Tag Archive for: leituras de 2010

a tatuagem negra

30 Dez
30.12.2010

– Quem és tu? – Perguntou.
– J… Jack. Jack Ferrel, senhor.
– Um nome demasiado vulgar – disse o homem, arqueando as sobrancelhas muito pretas.
Jack não sabia o que responder, por isso, calou-se.
– O senhor é o… Diabo? – Perguntou finalmente.
O homem franziu o sobrolho.
– Nunca ouvi essa palavra… repete-a.
– Diabo.
– Não. O nome não me diz nada. Mas posso acrescentá-lo à minha colecção.
O homem endireitou-se no trono, enchendo o peito de ar como se preparasse um discurso.
– Sou Ebisu Eller-Kong Hacha “Fravashi” – disse. – Deus dos Governantes, Deus da Morte, Deus das Trevas, Deus dos Deuses. Sou a Voz do Vazio, o meu sopro é o vento e a minha raiva abala o Universo. Sou o Senhor das Encruzilhadas, Rei de Todas as Lágrimas e o Soberano do Inferno.
– Ah… Muito prazer, senhor – disse Jack.
– Trata-me por Imperador – ordenou o homem.

A Tatuagem Negra, página 144

“A Tatuagem Negra” é um livro super divertido que nos apresenta uma nova, muita original, forma de ver o inferno e o Deus. O “Deus” criou o nosso mundo mas como ficou bastante aborrecido com a sua criação acabou por aceitar o cargo de bibliotecário no inferno.

No livro não temos apenas humor e acção constante, personagens surpreendentes, mas, igualmente, conversas filosóficas, hilariantes, com o dragão criador de um dos universos existentes.

É uma leitura fácil e reconfortantemente relaxante.

the coandă effect

27 Dez
27.12.2010

The Coandă Effect is a sewn hardcover book of 124 pages with dust-jacket, silk ribbon, endpapers and frontispiece. Edition limited to only 100 hand numbered copies. $55 inc. p&p to Europe and USA, $55 to the rest of the world. This is a collector’s edition.

O meu exemplar chegou hoje e é o número 89. Só vou começar a ler esta obra de Rhys Hughes após terminar uma leitura que tenho em mãos, mas não me queria deixar de apontar o que pode ser considerado um mimo de Natal.

Rhys Henry Hughes (24.09.1966), é um escritor nascido em Wales. Muito do seu trabalho tem um toque de humor excêntrico. São paródias e pastiches absurdos e surreais. Mas as suas capacidades vão muito além disto; é doptado de uma extrema versatilidade.

A edição tem a data de lançamento de Novembro de 2010 e é uma obra que desejei como nunca colocar a mão e os olhos. Vinda directamente da Roménia (Bucareste) é a minha última grande aquisição de 2010.

Os meus agradecimentos a Dan Ghetu pela rapidez com que providenciou o envio do livro encomendado.

a corte do ar por stephen hunt

15 Dez
15.12.2010

a corte do ar

assinado pelo autor, pois

“A Corte do Ar” foi mais um livro comprado na feira do Fórum Fantástico 2010 após a participação do seu autor, Stephen Hunt, no lançamento da obra editada pela Saída de Emergência.

A leitura da obra “A Corte do Ar” não me desagradou. Gostei de mergulhar no tenebroso/diabólico reino de Laborterra.

Não é, contudo, uma obra de fácil leitura. O facto de a história ocorrer num mundo steampunk victoriano é irrelevante e serve apenas para rotular o livro. É a mistura de eventos históricos com conceitos sociais variados/conflituosos; é a fantasia, a feitiçaria; é o aparecimento a cada página de personagens secundárias(?) novas, multifacetadas; é a linguagem – tudo servido a uma velocidade estonteante que não me deixou reflectir devidamente. Esta impossibilidade de descansar cansa; só descansei após arrumar este brilhante livro na estante.

stephen hunt na apresentação, a corte do ar

stephen hunt na apresentação, a corte do ar

Posso apontar como único aspecto negativo a pouca caracterização de algumas personagens. Mas o que me interessa isso quando Stephen Hunt colocou numa caixa de pandora – eterna surpresa – de forma entusiástica uma multiplicidade de ideias e constantes reviravoltas na história? Num único livro temos uma trilogia. Nada ficou de reserva. Nada de trunfos na manga.

Apesar de lhe poderem ser apontadas muitas referências a verdade é que “A Corte do Ar” se sustenta sozinha na sua elegância.

A Saída de Emergência está de parabéns por este lançamento que espero ser um sucesso. Alberto Simões merece, igualmente, ser congratulado pela exuberante/cuidada/trabalhosa tradução.

Ligeiro apontamento: “A Corte do Ar” segue as regras do novo acordo ortográfico.

a lança do deserto por peter v. brett

07 Dez
07.12.2010

O segundo livro do ciclo “A Noite dos Demónios” é o espectacular “A Lança do Deserto”. São 738 páginas de uma escrita cativante na qual a história e as personagens são servidas numa bandeja de ouro.

peter v. brett no fórum fantástico 2010

peter v. brett no fórum fantástico 2010

Peter V. Brett com “A Lança do Deserto” superou-se; toda a trama está consistente e de tal forma bem delineada – nada é deixado ao acaso – que não temos momento mortos, palavras desnecessárias. Ansiamos pelo encontro de Jardir e Arlen e estamos do lado de um ou do dois apesar de cada um ter uma motivação própria e à primeira vista antagónica.

“A Lança do Deserto” deixou-me um sorriso de enorme satisfação. Custa ter de esperar pelo próximo livro do ciclo.

Reparei que no decorrer da leitura tinha os dedos com “brilhantes” e agora que escrevo estas poucas linhas descubro o motivo. O título na capa está ligeiramente apagado. A palavra deserto já não tem as últimas 4 letras. Não foi uma boa escolha gravar o título em “prata” que se dilui nas mãos.

o homem pintado por peter v. brett

06 Dez
06.12.2010

Esta obra de Peter V. Brett é suculenta. Tem tudo o que eu esperava e muito mais. Tristemente demorei muito tempo a comprar o livro não apenas porque era sempre preterido em favor de obras que sabia desde logo que me agradariam, mas, igualmente, pelo facto de estar desiludido com a literatura de fantasia de uma forma em geral – muito fraca. Esta obra reconciliou-me com o género.

O mundo criado é muito cativante. As personagens estão bem construídas. O enredo obrigou-me a continuar a leitura até à ultima palavra, sem problemas. O ciclo “A Noite dos Demónios” é iniciada com “O Homem Pintado” e continua com “A Lança do Deserto”.

Não esqueço que fui como que forçado a investir no livro devido ao Fórum Fantástico 2010 no qual Peter v. Brett foi um dos convidados.

a luz miserável

21 Nov
21.11.2010

A hora ou a altura do dia é indiferente. Onde reina a música da perpétua escuridão e o tempo não corre esses artifícios humanos são uma natural anedota. O local é uma gruta que possuía uma viscosidade agradável e que transpirava uma doce podridão admirada por muitos, mas que exigia um laborioso trabalho de manutenção. E nem todos os horrores estavam com disposição para comer humanos numa dieta regular, expelir excrementos de alma e cuidar durante séculos desse perpétuo jardim de bosta anímica. A maior parte deles degustavam um humano por diversas décadas enquanto palitavam animais. Por isso quando foram liminarmente convocados por #$%&$%# (nome impronunciável, mas que pode ser chamado de ‘o portador da luz’) ocorreram de bom grado para beberem dos seculares, bafientos, abomináveis cheiros da sua residência.

Obrigado pela vossa pestilenta presença”, disse #$%&$%# – ditatorial líder dos mundos horrendos – sem qualquer esforço verbal para a massa amorfa de horrendos que enchia a enorme gruta; a sua enorme bocarra possuidora de uma garganta afunilada facilitava o arrojar de palavras, de gritos sibilinos a longas distâncias, e a sucção de qualquer corpo etéreo ou carnal para um dos seus 32 estômagos – o VIII estômago era o seu preferido; aí a maceração de qualquer alma permitia obter um excremento baunilhado. “O motivo que me levou a solicitar a vossa presença de forma tão inusitada é o atrevimento do David Soares em lançar um inclassificável livro de horror? demasiado real. Ele inocentemente rotula-o de horror, mas todos nós sabemos o quanto ele se aproximou da nossa verdade. Ele não tem apenas uma imaginação fértil, tem uma perspicácia para o fantástico realmente assustadora.

ABAIXO O DAVID SOARES”, gritaram em divina unidade os horrendos. #$%&$%# deixou apenas por breves instantes que a massa pensasse que tinha uma opinião relevante enquanto um dos seus braços – tentáculos? – usava um coto de um homem para coçar o seu sexo sempre tumescente porque logo entoou um “BASTAAAAAAAAAAA” que silenciou os horrendos. “Com os zombies, os anjos, os vampiros e outras vulgares bichezas ainda temos tido paciência porque nos divertem – um pouco – e permitem manter afastadas as atenções dos nossos macabros, mas necessários, propósitos. O que seria a humanidade sem um pouco de saudável horror. Agora este David Soares com estes contos está a substituir-se a nós. O horror é apenas nosso. Só nosso. Mas em apenas três contos, em 122 páginas, temos histórias que nos tratam fielmente. Alguns poderão pensar ‘ah! 122 páginas, isso não é nada’, mas eu em boa verdade vos digo que ele em 122 páginas faz mais estragos que muito dito escritor em 956 páginas. São histórias visuais que se desenrolam sem gaguejos. Não deixa pontas soltas. Assuntos inacabados? Nem pensar. As personagens e os ambientes claustrofóbicos incomodam pela crueza do horror retratado. E quando se incomoda, também se fascina; ele faz-nos sentir atraídos pelo horror. NÃO QUERO QUE AS PESSOAS SEJAM MARIPOSAS PERANTE O HORROR ESCRITO PELO DAVID SOARES.” Nesta fase do discurso #$%&$%# parou para avaliar o resultado das suas palavras. Ameaças soltas começaram a ser ouvidas aqui e acolá. “Eu fico com um braço.“Para mim a língua.” “Para mim o resto.

#$%&$%# decidido a acalmar os horrendos sequiosos por um pedaço do escritor arrotou um sonoro e bafiento “CALEEEM-SE.” “O que mais me aborrece é que quando nós sairmos à rua o que sobra? NADA! Depois de 122 páginas nada será como antes. Nós deixaremos de ser o horror porque as palavras de ‘David Soares’ serão a nova bitola para o definir. O que mais me aborrece é que ele ainda tem a presunção de oferecer a cada novo halloween um novo livro de horror. O que me aborrece é que ele não deixou nada ao acaso…

VAMOS A ELE”, interrompeu a turba ignorante. #$%&$%# aborrecido por mais uma interrupção sorveu e arrotou sem dificuldade um horrendo perto de si e as hostes transformaram-se magicamente num mar de tranquilidade. “Até o grafismo do livro foi cuidadosamente pensado”, continuou #$%&$%#, “Cor vermelha – sangue – na capa. As letras a branco sobre um fundo totalmente preto – escuridão – dão ao livro um cheiro característico. O livro vive com uma identidade própria na mão dos leitores; mais uma cuspidela inconsciente ou não, para mim isso é irrelevante, nos defensores dos ebooks. A originalidade do ‘Rei Assobio’ é tão saudavelmente doentia que não deixará ninguém apático – se alguém ficar apático é de choque.

Só temos uma saída de emergência e não é traga-lo”, prosseguiu #$%&$%#, “porque quem domina o horror com aquela mestria está imune a qualquer um de nós. Por isso só nos resta uma alternativa comprar todo e qualquer exemplar d ‘A Luz Miserável’ antes que mais humanos o comprem. O HORROR TEM DE SER NOSSO MAIS UMA VEZ”, terminou #$%&$%#. “Sabem o que têm a fazer.

Magicamente uns – o sempre delicioso efeito ‘puf’ -, outros aos tropeções, os horrendos foram esvaziando a gruta em direcção às livrarias. E pela primeira vez em séculos os horrorosos horrendos deixaram de ser o horror no halloween.

se acordar antes de morrer

19 Nov
19.11.2010

Terminei a leitura de “Se Acordar Antes de Morrer” do incontornável e titânico João Barreiros e ter sentido o pulsar dos seus mundos distópicos demasiados reais foi uma grande satisfação. Já nem me lembrava o quanto adoro a literatura de ficção cientifica. E João Barreiros mostra mais uma vez que é um mestre do género.

Se Acordar Antes de Morrer” é uma colectânea de velhos e novos contos que sofrem uma boa mais-valia com os apontamentos do autor.

A sua “Fortaleza Europa” merece mais histórias e um maior desenvolvimento apesar de João Barreiros nos oferece várias histórias na “Fortaleza Europa” – mais eu quero sempre mais – havendo duas deles que se entrecruzam: “Sincronicidade” e “Um Homem e o seu Gato ou O Céu dos Gatos é o Inferno dos Pardais”. “O Teste” é um conto que antecipa, e não estou a ser pessimista, a triste realidade futura da educação e dos professores.

com joão barreiros

com joão barreiros

Todas histórias estão muito bem urdidas e excelentemente escritas.
No seu conjunto é um livro que recomendo vivamente a qualquer entusiasta do género e a quem deseja ter muito para reflectir. Eu só peço mais e mais… e pergunto para quando mais João Barreiros?

o crime das maçarocas

18 Nov
18.11.2010

– Há quanto tempo são íntimos?
– Bom, existem várias definições de “íntimo”? Está a referir-se a qual?
– Sabe muito bem a qual estou a referir-me.
Ergui os ombros.
– Se não mo quer dizer, vou ser forçado a adivinhar. – Deixei cair os ombros. – Se está a referir-se à pior de todas as definições, ou à melhor, segundo os pontos de vista, não tenho nada para lhe dizer. Conheço-a há três anos, desde o dia em que veio entregar-nos o milho. Já falou com ela?
– Já.
– Nesse caso conhece os atributos físicos de Sue, e eu tenho que lhe agradecer o cumprimento. Ela tem os seus dias. Penso que não faz por mal e que não é culpa dela quando não consegue esconder o que é, uma vez que já nasceu assim. As conversas dela são qualquer coisa de especial. Não só nunca sabemos o que ela irá dizer a seguir, como ela própria não sabe. Certa noite, beijei-a, um beijo saudável, e quando nos separámos ela diz: “Uma vez, vi um cavalo beijar uma vaca”.

páginas 98/99

Uma forma agradável? de elogiar uma moçoila.
“O Crime das Maçarocas” é o segundo conto do livro “Terceto para Instrumentos Letais” de Rex Stout. O livro reúne contos bastantes simpáticos e que revelam que Rex Sout movimenta-se, igualmente sem qualquer problema nas histórias curtas.
Foi boa uma leitura – relaxante q.b.

warcraft: legends

02 Nov
02.11.2010

Terminei a leitura dos cinco volumes da série Warcraft: Legends editada pela Asa e só tenho a dizer coisas positivas. A primeira é, naturalmente, a edição dos 5 volumes da série. As outras coisas, e apenas fico por duas, são a excelente tradução e uma apresentação de qualidade em cada volume.

Fiquei sequioso por mais.

Recomendo a saga a qualquer pessoa que adore banda desenhada, fantasia de uma forma geral, e especialmente àqueles que já conhecem o wow como jogo.

all-girlz banzai!

28 Out
28.10.2010

All-Girlz Banzai! (número 3) com trabalhos das mangakas Joana Lafuente e Selma Pimentel, editado pela Arga Warga, foi mais uma das minhas boas compras no Iberanime OPO 2010; agora só me falta adquirir os 2 primeiros volumes.
As histórias e os desenhos acompanham adequadamente o estilo de cada história. Infelizmente preciso de ler os primeiros dois All-Girlz Banzai! para entender a primeira história apresentada.

Sem dúvida um bom fanzine em todos os aspectos – até a gramagem do papel surpreendeu-me.

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beam me up, scotty!