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nunca

“Nunca lambi os dedos para virar folhas.”

“Nunca comi sushi.” “Nunca…” e estas afirmações são ditas com um orgulho desmedido. Pessoalmente nunca comi bisonte, nem centopeias, nem cão (acho eu), mas mosquitos já foram muitos os ingeridos involuntariamente. Gosto especialmente dos que afirmam “Nunca disse um palavrão.” A sério foda-se! Fantástico! Merecida medalha. Eu acho que um bom palavrão, o uso de calão em certas e determinadas situações compensa ter ouvido alguém, com coragem, afirmar “Nunca li Guerra e Paz, mas vi o filme.”

O “nunca” seguido de um “mas” é puro deleite. Pois quem o afirma sente-se mal pela anunciação do “nunca” e acrescenta o “mas” para mitigar o dano. É dar uma no tiro e outra na ferradura, é um soneto sem rima.

“Nunca fiz uma directa, mas já fumei ganza.” “Nunca dei um peido na cama, mas já arrotei.” Atitudes típicas de sociopatas.

Nunca digas nunca é o meu conselho.

mosquito

Mosquito apanhado no metro da cidade do Porto.

o vinho verde

Depois de uma caneca de vinho verde tamanho mega ter escorrido copiosamente pela minha garganta ajudada pela excelente feijoada decidi contra qualquer bom senso fazer uma estúpida caminhada em busca de uma cobra para fotografar – sim, uma cobra. Não era um mosquito, uma flor, um sapo, uma vaca, mas uma cobra.

Deixei pois o Restaurante Recesinhos, que recomendo (diárias a preço da chuva) e caminhei durante pelo menos 2 horas. Só parei quando me apercebi que a caminhada pelo meio do monte me tinha feito chegar a outra localidade.

Na altura do regresso fiz, ainda um vídeo. O que fazem os deliciosos e perniciosos efeitos de um bom vinho verde na mente de um jovem como eu? O que aprendi com o passeio? Nada. Rigorosamente nada, excepto que com duas canetas tinha ficado a dormir no sofá.

que kongseira

Carl Denham: I’m someone you can trust, I’m a film producer.

from imdb

O que posso dizer de forma clara e inequí­voca e sem precipitação sobre o filme King Kong?
É simplesmente um filme muito cansativo. O filme cansou-me.

Há alturas em que mesmo sendo o sofá, a cadeira, o cadeirão, o banco muito confortável sentimos no fundo dos nossos quadris, das nossas nádegas um aumento gradual de um ligeiro incómodo que subindo pela coluna nos obriga a deslizar. O desânimo aumenta e somos compelidos a exigir que os músculos das pernas nos posicionem numa posição mais encostada para tentar contrariar o desconforto.
Todo este inferno senti-o eu mesmo, mesmo eu, a visualizar o filme King Kong.
O filme não tem história para aguentar 187 min.
Um filme longo, sei que já o referi mas convém não o esquecer, com pouca lógica levou o realizador a expor o espectador a repetidas cenas de lutas com dinossauros, insectos, pterodáctilos ou vampiros (fiquei confuso), aranhas, monstros do pântano, grilos gigantes, mosquitos and so on. Sem esquecer que as lutas se tornam com o desenrolar do filme cada vez mais bizarras. Que saudades de Tom & Jerry.
Fica por explicar apesar do filme ser longo, sim longo:

  • cada rocha é uma assustadora escultura de um macaco ou de uma caveira. Quem as criou?
  • quem fez o mapa?
  • quem era o rapaz selvagem? Qual o motivo da relação especial de Jimmy com Mr. Hayes?
  • o que aconteceu aos nativos?
  • porque é que o herói e a Ann se separaram?
  • o que aconteceu ao capitão e à sua imensaaaaaaa tripulação?

Sir P. tem razão Peter queria fazer três filmes de 3 horas e não o deixaram.
Nem os melhores efeitos especiais fazem o melhor filme. Veja-se o sucedido com o Planet of The Apes de Tim Burton.
É um filme mesmo longo com uma história muito simples. A Besta descobre a Beleza e fica enfeitiçada. Os animais da ilha querem todos comer a beleza loira. Mas também quem não queria.
Mas o pior, sem esquecer que no topo do “pior” temos o comprimento do filme, são umas cenas que ainda não consegui perceber:

  1. o trambolhão ou a barafunda dos dinossauros. Sim o que é aquilo. Não percebi. Lembrou-me o filme da Disney “O Livro da Selva” que tem uma cena igual, mas com elefantes.
  2. a cena patética, ridícula, imbecil em que Kong e Ann caiemmmm… pelas lianas. Por favor… Apeteceu-em jogar Donkey Kong.

Tem coisas boas no King Kong.

Os actores Naomi Watts (Ann Darrow), Jack Black (Carl Denham) e Adrien Brody (Jack Driscoll) estiveram excelentes. O King Kong rugiu muito e bem. Mesmo quando não era preciso Kong rugia. Kong rugia e Ann gritava. Ann gritava e Kong rugia. Alguém já escreveu que os melhores diálogos do filme são entre Ann e Kong.

Em suma um filme cansativo e longo. Longo como este post.

Aconselho:
The Ring com Naomi Watts
The School of Rock com Jack Black
The Jacket com Adrien Brody