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o camelo preto

Estou cansado – suspirou Chan. – Preciso de repouso, foi um caso muito complicado, Wu Kno_ching, mas – meneou a cabeça e um largo sorriso se espraiou pela face – como sabes, meu bom amigo, um brilhante não fica polido sem ser bem esfregado, nem um homem pode ser perfeito sem experimentar provações.

O Camelo Preto é a segunda aventura que leio de Charlie Chan – criação de Earl Derr Biggers -, detective benevolente, honorável, de naturalidade chinesa, residente no paraíso chamado Hawaii. E foi uma história simpática, sem sobressaltos.
A suavidade da narrativa permitiu-me descobrir sem dificuldade o culpado por detrás do crime perpetrado.

O Camelo Preto, Earl Derr Biggers
título original: The Black Camel
tradução: Alfredo Ferreira
capa: Cândido Costa Pinto
editor: Livros do Brasil, Colecção Vampiro, n.º 49

a montanha negra

— Ah, mas eu quero conhecer a casa onde nasceu e colocar lá uma placa!

página 144

É uma história diferente de Nero Wolfe em todos os sentidos. Desenrola-se fora do seu santuário na “35th Street” e assiste-se a Nero Wolfe não apenas a realizar actividades físicas impensáveis, mas, igualmente, a passar frio, fome.
Fiquei, e ainda bem, a saber mais sobre a vida de Nero Wolfe, a sua infância, a sua nacionalidade (Montenegrina).

a clínica do terror

– É assim tão fácil adivinhar os meus pensamentos.

página 78

Mary Higgins Clark assina uma obra de ritmo alucinante.
É, digamos, um livro a resvalar para literatura de aeroporto ou de sala de espera de consultório médico, ou da paragem do autocarro, acho que já se percebeu a ideia, mas sem atingir a mediocridade de algumas obras do mestre King.

A história está bem urdida e convenceu-me sem qualquer dificuldade, apesar de estar actualmente numa de comer livros a uma velocidade doentia; e não sou fácil de ser convencido – acho eu!

picada mortal: a começar a leitura

Wolfe levantou a cabeça. Menciono este pormenor porque a sua cabeça era tão grande, que levantá-la nos parecia obra de peso. Na realidade talvez fosse ainda maior do que se nos afigurava, pois o resto do corpo era tão avantajado, que, se tivesse a coroá-lo outra cabeça que não fosse aquela, passaria inteiramente despercebida.

página 5

Adoro as histórias de Nero Wolfe, criação máxima de Rex Sout. Adoro-as porque as histórias estão impregnadas de um humor cintilante; adoro-as porque Nero Wolfe é uma personagem cheia de idiossincrasias apetitosas.
Iniciei outra história – Picada Mortal – que parecer ser, mais uma vez, um mistério deslumbrante e que logo nas primeiras páginas oferece ao leitor algo mais sobre o modo de vida peculiar e invejoso de Nero Wolfe.

Fritz começou a trazer a cerveja, seis garrafas de cada vez num tabuleiro. Após a terceira remessa, sorri de novo, ao ver Wolfe olhar para a formação de garrafas alinhadas na mesa, e para Fritz, que saía. Mais dois tabuleiros cheios, e Wolfe deteve a parada:
— Quer fazer o favor de informar-me, Fritz, quando isto acabará?
— Muito em breve, sir. Faltam apenas dezanove, pois são quarenta e nove ao todo.
— Disparate! Desculpe, Fritz, mas não há dúvida de que é um disparate.
— Sim, sir. O senhor disse-me que trouxesse uma garrafa de cada qualidade que pudesse obter, e eu fui pelo menos a treze lojas.
— Está bem, traga-as. E algumas bolachas de água-e-sal, também. A nenhuma faltará oportunidade, Fritz; não seria justo.
Ao saborear a quinta marca, estalou os lábios e levantou o copo, para ver à transparência o líquido ambarino.
— Eis uma agradável surpresa, Archie. Se me dissessem, não acreditaria. É, aliás, uma das vantagens de se ser pessimista. Enquanto um pessimista só tem surpresas agradáveis, um optimista só as tem desagradáveis. Até agora, nenhuma das cervejas que provei era água de esgoto, e comecei pelas mais baratas.

página 6

siddhartha

– Siddhartha – disse -, tornámo-nos homens velhos. Dificilmente nos voltaremos a ver nesta forma. Vejo, querido amigo, que encontraste a paz. Reconheço que eu não a encontrei. Diz-me, Venerável, uma derradeira palavra, dá-me algo que eu possa compreender! Dá-me algo para o meu caminho. Ele é muitas vezes penoso, muitas vezes obscuro, Siddhartha.

página 125

Um dos melhores livros que li nestes últimos 15 dias. São apenas 127 páginas, mas com uma profundidade poética, mística, humana incrível. Não admira que seja a obra mais conhecida de Herman Hesse. No final da leitura, após ter fechado o livro e o pousar na mesinha de cabeceira, abateu-se sobre mim uma tristeza enorme, sufoquei em lágrimas. Ainda não estou curado, se é que estarei alguma vez, desta melancolia que continuamente se abate sobre mim e me faz pensar onde pára essa plenitude espiritual, essa paz interior que pensava possuir com 18 anos, mas que era, descobri depois, uma má-fé ao estilo sarteano. Serei outra vez feliz ou vivo à espera de relances muito ténues de felicidade?
Engraçado que em 2006 sofria do mesmo desalento. É crónico já o sei.

Apenas uma aparte…
A páginas tantas do “Siddhartha” lembrei-me da busca do Ser expressa com um toque de humor. Jean-Jacques Loup no seu álbum “Tempos Difíceis”, editado pelas Publicações Dom Quixote na colecção HUMOR com humor se paga, n.º 20, 1985, tem esta prancha apetitosa.

jean-jacques loup


Imagem por Jean-Jacques Loup

a serpente de plumas

Tivera já problemas difíceis de resolver, porém nenhum o manteve desperto a noite toda.

página 129

Foi outro livro que não me convenceu, mas por motivos diferentes da obra de Rodrigo Guedes de Carvalho.

“A Serpente de Plumas” de Edgar Wallace editada em 1927 tem em Peter Dewin a personagem principal e quando não há empatia com ela o resultado é arrumar o livro sem apelo nem agravo.

a casa quieta

Um casal ri, a subir. Um homem de ar preocupado consulta o telemóvel. Mariana procura adivinhar que problema lhe provoca aquela ruga na testa. Quem será. Como se chamará. A vida dos ouros parece-lhe agora interessante. A vida parece-lhe interessante. Eles sobem, ela desce. Eles sobem.

página 186

Foi livro que não conseguir ler.
Nesta altura do campeonato não consigo ler livros que me obrigam, pela forma como estão escritos, “poeticamente”, a uma grande concentração.
A culpa não é de Rodrigo Guedes de Carvalho e muito menos d’ “A Casa Quieta”. O culpado apenas eu.

antes morrer que matar

Abri e fechei a boca, mas não saiu nenhum som. Fiquei parado a olhá-lo.

página 132

No final do livro também fiquei apalermado. Tanta coisa, suspense, trama, tramóia, para a sujeita se suicidar estupidamente. Haja paciência.
Esquecendo isso é um policial que se lê em poucas horas.

este homem é perigoso

Quando eu era miúdo ouvi um tipo qualquer dizer um provérbio que ainda hoje tenho presente: «Quando estiveres em dúvida, deixa-te ficar quieto». Tenho verificado que este provérbio é muito bom e, quando estou em dúvida a respeito de qualquer situação, deixo-me ficar muito sossegado. Acredito que as coisas acabarão sempre por se esclarecer por si próprias.

página 75

Gostei particularmente da forma como a história é contada apesar de serem quase sempre muito previsíveis as narrações na primeira pessoa. Este livro não foi excepção.
Leitura fácil e sem complicações. As suas 206 páginas foram papadas em 2 noites de pouco sono.

a piscina silenciosa

– E que devo eu responder?

página 157

A personagem Miss Silver, detective anciã, criação de Dora Amy Dillon Turnbull (1878-1961) aka Patricia Wentworth não me convenceu. Um dos livros vítimas das minhas insónias que não serviu qualquer propósito excepto ajudar-me a ultrapassar a noite.