Tag Archive for: memória

a caminho do desconhecido

11 Mai
11.05.2012

Un ami qui meurt, c’est quelque chose de toi qui meurt.

Gustave Flaubert

 

Hoje a negritude passeia comigo de mãos dadas.

Adeus amigo. Ficas-me na memória para todo o sempre.

as outras duas descobertas: “fé nos burros”

09 Out
09.10.2011

No dia 25 de Setembro escrevi

Hoje foi um dia de descobertas; duas trouxeram uma frutada surpresa a terceira revelou-se completamente inebriante.
Resolvo para já assinalar a descoberta “inebriante”.

Hoje é dia de escrever sobre as duas descobertas frutadas. Aqui está a primeira.

fenosburros

fé nos burros, apresentação

 

Fé nos Burros” consiste num projecto de fotografia e vídeo de João Pedro Marnoto em colaboração com a AEPGA (Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino) e com o apoio do Município de Alfândega da Fé que pretende enaltecer a importância da relação Homem-Animal, com especial relevância para as burras, burros, mulas e machos.

Através da presença destes animais, iremos descobrir facetas do quotidiano dos seus donos, desde a sua cultura material, saberes e fazeres de tradição oral, modos de pensar, até aos seus sentimentos e emoções. Deste modo, enquanto se perpetuar esta cumplicidade entre o Homem e o Burro haverá sempre esperança na sobrevivência da espécie que desde sempre fez parte da nossa história e memória colectiva. E que queremos continuar a celebrar e preservar.
texto retirado do site da AEPGA

Esta exposição estava em exibição ao ar livre na Avenida da Liberdade (Barcelos).
E foi uma boa descoberta. Eu via os burros, a minha filha passeava por lá de bicicleta, eu via mais burros e pensava em outros burros.

fé nos burros, duas fotos

fé nos burros, duas fotos

o fio do tempo

02 Out
02.10.2011

4 de Outubro de 1500. Um homem contempla Lisboa à janela dos seus aposentos, no paço da Alcáçova. Tem 101 anos, e é o último conquistador de Ceuta vivo. Enquanto aguarda a inevitável visita da morte, D. Álvaro de Ataíde recorda a sua vida aventurosa: servidor da Casa de Viseu, conquistou Ceuta, lutou na Guerra dos Cem Anos, foi campeão de justas e torneios, sofreu em Tânger, ajudou a criar as caravelas, visitou a Guiné, ganhou fama na Borgonha, esteve em Alfarrobeira, na tomada de Arzila e na batalha de Toro. Conselheiro de reis e de duques, assistiu às lutas políticas e às tragédias do século XV português; viu a sua Casa ascender com D. Henrique e D. Fernando, cair em desgraça com D. Diogo, para finalmente subir ao trono com D. Manuel. Assistiu ao novo rumo que o destino de Portugal tomava, mudanças que o seu escravo, um guinéu que se entregava à prática da feitiçaria, acreditava terem acontecido graças à maldição que lançara sobre el-rei de Portugal.

Círculo de Leitores

“O Fio do Tempo” de João Paulo Oliveira e Costa editado pelo Circulo de Leitores foi uma excelente surpresa. É um livro que nos faz mergulhar na história de Portugal através das memórias de D. Álvaro de Ataíde, que com de 101 anos é o último representante vivo dos conquistadores de Ceuta.

O livro, que se lê de uma penada, é um fabuloso romance histórico.

storm

25 Set
25.09.2011

Hoje foi um dia de descobertas; duas trouxeram uma frutada surpresa a terceira revelou-se completamente inebriante.

Resolvo para já assinalar a descoberta “inebriante”. Na feira mensal de velharias? encontro por acaso, no meio de umas revistas Tintin muito maltratadas, o excelente álbum (apenas dois da colecção “Storm” desenhados por Don Lawrence foram editados em Portugal) “Storm – O Mundo das Profundezas“, edição Amigos do Livro, Editores (1981). Sim… uau!!

Fiquei a olhar para a capa, álbum como novo, apalermado por aquele reencontro que até me esqueci quando disse “levo este“, “são 5 euros” que estava sem carteira por ter vindo passear com a minha filha; ela de bicicleta e eu a pé atrás dela – queimar calorias é a ordem do dia. Claro que aquela preciosidade da adolescência não ia fugir das minhas mãos. “Preciso urgentemente que venhas ao campo da feira… e trás 5 euros“. Assim, com a ajuda da minha-mais-que-tudo aqui o tenho ao meu lado.

Mas o que tem Storm de tão especial? Para muitos nada, para mim foi uma das melhores banda desenhadas que li em puto e que só quando vi novamente o álbum me recordei disso (a memória é uma coisa lixada). Ah! e tem também uma ruiva de nome Carrots. A história trata de um astronauta , “Storm”, que acidentalmente fica perdido numa terra pós-apocalíptica.

Com apenas um álbum na mão posso dizer que os desenhos de Don Lawrence são bastante realistas captando na perfeição o mundo perdido conseguindo sem dificuldade dar verosimilhança à história de Saul Dunn.

os dados estão lançados

04 Mai
04.05.2011

Com uns miseráveis 7 anos comecei a ler “Guerra de Paz”; apenas 7 anos depois é que retomei a leitura e a terminei.

Com uns deliciosos 10 anos li – oferta da minha mãe – “Esplendores e Misérias das Cortesãs” e uma obra, rapinada ao meu Tio João, “Os Dados Estão Lançados”, que me catapultou para outros níveis; muito mais tarde consegui comprar só para mim uma edição (5ª edição) da obra de Sartre.

De seguida li o “Despertar dos Mágicos” cujo número de páginas não me assustou. Se percebi metade do que li, claro que não, acho que nem um terço.

Depois, com este impulso, comi avidamente todos os clássicos literários/ensaios, etc. Se algum ficou de fora foi por que não havia na biblioteca itinerante Gulbenkian à qual tinha acesso privilegiado. Iniciei-me na letra [A]lain-Fournier e terminei na Stefan [Z]weig – literalmente.

“Os livros da minha vida”, um artigo que recomendo lerem de David Soares na revista Bang n.º 9 (falarei da revista noutra altura), levou-me a pensar nos meus livros; esta é a primeira verdadeira entrada directamente do sótão.

Para terminar entendo que devo concluir esta pequena visita ao sótão dos meus livros com umas palavras que estão escritas num possível livro que está, apenas – para já, para sempre? – a ser-me revelado:

O que é deliciosamente assustador, naturalmente, sem a profusão literária das memórias involuntárias produzidas pelo sabor das migalhas da madeleine de Proust misturadas numa colher com chá, são os pequenos pedaços do meu passado, desencadeados por um cheiro intenso de saudável maresia, que se foram desenrolando na mente enquanto tentava adormecer e outros fragmentos que entretanto surgem enquanto tento descrever essa noite – e não havendo, na verdade, qualquer sequência cronológica e muito menos lógica nas lembranças, são, não obstante isso, os fotograficamente eternos pequenos instantes do meu passado. O que é, afinal, um homem sem memórias? de si e dos outros? Não me imagino a conseguir viver, a continuar a existir, sem a consciência de mim e do meu passado sempre presente. Descubro-me muitas vezes a pensar que são estes meus devaneios que me animam, que diabolicamente, também, me angustiam, mas que, surpreendentemente, dão – ou tentam? dar – algum ténue sentido ao meu viver.

fragmentos de um paradoxo

… e neste(s) meu(s) passado(s) os livros têm uma presença constante.

anigamix 2011

04 Abr
04.04.2011

CONCLUSÃO: Nunca mais vou forçar os rebentos a eventos de BD. O meu filho mais velho estava com uma cara de enterro capaz de envergonhar qualquer recente viúva (alegre ou não); nunca vi em funerais uma melhor cara de enterro do que a exibida por ele ontem no Anigamix 2011. Saiu-me tudo trocado; devia-o ter deixado em casa a ficar mais entorpecido em frente da XBOX 360. Nada de assinaturas desenhadas (exceptuando uma), nada de apresentação da Zona Monstra – um completo vazio na confusão do Anigamix.

[….] Quanto ao Anigamix 2011?

Os pontos positivos foi umas boas compras e ter sido descoberto pelo Nuno Amado aka bongop. Quando alguém me diz “Olá Paulo Brito!” e não sei quem o diz o meu cérebro começa a processar pelas minhas memórias ao melhor estilo CSI um reconhecimento facial. Salvou-me mais embaraços a identificação “Sou o Nuno Amado, reconheci-te pelo chapéu.” Não deixou de ser engraçado ter encontrado a pessoa que me levou a comprar novamente livros de BD em Português – confiança nas editoras portuguesas precisa-se. Nuno Amado é o responsável pelo excelente blog de divulgação de banda desenhada: Leituras de BD.

Gostava de ter conversado com ele, fora da blogosfera, mas as ditas circunstâncias explicadas na “CONCLUSÃO” inicial isso impediram.

nuno amado e mim

Deixo-me com mais umas fotos; comprei, igualmente, o “Zona Mostra”, “O Amor Infinito que te Tenho e Outras Histórias” e mais umas obras.

boring europa

boring europa

diogo carvalho, obscurum nocturnus

diogo carvalho, obscurum nocturnus

Foto rapinada do blog Leituras de BD de Nuno Amado – é possível ver ali a minha grande pujança.

mim por ele

mim por ele

o alquimista – os segredos de o imortal nicholas flamel

13 Mar
13.03.2011

“O Alquimista – Os Segredos de O Imortal” Nicholas Flamel, Michael Scott (Edições Gailivro) é um livro que nos envolve na história sem dificuldade. A leitura dos primeiros três capítulos trouxe-me à memória o filme “Ponto de Vista”: vemos os acontecimentos pela perspectiva de personagens diferentes.

Apesar de já ter pensado em comprar esta obra fui sempre adiando a sua compra em detrimento de outras – coisas.

A verdade: Nicholas Flamel nasceu em Paris, em 28 de Setembro de 1330. Quase setecentos anos depois, é reconhecido como o maior Alquimista de todos os tempos. Diz-se que descobriu o segredo da vida eterna. Os registos certificam que ele morreu em 1418. Mas o seu túmulo está vazio.

A lenda: Nicholas Flamel está vivo, graças ao elixir da vida que produz há séculos. O segredo da vida eterna está escondido no livro que ele protege – o Livro de Abraão, o Mago – o mais poderoso de sempre.
Se este for parar às mãos erradas poderá ser o fim do Mundo. É exactamente o que Dr. John Dee planeia fazer ao roubá-lo. A Humanidade só dará conta do que está a passar, quando for tarde demais e, se a profecia estiver correcta, Sophie e Josh Newman são os únicos com poder para salvar o Mundo, tal como o conhecemos.

Às vezes as lendas são verdadeiras. E Sophie e Josh Newman estão prestes a embrenhar-se na maior lenda de todos os tempos.

informação das Edições Gailivro

Esta sinopse é o ponto de partida para uma história do fantástico de qualidade inegável. Michael Scott combina as diversas mitologias (romana, grega, egípcia, nórdica, céltica) com a devida mestria. Recomendo vivamente a sua leitura.

Apenas saliento que a revisão em vários momentos deixa um pouco a desejar: ver páginas 42 e 49.

“minha mãe, vou perder a razão”

07 Out
07.10.2010

“(…) Afinal, quem esperamos nós…? (…) ”E então? Ele não é, por certo…?(…) ”Quem mais poderia ser? (…) Quem mais poderia ser, senão ele? Que loucura a nossa”

A Marquesa de O por Heinrich Von Kleist

Hoje pela manhã uma enorme ansiedade colou-se à minha pele mal ultrapassei os muros do cemitério. Não sei o motivo de tal acontecimento. Nunca antes me tinha acontecido. Veio-me, imediatamente, à memória esta frase:

Aconteceu-me qualquer coisa; já não posso duvidar. Qualquer coisa que veio à maneira de duma doença, não como uma vulgar certeza, não como uma evidência; que se instalou sorrateiramente, pouco a pouco. A dada altura senti-me um tanto esquisito, algo incomodado, mais nada.

A Náusea por Jean-Paul Sartre

E ainda agora, não num estado tão avançado, sinto-me incomodado. Sem perceber as razões escrevo, sempre, como forma de exorcizar e compreender esse sentimento pegajoso.

eu e ele

02 Out
02.10.2010

Esta pessoa que me acompanha na foto descoberta no meio de imensos relatórios de análises clínicas é o meu querido tio João.
Muita gente não gosta dele porque é um sacana frontal, mas eu adoro-o!!! (viram os pontos de exclamação!!)

Com ele descobri o que é ouvir música e acima de tudo aprender desde cedo a “curtir” jazz, blues. Nem todos os putos se podem orgulhar de adormecer ao som de um Chet Baker ou de um Sonny Rollins e já agora de uma Odetta.

eu e o tio joão

Aprendi a gostar de Pink Floyd, King Crinsom, Nazareth, Emerson Lake Palmer, Jethro Tull, Paco de Lucia, Frank Zappa, Édith Piaf, Glenn Miller, Muddy Waters, John Lee Hooker, Cajun French Music, Eagles, Dire Straits, The Doors, Queen, Procol Harum, Jimi Hendrix e de muito, muito, imenso jazz, blues que não me recordo de memória, aponto Duke Ellington, Louis Armstrong, Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Modern Jazz Quartet, John Coltrane, Henry Mancini…

Houve um dia que descobri, também, umas revistas “Gina” numa gaveta – felicidade suprema!

suíte no hotel crystal

05 Set
05.09.2010

À primeira vista não deixa de ser um guia de hotéis e é isso ao fim e ao cabo, mas não só.

É um livro chato, repetitivo com as sucessivas e pormenorizadas descrições dos quartos de hotel, mas mesmo, foi sendo lido porque Olivier Rolin apimenta, no final de cada capitulo, as descrições dos quatros de hotéis com pequenas histórias de paixão, de morte…

“Suíte no Hotel Crystal” acaba por se transformar a cada novo capítulo num doce jogo de memórias e de viagens.

© 1999.2019 porta VIII. todos os direitos reservados. alimentado pelo wordpress | alojamento por oitava esfera
beam me up, scotty!