Artigos

Fernando Pessoa exprimiu antes de nós as razões pelas quais preferimos aos de hoje os barcos de outrora (ou antes, neste caso, as cartas antigas às modernas):

Gostaria de ter outra vez ao pé da minha vista
    veleiros e barcos de madeira,
De não saber doutra vida marítima que a antiga
    vida dos mares!


Ode Marítima publicada sob o heterónimo Álvaro de Campos

Breviário Mediterrânico de Predrag Matvejevitch (págs. 266/267)

lol, camuflagem 10.0 – desvio

Apesar de ter criado uma história. Não a publico. Fica apenas a imagem de um lol tirolês.

a festa das colheitas 2012

No post 30ª Feira de Artesanato de Barcelos 2012 referi:

exceptuando um stand do qual não registei o nome – culpa minha.

ora bem descobri o stand na Festa das Colheitas 2012 de Vila Verde e desta vez tirei fotografias. O stand em questão é pois da jovem artesã Joana Fernandes, natural de Cabanelas, que revela os seus trabalhos de artesanato feitos em cortiça.

joanafernandes01

joana fernandes

joana_fernandes00

Tive oportunidade de ver algumas peças criadas no 2º Encontro Inter-Regional de Cortes em Madeira com Motosserra.

trabalhos_de_madeira

trabalhos em madeira

Em excelente companhia jantamos um excelente jantar na tasca da Igreja de Esqueiros (sim ajudei uma igreja, tal e qual, a comida foi boa…) e servido por imensos São Pedros.

esqueiros

ementa esqueiros

Ataquei delicadamente umas papas de sarrabulho e optei pela alheira com grelos, regada com um decente Alvarinho, para completar o menu. A companhia foi agradável e a discussão sobre o tamanho da alheira foi muito teológica.

A primeira verdadeira surpresa da noite ocorreu depois de tomar um café quando actuou o artista da noite, desconhecido para mim e para os meus amigos. Acho que a C.J. ainda está em choque pela musicalidade do artista e pela performance em palco da Sofia 1 e Sofia 2. Nenhum de nós se recorda de ter ouvido algo semelhante para bem ou para o mal. Consegui filmar alguns segundos. A emoção, a dor de barriga, o inexplicável sangramento auditivo obrigou-me a abandonar o recinto da feira e trazer a reboque os meus sofridos amigos.

No geral foi uma noite muito positiva. A repetir certamente.

restos de madeira

Restos de madeira no espaço Convento dos Frades a caminho da Franqueira.

o porquinho-da-índia

Ofereci ao membro mais novo da família um porquinho-da-índia abissínio de pêlo muito sedoso. Veio acompanhado de uma casota com um esconderijo, feno da montanha com extra camomila, ração, 750 gramas de cavie nature, 22kg de serradura. A compra foi uma decisão espontânea e como todas as coisas que realizo sem causa aparente tive um inicial calafrio de receio – mas o bicho é tão pequeno e fofinho. O que poderia acontecer de mal? Nada, certo? Errado.

O primeiro imprevisto surgiu logo em casa e muitas leis de Murphy poderiam ser aplicadas à situação: não foi fácil colocar a residência oficial do bicho no local pensado previamente. Com as medidas de 100cmx45cmx40cm a gaiola estacionou, finalmente, no balcão da cozinha junto à janela por uns justos centímetros, ufa! Primeiro mede-se o espaço e depois adquire-se o objecto, já deveria ter aprendido isto com o roupeiro, mas sou muito distraído com estes pormenores à carpinteiro. Tenho de admitir que não antecipo os problemas que podem ocorrer por ausência de medições prévias.

Ainda me recordo do meu primeiro contacto kafkiano com a bricolage: a colocação de uma estante na parede do quarto do meu filho. Na altura tinha uma enorme caixa de ferramentas 16 Dexter, habitáculo ideal para o vácuo. Actualmente tenho uma enorme caixa de ferramentas 16 Dexter com uma broca, fita adesiva preta, buchas, parafusos, martelo, desandador.

Na loja de ferragens: “Quero um parafuso para pendurar uma estante na parede.” “Na parede?” “Sim.” “Tamanho?” “Sei lá! Acho que deve ter 1 metro.” “Não, o tamanho do parafuso?” “Um que aguente a estante. Ou, melhor dois parafusos, a estante tem duas coisas de ferro na parte de cima.” “Ah, já vem com chapas para cabides!” “Só a montei seguindo as instruções no papel, não decorei o nome das peças.” “Pois. Bem, para isso parafusos 6 devem servir, mas se já tiver buchas leva parafusos para as buchas que tem.” “Buchas?” “Sim, são necessárias para fixar qualquer parafuso à parede.” “Veja. Eu tenho uma caixa de ferramentas com um martelo, uma broca, fita adesiva e com aquilo para apertar parafusos. Por isso dê-me o que preciso para colocar a estante na parede.” “Certo, dois parafusos 6, duas buchas 6.” “Não tem parafusos com outro feitio. A ferramenta que tenho para os parafusos não tem o formato desta racha.” “Certo, precisa de um desandador novo. O seu desandador deve ser de estrela. Mais alguma coisa?” “Não, acho que está tudo.” “Só uma pergunta. Qual o tamanho da broca?” “Não sei. O meu pai usou-a para furar a parte detrás do móvel da sala para passar o cabo da televisão e fiquei com ela.” “Mas então é uma broca de madeira.” “Não é mesmo de ferro.” “Não é isso. É uma broca para furar madeira.” “E?” “Precisa de uma diferente para furar a parede.” “Que seja. Hoje estou por tudo.” “Dois parafusos, duas buchas, uma broca, um desandador. Penso que basta. Tem berbequim?” “Não tenho, mas uso o do meu pai. Deve dar para furar a parede?” “Sim, só tem de usar a broca que leva.” “Certo. E já agora dê-me 20 parafusos e 20 buchas; assim, uso sempre as mesmas coisas para os trabalhos lá em casa.”

apenas um extracto, a história completa aguarda publicação

portão azul

Um portão de madeira em azul junto ao Convento dos Frades (Franqueira, Barcelos).

wood and nothing

Wood lying on the floor in sweet decay. I really have to see death everywhere?

blue grass

Mais pedras, madeira, ervas e mais ervas, mais pedras e a base de um cruz de pedra.

tree or wooden hands?

Na Franqueira, Barcelos, local de adoração, tirei algumas fotos de árvores suculentas. Esta é mais uma. Fui mais longe ao aplicar um gentil tom grunge.

in purple tones

Na praia de Esposende um vento frio fazia a areia voar. Tive de me refugiar numa tenda para tirar algumas fotos.

Acho que consegui algumas fotos catitas e a boca cheia de areia – desagradável efeito secundário.