que pensa-mos que a todo o momento ela vai respirar e mexer-se.
Tem ao lado um anjinho que parece abaná-la com um pé de lírio.

página 310

palácio de palagónia

@ wikipédia

The Villa Palagonia is a patrician villa in Bagheria, 15 km from Palermo, in Sicily, southern Italy. The villa itself, built from 1715 by the architect Tommaso Napoli with the help of Agatino Daidone, is one of the earliest examples of Sicilian Baroque. However, its popularity comes mainly from the statues of monsters with human faces that decorate its garden and its wall, and earned it the nickname of “The Villa of Monsters” (Villa dei Mostri).

This series of grotesques, created from 1749 by Francesco Ferdinando II Gravina, Prince of Palagonia, aroused the curiosity of the travellers of the Grand Tour during the 18th and 19th centuries, for instance Henry Swinburne, Patrick Brydone, John Soane, Goethe, the Count de Borde, the artist Jean-Pierre Houël or Alexandre Dumas, prior to fascinate surrealists like André Breton or contemporary authors such as Giovanni Macchia and Dominique Fernandez, or the painter Renato Guttuso.

Sobre a sua visita a este Palácio Goethe no seu “Viagem a Itália” tem umas opiniões interessantes. Transcrevo algumas considerações:

Durante todo o dia de hoje ocupámo-nos dos absurdos do príncipe de Palagónia (…) e seria uma grande honra querer atribuir-lhe uma centelha que seja de imaginação.
(…)
O aspecto repugnante destes abortos produzidos pelos mais ordinários canteiros é ainda potenciado pelo facto de eles serem feitos dos mais soltos tufos de calcário conquífero;
(…)
Mas, para vos transmitir todos os elementos da loucura do principe de Palagónia, fazemos seguir o seu inventário.
(…)
Imaginem-se agora todas estas figuras produzidas em massa, geradas sem sentido nem razão, agrupadas sem objectivos nem critérios, imaginem-se estas peanhas, estes pedestais e estas disformidades numa sequência sem fim, e poderá ter-se uma ideia da sensação desagradável que se apossa de qualquer um que passa pelo flagelo destes desvarios.
(…)
Seria preciso um caderno, só para descrever a capela. É o cúmulo de toda esta loucura (…)

páginas 314/315/316/317/318

(…) Quem é que não sabe como a leitura apressada de um livro que irresistivelmente nos atrai pode ter a maior das influências sobre a nossa vida, tão decisiva que depois a releitura e a reflexão pouco mais podem acrescentar àquela impressão?
Viagem a Itália de Johann Wolfgang Von Goethe (pág. 251)

Tenho a mesma opinião.

goethe e a importância da numismática

Aqui, Viagem a Itália, se fala de numismática…

Fez [Dr. Münter [1]] uma bela colecção de moedas e possui um manuscrito e, ao que me diz, organiza a numismática segundo princípios rigorosos, como os de Linné. Herder poderá informar-se melhor sobre isto, talvez ele permita que se faça uma cópia. Isto é possível, e é bom, que se faça, porque também nós, mais tarde mais cedo, teremos de levar mais a sério esta disciplina.

página 207


[1] Friedrich Münter (1761-1830), teólogo e estudioso da Antiguidade, estava na Itália desde 1784.

goethe no campagna romano

Esta pintura é considerada a mais famosa de Johann Heinrich Wilhelm Tischbein e nela é representada Goethe aquando da sua viagem a Itália.

A referência que consta no livro Viagem a Itália

A sua ideia é representar-me em tamanho natural em traje viajante, envolto num capote branco, sentado ao ar livre num obelisco caído, olhando para as ruínas da Campagna di Roma ao fundo.

página 210

igreja de maria della minerva

@ wikipédia

A Igreja de Santa Maria sobre Minerva, também conhecida como Templo de Minerva, é uma igreja católica da cidade de Assis, na Itália. O templo original foi erguido no século I a.C. a mando de Gneus Cesius e Titus Cesius Priscus, que também deram sua contribuição para o projeto. Com o banimento do Paganismo o templo de Minerva foi abandonado.

Algumas palavras de Goethe sobre este templo no livro Viagem a Itália:

Chegámos finalmente à cidade velha propriamente dita, e eis que diante dos meus olhos se ergue a mais apreciável das obras, o primeiro monumento inteiro da antiguidade que eu via. Um templo modesto, à medida de uma cidadezinha como esta, e no entanto tão perfeito, de tão bela traça, que em qualquer lugar brilharia.

página 167

a torre garisenda

torre garisenda (à esquerda) | torre dos asinelli (à direita)

A torre inclinada é uma vista detestável, e no entanto é muito provável que se tenham esmerado por construí-la assim. Encontro a seguinte explicação para este disparate: nos tempos da grande instabilidade urbana todo o grande edifício era uma fortaleza, na qual as famílias poderosas erguiam uma torre. Com o tempo, isto transformou-se numa questão de capricho e prestígio, cada uma queria mostrar a melhor torre, e quando as torres direitas começaram a ficar cada vez mais corriqueiras, alguém mandou construir uma inclinada.

página 153

A opinião de Goethe sobre a Torre Garisenda extraída do seu livro “Viagem a Itália“.

a família de dario diante de alexandre

Este quadro de Paolo Veronese, actualmente na The National Gallery foi visto por Goethe na sua Viagem a Itália. Na altura da sua visita a pintura estava localizada em Veneza no palácio Pisani Moretta.

(…) aqui se mostra a sua grande arte, que não possui uma marca geral que se comunique a toda a pintura, mas gere uma magnífica harmonia, pela engenhosa distribuição e luz e cor e pela alternância igualmente inteligente na aplicação da cor local;
(…)
A gradação na sequência da mãe até às filhas, passando pela esposa, é muito autêntica e conseguida; a princesa mais nova, ajoelhada no fim da fila, é uma mocinha muito bonita, com uma expressão ajuizada, mas ao mesmo tempo muito senhora do seu nariz e obstinada.

página 131

goethe à janela do seu quarto em roma (1787)

Esta aguarela, capa do livro Viagem a Itália, foi desenhada por Johann Wilhelm Tischbein, e encontra-se na casa museu: Casa de Goethe [1].

casa di goethe

[1] Nos mesmos aposentos em que Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) ficou com o pintor Johann Heinrich Wilhelm Tischbein (1786-1788) e outros artistas alemães em sua viagem à Itália, a Casa di Goethe – único museu da Alemanha no exterior – foi inaugurada em 1997.