Tag Archive for: memória

anos de casados!?

12 Jul
12.07.2010

Bem por esta não esperava.
Hoje ao almoço lembrei-me que é dia 12 e tentei descobrir quem fazia anos este mês:
faço eu, dia 29,
e o dia 29 levou-me a pensar no dia 9
e espanto meu o dia 9 de Julho disparou um violento torpedo às minhas memórias.
Epá não foi no dia 9 de Julho que me casei?” – pensei enquanto olhava para a minha fêmea. Tendo em conta que ela tem andado normal? deduzo com a maior claridade, mais clara que qualquer água benzida, que até a minha cara-metade não se lembrou! Uau!????

No sofá a ver uns desenhado animados na RTP2 perguntei, inocentemente:
“Sabes quem fez anos de casamento na sexta-feira passada, dia 9?”
“Nós fazemos ao dia 9, mas de Junho! Até já festejamos isso, não te lembras?”
“Pois, mas sabes que a Tomada da Bastilha é comemorada em França a 14 de Julho e nesse dia estávamos ainda de lua-de-mel.”

Olhamos com mais concentração um para o outro, olhos franzidos, expressão sapiente e chegamos à conclusão, ao som de uma sonora gargalhada, que antecipamos os festejos com 30 dias de antecedência.

E a aliança não engana!

o banho da margarida

06 Jul
06.07.2010

Na quinta-feira? passada a minha mulher saiu de casa para apanhar o filho mais velho na casa de um familiar. Fiquei responsável pelo banho da mais pequena.
A minha mais-que-tudo deu as instruções da forma mais perfeita e com a indicação de serem executadas numa dada sequência:

  • usas o champô verde da Johnson, aquele ali – apontou -, que é o indicado para ela
  • deves enxaguar o cabelo várias vezes por causa dos caracóis
  • no fim do banho secar bem com uma toalha – suavemente, não estás a limpar os pratos
  • não te esqueças do amaciador para pentear os cabelos. Sem isso o pentear vai doer porque tem os cabelos cheios de caracóis
  • penteia para baixo
  • agarra no cabelo se isso te ajudar

“Percebido?”
“Claro e cristalino!” – respondi, apenas, para a despachar rapidamente da casa. As instruções eram avassaladoras. E isto é que retenho ainda de memória.

Das vezes anteriores que dei banho à Margarida apenas a meti na banheira; usava o champô/gel que tinha um qualquer boneco infantil; deixava-a brincar durante imenso tempo na água da banheira; puxava o tampão do ralo para a água escoar (evitando assim choros – “a água fugiu… oops”); secava-a com uma tolha sacada ás cegas do armário; ela escolheu as cuecas que queria vestir; e…. tudo executado numa caótica perfeição.

Desta vez olhei apalermado para a quantidade de champôs, geles e outros frascos que existem na casa de banho. Após a saída da mulher já na sala, sentei-me no sofá a ruminar no stress que me tinha sido imposto por aquelas instruções. O banho deixou de ser uma coisa divertida de fazer e tornou-se num qualquer fluxograma complexo.

“Miúda… não te apetece fazer alguma coisa de especial?”, perguntei esperançado por uma fuga ao banho.
“Podíamos ir ao Subatha… estou com fome!”, respondeu com um tom de salutar mimo; a lançar o isco.

“Olha, a miúda disse que estava com fome. Quando vieres passa pelo Subatha. Estamos por lá à vossa espera. Ah! E o banho? Depois dás tu o banho, não vou deixar a rapariga com fome que ela quer abafar com umas salsichas grelhadas e ketchup…. pois ela jantou bem, mas sabes como são as crianças… até já?!” – telemóveis adoráveis.

Já no Subatha a beber um suave Jameson sem gelo e a admirar os rodopios da minha filha ao som de uma música ambiente verdadeiramente relaxante não pude deixar de pensar que a sua escolha foi inteligente.

dizem que…

05 Jul
05.07.2010

Dizem que dá azar um gato preto cruzar-se no nosso caminho – azar para nós, não para o gato…

Hoje a caminho da escola estava abraçado às pedras da ruela um gato preto. Este levantou-se voluptuosamente e caminhou sempre à minha frente, parava, calculava a distância, retomava a marcha e eu só pensava se estaria sujeito a um maior azar pelo facto de ter um gato preto a percorrer o mesmo trajecto que eu. Parava continuamente e sem olhar para trás o gato lá retomava a marcha. Só a três metros do fim da ruela é que o gato preto se introduziu na vegetação do lado direito. Saiu do meu campo de visão, mas não da minha memória.

22 Jun
22.06.2010 A morte é horrenda, mas a vida também.
Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar

22 Jun
22.06.2010 … Procuremos entrar na morte de olhos abertos…
Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar

joão aguiar

04 Jun
04.06.2010

Do escritor João Aguiar (1943-2010) apenas li a “A Voz dos Deuses” (1984).
Com apenas 16 anos li fascinado as aventuras de Viriato.

Nesta onda li, e sempre através da biblioteca itinerante Calouste Gulbenkian, “A Casa do Pó” (1986) do escritor Fernando Campos. Acabei por comprar os livros num alfarrabista em Coimbra a preço da chuva; a satisfação dessa leitura está guardada num bom local da minha memória.

Nunca mais viajei por qualquer outra obra destes dois escritores.

o facão!

02 Abr
02.04.2010

Como disse no post anterior estou mais uma vez na posse de uma arma branca que me deliciou na minha adolescência. Não serviu apenas para descascar fruta, mas igualmente com símbolo de terror e de imposição de vontades.

Nem sem durante quanto tempo, meses acho eu, andei a cobiçar “o facão” até que me foi oferecido pelo meu tio João, certamente cansado com as minhas constantes pedinchices .

não acredito

02 Abr
02.04.2010

teco sem-rabo e o fantasma

teco sem-rabo

Nem estou em mim. Descobri por pura casualidade os meus mais antigos textos. Poemas e contos? de 1985/1986.
Estavam num baú cheio de artigos diversos, como, por exemplo, algumas medalhas de torneios de xadrez que participei.
Vi-me novamente com os meus deliciosos livros do “Teco Sem-Rabo”, com texto de Gösta Knutsson e ilustrações por Lisbeth Holmberg-Thor, de 1976 – tinha eu 8 anos. E estou a empunhar uma arma branca da minha adolescência, oferendo do meu Tio João.
Entre poemas e contos? descobri os meus artigos de cariz político publicados no “Barcelos Popular” entre 1987-1992 sensivelmente.

Mas entre todos estes e outros tesouros tenho ao meu lado a minha primeira banda desenhada: “O Gigante das Barbas de Oiro”, edição de Portugal Press (1973) tinha eu apenas 5 anos, mas já sabia ler – andei em explicações privadas para entrar directamente para a 2ª classe e assim acompanhar a minha irmã que é mais velha do que eu um ano. O que estava a escrever!

Vou dando-me notícias.

o mar em casablanca

25 Jan
25.01.2010

«Não cheguei a morrer?», perguntou ele.
«Não. Não foi o suficiente.»

página 107

Li este livro empurrado por uma critica do Jornal de Letras e foi uma leitura bastante agradável.

O Mar em Casablanca é antes de mais um romance policial – temos dois assassinatos e uma investigação policial, para se transformar, também, numa autobiografia de Jaime Ramos. Aqui os crimes servem um propósito superior, que vai muito para além de descobrir o(s) culpado(s); são o motivo de uma viagem pela memória de Jaime Ramos – que está a ficar velho. E o Douro, o Vidago, Angola e Guiné, Casablanca e Venezuela são os espelhos das recordações que Jaime Ramos nos dá a conhecer.

A escrita é de uma doce melancolia que nos faz de um trago mergulhar perdidos no nevoeiro do Douro para de seguida nos resgatar com o cheiro de uns filetes de sardinha.

O Mar em Casablanca é um livro que se revela a cada página.

selecção

27 Nov
27.11.2009

Existem antigos(as) colegas de escola e não só que se cruzam comigo na rua e me cumprimentam. A minha primeira expressão é uma natural cara de assombro. Questionava-me mentalmente “Mas de onde é que tu me conheces?” Não chegava a nenhum resultado. E à pergunta “Não sabes quem eu sou?”, respondia “Não estou a chegar lá”. Claro que, depois, a pessoa se identificava, se explicava, se localizava no tempo e ocasionalmente despertava eu mim alguma memória, mas, mais frequentemente, nem um farrapo se exibia. O que era constrangedor. Pensei até quarta-feira passada que devia existir um problema comigo. Serei um pouco ou até exageradamente “despistado”? Terei um problema de memória? Porque motivo estou a olhar para ti e a tua face não me diz nada de nada, zero? Porque razão te coloquei num abismo qualquer? – perguntei-me imensas vezes.

paus e caras

Afinal descobri que existe um motivo válido e racionalmente coerente para não ver rostos nas pessoas com que me cruzo e que já fizeram parte da vida social e/ou académica ao longo de já 41 anos. A razão é pela simplicidade de uma beleza etérea e resume-se a não ter considerado essas pessoas como, digamos, uma mais-valia para os meus relacionamentos. E efectuar uma profunda selecção das minhas relações/amizades só me torna especial. Sou diferente nesta selecção “social” e ao ser muito exigente comigo, e aqui está a outra face – nocturna – da mesma descoberta, sou-o igualmente com os meus amigos.

Ficar satisfeito por este romper do sol, apesar de algumas nuvens persistentes, é dizer pouco: fiquei exultante, emocionalmente embriagado. Que continuem as descobertas.

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beam me up, scotty!