Artigos

livros na palete – posição 045

Algumas coisas interessantes – dois livros de não-ficção (autores novos) e ficção de autores conhecidos:

  • Segunda Fundação de Isaac Asimov
  • Ficções de Jorge Luís Borges
  • Pedro Álvares Cabral de José Manuel Garcia
  • O Terrível Terramoto da Cidade Que Foi Lisboa de Arnaldo Pinto Cardoso
  • Os Peixes Também Sabem Cantar de Halldór Laxness

nação crioula de josé eduardo agualusa

Nação Crioula conta a história de um amor secreto: a misteriosa ligação entre o aventureiro português Carlos Fradique Mendes – cuja correspondência Eça de Queiroz recolheu – e Ana Olímpia Vaz de Caminha, que, embora tenha nascido escrava, foi uma das pessoas mais ricas e poderosas de Angola. Nos finais do século XIX, em Luanda, Lisboa, Paris e Rio de Janeiro, misturam-se personalidades históricas do movimento abolicionista, escravos e escravocratas, lutadores de capoeira, pistoleiros a soldo, demiurgos, numa luta mortal por um mundo novo.

Quetzal Editores

Outro livro de grande qualidade – José Eduardo Agualusa no seu melhor.

Fradique Mendes é uma personagem tão real como as melhores invenções.

(…) A chegada à cidade de comboio, penetrar na manhã fresca e na luz que refulgia no rio e se apaziguava nos telhados e na perspetiva das ruas era o princípio imaculado e definitivo de qualquer coisa, a primeira página de um romance, a plenitude do mundo recém-iniciado.
Como a Sombra que Passa de Antonio Muñoz Molina (pág. 125)
(…) Os primeiros solavancos metálicos do comboio a arrancar transmitiam a sensação física e perentória do início da viagem, o corte brusco que nos separa e liberta do quotidiano; como o momento em que os músicos começam a tocar e é como se uma corrente poderosa tivesse irrompido; como a imersão nas primeiras imagens de um filme ou nas primeiras frases definitivas de um livro. Cada começo é um era uma vez e o princípio do Génesis, o primeiro verso da Ilíada, a primeira linha de ou do Lazarilho de Tormes ou de Moby Dick. Tratem-me por Ismael. Antes de tudo o mais, saiba pois Vossa Mercê que me chamam Lázaro de Tormes. Se numa noite de inverno um viajante. A primeira vez que vi Terry Lennox, estava ele perdido de bêbado dentro de um Rolls-Royce último modelo. Porventura não existe melhor começo do que uma enunciação impessoal de factos muito precisos. É deste modo que a literatura reclama ou imita a objetividade do mundo. Por isso mesmo, o início de romance de que mais gosto foi o que Flaubert escreveu para A Educação Sentimental, que versa sobre o início de uma viagem e tem qualquer coisa de registo administrativo ou de anotação num diário de bordo: «Em 15 de setembro de 1840, pelas seis da manhã, o Ville-de-Montereau, prestes a partir, lançava grossos rolos de fumo em frente do cais de Saint-Bernard.» Às onze da noite de 1 de janeiro de 1987, o Lusitânia Expresso saiu da estação de Atocha, em Madrid, em direção a Lisboa. No dia 8 de maio de 1968, à uma e um quarto da madrugada, um viajante de perto de quarenta anos, com um fato escuro e gabardina, chegou ao aeroporto de Lisboa num voo procedente de Londres.
Como A Sombra Que Passa de Antonio Muñoz Molina (página 107)

6 pessoas + 1

Inicialmente estavam seis pessoas sentadas ao redor da mesa de café. Logo de seguida instalou-se à mesa o Huawei que era não apenas muito amigo da P., mas, igualmente, muito interessante pois durante todo o tempo que estive naquela mesa P. só o encarava e acariciava.

Por isso decidi convidar para o convívio o meu amigo Antonio Muñoz Molina. Conversamos sobre “O Inverno em Lisboa”.

O resto do pessoal não ficou muito contente.


Conclusão: é mais aceitável brincar com um telemóvel do que ler um livro.

lisboa no ano 2000

Lisboa no Ano 2000 recria uma Lisboa que nunca existiu. Uma Lisboa tal como era imaginada, há cem anos, por escritores, jornalistas, cientistas e pensadores. Mergulhar nesta Lisboa é mergulhar numa utopia que se perdeu na nossa memória colectiva.

Recomecei a leitura desta antologia coordenada por João Barreiros. Reli o seu conto “O Turno da Noite”, inicialmente publicado na Bang! n.º 10 que serve de aperitivo ao que promete ser um conjunto de histórias electrizantes.

Selo de garantia João Barreiros!

comboio nocturno para lisboa de pascal mercier

Pascal Mercier, pseudónimo de Peter Bieri, escreve com Comboio Nocturno para Lisboa um livro memorável sobre a procura de nós nos outros. Adorei a passagem do tempo, do silêncio individual, da busca, da descoberta.

Comboio Nocturno para Lisboa é um livro pleno de palavras que se sufocam – magistral!

1º minho oktoberfest

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que espaço!! uau!!!

E lá fomos eu e os outros ao primeiro e grandioso Minho Oktoberfest organizado pela Cerveja Artesanal do Minho.

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azeitonas, queijo, presunto

À entrada, pela troca de uma módica quantia em dinheiro, foi-nos oferecido à escolha uma caneca ou um copo com o logotipo do evento e uma senha (adorei o esquema das senhas) de oferta – eu fiquei com a caneca, claro.

Ataquei sem dificuldade a weiss e umas costeletas grelhadas. Enchi novamente a caneca com weiss, mas agora, para acompanhar uns pedaços delicados de queijo, presunto e umas charmosas azeitonas. A weiss durou o suficiente até à próxima caneca.

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um pecado divino

Como não ia ficar sempre na mesma onda, bebi um café e comi um excelente Pastel de Santo António dos Chocolates da Vila.
O espaço único convidada a beber, a cruzar a perna, a visitar a cozinha e a ilha e a beber.

Nesta altura estava preparado para atacar a stout. A minha caneca depois de limpa não se fez rogada. E desta vez comprovei que a stout tem um ligeiro sabor a caramelo – eu e a minha teimosia.
Para completar a noite e para motivar uma nova caneca de stout ainda houve tempo para assistir a uma demonstração de dança por Alunos de Apolo (Lisboa).

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maria miguel e pedro pinheiro

par_vermelho

As fotografias não são as melhores, são as possíveis tendo em conta que ou via o espectáculo ou fotografava. Foi um bom momento durante o qual, pasme-se esvaziei a caneca!

Finalmente aqui me têm satisfeito, mas de caneca vazia. Fui beber uma pilsener para terminar uma parte da noite.

eu_satisfeito

a imagem de quem está no seu ambiente perfeito e com cerveja à mão de semear!

apontamento extra:

provei em casa a indian pale ale e para quem já provou centenas de centenas de cervejas foi aquela que mais adorei de todas as criações da Cerveja Artesanal do Minho.

um passeio por lisboa triunfante [ebook]

A propósito de uma entrada no blog de David Soares, recordei-me que nunca cheguei a mencionar a minha leitura de “Um Passeio por Lisboa Triunfante”, o download pode ser feito gratuitamente no site Saída de Emergência.

Não tenho muitas palavras para tecer um comentário sumarento. É da hora – fim de almoço.

Contudo sinto-me na obrigação de tentar verter algumas palavras.

“Um Passeio por Lisboa Triunfante” é mesmo isso um passeio; e como devem ser todos os passeios (é muita redundância, eu sei), é uma jornada de embalo; pelas palavras de David Soares mergulhei a seu lado na “Lisboa Triunfante”.

Obrigado pelo passeio.

o interior

a descobrir: os anos de ouro da pulp fiction portuguesa

Poucos o sabem, mas a literatura de pulp fiction, que marcou toda a cultura popular dos EUA na primeira metade do século XX, também esteve presente em Portugal, e em força.

Houve um tempo em que heróis mascarados corriam as ruas de Lisboa à cata de criminosos; em que navegadores quinhentistas descobriam cidades submersas e tecnologias avançadas; em que espiões nazis conduziam experiências secretas no Alentejo; em que detectives privados esmurrados pela vida se sacrificavam em prol de uma curvilínea dama; em que bárbaros sanguinários combatiam feitiçaria na companhia de amazonas seminuas; em que era preciso salvar os colonos das estações espaciais de nome português; em que seres das profundezas da Terra e do Tempo despertavam do torpor milenário ao largo de Cascais; em que Portugal sofria constantes ataques de inimigos externos ou ameaças cósmicas que prometiam destruí-lo em poucas páginas, antes de voltar tudo à normalidade aquando do último parágrafo.

directamente da Saída de Emergência

Está à venda a excelente antologia, “Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa”, organizada por Luís Filipe da Silva da editora Saída de Emergência.

Posso desde já dizer que o design é mais uma vez espectacular (nisto e aquelas outras coisas a editora come-os todos) e o conteúdo muito, mas muito sumarento.
O recheio é composto por:

  • O Segundo Sol por Ruy de Fialho
  • A Expedição dos Mortos por Joachim Hunot
  • A Ilha por João Henriques
  • Pena de Papagaio por A. M. P. Rodrigues
  • O Sentinela e o Mistério da Aldeia dos Pescadores por Orlando Moreira
  • Horror em Sangue por Cristo de Maxwell Gun
  • O Inconsciente por Tiago Rosa
  • A Noite do Sexo Fraco por Ludovico Bombarda
  • Pirata por um Dia por Sónia Louro
  • Valente por Fausto Boamorte
  • O Amaldiçoado por Ish-Tar de Artur de Carvalho
  • Noites Brancas por Ana Sofia Casaca
  • Mais do Mesmo! por João Barreiros

Ufa!