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mente sã em corpo coiso

Aqui está o equipamento, junto a algumas estantes, que uso para colocar o meu corpo como deve ser. O problema é que o meu corpo tem os seus desejos e nunca se submeteu à minha vontade.

Mas todos os dias, durante 30 minutos, tento convencê-lo a mudar de ideias – a ver vamos.

coisas sonhadas

Não tenho dormido quase nada. A insónia é constante, mais devidos a sonhos que me obrigam a acordar do que a outra coisa qualquer.

E qual o motivo dos sonhos forçarem o meu acordar?

Simples, tenho uma cabeça que quando não entende o que está a passar no mundo de Morfeu me acorda, simples como isso.

Ontem fui obrigado, primeiro a correr 100 metros e 20 minutos e depois 20 minutos em 100 metros e perante isto… pois… acordei!

De seguida tive de fazer umas análises ao sangue, mas as indicações no hospital estavam todas em chinês – perdi-me constantemente e… acordei.

dc’s legends of tomorrow

Ontem decidi em má hora ver na Netflix o primeiro episódio da série DC’s Legends of Tomorrow.

Não aguentei ver mais do que 10 minutos. Ou ando muito exigente, o que não é caso, ou a série causou-me alergia. Apesar de algumas vezes gostar de ver lixo, quando o entendo como arte conceptual.

Valeu-me estar a beber conhaque. Combati um possível ataque de desânimo ao terceiro gole.

a começar

Quando apanho boleia para o meu local de trabalho gosto de esperar durante, cerca de, quinze minutos e aproveitar o tempo para ler. Assim estou preparado para o dia que se inicia. Se for a pé a deslocação é feita ao som da música. Momento para o pensamento divagar alegremente.

Se esta rotina se quebra será um dia maldito.

Como uma varinha mágica nas mãos erradas, o trânsito transformava minutos em horas, humanos em bestas e qualquer vestígio de sanidade em pura loucura. Istambul não parecia importa-se com isso. Tinha tempo, bestas e loucura de sobra. Mais uma hora, menos uma hora, mais uma besta, menos um louco… a partir de determinada altura, já não fazia diferença
Três Filhas de Eva de Elif Shafak (pág. 13)

de lado – 0047

Actualização ao minuto: acabaram de passar 60 segundos.

vade retro demónios

Hoje pelas 07h00, minuto a mais, minuto a menos, expeli muitos demónios do corpo.
Se estivesse em casa da minha mãe, com ainda 15 anos, o mais certo era ter bebido um pozinho, inocentemente misturado na cevada, para afastar o permanente mal de inveja. O motivo de soltar com arrojo demónios em estado liquido deveu-se simplesmente a abusos gastronómicos no feriado. Motivo menos poético, eu sei.

As idas sazonais às bruxas na infância e durante a adolescência foram sempre espectaculares e acabaram por ser a minha primeira aproximação com o imaginário popular.

sem saldo

Se há coisa que a tecnologia trouxe que odeio é o telemóvel. Cada vez mais detesto este bicho electrónico que deixo sem querer? a bateria do animal ficar a zero. É por esse motivo que raramente tenho saldo no telemóvel. Sou capaz de andar mais de um mês sem precisar de o carregar.
Claro que depois de tanto massacre pela mulher sou obrigado a por-lhe uns parcos 5 euros que duram muito pouco tempo.

Chegado aqui o motivo porque não preciso de ter saldo no telemóvel é-me revelado: não sou de dar toques, mas sou um autêntico crava de minutos.
Se há pessoal que não tem grande necessidade de comprar um maço de tabaco, porque vai pedindo um ali, outro acolá eu faço o mesmo com minutos -“tens saldo? empresta aí para um chamada rápida!“, “deixas-me usar o teu telemóvel? não tenho saldo! esqueço-me de carregar isto.” “tens uma chamada por atender? a pessoa liga outra vez, não tenho saldo! que não seja por isso liga do meu.” e assim sucessivamente…

Detesto mesmo telemóveis, não apenas pela manutenção, mas por ser obrigado a estar sempre contactável. Não entendo as pessoas que conseguem carregar 3 e mais telemóveis diariamente.

O que são estes seres? humanos? electrónicos?

alarme carla

A minha mulher tem um relógio tão biologicamente apurado que quando é preciso acordar às 08h00 ela acorda às 07h59 a tempo de parar o despertador. Se é necessário acordar às 09h15 ela acorda às… 09h14. É um espanto só compreensível pela sua perfeita união com o cosmos. Admiro-a, venero-a, pela sua capacidade de derrotar semanalmente o despertador.

Eu não tenho esta capacidade de super-herói. Comigo o despertador vence sempre – nunca o ouço. Já tentei com dois despertadores preparados a disparar o alarme com um intervalo de 5 minutos; saio sempre derrotado. Ainda tentei com três despertadores – desiludido fiquei eu outra vez (the Yoda way). Não tenho relógio biológico ou este está sem pilhas. Ou estou de tal forma habituado ao alarme Carla que o meu relógio biológico entrou em remissão.

Na noite de sexta-feira para Sábado dormi sobressaltado. A minha mulher estava ligeiramente adoentada e não podia contar com ela para me acordar.
Disse-lhe corajosamente: “relaxa que eu acordo. no problem. é sábado. além do mais fui eu que marquei o encontro.”

Adormeci com tamanho pavor de me perder no sono que não dormi nada: acordei às 04h15, às 05h45, às 06h36, às 07h24, às 08h50, às 09h10 e nessa altura levantei-me a guindaste e preparei-me para a reunião das 10h00. Sempre que não posso contar com a máquina Carla o meu sono é sempre sobressaltado.
Se me deitar relaxado, sem a preocupação de me levantar, escapo a qualquer despertador; é como se a fase 3 do meu NREM estivesse em constante replay?

Sou um sério caso de estudo!

as chapas

Já tentaram colocar um varão para sustentar uma cortina da Hello Kitty no quarto da vossa filha de 3 anos com ela em casa?

Não tentem é desesperante, doentio. Imaginem a criança aka peste aka demónio a rodar, a ferrar as canelas, a perguntar se faltava muito, se demorava, se …

Apesar desta loucura de 3 anos metida à empreiteiro devo dizer que correu até bem atendendo à minha habilidade na bricolage. Fiz apenas 4 furos. Os necessários; nem um a mais; nem um a menos.

Humm. Correu bem exceptuando na altura em que reparei que as chapas que servem de suporte ao varão se eclipsaram do local onde, achava eu, as tinha colocado. Procurei no lixo, nos sacos, na caixa de ferramentas, debaixo da cama, atrás do roupeiro, da cómoda… Fiquei mais do que chateado, só de pensar que ia ter de enfrentar a chuva horrível que teimava em ferir-me os nervos para comprar novas chapas. Até que uma luz se acendeu no topo da minha calvície e perguntei à inocente filha se tinha porventura, por mera casualidade, visto umas chapas pequeninas de metal. “Acho que tenho umas na minha cozinha.” – respondeu com um olhar a transmitir tudo o que é inocência. E lá estavam elas dentro do forno da cozinha de brincar que o sacana do Pai Natal teimou em lhe oferecer.

Um trabalho de 10 minutos demorou … muito mais tempo.
Bricolage em casa com uma terrorista à solta nunca mais. Tenho dito.