Tag Archive for: memória

o facão!

02 Abr
02.04.2010

Como disse no post anterior estou mais uma vez na posse de uma arma branca que me deliciou na minha adolescência. Não serviu apenas para descascar fruta, mas igualmente com símbolo de terror e de imposição de vontades.

Nem sem durante quanto tempo, meses acho eu, andei a cobiçar “o facão” até que me foi oferecido pelo meu tio João, certamente cansado com as minhas constantes pedinchices .

não acredito

02 Abr
02.04.2010

teco sem-rabo e o fantasma

teco sem-rabo

Nem estou em mim. Descobri por pura casualidade os meus mais antigos textos. Poemas e contos? de 1985/1986.
Estavam num baú cheio de artigos diversos, como, por exemplo, algumas medalhas de torneios de xadrez que participei.
Vi-me novamente com os meus deliciosos livros do “Teco Sem-Rabo”, com texto de Gösta Knutsson e ilustrações por Lisbeth Holmberg-Thor, de 1976 – tinha eu 8 anos. E estou a empunhar uma arma branca da minha adolescência, oferendo do meu Tio João.
Entre poemas e contos? descobri os meus artigos de cariz político publicados no “Barcelos Popular” entre 1987-1992 sensivelmente.

Mas entre todos estes e outros tesouros tenho ao meu lado a minha primeira banda desenhada: “O Gigante das Barbas de Oiro”, edição de Portugal Press (1973) tinha eu apenas 5 anos, mas já sabia ler – andei em explicações privadas para entrar directamente para a 2ª classe e assim acompanhar a minha irmã que é mais velha do que eu um ano. O que estava a escrever!

Vou dando-me notícias.

o mar em casablanca

25 Jan
25.01.2010

«Não cheguei a morrer?», perguntou ele.
«Não. Não foi o suficiente.»

página 107

Li este livro empurrado por uma critica do Jornal de Letras e foi uma leitura bastante agradável.

O Mar em Casablanca é antes de mais um romance policial – temos dois assassinatos e uma investigação policial, para se transformar, também, numa autobiografia de Jaime Ramos. Aqui os crimes servem um propósito superior, que vai muito para além de descobrir o(s) culpado(s); são o motivo de uma viagem pela memória de Jaime Ramos – que está a ficar velho. E o Douro, o Vidago, Angola e Guiné, Casablanca e Venezuela são os espelhos das recordações que Jaime Ramos nos dá a conhecer.

A escrita é de uma doce melancolia que nos faz de um trago mergulhar perdidos no nevoeiro do Douro para de seguida nos resgatar com o cheiro de uns filetes de sardinha.

O Mar em Casablanca é um livro que se revela a cada página.

selecção

27 Nov
27.11.2009

Existem antigos(as) colegas de escola e não só que se cruzam comigo na rua e me cumprimentam. A minha primeira expressão é uma natural cara de assombro. Questionava-me mentalmente “Mas de onde é que tu me conheces?” Não chegava a nenhum resultado. E à pergunta “Não sabes quem eu sou?”, respondia “Não estou a chegar lá”. Claro que, depois, a pessoa se identificava, se explicava, se localizava no tempo e ocasionalmente despertava eu mim alguma memória, mas, mais frequentemente, nem um farrapo se exibia. O que era constrangedor. Pensei até quarta-feira passada que devia existir um problema comigo. Serei um pouco ou até exageradamente “despistado”? Terei um problema de memória? Porque motivo estou a olhar para ti e a tua face não me diz nada de nada, zero? Porque razão te coloquei num abismo qualquer? – perguntei-me imensas vezes.

paus e caras

Afinal descobri que existe um motivo válido e racionalmente coerente para não ver rostos nas pessoas com que me cruzo e que já fizeram parte da vida social e/ou académica ao longo de já 41 anos. A razão é pela simplicidade de uma beleza etérea e resume-se a não ter considerado essas pessoas como, digamos, uma mais-valia para os meus relacionamentos. E efectuar uma profunda selecção das minhas relações/amizades só me torna especial. Sou diferente nesta selecção “social” e ao ser muito exigente comigo, e aqui está a outra face – nocturna – da mesma descoberta, sou-o igualmente com os meus amigos.

Ficar satisfeito por este romper do sol, apesar de algumas nuvens persistentes, é dizer pouco: fiquei exultante, emocionalmente embriagado. Que continuem as descobertas.

os famosos cinco e outros

03 Set
03.09.2009

Hoje refastelado no sofá, pelas 13.15(?), vi um engraçado episódio de um série animada intitulada “Os Famosos Cinco”, versão século XXI, baseado nos livros de Enid Blyton. E fui pesquisar, com naturalidade e tranquilidade, nas estantes da minha memória.

Na minha juventude li todos os livros da colecção “Os Famosos Cinco” [edição Editorial Notícias], bem como o “Clube dos Sete” [edição Empresa Nacional de Publicidade], a “Colecção Mistério [edição Editorial Notícias], na qual o Gordo é o mais inteligente, a colecção “Quatro Torres” [edição Editorial Notícias], “As Gémeas” [edição Editorial Notícias] e a colecção “Aventura” que é, para mim, a mais espectacular. Soube por aqui que foi editada um nova edição da “Aventura”. Tendo em conta que é, afinal, a colecção que não tenho, apesar de a ter lido toda através da biblioteca Calouste Gulbenkian, talvez seja a altura de a reler e guardar. Os outros livros estão muito bem conservados porque além de adorar ler os livros eram na altura, tinha eu 10/11 anos, também os meus companheiros de aventura.

Como apontamento informo que o espaço Mistério Juvenil de Paulo Ferreira é um local a descobrir. Os meus grandes parabéns.

marion-des-neiges

marion

Assim de “rajada”, ainda, recordo os livros de Emilio Salgari em especial a saga “O Corsário Negro” e a série televisiva “Sandokan”.

Mas aquela série que me traz à memória tudo de bom é sem dúvida “Os Pequenos Vagabundos” (“Les Galapiats”). “Os Pequenos Vagabundos” de Pierre Gaspard-Huit são a referência de uma boa e saudável juventude.
Qual foi o rapaz que não se apaixonou pela Marion (Béatrice Marcillac). Eu apaixonei-me.
Mas o que ficou, também, na doce memória foi o Castelo Sem Nome, os Templários, os perigos, a coragem, a escalada ao castelo, as grutas.
Que frescura.

As personagens e as imagens são propriedade dos respectivos autores. “Os Famosos Cinco”, versão século XXI é responsabilidade da Disney.

virtualmente samurai

03 Jul
03.07.2008

Samurai: nome de código (Snow Crash), editado pela Presença é um livro de Neal Stephenson cheio de estilo.

Serviu de estreia à colecção de fc “Viajantes no Tempo” da Presença e faz parte da lista dos melhores 100 livros em língua inglesa publicada pela Time em 2005.

“Did you win your sword fight?”
“Of course I won the fucking sword fight,” Hiro says. “I’m the greatest sword fighter in the world.”
“And you wrote the software.”
“Yeah. That, too,” Hiro says.

Neal Stephenson, Snow Crash

Snow Crash é uma obra que tem um destaque especial na minha memória.

17 Mar
17.03.2008

Creio que Fernão Paz Charmin desapareceu deste nosso mundo com a secreta certeza de ter entendido os mistérios da vida. Com efeito, a sugestão que ele nos deixou (a ampulheta que tem dois espaços e nunca esvazia totalmente porque um substitui sempre o outro) faz-me pensar que o homem ao morrer regressa então à sua memória de antes de nascer e que ali encontrará definitivamente a sua imagem verdadeira e intemporal, ele é, meu filho, a imagem infernal da sua própria memória cósmica e que sonhou um dia no intervalo que existe entre os intervalos finais do acta irreversível do amor.

O sangue e a pedra. O tempo e a palavra. A ambiguidade e a loucura. O labirinto do corpo e o gesto que fica suspenso no olhar da serpente. O espaço e a morte. A catalepsia da interpretação. Sinais. Apenas sinais de que o homem foi criado por ninguém. O homem. Filho de Ninguém.

Jánika por Vitório Káli (página 120)

helliconia

05 Dez
05.12.2007

The central character is not any person but the planet itself and its science, particularly in the light of James Lovelock’s Gaia Hypothesis. The books describe realistic and credible details of the planet from the perspectives of a great variety of fields of study – astronomy, geology, climatology, geobiology, microbiology, religion, society, and many others – for which Aldiss gained the help of many Oxford academics. Connections are drawn which show numerous ways in which these aspects of life affect each other.

The books are set in the real universe, some six thousand years in the future. A space station from Earth, the Avernus, is orbiting Helliconia and closely observing the planet, including the activities of its intelligent inhabitants. The temptation to interfere in Helliconian affairs is a recurring dilemma for the inhabitants of Avernus.

Helliconia has a very long year, equivalent to some 2500 Earth years, and global temperatures vary greatly over the year. A major theme of the trilogy is the fragility of human civilization in the context of environmental changes, and the ability of humanity to preserve and recreate civilization.

Helliconia is populated by two intelligent races, humans and phagors. The humans are actually not the same species as Earth humans but a species that is remarkably similar. This can be regarded as a combination of coincidence, convergent evolution, and artistic licence.

from wikipedia

Comecei esta semana a ler o primeiro volume da Trilogia de Helliconia, publicado em Portugal pela editora “Livros do Brasil“.
Devo dizer que não gosto especialmente de livros que me envolvem numa personagem, que aprendi a gostar, e que no volume seguinte já não existe porque é dado um enorme salto de gerações.

Espero desta vez não ficar desiludido. Vem-me à memória duas leituras recentes:
– Estrelas Semeadas de James Blish, que acabei, mas ligeiramente aborrecido
– Máquinas Infernais, o terceiro livro de uma trilogia, editado pela Editora Presença, que tem a sua leitura suspensa: Não me cativaram os “20 anos depois

Não esqueço que Brian Aldiss é um mestre a contar histórias e por isso, talvez, não deve ficar preocupado. E ainda recordo o prazer da leitura de Cryptozoic e The Malacia Tapestry.

renascimento

03 Fev
03.02.2007

Estou em boas relações com os mortos. Embora já não houvesse espaço para eles em terra, como era costume antigamente, guardo vários na minha cabeça – na minha memória, evidentemente.
(…) Neste livro irei sepultá-los de novo.

página 7

Brian W. Aldiss, Renascimento // título original: Earthworks // tradução: Clarisse Tavares // editor: Livros do Brasil, Colecção Argonauta (n.º480), Lisboa, Jul. 1997

sombra da memória…

02 Jun
02.06.2006

(…) Percebo agora que não existe maior mistério do que o tempo que precede o nosso nascimento, sempre obscurecido pela sombra que nós próprios nele projectamos.

pág.19

John Vernon, Um Livro de Razões
título original: A Book of Reasons
tradutor: Tânia Ganho
editor: Cí­rculo de Leitores, Navarra, Espanha, Abr. 2001,
isbn: 972-42-2461-9

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