Tag Archive for: memória

uns livros e mais alguma coisa

30 Jul
30.07.2010

Sendo um sujeito de gostos simples as prendas são fáceis de dar… pois – livros.

livros

uns livros

A única questão é que tenho de fornecer uma lista de livros ao estilo lista de casamento para reduzir a possibilidade de livros já lidos ou já existentes nas estantes. Não que tenha uma grande biblioteca – tenho alguma coisa; na imagem lateral é possível não ver uma singela parede parcialmente tapada por algumas estantes.

bonecada

Não sou um “maluco”, no bom sentido, que adora coleccionar bonecos, mas tenho orgulho em pelo menos dois que ocupam uma das estantes.
Um é o Spawn the BloodAxe (Spawn Series 22: Dark Ages Spawn: The Viking Age), o primeiro do lado esquerdo prateleira; o outro, oferecido pelo Sir Pontix, directamente dos EUA, é o Clown III (Spawn Series 17: Spawn Classic), o último do lado direito da prateleira. Os outros são, geralmente, bónus de outras compras. Claro que o Jungle Troll Voodoo Priest, prenda do meu filho em 2008, é o boneco com maior valor sentimental.

cartas

Procurando mais pela casa ainda encontro mais “coisas” penduradas pelas paredes, mas a que posso destacar é o “quadro” que revela algumas cartas de Magic do baralho que usei no meu primeiro torneio internacional de Magic, Lisboa, na companhia de Pontix e Big Hugo. Foram dois dias espectaculares. Mais tarde tive de largar o vício Magic e as cartas emolduradas servem, agora, como recordação dos fantásticos combates mágicos que realizei.

Ainda tenho um quadro com um poster do anime que mais boas recordações me traz, Conan, The Future Boy, e outro quadro com a capa de uma revista do DD.

No final de tudo são “coisas” que me dão gozo ver quando passeio pela casa.

anos de casados!?

12 Jul
12.07.2010

Bem por esta não esperava.
Hoje ao almoço lembrei-me que é dia 12 e tentei descobrir quem fazia anos este mês:
faço eu, dia 29,
e o dia 29 levou-me a pensar no dia 9
e espanto meu o dia 9 de Julho disparou um violento torpedo às minhas memórias.
Epá não foi no dia 9 de Julho que me casei?” – pensei enquanto olhava para a minha fêmea. Tendo em conta que ela tem andado normal? deduzo com a maior claridade, mais clara que qualquer água benzida, que até a minha cara-metade não se lembrou! Uau!????

No sofá a ver uns desenhado animados na RTP2 perguntei, inocentemente:
“Sabes quem fez anos de casamento na sexta-feira passada, dia 9?”
“Nós fazemos ao dia 9, mas de Junho! Até já festejamos isso, não te lembras?”
“Pois, mas sabes que a Tomada da Bastilha é comemorada em França a 14 de Julho e nesse dia estávamos ainda de lua-de-mel.”

Olhamos com mais concentração um para o outro, olhos franzidos, expressão sapiente e chegamos à conclusão, ao som de uma sonora gargalhada, que antecipamos os festejos com 30 dias de antecedência.

E a aliança não engana!

o banho da margarida

06 Jul
06.07.2010

Na quinta-feira? passada a minha mulher saiu de casa para apanhar o filho mais velho na casa de um familiar. Fiquei responsável pelo banho da mais pequena.
A minha mais-que-tudo deu as instruções da forma mais perfeita e com a indicação de serem executadas numa dada sequência:

  • usas o champô verde da Johnson, aquele ali – apontou -, que é o indicado para ela
  • deves enxaguar o cabelo várias vezes por causa dos caracóis
  • no fim do banho secar bem com uma toalha – suavemente, não estás a limpar os pratos
  • não te esqueças do amaciador para pentear os cabelos. Sem isso o pentear vai doer porque tem os cabelos cheios de caracóis
  • penteia para baixo
  • agarra no cabelo se isso te ajudar

“Percebido?”
“Claro e cristalino!” – respondi, apenas, para a despachar rapidamente da casa. As instruções eram avassaladoras. E isto é que retenho ainda de memória.

Das vezes anteriores que dei banho à Margarida apenas a meti na banheira; usava o champô/gel que tinha um qualquer boneco infantil; deixava-a brincar durante imenso tempo na água da banheira; puxava o tampão do ralo para a água escoar (evitando assim choros – “a água fugiu… oops”); secava-a com uma tolha sacada ás cegas do armário; ela escolheu as cuecas que queria vestir; e…. tudo executado numa caótica perfeição.

Desta vez olhei apalermado para a quantidade de champôs, geles e outros frascos que existem na casa de banho. Após a saída da mulher já na sala, sentei-me no sofá a ruminar no stress que me tinha sido imposto por aquelas instruções. O banho deixou de ser uma coisa divertida de fazer e tornou-se num qualquer fluxograma complexo.

“Miúda… não te apetece fazer alguma coisa de especial?”, perguntei esperançado por uma fuga ao banho.
“Podíamos ir ao Subatha… estou com fome!”, respondeu com um tom de salutar mimo; a lançar o isco.

“Olha, a miúda disse que estava com fome. Quando vieres passa pelo Subatha. Estamos por lá à vossa espera. Ah! E o banho? Depois dás tu o banho, não vou deixar a rapariga com fome que ela quer abafar com umas salsichas grelhadas e ketchup…. pois ela jantou bem, mas sabes como são as crianças… até já?!” – telemóveis adoráveis.

Já no Subatha a beber um suave Jameson sem gelo e a admirar os rodopios da minha filha ao som de uma música ambiente verdadeiramente relaxante não pude deixar de pensar que a sua escolha foi inteligente.

dizem que…

05 Jul
05.07.2010

Dizem que dá azar um gato preto cruzar-se no nosso caminho – azar para nós, não para o gato…

Hoje a caminho da escola estava abraçado às pedras da ruela um gato preto. Este levantou-se voluptuosamente e caminhou sempre à minha frente, parava, calculava a distância, retomava a marcha e eu só pensava se estaria sujeito a um maior azar pelo facto de ter um gato preto a percorrer o mesmo trajecto que eu. Parava continuamente e sem olhar para trás o gato lá retomava a marcha. Só a três metros do fim da ruela é que o gato preto se introduziu na vegetação do lado direito. Saiu do meu campo de visão, mas não da minha memória.

22 Jun
22.06.2010 A morte é horrenda, mas a vida também.
Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar

22 Jun
22.06.2010 … Procuremos entrar na morte de olhos abertos…
Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar

joão aguiar

04 Jun
04.06.2010

Do escritor João Aguiar (1943-2010) apenas li a “A Voz dos Deuses” (1984).
Com apenas 16 anos li fascinado as aventuras de Viriato.

Nesta onda li, e sempre através da biblioteca itinerante Calouste Gulbenkian, “A Casa do Pó” (1986) do escritor Fernando Campos. Acabei por comprar os livros num alfarrabista em Coimbra a preço da chuva; a satisfação dessa leitura está guardada num bom local da minha memória.

Nunca mais viajei por qualquer outra obra destes dois escritores.

o facão!

02 Abr
02.04.2010

Como disse no post anterior estou mais uma vez na posse de uma arma branca que me deliciou na minha adolescência. Não serviu apenas para descascar fruta, mas igualmente com símbolo de terror e de imposição de vontades.

Nem sem durante quanto tempo, meses acho eu, andei a cobiçar “o facão” até que me foi oferecido pelo meu tio João, certamente cansado com as minhas constantes pedinchices .

não acredito

02 Abr
02.04.2010

teco sem-rabo e o fantasma

teco sem-rabo

Nem estou em mim. Descobri por pura casualidade os meus mais antigos textos. Poemas e contos? de 1985/1986.
Estavam num baú cheio de artigos diversos, como, por exemplo, algumas medalhas de torneios de xadrez que participei.
Vi-me novamente com os meus deliciosos livros do “Teco Sem-Rabo”, com texto de Gösta Knutsson e ilustrações por Lisbeth Holmberg-Thor, de 1976 – tinha eu 8 anos. E estou a empunhar uma arma branca da minha adolescência, oferendo do meu Tio João.
Entre poemas e contos? descobri os meus artigos de cariz político publicados no “Barcelos Popular” entre 1987-1992 sensivelmente.

Mas entre todos estes e outros tesouros tenho ao meu lado a minha primeira banda desenhada: “O Gigante das Barbas de Oiro”, edição de Portugal Press (1973) tinha eu apenas 5 anos, mas já sabia ler – andei em explicações privadas para entrar directamente para a 2ª classe e assim acompanhar a minha irmã que é mais velha do que eu um ano. O que estava a escrever!

Vou dando-me notícias.

o mar em casablanca

25 Jan
25.01.2010

«Não cheguei a morrer?», perguntou ele.
«Não. Não foi o suficiente.»

página 107

Li este livro empurrado por uma critica do Jornal de Letras e foi uma leitura bastante agradável.

O Mar em Casablanca é antes de mais um romance policial – temos dois assassinatos e uma investigação policial, para se transformar, também, numa autobiografia de Jaime Ramos. Aqui os crimes servem um propósito superior, que vai muito para além de descobrir o(s) culpado(s); são o motivo de uma viagem pela memória de Jaime Ramos – que está a ficar velho. E o Douro, o Vidago, Angola e Guiné, Casablanca e Venezuela são os espelhos das recordações que Jaime Ramos nos dá a conhecer.

A escrita é de uma doce melancolia que nos faz de um trago mergulhar perdidos no nevoeiro do Douro para de seguida nos resgatar com o cheiro de uns filetes de sardinha.

O Mar em Casablanca é um livro que se revela a cada página.

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