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welwitschia

@ muriel gottrop (wikipédia)

Apesar do clima em que vive, a Welwitschia consegue absorver a água do orvalho através das folhas. Esta espécie tem ainda uma característica fisiológica em comum com as crassuláceas (as plantas com folhas carnudas ou suculentas, como os cactos): o metabolismo ácido – durante o dia, as folhas mantêm os estomas fechados, para impedir a transpiração, mas à noite eles abrem-se, deixam entrar o dióxido de carbono necessário à fotossíntese e armazenam-no, na forma dos ácidos málico e isocítrico nos vacúolos das suas células; durante o dia, estes ácidos libertam o CO2 e convertem-no em glicose através das reações conhecidas como ciclo de Calvin.
Devido às suas características únicas, incluindo o seu lento crescimento, a Welwitschia é considerada uma espécie ameaçada, pois já existe desde o tempo dos dinossauros. 

Certas sementes do deserto permanecem em repouso durante décadas. Alguns roedores do deserto só saem dos refúgios à noite. A welwitschia, planta espetacular do deserto da Namíbia, de folhas em forma de correias, vive milhares de anos alimentando-se exclusivamente de orvalho matinal.

Canto Nómada de Bruce Chatwin, pág. 295

o espermograma ou a recolha mecânica de esperma

Tirei a manhã porque o “casulo” que guardou o meu esperma teve de ser entregue até às 11h30 e nunca após terem passado duas horas da recolha – foi um trabalho mais que cronometrado.

Pensei que a “recolha” ia ser uma uma masturbação a duas mãos, mas as férias começaram e os filhos andam a fazer o que fazem melhor… a ferrar-me os joelhos – e ao descobrirem, anormalmente, o pai em casa de manhã, tive de refugiar-me no quarto de banho para um “solo mio“. Deve ter havido a libertação de quaisquer feromonas para que a populaça juvenil estivesse já acordada a horas pouco habituais; afinal a ideia de um coitus interruptus versão frasco de plástico foi destruída – cheque-mate!

Quando tinha 14 anos bastava pensar nas mamas da Edwige Fenech, agora diz-se seios!, mas na altura eram mamas e tetas os vocábulos popularizados, para a ejaculação sair fluída e sem qualquer negativismo Krishna. Com o barulho matinal não consegui atingir o relaxe perfeito adequado para a “recolha” e as batidas ritmadas na porta do quarto de banho seguidas dos gritos “paiiiiiiiiii o que estás a fazer???! caís-te!!…….”, “mãe o paiiiiii, nunca mais sai do quarto de banho” – a resposta da minha mulher “deixem o pai em paz, ele está com cólicas” mitigava os avanços contra a porta do maior vampiro que tenho em casa: a minha filha de 3 anos que após ranger os dentes, colocar os dedos em posição de garras e verbalizar uma onomatopeia rrrrrrrrrhhhhhhh afirma “sou mesmo um vampiro maléfico”.

Claro que nesta aventura a minha mulher ajudou-me imenso; as sua frases, ditas quando os miúdos estavam afastados do meu refúgio, foram o meu ânimo “então solitário como corre a brincadeira?”, “queres que coloque alguma música? ou que queime incenso?… já sei, uma dança!?” ou esta frase que revela incontestavelmente o quanto ela me ama “isso tem de ser entregue até às 11h30! por isso…”

A verdade é que já com alguma calosidade consegui cuspir, com alguma glória e quanto basta, esperma para o frasco de recolha.
Terminou. Espero que o resultado seja a ausência total de espermatozóides.

mas, eu fiz uma pergunta?

Hoje pela manhã, e como habitualmente sem esperar uma resposta porque não foi feita uma pergunta, cumprimentei as pessoas que se iam cruzando comigo ou com a frase quebra-gelo “Então, tudo em cima!” ou com uma frase feita de cariz meteorológico “Está outra vez a chover!” ou até com uma expressão da mais refinada verbosidade “Ah! O Morfeu foi carinhoso esta noite.” e tento continuar, sempre, sem abrandar a indolência do meu caminhar, porque prezo a ausência de stress e de emoções sudoríferas logo no princípio do dia, o meu percurso.

Por vezes algumas pessoas obtusas tentam responder a uma afirmação ou a uma exclamação com uma resposta e quebram-me o ritmo matinal. Mas se isto é grave, pior é quando a reboque de uma dessas frases começam a narram a noite anterior com – “uma unha partiu-se a lavar os dentes”, “a luz foi abaixo e atrasou o ciclo de lavagem da máquina de lavar roupa e atrasou-me a ida para a cama”, “a torneira do chuveiro da casa de banho pingou a noite toda e torturou-me o sono”, “os peditum do vizinho de cima eram pouco melodiosos e não me permitiram abraçar relaxadamente o sono”, et caetera.

Quando recebo neste contexto matinal e sem aviso prévio uma resposta a uma não pergunta fico temporariamente atónico porque é uma jogada social imprevisível que ainda não aprendi convenientemente a ripostar. Não é, contudo, uma falha da minha parte; mas tentarei de futuro, pelo menos uma vez por semana, seguir o programa “As Tardes da Júlia” ou outro semelhante.

Espero é que minha box não queime se arriscar gravar apenas, digamos, 30 minutos. Hummm! acho que primeiro vou ligar ao suporte a clientes para ter a certeza da margem de segurança.

banho matinal

Há, pelos menos, duas más razões para detestar tomar banho de manhã.
.fico sempre enregelado. Depois de um noite boa ou mal dormida o corpo está letargicamente acordado.
.fico sempre avermelhado. O meu organismo tem perante qualquer gel / champô / sabonete / sabão uma sensibilidade anormal.
Há, pelo menos, uma boa razão para detestar tomar banho de manhã.
.tenho de acordar mais cedo.