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4 3 2 1 de paul auster

16 Out
16.10.2017

Entre muitas outras leituras fui lendo calmamente esta obra.

Antes de mais, 4 3 2 1, é um livro pesadão de 872 páginas, mas que se lê bem; muito bem até.
Archie Ferguson, a personagem principal, tem a sua vida desdobrada em quatro caminhos. São, assim, apresentadas quatro vidas de Archie, temperadas com sexo, solidão, amor(es), tristeza, alegria, que divergem umas das outras devido a pequenos acontecimentos e escolhas. Mas logo se percebe que as pequenas escolhas se transformam em grandes mudanças.

Para ajudar na distinção da vida dos quatro Archie os capítulos são numerados da seguinte forma:
Archie I
1.1, 2.1, 3.1, 4.1, 5.1, 6.1, 7.1 – Fica-se a saber que Archie morre num incêndio em Rochester enquanto dormia.
Achie II
1.2, 2.2 – Archie morre com o impacto de um ramo na sua cabeça.
Archie III
1.3, 2.3, 3.3, 4.3, 5.3, 6.3 – Archie morre atropelado em Londres.
Archie IV
1.4, 2.4, 3.4, 4.4, 5.4, 6.4, 7.4 – e aqui tudo fica explicado ou talvez não…

Assim 4 3 2 1 é, naturalmente, a contagem decrescente para a morte de Archibald Isaac Ferguson (Archie Ferguson).
E descobre-se que o livro tem vários livros dentro de si. Não é apenas quatro em um, mas acima de tudo um em quatro.

É uma obra de grande fôlego. Narra, não apenas as vidas dos Archie, mas consegue-o envolver perfeitamente nas convulsões sociais dos EUA: a contracultura, o movimento dos direitos civis, o Black Power, a guerra do Vietname,  e os movimentos pró e contra, a importância do SDS, a ocupação da Universidade Columbia, em Nova York por estudantes,  a revolta em Newark, Nova Jersey, o assassinato de Martin Luther King e a onda de violência que se seguiu.

4 3 2 1 fala de filmes e de livros com uma paixão desmedida, ah! e também de música. Uma maravilha.

É um livro que merece ser lido com calma.

encontros de literatura e banda desenhada – amazonas contemporâneas

18 Jan
18.01.2016

Estes encontros, compostos por quatro debates: 16, 19, 21 e 23 de Janeiro, estão integrados nas comemorações do 40º aniversário do ILCH e pretendem abordar a relação entre a literatura e a banda desenhada, ou como referiu o Prof. Manuel Curado na sua mágica intervenção “o que cola“.

No dia 16 tivemos: Herdeiras de Wonder Woman. As Amazonas na Ficção Popular Contemporânea

Desde a criação de Wonder Woman em 1941, abundam na ficção popular as mulheres que defendem pela força a liberdade de decidir o seu destino. Entre elas, contam-se Katniss Everdeen (Os Jogos da Fome) e Lisbeth Salander (Millenium. Os homens que odeiam as mulheres). Com Diogo Carvalho, exploramos os modos como estas personagens contribuem para a vitalidade e diversidade da nova mitologia das amazonas.

Encontros de Literatura e Banda Desenhada

Hoje será: Maus, de Art Spiegelman. Um romance Gráfico do Holocausto

Um testemunho real de um sobrevivente de Auschwitz, é isto, entre muitas outras coisas que podemos encontrar neste romance gráfico de Art Spiegelman. Com Marie Manuelle Silva, abordamos as técnicas gráficas, os recursos narratológicos e as figuras estilísticas que o autor usa para representar o Holocausto de forma real e impactante, inscrevendo este estrondoso sucesso de público e de crítica em diferentes correntes da tradição literária e da tradição ilustrativa.

Encontros de Literatura e Banda Desenhada

No dia 21 será: O Motivo do Herói Órfão. Oliver Twist e os Heróis da Banda Desenhada

Quantos heróis que conhecemos são, de uma ou outra forma, órfãos. Trata-se de uma lei ou de puro acaso? Tendo Oliver Twist de Dickens como ponto de partida e Margarida Pereira como convidada, iremos procurar na literatura a origem deste motivo presente na BD e nos Comics.

Encontros de Literatura e Banda Desenhada

No dia 23 será: Para Além do Véu. Persépolis, de Marjane Satrapi

Conversamos com Said Jalali sobre o romance autobiográfico de Marjane Satrapi, Persépolis, que é o olhar de uma menina sobre as alterações radicais introduzidas pela revolução de 1979 na vida quotidiana da sociedade iraniana. Romance de formação escrito e desenhado num contexto de deslocamentos geopolíticos e geoculturais à escala global, Persépolis narra os exílios de Marjane – tanto fora como dentro do Irão.

Encontros de Literatura e Banda Desenhada

Herdeiras de Wonder Woman. As Amazonas na Ficção Popular Contemporânea teve como convidado Diogo Carvalho.
Antes da sua apresentação foi nos oferecida uma mágica intervenção pelo Prof. Manuel Curado. Esta intervenção foi de tal forma intensa, poética que logo se percebeu que a noite ia ser em Grande. O Prof. Manuel Curado revelou sem sobressaltos e com um dialéctica argumentativa tão bem tecida a razão da literatura, nas suas mais diversas formas, nos invadir os sentidos desde sempre. O Prof. Manuel Curado provou ser o nec plus ultra do mágico das palavras e conseguiu deliciar-me ainda mais quando terminou o seu acto com as palavras “o diabo do espelho.

diogo carvalho

diogo carvalho

Diogo Carvalho, a razão que me dez deslocar a Braga, esteve perfeito a falar, sem papas na língua, sobre a Wonder Woman per si, falou nas mudanças no seu uniforme (como sinal dos tempos), os seus motivos como heroína, o seu protagonismo e a forma como foi/está actuando/actuar no universo de super-heróis. Conseguiu em poucas palavras contextualizar a sua criação, com doces e picantes pormenores. Falou do seu multifacetado criado, William Moulton Marston. Falou do presente e do futuro da Wonder Woman.

Quanto a Katniss Everdeen e Lisbeth Salander como amazonas herdeiras da Wonder Woman o que fica em resumo é que ambas são os Alpha das suas histórias. Como mulheres fazem, “e como colocar isto sem ofender, mas tendo de utilizar um cliché“, perguntava Diogo Carvalho, “um bom trabalho de homem. Ou melhor, um trabalho atribuído geralmente ao homem.”

Katniss Everdeen faz o que faz por amor à irmã, ofereceu-se como tributo, e acaba por agir sempre por estímulo. Perante um problema, age. Não cria problemas, mas encontra soluções por… impulso. E perante uma sociedade distópica, acaba por ser ela, pela sua perseverança, coragem, abnegação, a alavanca (“Deem-me um ponto de apoio e moverei a Terra.”) para derrubar o sistema por dentro – implosão.
Lisbeth Salander faz o que faz por vingança. Ao contrário de Katniss Everdeen, Lisbeth Salander perante uma situação adversa, raramente age por impulso. Tudo é planeado. Ela está por fora de um sistema deficiente, corrupto e as suas acções levam a que este expluda.

Foi colocada uma questão. Se elas são o que são ou fazem o que fazem por não estar presente a figura do pai – acho que a ideia da pergunta é esta (contudo, posso estar errado).
A pergunta é interessante e a resposta aceite é que em ambas o pai, pode ou ser o modelo ou a motivação para elas serem como são – fortes, independentes.
Quanto a Katniss Everdeen é fácil concluir que é a ausência do pai que a torna o que é uma Alpha. É ela a razão de a mãe e irmã estarem vivas.
Quanto a Lisbeth Salander foi a existência de um pai que a torna Alpha por competição e sobrevivência.

Se o papel poderia ter sido atribuído a um homem? Podia, mas o efeito não seria tão másculo.

Katniss Everdeen e Lisbeth Salander comprovam acima de tudo que qualquer ser humano consegue ser Homo homini lupus. Apenas são precisas certas circunstâncias, uma série de eventos catalisadoras da nossa natureza predatória.

Isto são pensamentos avulsos que fui tendo e que decidi agora transcrever.

Avalio positivamente o encontro. Adorei as conversas muito interessantes e estimulantes. Os alunos do Mestrado de Mediação Cultural e Literária estão de parabéns.

o caracol

23 Mar
23.03.2010

Desde o dia 12.02.2010 que ando a tentar encontrar um caracol para fotografar.
Os mais atentos e que vão tendo a coragem de ler este blog deram conta que não foi apenas o endereço que mudou – o anterior era exilezone (agora tem apenas as minhas fotografias) – como o tema que lhe serve de suporte, mas de estar, igualmente, a utilizar fotografias da minha autoria; a excepção era a fotografia que ilustrava o post ídolos que tinha sido retirada da wikipedia e alterada no photoshop. Agora é uma fotografia do meu caracol! Sei que é um pormenor obsessivo, mas é obsessivamente pessoal.

caracol

outro caracol

Outra circunstância particular é o facto de as fotografias “trabalhadas” exclusivamente para o blog terem, quase sempre, um tom grunge.

Sem esquecer que de 980 entradas, apenas estão publicadas +/- 120. O motivo é não apenas a adaptação ao novo tema e usar assim as imensas fotografias que tenho por publicar e tratar, em alguns casos, digitalmente, como alguns textos – agora em novas categorias – estão a servir de “comida” a um projecto pessoal: possivelmente um livro, apenas com textos, ou com ilustrações, ou até com banda desenhada, porque entendo na minha modéstia que algumas histórias podem dar uma ou duas pranchas interessantes e só depois esses textos são republicados.

Este projecto é algo que desejo iniciar já há mais de 15 anos para gáudio pessoal e desta feita vai ser concluído nem que seja apenas com texto cru e nu. Este “livro” é apenas a ponta do icebergue de outras mudanças na minha vida, entre as quais destaco o regresso ao meu amado xadrez e à aquariofilia.

turma da mônica

31 Dez
31.12.2008

cascão (i)

Vou pegando às dúzias de cada vez nos mais de trezentos livros da Turma da Mônica que tenho espalhados pela casa, pelo escritório e dedico-me a relê-los. São o meu sonífero. Não estou a trair o meu Zits. Apenas são a sobremesa, porque o prato principal é sempre outro.

Estava a finalizar a leitura de mais um livro do Cascão, mais precisamente o número 239, editado pela Editora Globo em Março de 1996, quando deparo no último quadradinho com a origem do Cascão. Não pude deixar de sorrir e, claro, colocar aqui para recordação este momento.

Ao pesquisar sobre as aventuras actuais da Turma da Mônica sou levado ao portal oficial e a uma revista diferente. a Turma da Mônica Jovem. Agora os nossos heróis cresceram e são adolescentes. A revista é em estilo manga, a preto-e-branco.
Houve algumas alterações nas personagens.
É de destacar duas mudanças importantes: o Cebolinha, ou Cebola como prefere ser chamado, já não troca os “erres” pelos “eles” e o Cascão, apesar de não gostar muito, já toma banho.

(i): vinheta da revista Cascão n.º 239, Editorial Globo, 1986

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