Tag Archive for: memória

clássico eis a questão

24 Fev
24.02.2020

Um clássico é um livro atemporal, que consegue sobreviver para além da época em que foi escrito. Não implica ser, necessariamente, um livro antigo, apesar de isto estar, quase, implícito, porque actualmente os livros falham em qualidade do texto. Claro que a determinação do que é belo é um juízo subjectivo do leitor, com os seus gostos e valores próprios. Mas é fácil concluir que nunca são livros vulgares, são sim livros complexos, inusitados; não que sejam difíceis de ler.

Um clássico teve e continua a ter, sempre que é lido ou relido, uma repercussão na história literária e, porque não, na cultura popular – fica gravado de uma maneira ou outra na memória colectiva pelos temas universais que geralmente abordam.

Um livro editado hoje não pode ser considerado um clássico, porque ainda não resistiu ao teste do tempo.

Numa lista simples posso colocar:

  • O Romance do Genji (1005-1014) de Murasaki Shikibu
  • Dom Quixote de la Mancha (1605-1615) de Miguel de Cervantes
  • Moby Dick (1851) de Herman Melville
  • Os Maias (1888) de Eça de Queirós
  • O Retrato de Dorian Gray (1891) de Oscar Wilde
  • Em Busca do Tempo Perdido (1913-27) de Marcel Proust
  • O Processo (1925) de Franz Kafka
  • Admirável Mundo Novo (1932) de Aldous Huxley
  • 1984 (1949) de George Orwell
  • As Cidades Invisíveis (1972) de Italo Calvino
  • O Nome da Rosa (1980) de Umberto Eco
  • Memorial do Convento (1982) de José Saramago

rotinas

06 Fev
06.02.2020

Sou uma pessoa de rotinas e quando me deito, à hora do costume, gosto de ter pensamentos positivos. Não é que uma destas noites veio-me à memória um poema (?) lido há mais de 30 dias numa casa-de-banho em Coimbra. Foram minutos e minutos de gargalhadas. Ora veja-se:

A cagar fiz um charro
A cagar o acendi
A fumar caguei para ti.

malchik

17 Jan
17.01.2020

Um dos habitantes mais populares da estação de Metro Mendeleyevskaya era um rafeiro apelidado de Malchik. O que o destacava dos outros canídeos era o facto de ter escolhido aquela estação de metro como residência definitiva. Protegia a estação e os seus frequentadores contra a presença de outros animais e bêbedos.

Em 2001, Yulia Romanova, matou à facada Malchik. Este incidente provocou uma revolta generalizada. Mais tarde, em 2007, através de uma recolha de fundos, foi erigida uma escultura em memória de Malchik chamada “Compaixão”.


Episódio narrado por Claudio Magris em “O rafeiro e uma modelo” no livro Instantâneos.

página 98

27 Dez
27.12.2019 Como uma varinha mágica nas mãos erradas, o trânsito transformava minutos em horas, humanos em bestas e qualquer vestígio de sanidade em pura loucura. Istambul não parecia importa-se com isso. Tinha tempo, bestas e loucura de sobra. Mais uma hora, menos uma hora, mais uma besta, menos um louco… a partir de determinada altura, já não fazia diferença
Três Filhas de Eva de Elif Shafak (pág. 13)

19 Dez
19.12.2019 Nos dias em que o mar está particularmente límpido e nos revela as suas profundidades, adivinham-se, aqui e além, os contornos de objetos estranhos, destroços, ruínas: facilmente imaginamos então que descobrimos um galeão afundado com a sua preciosa carga, um antigo palácio, os vestígios de uma cidade antiga. Esses contornos incertos são comparáveis à memória, esses destroços à história, essas ruínas ao destino. O Mediterrâneo é um colecionador.
Breviário Mediterrânico de Predrag Matvejevitch (pág. 43)

31 Jul
31.07.2019 (…) Penso que nenhum homem argumentaria contra a ideia de que, se todo o pensamento consciente, toda a memória, toda a capacidade de raciocínio fossem momentaneamente erradicados da mente humana, o que ficaria seria puro e terrível.
(…)
Sabem, no fundo nada temos de Homo Sapiens. O nosso núcleo é a loucura. A instância primário é o assassínio.
Cell de Stephen King (página 219)

coisas de futebol e de portugal

11 Jun
11.06.2019

Primeiro: não me empolgam as conquistas de futebol da equipa portuguesa. Fico mais entusiasmado com o Campeonato Mundial de Corrida de Caracóis.

Segundo: vivo com alegria num país em que todos os políticos e agentes são mais que gente séria e idónea. Talvez seja o motivo para não me impressionar com os feitos futebolísticos. Só a seriedade solidária é um feito.

As pessoas sérias têm duas características:

  1. Todos dizem de si mesmo e dos outros “é pessoa séria”
  2. apesar de sofrerem todos eles de “falta de memória

Será, possivelmente, a falta de memória que os faz ser pessoas sérias? A amnésia selectiva é actualmente a doença profissional galopante entre esta gente.

Apesar de todos se sentirem ser gente séria acredito cada vez menos nesta gente e mais no Pai Natal.


_update: 15h13
Agora que visito um dos meus blogs de referência encontro isto.

14 Fev
14.02.2019 É uma forma vocal de demência, se é que é demência. Os outros três residentes que estão no outro lado da sala não falam de todo. Devem ter ouvido as histórias de Dorothy inúmeras vezes. Ela é faladora, fala por todos eles, ela é a memória desordenada daquela geração.
Sobe a Maré Negra por Margaret Drabble (página 55)

some kind of explanation

17 Jan
17.01.2019
Relatively soon, I will die. Maybe in 20 years, maybe tomorrow, it doesn’t matter. Once I am dead and everyone who knew me dies too, it will be as though I never existed. What difference has my life made to anyone. None that I can think of. None at all.
About Schmidt

The music, like writing and reading are very important factors in my life. With reading and writing it was always a discovery made by me; the music, and as a child I was invited, thanks to my uncle João Brito, to sleep listen to jazz, blues…
I read at age of ten, borrowed by my uncle, “Les jeux sont faits” and “Le Matin des magiciens” – and my life has changed!

There is no such thing as a moral or an immoral book. Books are well written or badly written. That is all.
Oscar Wilde
O que é deliciosamente assustador, naturalmente, sem a profusão literária das memórias involuntárias produzidas pelo sabor das migalhas da madeleine de Proust misturadas numa colher com chá, são os pequenos pedaços do meu passado, desencadeados por um cheiro intenso de saudável maresia, que se foram desenrolando na mente enquanto tentava adormecer e outros fragmentos que entretanto surgem enquanto tento descrever essa noite – e não havendo, na verdade, qualquer sequência cronológica e muito menos lógica nas lembranças, são, não obstante isso, os fotograficamente eternos pequenos instantes do meu passado.

what book to choose?

goblin: Which book would you take to a desert island?
pbrito: Why would I want to go to a desert island?
goblin: It is a purely academic question. Only to define what is your favorite book.
pbrito: This is intended to be an interview or a psychological profile?

[…] “À la recherche du temps perdu” (Marcel Proust) will always be the book that I would take to an island.

Longtemps, je me suis couché de bonne heure. Parfois, à peine ma bougie éteinte, mes yeux se fermaient si vite que je n’avais pas le temps de me dire: «Je m’endors.»
Du Côté de Chez Swann, Marcel Proust

meet my team

THE ILLOGICAL: “Sense is the enemy of change and nonsense is the powder keg of disorder.”Automatic Safe Dog by Jet McDonald

OS LIVROS: os meus amigos em todas as ocasiões.

THE RAVEN: one of the best muses, working for me since the beginning.

He cried in a whisper at some image, at some vision — he cried out twice, a cry that was no more than a breath — “The horror! The horror!”
Heart of Darkness, Joseph Conrad

13 Mai
13.05.2018 (…) since the past vanishes with memory, all that we can live is in now.
The Sudden Appearance of Hope by Claire North (pag.112)
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beam me up, scotty!