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o armazém de rob hart

A CLOUD NÃO É APENAS UM LUGAR PARA TRABALHAR. É UM LUGAR PARA VIVER. E QUANDO LÁ SE ENTRA NUNCA MAIS SE QUER SAIR. Paxton nunca pensou que trabalharia como segurança para a Cloud, o gigante da tecnologia que domina a economia americana depois do desaparecimento do comércio tradicional na sequência de uma série de assassínios em massa. Muito menos que se mudaria para as instalações em expansão onde é possível viver e trabalhar. Mas quando se compara com tudo o resto que existe, a Cloud não é assim tão má. E quando conhece Zinnia, as coisas melhoram com a esperança de um futuro partilhado. Mas Zinnia não é o que parece. E Paxton, com acesso a credenciais de segurança, é o peão perfeito para ela descobrir os segredos mais negros da empresa. À medida que a verdade sobre a Cloud se vai revelando, ambos terão de perceber até onde a empresa está disposta a ir para tornar o mundo num lugar melhor.

Fnac

Uma distopia assustadora, como devem ser todas elas, que resultou numa leitura de pouco impacto – sem sobressaltos.

Tradução de Jorge Candeias

oton lustosa

O homem não busca apenas satisfazer as suas necessidades materiais. Para viver, plenamente, busca a satisfação espiritual. Cheio de poder, posto que dotado de inteligência – esta explosiva força criadora -, o homem transforma o mundo. Escarafuncha, mexe, bisbilhota as coisas da Natureza… Queda-se extasiado diante das belezas naturais… Encafifa-se com os mistérios que levam à perfeição das coisas criadas… Chega a uma conclusão derradeira, inapelável: Deus existe! Mas… De tanto investigar termina por concluir que algo deve ser melhorado ainda neste mundo de Deus. Quer o homem o mundo ao seu serviço, útil e prático; que lhe proporcione um estado tal de bonança, inenarrável, sublime. Algo a que deu o nome de Felicidade! Eis o objetivo primeiro e último do gênero humano: Ser Feliz! Por isso transforma, modifica, cria, destrói, luta. E a tal felicidade como uma miragem, ora perto ora longe. E haja esperanças e haja angústias e haja sonhos! Ah! os sonhos!… Quer o homem, em pleno estado de vigília, entender os sonhos, torná-los concretos. Freud bem que tentou ensinar a fórmula. Mas a psicanálise freudiana, para muitos, ainda é um imenso labirinto onírico. Por isso, em perseguição dessa tão sonhada felicidade, o homem desanda a sofrer. Busca, finalmente, um lenitivo para essas dores do espírito. Põe-se a serviço da construção e da contemplação da Beleza. Nesta sua caminhada terráquea, a estação que o leva a mais se aproximar da felicidade é a contemplação da Beleza. É aí que as artes ocupam importantíssimo papel na vida do homem. Aliás, ouso dizer, sem a arte – expressão maior da inteligência humana -, o homem não passaria de um miserável bicho bípede, deslanado, sem cauda, sem garras, despreparado para a caça e para a pesca; e sem nenhuma chance de cavar, mergulhar e voar. Mas o homem, ser divino, tem a Inteligência!… Que o leva ao trabalho maneiroso, ao engenho, à arte, à perfeição, ao amor… E ainda o levará à felicidade!

Oton Lustosa

Texto extraído do discurso de posse do escritor Oton Lustosa na cadeira n° 05 da Academia Piauiense de Letras.

paper girls #2 de brian k. vaughan e cliff chiang

A qualidade deste série de mistério e ficção científica continua a bombar com grande estilo. O argumento de by Brian K. Vaughan e os desenhos de Cliff Chiang combinam-se numa deliciosa explosão de sabores.

A Devir continua de parabéns.

a trilogia de nova iorque de paul auster

Cidade de VidroFantasmas e O Quarto Fechado à Chave, constituem os três andamentos de uma sinfonia única, neste que continua a ser, tantos anos depois, o livro mais emblemático do autor. São três fascinantes histórias de mistério, centradas no submundo de Nova Iorque, em que o leitor, tal como os personagens, se torna prisioneiro dos irresistíveis enredos, dos puzzles alucinantes, em que o autor é mestre incontestado. 

Bertrand

Em “A Trilogia de Nova Iorque” nada é acidental. Histórias complexas e vertiginosas.


Tradução de de Alberto Gomes

o silêncio do mar de yrsa sigurdardóttir

O Silêncio do Mar de Yrsa Sigurdardóttir é um excelente romance de mistério. Muito bem narrado – surpreendente. Uma agradável surpresa apesar de cedo as minhas suspeitas caírem sobre o “mordomo“.

Leitura relaxante não obstante o macabro aparecer aqui e ali. recomendo.


les enquêtes insolites des maîtres de l’etrange: l’ange tombé du ciel (tome 1)

“Les enquêtes insolites des maîtres de l’étrange: L’ange tombé du ciel (tome 1)” é o primeiro álbum de uma história em dois volumes com desenhos e argumento de Li-An, cores de Laurence Croix.

découvrez Aglaëe Aglaé et les Maîtres de l’Étrange enquêtant sur la mort mystérieuse d’une jeune femme trouvée dans la neige sans aucune trace de pas autour d’elle ! Visitez les tavernes louches des extérieurs de Paris ! Tremblez devant le grand singe blanc !
Une histoire en hommage à Sherlock Holmes et Arsène Lupin, deux personnages dont je dévorais les aventures dans ma jeunesse.

via Li~An

Li-An, baptizado como Jean-Michel Meyer (o responsável pelos desenhos dos oito álbuns “Le Cycle de Tschaï” (baseados em histórias de Jack Vance) e pelo excelente “Gauguin, Deux voyages à Tahiti”) oferece uma história cheia de mistério e humor que se lê muito bem.

História lida nas revistas: L’Immanquable N° 10, 11 e 12

que ousadia! (excerto)

Acordei com a mão esquerda a segurar os tomates. Nada de anormal este meu acordar; gosto de coçar, acariciar os meus tomates (poderia dizer testículos, mas essa palavra transmite uma ideia de inocência; e os meus tomates são tudo menos inocentes) – gosto de os sentir como contrafortes de um membro que mesmo em hibernação revela respeito.

Saí do sono verdadeiramente satisfeito, a abraçar de braços abertos as minhas almofadas king size Reykjavik-Eider em seda e com metade do corpo acariciado por um edredão Jon Sveinsson; não sou pessoa de gostos elitistas, mas gosto de me vestir com a cama – será um fetiche?

A noite anterior foi economicamente produtiva; até, para variar, sexualmente angustiante; e enquanto depenicava a ponta do pénis a lembrança tornou-se clara.

Seguindo a recomendação de uma cliente habitual aceitei marcar uma noite para a sua amiga necessitada de alguma “distracção”; garantiu-me, “Ela é muito linda.”

A amiga de nome Adalgisa, contrariando a minha sugestão reservou o quarto num hotel que eu desconhecia. Insisti um pouco pois gostava da familiaridade dos meus locais de nidificação, mas perante a sua exigência ou atrevimento? cedi – quem era capaz de pagar pelos meus serviços bem que podia ficar com a ideia de que gozava de algum domínio.

Pelas 21h00, utilizei o elevador, subi ao sétimo piso do hotel e bati à porta do quarto 701 imitando com o melhor empenho possível as quatro primeiras notas do primeiro movimento da 5ª de Beethoven; a batida secreta. Entrei a encarar arregalado (ainda sou susceptível a surpresas) para uma pouco comum máscara veneziana bauta feita de papel machê, de cor ocre, preta e dourada, decorada na testa com um medalhão de ouro e com plumas que ocultava o rosto da minha Adalgisa; o corpo estava vestido com uma longa capa preta que cobria a totalidade do corpo – todo o quadro era iluminado apenas pelas luzes do corredor; a única luz existente no quarto soprava de uma vela. Enquanto fechava a porta não pude deixar de pensar nas palavras “Ela é muito linda.” Seria? A dúvida foi, momentaneamente, relegada para segundo plano quando ordenou “Deite-se de costas na cama. ” “Ah!” “Como pode ver há ali uma cama.” A Adalgisa mordia!

informações: apenas um extracto da história

o ladrão de arte por noah charney

Roma – Na pequena igreja barroca de Santa Giuliana, uma magnífica pintura de Caravaggio desaparece sem deixar pistas.
Paris – Na câmara de segurança do porão da Sociedade Malevitch, a curadora Geneviève Delacloche é surpreendida com o desaparecimento do maior tesouro da instituição – Branco sobre Branco, obra do russo Kasimir Malevitch.
Londres – Roubada a mais recente aquisição da National Gallery of Modern Art. Os inspectores Jean-Jacques Bizot, da polícia parisiense, e Harry Wickenden, da Scotland Yard, recompõem as peças desse intrincado quebra-cabeça. O que parecia uma série de roubos sem conexão é parte de um plano monumental que conjuga pistas falsas e enigmas de sofisticação apaixonante. Nos bastidores do mundo artístico, nos museus, galerias e casas de leilões se esconde um mistério.

Livraria Civilização Editora

Por 5 euros trouxe este livro para casa o que revelou ser uma boa compra e uma espectacular leitura.
Noah Charney em “Ladrão de Arte” oferece uma história perfeitamente rendilhada; com um final delicioso.

Apesar do autor ser um perito em crimes de arte com um curriculum 5 estrelas consegue criar um enredo complexo sem assustar o leigo com pormenores demasiados técnicos; eles estão lá mas explicados sem maçar o leitor. Sim, as personagens podiam estar mais desenvolvidas, mas estão suficientemente delineadas para divertir, sim, tem um erendo muito intrincado, e isso é mau?

Um livro que proporciona uma leitura cativante, final surpreendente.

hereafter – outra vida

A primeira conclusão a reter é que Clint Eastwood deixa tudo em aberto; cada um pode tirar as suas próprias conclusões. As restantes conclusões resumem-se a uma: Clint Eastwood é um grande realizador.

“Hereafter – Outra Vida” apresenta uma história complexa, personagens fascinantes. Adorei este Matt Damon mais intimista.

O filme trata não apenas do tema “vida depois da morte”, mas acima de tudo (a sua mais valia) sobre a própria vida. O mistério do “outro lado” é importante, até por vezes assustador; a visão de “Hereafter – Outra Vida” é de paz. No final descobrimos que a beleza da vida é afinal aquela que ainda estamos a viver.

a conspiração de papel

Para primeira obra do escritor David Liss “A Conspiração de Papel” (“A Conspiracy of Paper”) ganhou em 2001 o Edgar Award, o Macavity Awards e o Barry Award para o melhor romance de estreia e foi considerado um “New York Times Notable Book”; o que não deixa de ser louvável.

“A Conspiração de Papel” é um romance de mistério que se desenrola no período anterior ao primeiro “crash” bolsista de 1720.

A história segue as deambulações, narradas na primeira pessoa, de “Benjamin Weaver, judeu português, detective, espadachim e um famoso ex-pugilista“, enquanto este tenta descobrir o(s) culpado(s) pelo assassinato de seu pai.
As personagens (umas baseadas em personagens reais, outras totalmente fictícias) estão bem construídas; o ambiente de uma Londres no século XVIII está bem recriado (tão convincente que muitos vezes sinto-me como se estivesse lá); o enredo é denso, cheio de texturas (está cheio de detalhes históricos), mas é tão “teia-de-aranha” que me obrigou a ler página atrás de página até à apoteose.
Nas ultimas páginas é oferecida a visão do destino feliz/infeliz das personagens principais muito ao estilo de filmes baseados em eventos reais.

É uma leitura que recomendo.