Tag Archive for: monotonia

salmonelas

07 Jun
07.06.2016

Sinto que tenho de dizer alguma coisa iluminada; que quebre a monotonia do quotidiano. Uma frase cheia de sentido, cruzamentos e becos. Algo que me mime. Algo que se entenda. Algo que seja confuso. Algo que me permita dar uma gargalhada e espirrar alguns saudáveis perdigotos.

Acho que mereço… Aqui vai:

Como a estupidez não traz data de validade, para verificar a sua qualidade, coloque a pessoa dentro de uma piscina com 3 metros de profundidade. Se a pessoa for ao fundo, não está contaminada por salmonelas.

expulsar os demónios

23 Mar
23.03.2012

– Pai podes brincar comigo? – perguntou a minha filha mal acabei de abrir a porta de casa.
– Daí a pouco, agora tenho de expulsar uns demónios – respondi, no meu tom mais que sério, deixando-a pensativa. E lá ficou no hall a ruminar. Deve ter sido por causa da palavra “expulsar” que no seu modesto vocabulário, certamente, ainda não tinha um adequado sinónimo.

[… pausa para processamento de informação …]

– MÃE, MÃE… OHHH MÃEEEEEEEEEEEEEEE, tenho medo, o pai disse que há bichos aqui – gritou a soluçar, e correu para a mãe que a deve ter abraçado estupefactamente aborrecida.
– Onde está o teu pai?
– Na casa de banho. E ’tá a gritar!
– Pois está, a gritar “saiam daqui demónios!” – frase dita num tom de voz tão gélido que me arrepiou até os cabelos que não tenho.
– O pai está a brincar. Não é a sério. Olha Margarida vai à cozinha buscar uma colher de pau para também nós brincarmos.
– Uma colher de pau? – questionou a inocente criança. Este pedido da mãe foi ouvido por um pai ligeiramente assustado. Uma névoa de suspeição já entrava na casa de banho por baixo da porta e pelo buraco da fechadura.
– Sim, Margarida, vamos bater com ela na cabeça do palerma do teu pai. Pode ser que com dois chifres ele convença os demónios a deixarem a nossa casa.

Danger, Will Robinson!” – aí estava eu, mais uma vez, numa posição periclitante. Sou vítima de odiar a monotonia e sinto-me, como tal, na obrigação de criar momentos teatrais.

andar de mota

30 Ago
30.08.2007

Todo o adulto, que se preze e seja digno de uma bondosa maturidade, ressona. Eu ressono.
Ressono por uma série de motivos.
A razão secular é o silêncio. Ressono para quebrar a monotonia do silêncio de casa, apenas quebrado pelo ronronar da bomba do aquário.
Ressono para dizer “Estou aqui crianças. Toca a avançar para outra qualquer divisão da casa para o pai dormir descansado!!”
Claro que o motivo mais relevante é o amor. Ressono para que a minha cara metade possa comentar junto dos amigos e amigas o sacrifício que é tentar dormir a meu lado.

guerra dos mundos

05 Jun
05.06.2006

Nos últimos anos do século XIX, ninguém teria acreditado que este mundo estava a ser aguda e estreitamente observado por seres mais inteligentes do que o homem e, no entanto, tão mortais como ele;[1]

A Guerra dos Mundos, página 9

Quando fui ver o filme Guerra dos Mundos (War of the Worlds), realizado por Steven Spielberg fiquei com uma impressão, produzida nos órgãos dos sentidos pelos objectos exteriores e transmitida ao cérebro pelos nervos, de perca de tempo. Fui enganado.
Filme bastante previsível cheio de efeitos especiais espectaculares, a precisar de umas boas doses de humor para quebrar a monotonia de resmas de destruição, de uma fuga constante e do reencontro de um pai com os seus filhos e, acima de tudo, de um final insultuoso.
Podia ser um bom filme, mas não o é.
Spielberg conseguiu, apenas, criar mais um filme de verão.

editor: Livros Unibolso, Lisboa[1]

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beam me up, scotty!