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de lado – 0109

‘O que nos une é muito mais do que a morte, é o medo’, disse a aranha à mosca.

from the perverse mind of paulo brito

the shy fly’s house by eva mejuto & sergio mora

“A Casa da Mosca Fosca” é uma adaptação realizada a partir de um conto popular russo recuperado por Alexander Afanásiev. As diferentes personagens introduzem os leitores num atraente jogo de números e tamanhos, rimas, repetições e ritmos, que são elementos próprios da tradição oral. Trata-se de um conto acumulativo que apresenta uma galeria de personagens que convidam ao jogo fonético.
O ilustrador Sergio Mora cria animais delirantes, com personalidade própria, repletos de humor e expressividade, utilizando cores “explosivas, quase fluorescentes”. Um conto para ler e contar, que cresce em intensidade a cada página até culminar num final surpreendente.

Wook

Gostei. Realmente melodiosa e divertida história.

tem o gelo tendências suicidas?

Uma equipa de cientistas da Universidade de Oxford demonstrou que existem afinidades moleculares que vão muito para além da fórmula H2O no gelo existente nos Pólos Sul e Norte. As suas conclusões explicam, não apenas que o degelo actual é um mito e que este não tem nada a ver com a teoria do “Aquecimento Global”.

A equipa cortou ao meio um pedaço de gelo extraído de um glaciar no Polo Sul e fez o mesmo com um pedaço de gelo extraído de um glaciar do Polo Norte. Colocaram cada pedaço num copo de água gelado. Os quatros copos de gelo com os quatro pedaços estavam separados entre si por um espaço de 30cm. Por muito que os pedaços se mexessem nunca conseguiam juntar-se aos outros. Os cientistas diminuíram a distância para 15cm, para 5cm e para 0cm; o resultado era sempre o mesmo. Os pedaços de gelo batiam como moscas contra o vidro dos copos, mas não se associavam. Porquê? A equipa concluiu facilmente que desunido o gelo perde força.

Na fase seguinte posicionaram num recipiente um pedaço de gelo do Sul e outro do Norte e agora, sim, estes terminaram por se encontrar e nunca mais se separaram. Repetiram a experiência com os dois pedaços de gelo remanescente e o resultado obtido foi o mesmo. O gelo tem regras de atracção muito próprias.

Na última experiência dispuseram num recipiente ainda maior os quatro pedaços de gelo e eles acabaram por se unir sem nunca mais se distanciarem. O gelo tem tendências gregárias, concluiu a equipa.

Ficaram sempre colados até que derreteram. No recipiente já não existia gelo, mas apenas água. O gelo tem tendências suicidas, foi a segunda conclusão.

Com estas experiências a equipa concluiu que o gelo das calotas polares tem imbuído a nível molecular o desejo de migrar, de se encontrar com o seu distante outro, de se unir ao outro, e faz-lo de forma intencional e com carácter periódico. O fenómeno “degelo” não é pois mais do que um mito e nada tem a ver com a teoria do “Aquecimento Global”.

Não ocorrem “degelos“, mas migrações de gelo. Nestas migrações algum gelo acaba por se perder e em última instância faz-se uno com o seu EU mais íntimo: H2O (a comunhão perfeita!)


Como combater as migrações de gelo será agora a luta desta fantástica equipa de cientistas.

No meu reduto, no Pasteur, uma mosca dá-me cabo dos nervos. Não suporto moscas armadas em estúpidas. Abro a janela de par em par e ela, em vez de fugir para as árvores que ladeiam o pavilhão, volta a entrar aos ziguezagues em direção à parede do fundo. Há dois segundos andava aos encontrões ao vidro, esbarrava à direita, à esquerda, em todos os sentidos; agora que a janela está aberta, que o céu lhe estende os braços, erra absurdamente pela sombra.
Babilónia por Yasmina Reza (página 34/35)

Delirante.

zzzz zzz zzzzz

Há mais de 10 anos que tomava o Zolpidem porque não conseguia adormecer. Os meus fantasmas presenteavam a noite com a sua presença. Sobrevoavam como moscas sob carne putrefacta a minha cabeça; zumbindo – zzzz zzz zzzzz.

Esse zumbido não me deixava adormecer. O Zolpidem resolvia o problema.

De um momento para o outro, sem aviso prévio, sem explicação, pelo menos uma que eu entenda, o zzzz zzz zzzzz silenciou-se, puf!

Decidi no dia seguinte não tomar mais o medicamento. Não tive qualquer problema com o desmame. [1]

E estas últimas três noites têm sido uma delicia. Não me sinto adormecer, nem a sonhar – fantástico!


[1] Desmame – o tratamento deve ser retirado gradualmente. A síndrome de curta duração pode ocorrer quando é interrompida a toma, no qual os sintomas que levaram inicialmente ao tratamento com Zolpidem voltam com maior intensidade. Pode ser acompanhada de outros sintomas como alterações de humor, ansiedade e inquietação.

Infarmed

(…) o sótão estava ocupado por um homem cuja capacidade letal se limitava às moscas e cuja destreza com armas de fogo era mais suicida que homicida.
A Alternativa Wilt de Tom Sharpe

speculative thought of the day or how to win a conversation, version i

  • vi um pato em cima de uma pata, apesar de ter duas patas para usar. de repente trocou de pata e deixou a outra pata descansar. o sacana nunca usou as duas patas ao mesmo tempo – convencido!
  • when you’re sleepy try sleeping awake and the day will have 24 hours.
  • you want to be loved without compromises? buy a dog – some cookies settle any discussion…
  • if you want to know who you are get yourself in front of a mirror.
  • if you want to be sure of winning a discussion the best is not to begin one in first place.
  • se as hóstias fossem muffins eu ia todos os dias à missa; ou não.
  • never, ever complain in a restaurant the existence of a fly in our soup bowl; maybe beside us is a tax collector ready to write a fine for unreported capital gains.

from the perverse mind of paulo brito

portugal dos pequenitos

O preçário das entradas do Portugal dos Pequenitos tem época baixa e época alta. Refiro isto porque é uma palhaçada esta distinção. Palhaçada porque não discirno na minha doce ignorância o motivo.

Vejamos o preço dos ditos bilhetes. Uma família de 4 membros, dois adultos, duas crianças, perdeu 22,50€.

E vejamos o espaço, para se perceber, porque perdi 22,50€. Portugal dos Pequenitos em 48 anos não inovou, muito pelo contrário. Vi um Portugal dos Pequenitos moribundo. Desleixado. Vi um mastodonte cinzento, chamado Relógio de Sol, de meter medo. Vi o seu interior preenchido com nada. Minto vi moscas. Vi uma exposição digna de entrada para um velório. Vi-me roubado. Vi-me desiludido.

Se aconselho a visita a amigos meus. Nem pensar. É uma perda de tempo e acima de tudo de dinheiro.

Ao passear, se assim o posso dizer, por lá lembrei-me que Coimbra, ainda, tem uma das coisas melhores do mundo, a estrada que me trás para casa.