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livros na palete – posição 019

Aproveitando os descontos acumulados e a promoção de 50% comprei estes livros por apenas 5,95€. Uma boa compra…

  • Ouro, Prata e Silva de Miguel Szymanski
  • Confissões de Uma Máscara de Yukio Mishima
  • A Carne de Rosa Montero
E como eu lhe respondia que não, que não estava chocado, que sabia que o sofrimento não era um jantar de gala, nem poesia elegíaca, que era sangue, suor e merda (…)
Porto-Sudão por Olivier Rolin (página 49)
Compreendi rapidamente que o mais provável era nem sequer costumarem saudá-lo em vida. Ele era-lhes completamente estranho, só o seu desaparecimento lhes era familiar, porque esse servia-lhes para reanimar quotidianamente a alegria e a quase vaidade que tinham de constatar mutuamente a própria existência, a importância dessa situação de estar vivo, apesar das aparências: maravilha que eles exercitavam sem cessar através de tiradas espirituosas, de maledicência e de pequenos toques cúmplices.
Porto-Sudão por Olivier Rolin (página 41/42)

colecção miniatura

A renascida editora Livros do Brasil reiniciou em Janeiro de 2017 a sua excelente colecção Miniatura de grandes clássicos. São grandes clássicos a preços modestos.

Esta colecção que teve o seu início na década de 1950 atingiu o lindo número de 170 livros.

Como já foi ultrapassada a marca de 10 obras na nova colecção decido-me a indicar as obras entretanto já editadas (lindo ramalhete):

  1. A Louca da Casa de Rosa Montero
  2. Soldados de Salamina de Javier Cercas
  3. A Um Deus Desconhecido de John Steinbeck
  4. Novela de Xadrez de Stefan Zweig
  5. Sinais de Fogo de Jorge de Sena
  6. Histórias do Bom Deus e Outros Contos de Rainer Maria Rilke
  7. A Metamorfose de Franz Kafka
  8. O velho que lia romances de amor de Luis Sepúlveda
  9. A Harpa de Ervas de Truman Capote
  10. Porto-Sudão de Olivier Rolin
  11. Orlando de Virginia Woolf

A manter os olhos atentos.

Mas bom seria a colecção Argonauta. Ui, isso sim!

para o dia do pai

Comprei estes dois livros para oferecer ao meu pai no dia do pai. Já imagino o diálogo:

— Pai uma prenda para si. Afinal hoje é o dia do pai.
— Mas livros para quê? Tenho lá tempo para isto. Fica com eles.
— Obrigado pai. És o maior.

A mentira por omissão transforma-se, inevitavelmente, em mentira positiva.
Sem Olhos em Gaza de Aldous Huxley (página 309)

um imitador de sherlock holmes

Não deve existir alguém que não tenha ouvido falar do detective Sherlock Holmes…
ainda deve existir alguém que não tenha lido as suas aventuras escritas por Conan Doyle…
as pessoas que viram o filme Sherlock Holmes interpretado por Robert Downey Jr. e realizado por Guy Ritchie deve ser maior do que as que o leram…

O que interessa, com esta pequena brincadeira inicial, é entendermos que Sherlock Holmes é uma referência universal – um ícone. E como tal é normal que outros escritores criem novas histórias nas quais Sherlock Holmes é, naturalmente, a personagem. A este tipo de história, imitação, dá-se o nome de pastiche.

Como já referi em posts anteriores só tinha lido um pastiche de Ellery Queen intitulado “Sherlock Holmes contra Jack o Estripador”, editado pelas Edições 70, na colecção Alibi, n.º 1 (1983). Mais recentemente, 2009, li “As Vitórias da Lógica” (1910) – escrito por Gustaf Adolf Bergström e o excelente livro “A Sabedoria dos Mortos” por Rodolfo Martinez.

Esta semana terminei a leitura de um, digamos, suave livro que não é um pastiche de Sherlock Holmes. Na obra “Um Imitador de Sherlock Holmes” da portuguesa Maria O’ Neill, editado pelos Livros do Brasil, colecção Vampiro n.º 668, Maio de 2003 (isbn 972-38-2654-2), a personagem principal (Visconde Silvestre) utiliza os métodos dedutivos de Sherlock Holmes para a solução dos mistérios de que é incumbida e é ajudada nessa tarefa por Pedro Montagraço. E é esta a grande diferença. Visconde Silvestre conhecedor do sucesso de Holmes decide empregar os mesmos métodos nas suas “investigações”. São histórias razoáveis que se lêem num consultório médico ou na paragem do autocarro.

Acho que o livro vale mais pela originalidade e pela época em que foi escrito.

adeus muchachos

Consciente do que virá a seguir, ela finge zangar-se e faz beicinho.
– Papa cus – acusa-o.
Depois de a dilatar o suficiente, Victor coloca um preservativo e possui-a, efectivamente, pelo orifício indevido, sem tirar os olhos do vidro.
Alicia não sentiu dor. Mais, ao ver o vídeo a acção das suas próprias nádegas e cintura, sentiu um rio correr-lhe pela vagina.[1]

Não entendo a inclusão da obra “Adiós Muchachos” de Daniel Chavarría, Uruguaio a residir em Cuba, na colecção Vampiro (n.º 674) porque está longe de ser um livro policial ou de mistério, mesmo, entendido num sentido lato. É uma obra agradavelmente bem escrita, mas que se aproxima com mais facilidade em algumas descrições do erotismo barato(?).
Sim, temos mistério/surpresas, uma morte, mesmo que acidental, um iluminado pedido de resgate pelo cadáver, mas é no fim um livro que não se despega de uma clara carga erótica(?) e que no final só(?) vale, infelizmente, por isso.

Adeus Muchados, Daniel Chavarría
título original: Adiós Muchachos (1994)
tradução: Paulo Alexandre Moreira
capa: A. Pedro
editor: Livros do Brasil, Colecção Vampiro, n.º 674, Lisboa, 1ª edição (nov.2003)
isbn: 972-38-2681-X
[1]pág. 47

o camelo preto

Estou cansado – suspirou Chan. – Preciso de repouso, foi um caso muito complicado, Wu Kno_ching, mas – meneou a cabeça e um largo sorriso se espraiou pela face – como sabes, meu bom amigo, um brilhante não fica polido sem ser bem esfregado, nem um homem pode ser perfeito sem experimentar provações.

O Camelo Preto é a segunda aventura que leio de Charlie Chan – criação de Earl Derr Biggers -, detective benevolente, honorável, de naturalidade chinesa, residente no paraíso chamado Hawaii. E foi uma história simpática, sem sobressaltos.
A suavidade da narrativa permitiu-me descobrir sem dificuldade o culpado por detrás do crime perpetrado.

O Camelo Preto, Earl Derr Biggers
título original: The Black Camel
tradução: Alfredo Ferreira
capa: Cândido Costa Pinto
editor: Livros do Brasil, Colecção Vampiro, n.º 49

intermundo

— Eles têm mesmo uma masmorra de escravos? — perguntou Seymour.
— Claro. De que servem escravos sem uma masmorra?

página 121


Eu, Klox tudo que vê (quase), que tudo sabe (por vezes), quase omnipotente (em certas ocasiões muito circunscritas), avanço em direcção ao meu destino. Naturalmente, tenho grande interesse nisso. Os destinos são difíceis de encontrar.

página 135


Isidore Haiblum, Intermundo // tí­tulo original: Interworld // tradução: Elsa T. S. Vieira // editor: Editora Livros do Brasil, Mai. 2004, Lisboa // isbn: 972-38-2703-4