Tag Archive for: médico

aventuras penianas

22 Dez
22.12.2011

Quando me foi realizada a vasectomia o médico e toda uma imensa equipa tiveram o privilégio de besuntar os olhares na minha pujança peniana. O médico e um enfermeiro tiveram até a lúbrica oportunidade de agarrar em primeira mão o meu aparelho sexual.

Hoje lá terei por outros motivos de me submeter aos olhares e dedos de outro médico; e quando penso nisso pergunto-me ‘onde param as urologistas?’ – hibernaram? não existem? Será que terei alguma vez oportunidade de ser clinicamente examinado por uma médica. Acho que este é o desejo de felicidade médica suprema de qualquer homem, tenho receio, às vezes, seja um pesadelo camuflado de sonho?

uma árvore iv

02 Nov
2.11.2010

Gostei tanto desta foto que experimentei uma série de filtros e texturas. Sou um médico de filtros.
Aqui está a quarta versão. Um reino de fogo.

uma árvore iii

02 Nov
2.11.2010

Gostei tanto desta foto que experimentei uma série de filtros e texturas. Sou um médico de filtros.
Aqui está a terceira versão. Um reino de sombras e linhas.

uma árvore ii

02 Nov
2.11.2010

Gostei tanto desta foto que experimentei uma série de filtros e texturas. Sou um médico de filtros.
Aqui está a segunda versão. Reina aqui uma doce escuridão.

uma árvore i

02 Nov
2.11.2010

Gostei tanto desta foto que experimentei uma série de filtros e texturas. Sou um médico de filtros.
Aqui está a primeira versão.

período refractário

27 Abr
27.04.2010

Tenho um colega que se gaba imenso, quase exageradamente, direi eu inocentemente ou ignorante até, das suas habilidades/capacidades sexuais. Todas “elas” ficam satisfeitas se o tiverem como parceiro tal é a sua pujança. Um dos seus segredos é a ingestão diária de uma barra de chocolate. Ele, actualmente, tal é o número d “elas” que querem sentir tamanha energia e masculinidade, só aceita mulheres “de catálogo” – um gourmet do sexo!

A semana passada em tom de brincadeira inquiri-o acerca da duração do seu “período refractário”. A sua resposta, “Ui, é muito tempo, muito tempo mesmo. Comigo é tudo em grande!”, foi gritada enquanto atirava o braço direito em frente para salientar com esse gesto a sua plena alegria por “muito tempo”. Não pude deixar de gargalhar perante a sua obtusa resposta.

Conto este episódio anedótico a recordar-me da frase “Prescinde/não prescinde(3) do direito ao ensino da disciplina de Religião e Moral Católicas” (modelo n.º 451 INCM) escrita, pelo menos entre 1983/1988, nos boletins de matrícula do ensino básico e do ensino secundário. (3) “Riscar a palavra que não interessa”; perante isto acredito que muitos encarregados de educação riscaram a palavra “Prescinde” porque viam apenas o não e nunca associavam o “prescinde” a “passar sem”. Isto criou muita confusão desnecessária. E para resolver o problema bastava ter substituído a palavra “prescinde” por outra como “renuncia”, “dispensa”. Era uma frase religiosamente armadilhada com o objectivo de, por engano/lapso, obrigar os alunos à frequência da disciplina de Religião e Moral Católicas. A partir de 1989 já era necessário uma declaração própria devidamente assinada a informar do desejo de frequentar a disciplina de Religião e Moral (DREN modelo 1) e em outros boletins de matrícula bastava escrever a palavra “SIM” “no rectângulo abaixo” (modelo n.º 1065 da INCM). Com isso terminou as matrículas por “engano”.

E já agora a palavra “obliterar” colocada nestes termos: “O título de transporte só é válido se for obliterado” também é um espectáculo burlesco da aproximação dos serviços públicos ao cidadão.
Em Portugal a taxa de dislexia, mais por falta educação do que motivada por problemas médicos, ainda é elevada. Ou… já não o é… fruto das Novas Oportunidades.
E agora fiquei ligeiramente afásico!?

a clínica do terror

22 Nov
22.11.2009

– É assim tão fácil adivinhar os meus pensamentos. [1]

Mary Higgins Clark assina uma obra de ritmo alucinante.
É, digamos, um livro a resvalar para literatura de aeroporto ou de sala de espera de consultório médico, ou da paragem do autocarro, acho que já se percebeu a ideia, mas sem atingir a mediocridade de algumas obras do mestre King.

A história está bem urdida e convenceu-me sem qualquer dificuldade, apesar de estar actualmente numa de comer livros a uma velocidade doentia; e não sou fácil de ser convencido – acho eu!

informações
pág. 78 [1]

fast food

08 Nov
8.11.2009

Estou de dieta rigorosa à mais de 25 dias. Perdi com isso já 10 quilos. Não sigo as indicações do médico, porque como ainda menos do que ele aconselhou. Nada de batatas, fritos, massa, arroz…

Ontem fiquei com a minha filha em casa enquanto a minha mulher foi à missa de sétimo dia do meu ‘vozinho. Não me sentiria, desta vez, confortável, apesar do motivo, em estar numa cerimónia religiosa quando me sinto ultimamente um existencialista ateísta e emocionalmente quebrado.
Às 20.30, mulher em casa. O meu filho entretanto regressa vindo da casa da sua avó materna. Disse-me, contudo, que ainda não tinha jantado.
Oops, enganei-me nas horas
e esqueci-me do facto de ele ter pedido jantar em casa da avó.
Questionado sobre o queria comer sem gaguez disse McDonald’s, a irmã ouviu, gritou batatas-fritas e eu respondi ao miúdo que não estava para ir ao McDonald’s comer fritos quando ele sabia que eu já não estava nessa onda.

– Não vais morrer por comeres um hambúrguer – disparou ele.

Fuck! Fomos então.
Até fui satisfeito porque sempre adorei aquela fastfood. E, afinal, que se foda. Uma não são vezes. Ou lá o que seja que se diz.

McChicken (para reduzir os danos), batata média e Coca-Cola média lá trouxe para a mesa. Os filhotes adoraram, naturalmente. Eu ao primeiro golo de Coca-Cola pasmei pela ausência de prazer que tive; uma batata originou apenas um “mas que é isto”; o hambúrguer que deveria ser delicioso ficou parado em pasta na minha boca.
Enjoar com um menu McChicken não é normal. O que se está a passar comigo? Em que me estou a transformar? Acontecerá o mesmo quando decidir festejar com uma McChouffe e com uma francesinha? Em que me estou a transformar?

eu só procuro saber a razão por que os homens não se atrevem a matar-se, e nada mais

30 Jun
30.06.2006

(…) Eu só procuro saber a razão por que os homens não se atrevem a matar-se, e nada mais. Não tem importância nenhuma.
– Não se atrevem? Pois não há bastantes suicídios?
– Muito poucos.
– Acha?
Não me respondeu, levantou-se e pôs-se a passear de um lado para outro.
– Que é que, na sua opinião, impede os homens de se suicidarem? – indaguei.
Olhou-me com ar abstracto, como se quisesse lembrar-se do que estávamos a falar.
– Pouco… pouco sei. Há dois preconceitos que os prendem, duas coisas só: uma é mínima, a outra considerável. Mas a mínima também é considerável.
– Qual é?
– A dor.
– A dor? É assim tão importante?
– Primordial. Existem duas categorias de suicidas: uns matam-se por excesso de melancolia ou por irritação, ou por loucura, não importa. Esses fazem-no sem vacilar. A loucura não os detém, matam-se logo, agem imediatamente. Quanto aos que o fazem com reflexão, pensam demasiado no caso.
– Então existem os que se destroem por reflexão?
– São muitos. Se não houvesse preconceitos, haveria ainda mais, muito mais, toda a gente.
– Quê? Toda a gente?
Kirilov calou-se uns instantes.
– Haverá meio de morrer sem dor?
– Imagine – respondeu ele, parando diante de mim, imagine uma rocha com as dimensões de um edifício colossal. Está suspensa sobre nós, que estamos por baixo. Se nos caísse em cima da cabeça, chegaríamos a sofrer?
– Uma rocha dessas dimensões? É horrível.
– Não falo do medo, refiro-me à dor.
– Uma rocha tão grande… evidentemente que não sentiríamos dor.
– Mas se de facto se encontrasse debaixo dessa pedra suspensa, o senhor teria medo de sofrer. Todos o teriam, médicos, sábios, fosse quem fosse. Sabem que não haveria dor e, no entanto, assustam-se.
– E a segunda causa, a mais considerável?
– É o outro mundo.
– Alude ao castigo?
– Tanto faz. O outro mundo é bastante.
– Há ateus que não crêem nisso.
O homem calou-se de novo.
– Julga talvez por si mesmo?
– Cada qual só pode julgar por si mesmo – retorquiu, corando. – Só existirá liberdade completa no dia em que for indiferente viver ou não viver. Eis o fim, o alvo de tudo.
– Nesse caso, ninguém desejaria viver.
– Ninguém – confirmou Kirilov, em tom decidido.
– O homem receia a morte porque ama a vida, eis como eu vejo as coisas – repliquei. – Assim dispôs a natureza.
– Logro vil. – exclamou, de olhos brilhantes. – A vida é a dor, a vida é o medo, e o homem é infeliz. Tudo é dor e medo. O homem, agora, ama a vida porque ama a dor e o medo. Criaram-no assim. Dá-se a vida a troco da dor e do medo, e eis aí o embuste. O homem de hoje não é ainda um homem. Há-de haver um dia o homem novo, orgulhoso, feliz, a quem será indiferente viver ou não; eis o homem novo. Esse vencerá a dor e o medo e será o próprio Deus. Deixará de haver outro deus.
– Mas Deus existe, na sua teoria?
– Não existe, mas é. Não há dor numa pedra, mas no medo da pedra há dor. Deus é a dor do medo da morte. Aquele que vencer a dor e o medo será o próprio Deus. Surgirá então uma vida nova, um homem novo. Tudo será novo. A história dividir-se-á em duas partes: do gorila à destruição de Deus, e da destruição de Deus.. .
– Ao gorila?
– … à transformação física da Terra e do homem. O homem será Deus; transformar-se-á fisicamente. O Mundo também se transformará, assim como as acções e as ideias e todos os sentidos. Que lhe parece isto da transformação física do homem?
– Se for indiferente viver ou não viver, todos se hão-de matar, e aí está a sua grande transformação.
– Nem mais. E mata-se a trapaça em que vivemos. Qualquer homem que deseje liberdade deverá atrever-se ao suicídio. O que ousar tal coisa desvendará o mistério do embuste. Fora disso, não há liberdade: está tudo aí; o que ousa matar-se é Deus, de modo que cada qual pode fazer com que deixe de haver Deus. E não haverá. Mas ninguém ainda experimentou.
– Tem havido milhões de suicidas.
– Todos por outra coisa, todos por medo, e não por isto que digo. Nunca para matar o medo. Aquele que se matar só para matar o medo tornar-se-á imediatamente Deus.
– Talvez não tenha tempo – observei.
(…)

Fiódor Dostoiévski, Os Demónios
tradução: Reis Madeira
editor: Círculo de Leitores, Lisboa, Set. 1983, págs. 71 e 72

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