Artigos

inócuo

Inócuo é a palavra do dia nas suas metamorfose masculina e feminina. (Palavra masculina é feminina, mas relativa a homem – masculino; adjectivos inócuos.)

Inócuas são as palavras. Inócuas são as mortes e os nascimentos, os movimentos e os pensamentos. A guerra e paz são inócuas. Pessoas inócuas, mortais, venais. Religiões inócuas. Acres massacres inócuos. Sexo inócuo. Orgasmos inócuos. Inócuos agentes activos, reactivos, passivos. Ordem e desordem inócuas. Sentimentos, ilusões, confusões, multidões, mutilações inócuas. Alimentos inócuos.

O tempo não é inócuo. Assistir à passagem do tempo é inócuo. O tempo é.

livros na palete – posição 037

Apenas as compras habituais e atrasadas de banda desenhada.

O UMBIGO É UMA CICATRIZ DECORRENTE DA QUEDA DO CORDÃO UMBILICAL. NO NASCIMENTO, O CORDÃO É FIXADO NA BASE COM UMA PINÇA CIRÚRGICA E, DE SEGUIDA, CORTADO PARA ROMPER O LAÇO ENTRE A PROGENITORA E O FILHO.
A CICATRIZ ORIGINAL ESTÁ, PORTANTO, LIGADA À MÃE.

Hotel Silêncio de Auður Ava Ólafsdóttir (página 19)

josé eduardo agualusa

Depois de ter lido “A Teoria Geral do Esquecimento”, por José Eduardo Agualusa, fiquei de tal forma fascinado pela sua escrita que tenha decidido começar a ler o resto da sua obra pela ordem de obtenção de cada título – pois claro.

Na seguinte lista não coloquei as suas obras de literatura infantil, “Estranhões e Bizarrocos”, ” A Girafa que Comia Estrelas”, “Um Pai em Nascimento”; “Lisboa Africana” grande reportagem sobre a comunidade africana de Lisboa, em parceria com Fernando Semedo (texto) e Elza Rocha (fotografia).


Acho que nesta lista não falta nada. A corrigir se necessário.


A existir links é a prova provada de que já li a obra.

[1] Os contos deste livro inicialmente publicados pela editora Vega foram reunidos no livro “A Feira dos Assombrados” publicado pela Quetzal. Todas as histórias partilham o Dondo como ponto comum.

haja ânimo

Todos os dias eles subiam a mesma escada; encontravam, logo no topo, assim de rajada, enclausurado na vitrina de sempre, o mesmo cartaz com os dizeres “Haja Ânimo”.

Todos os dias, que eram tudo menos santos dias, contavam mentalmente, com o coração cheio de desânimo, os degraus: e um, e dois, e três, e agora quatro, e cinco, e já está quase, e seis, e sete, e oito, e noveeeeee e raios partam tudo… ufa… dez. E logo no patamar o cartaz que já foi de um amarelo vivo, agora descolorado pela passagem dos anos, sorria desdenhosamente para eles a publicitar um já muito ultrapassado “curso prático contra o desânimo, o ruído, o medo e a solidão”. Sentiam, quando o deixavam para trás, o sorriso espetado nas costas – a gozar com eles.

Eles que já foram crianças cheias de sonhos, adolescentes com hormonas saltitantes, adultos com esperanças, velhos com saudades. Eles que passaram por todas as pungentes quatro fases de um ciclo de vida, mas ao contrário da borboleta a última fase não é de um lindo renascimento, vêm-se agora numa nova, assustadora e inesperada quinta fase: a fase zombie.

Eles de olhos mortiços, corpos amortalhados, de andar morrediço são os novos zombies; são a corporalização do desalento, do dilaceramento individual; são autómatos de carne e sangue que obedecem sem reflexão a vontades incoerentes. Eles sabem-se bobis que recebem diariamente um osso descarnado em troca do nada.

O que lhes resta? Certamente a revolta, porque a vida nunca são dois dias.

29 de abril de 2011

ainda com 210 anos, maravilhas da biotecnologia – sou mais máquina do que verdadeiro tecido humano – recordo sem dificuldade o dia 29 de abril de 2011 (o implante cibernético que grava agora a nossa vida recuperou sem problemas as recordações até ao primeiro momento de consciência in utero. onde estavas tu a 29 de abril de 2011? é uma das perguntas dos meus trisnetos sempre que me visitam nos retrógados festejos de anos. respondo, sempre perante os olhares incrédulos, que estava, entre outras coisas, a ver umas fotografias da última ceia dos condenados à morte: last suppers

não entendo como podem esperar outra resposta – continuamente. que acontecimento importante ocorreu a 29 de abril de 2011? muitas mortes. muitos nascimentos. muitas juras de amor. muitos casamentos. muitos funerais. muitos… só se esperam que lhes fale de um casamento real que em tons de fada embruteceu milhões de pessoas “até que a realidade os absorva novamente e se mentalizem, mais uma vez, que o benfica, não ganhará o campeonato de futebol, que os fritos ainda fazem mal, que o iva ainda vai subir mais, que o pato donald ainda não casou com a margarida, que ainda não foi descoberta a velocidade da escuridão, que a gasolina continua cara, que clicar rapidamente no botão de chamada do elevador não o faz chegar mais rápido, que os juros não descem, que o super-homem é na verdade um herói de collants, que continuará a existir anedotas sobre loiras.

pátria

A compra desta obra seguiu como sempre um tortuoso processo mental. Quando vi o logotipo na capa pensei cá para mim que seria um livro a colocar de parte porque nunca fui muito fá do “mundo” Forgotten Realms. Muito mais tarde peguei novamente nele devido à capa e nas costas o logotipo Wizard of the Coast atordoou-me – já não via aquele logo desde os meus tempos de jogador de Magic the Gathering (ai que saudades).

Iniciada a leitura rapidamente mergulhei de cabeça no universo drow e nas suas personagens. A história é verdadeiramente viciante. E as palavras que li em algum lado de que Legolas perante os drow seria uma anedota nunca deixavam de se fazer recordar.

Em poucas páginas ficamos a conhecer o sistema sanguinário da vida em Menzoberranzan e em outras tantas assistimos ao singular nascimento de Drizzt Do’Urden. E enquanto seguimos o seu treino/crescimento sentimos que apesar do enredo estar muito bem urdido como a teia da sangrenta Lolth é nas constantes reviravoltas das intrigas das diversas casas que somos atraídos compulsivamente pelo nosso Drizzt.

Drizzt é O elfo negro que apesar de não partilhar dos instintos sangrentos, traiçoeiros (mas fascinantes) dos elfos negros me conseguiu subjugar ainda mais por esta singularidade; é magnetismo. R. A. Salvatore recomenda-se sem sobressaltos para qualquer altura.

o evangelho do enforcado

O pouco que aprendi, mas sou um tipo novo, com apenas uns simpáticos 4? anos, sobre a crítica ou os críticos em Portugal é que existem quase em exclusivo dois tipos quando tratam de autores portugueses:
# 1 – há aqueles que dizem bem por dizer (talvez pensando que assim lhe tecerão críticas igualmente boas)
# 2 – há aqueles que dizem mal porque sim (possivelmente porque a editora não lhes ofereceu um exemplar ou na melhor das hipóteses por pura inveja; não se iludam que esta existe e é visceral)

Existe um terceiro tipo de crítico que escreve com sinceridade, são poucos, mas felizmente são bons. Escrevo isto porque já li tantos disparates críticos que só são concebíveis com este “tipo” de críticos.

Evidente que quando falo em críticos são aqueles que têm um estatuto?, digamos, de crítico institucionalizado.

No fim da pirâmide (fico na dúvida se na base ou no topo) temos o leitor anónimo, como eu, que opina como pode ou sabe sobre o que lê. E é neste sentido que irei tecer algumas palavras sobre “O Evangelho do Enforcado” de David Soares.

David Soares não precisou de muito para que eu ficasse convencido que estava perante uma obra grande. Logo no primeiro capítulo consegue sem dificuldade narrar um nascimento fantasticamente perturbador que é o perfeito comburente para continuar a minha leitura – depois “daquilo” o que mais David Soares me vai oferecer?

Oferece-me não apenas uma Lisboa deliciosamente nauseabunda, mas igualmente um Portugal sem alma. A cobiça pérfida pelo poder da nobreza é narrada magistralmente e ficaria convencido se não estivesse a ler uma romance que as conversas ocorreram mesmo daquela forma. E quando intervém a personagem Henrique quase que sinto o seu bafo, a sua transpiração a pulsar nas páginas. É a personagem mais loucamente saudável – se tal é possível dizer-se – e que se torna nesta sua alienação a mais consistente com o mundo que a rodeia; a frase “sobrevivência do mais apto” poderia ter sido criada para Henrique.

Naturalmente que Nuno Gonçalves, o pintor maldito dos misteriosos Painéis de São Vicente, é o nec plus ultra das personagens que vivem na obra “O Evangelho do Enforcado”. É impossível não sentir empatia com este assassino que consegue ser genial na pintura e esplendoroso nas mortes que executa.

“O Evangelho do Enforcado” foi um dos melhores livros que li este ano. Poderá não ser uma leitura fácil para muita boa gente porque David Soares não tem qualquer tipo de inibição a narrar o que quer que seja: morte, violação, sodomia, necrofilia.
Há quem se preocupe obsessivamente em colar ao “O Evangelho do Enforcado” um estilo. Eu resolvo? o problema afirmando que é uma amálgama de estilos que só David Soares é capaz de criar; o que se passará naquela cabeça?

Não posso deixar, igualmente, de salientar o trabalho de paginação e as fontes utilizadas no livro nas conversas de Geronte com Nuno Gonçalves.

Recomendo vivamente a leitura do livro “O Evangelho do Enforcado”.

E nada como dar um ar de erudito e colocar a propósito do romance “O Evangelho do Enforcado” esta frase

He cried in a whisper at some image, at some vision—he cried out twice, a cry that was no more than a breath—”The horror! The horror!”

Joseph Conrad, Heart of Darkness

spiderman foi pai?

vais ser pai?

Já não acompanho as aventuras dos meus super-heróis preferidos à muito tempo, mas muito tempo mesmo. O motivo principal, durante um período, foi o pouco tempo de leitura que comecei a dispor após o nascimento do meu filho. O segundo motivo que acabou por se transformar em principal foi o custo. Receber mensalmente: Hulk, DareDevil, The Spawn e outras mais com o câmbio do dólar americano a subir todas as semanas era deitar dinheiro ao lixo.

E, imagine-se, dessa altura ainda tenho nas estantes duas/três revistas do “The Spawn” que acabei por não ler.

Na revista Peter Parker n.º 220 (1995), lida através da edição O Homem-Aranha n.º 33 (1997) da Editora Abril/ControlJornal redescobri, porque arrumo sempre as minhas tralhas, que Mary Jane estava grávida de Peter Parker.

E o que aconteceu depois?
Foi isso que tentei conhecer. Aparentemente a filha do casal nasceu morta, mas numa realidade alternativa “What If” a filha não morreu e é a espectacular Spider-Girl.

imagens e personagens copyright da Marvel.

9º aniversário

anuncio-me o 9º aniversário de exilezone aka porta viii

Desde Fevereiro que pensei se deveria comemorar o aniversário deste diário virtual.
O meu blog site inicial pariu em qualquer mês de 1999. Contudo em Maio de 2006 fiquei sem site. O disco onde estava alojado o meu diário virtual queimou. Graças aos preciosos conselhos de store paxo recuperei alguns posts. O mais antigo de 2005. Haviam páginas mais antigas fora do blog que não foram recuperadas.

Em Maio de 2006 este novo espaço renasceu. Daí as minhas dúvidas:

  • contar a data desde a primeira criação ou
  • desde o seu renascimento

Depois de repensar no assunto e sem stress e porque sim anuncio-me que o 9º aniversário de exilezone aka porta viii foi no lindo dia de 28.02 (data do primeiro novo post).

carpe diem