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notícia de última hora…

a melhor notícia de última hora é o regresso dos posts do sr. indiscreto

As principais empresas petrolíferas que actuam em Portugal não procederam hoje a qualquer aumento, nem na gasolina, nem no gasóleo. A Galp, BP e Repsol praticam hoje o mesmo preço que praticavam ontem até à meia noite. Este é o 16º dia em que não se verifica qualquer aumento nos combustíveis este ano.

Fontes próximas da administração de uma destas empresas afirma mesmo que, e passo a citar, “se isto continua assim a não aumentar todos os dias, vamos ter de repensar toda a nossa política. A solução passa mesmo por possíveis despedimentos”.

Uma das implicações deste “não aumento”, é o possível congelamento dos ordenados dos administradores das petrolíferas que este ano não deve ultrapassar os 117%.

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Mas por fim retiraram-se todos, para uma noite de insónias e preocupação, ou para se juntarem a um cúmplice a tecer maquinações. Houve turbilhões ocultos na noite. É lisonjeador saber que o meu bem estar estava na mente de todos. Alguns, claro, a favor dele, outros contra.
página 171

Roger Zelazny, O Sinal do Unicórnio // título original: Sign of the Unicorn // tradução: Elsa T. S. Vieira // editor: Livros do Brasil, Argonauta, n.º 546, Ago.2003

contos irónicos

— Já não aguento mais — disse a rapariga subitamente —, já não aguento mais, é desumano o que exiges. Há homens que exigem coisas imorais de uma rapariga, mas o que tu exiges de mim é quase mais imoral de que as coisas que outros homens exigem de uma rapariga.
Murke suspirou.
— Meu Deus — disse. — Querida Rina, tenho de voltar a cortar tudo isto; sê sensata, sê boazinha, e silencia-me ainda pelo menos mais 5 minutos de fita.
(…)
— Ai, Rina — disse —, se tu soubesses o quanto me é precioso o teu silêncio. À noite, quando estou cansado, quando tenho de estar aqui sentado, passo o teu silêncio. Por favor, sê gentil e silencia-me só mais três minutos e poupa-me os cortes; bem sabes o que significa para mim cortar.

página 83


Heinrich Böll, Contos Irónicos // título original: Erzählungen // tradução: Veronika de Vasconcelos // editor: Europa-América, Livros de Bolso, n.º 346, 1983, Mem Martins

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Agora sabia que era capaz de fazê-lo; mas isso não me deu prazer. O pobre sujeito não me fizera mal. A sorte estivera simplesmente contra ele e a cor do seu cabelo. Que, como via agora, tinha sido a sua distinção fatal. O seu caminho naquela noite, ao coincidir infaustamente com o meu na Threadneedle-street, tinha feito dele o objecto inconsciente da minha intenção irrevogável de matar alguém; mas se não tivesse sido ele, devia ser outro qualquer.
página 22

Michael Cox, O Sentido da Noite, Uma Confissão // título original: The Meaning of Night – A Confession // tradução: António Pescada // editor: Círculo de Leitores, Out, 2006, Braga // isbn: 978-972-42-3827-2

leituras…

Até algum tempo, digamos 3 anos, ler obrigava-me a terminar a leitura de qualquer livro. Mesmo aquele sensaborão. Mesmo aquele que era mastigado. Enfim, ruminado. Sentia uma obrigação moral.

E, assim, como quem não quer a coisa, lembro-me da Bíblia de Barro. A escritora a páginas tantas entende escrever sobre nada à semelhança do coleccionador de silêncios (Heinrich Böll, Contos Irónicos, Colecção Livros de Bolso / Série Grandes Obras nº 346, Europa-América) que gravava silêncios. Sem apelo nem agravo, avanço 500 páginas e, “puf” tal telenovela, percebo facilmente que não perdi nada do enredo e descubro que o livro tem um fim “simpático”.

Hoje continuo a ler se me der mesmo prazer fazê-lo. De que vale a pena dar seguimento a uma leitura que a priori não me começou a agradar. E não me digam que é precisamente a mesma coisa ver um filme que nos descontenta. Falo de um filme visto no cinema, com 1 litro de pepsi e 3 quilos de pipocas. Por favor. Um filme dura em média 90 minutos.

Um bom exemplo. Ontem, iniciei a leitura de O Sentido da Noite, de Michael Cox e logo às páginas 22 senti que aquele livro me ia agradar.

Escrevo isto porque à cerca de 3 semanas tive uma saudável discussão, como o são todas as discussões com os meus amigos Jorge e Jorge, sobre o livro o Segredo de Rhonda Byrne. Ambos adoraram o livro e recomendavam-me a sua leitura. Eu fui dizendo que não lia esse tipo de livro e patati patata. Enfim fui um chato. Um vulgar mosquito. Uma pedra no sapato.

Mal sabiam eles que tinha encomendado umas semanas antes o livro à minha assistente do Círculo de Leitores. Fui um menino muito mal comportado. Será que o devo dizer. Será.

strechiado: o nascimento

Não foi na claridade do dia que strechiado apareceu pela primeira vez. Ele gosta da escuridão pura e crua. E nem a luz romântica do luar serve os seus propósitos de orgia celular.

Foi, assim, com naturalidade que strechiado iniciou as suas convulsões balsâmicas e puff renasceu.

a whiter shade of pale

Ontem após um jantar vegetariano, mas regado com um tinto da Bairrada foi noite para ouvir e ver o DVD de André Rieu (Live at Radio City Music Hall).

andré rieu

Muito haveria a dizer do seu espectáculo. Limito-me a escrever, “ESPANTÁSTICO

O motivo que me levou a escrever este post tem a ver com a peça musical incluída no Bonustracks do DVD.

Em concreto “A Whiter Shade of Pale” dos Procol Harum.

a whiter shade of pale

Tive a felicidade de crescer a ouvir boa música. A adormecer ao som de boa música. Esta canção é sem dúvida uma obra de grande beleza.
A voz de Gary Brooker, a letra Keith Reid e o som do orgão Hammond tocado por Matthew Fisher que foi inspirado pela peça de Johann Sebastian Bach “Air on a G String” originaram uma música imortal.

air on a g string

Ontem e hoje entretenho-me a recordar.

insónia v.3

It was starting to end, after what seemed most of eternity to me.
I attempted to wriggle my toes, succeeded. I was sprawled there in a hospital bed and my legs were done up in plaster casts, but they were still mine.
I squeezed my eyes shut, and opened them, three times.
The room grew steady.
Where the hell was I?
Then the fogs were slowly broken, and some of that which is called memory returned to me. I recalled nights and nurses and needles. Every time things would begin to clear a bit, somenone would come in and jab me with something. That’s how it had been. Yes. Now, thought, I was feeling halfway decent. They’d have to stop.
Wouldn’t they?
The thought came to assail me. Maybe not.
Some natural skepticism as to the purity of all human motives came and sat upon my chest. I’d been over-narcotized, I suddenly knew. No real reason for it, from the way I felt, and no reason for them to stop now, if they’d been paid to keep it up. So play it cool and stay dopey, said the voice which was my worst, if wiser, self.
So I did.

página 1


Roger Zelazny, The Great Book of Amber // editor: Avon Books, New York, Dez. 1999 // isbn: 0-380-80906-0

o bebedor de livros

I. Os livros e as prostitutas podem levar-se para a cama.
II. Os livros e as prostitutas entrecruzam o tempo. Dominam a noite tal como o dia e o dia tal como a noite.
(…)
V. Os livros e as prostitutas – ambos têm toda a espécie de homens que vivem deles e os atormentam. Os livros têm os crí­ticos.

página 99 e 155


Klaas Huizing, O Bebedor de Livros // tí­tulo original: Der Buchtrinker
tradução: Maria Névoa // editor: Cí­rculo de Leitores, Amadora, Maio 2001 // isbn: 972-42-2495-3

sentido

Não sei de onde efectuei esta tradução. Tinha isto na pasta antiga.portaviii.tempo (29.09.1999). Lembro-me que era de uma página sobre Maurice Maeterlinck(?)

O que é da vida vivida por entes sofredores que se movem no mistério de uma noite. Eles nada mais sabem que sofrer, sorrir, amar; quando desejam compreender, o esforço da sua inquietude transforma-se em angústia e a sua revolta se esvai.
Incitar, incitar sempre caminhadas preguiçosas do calvário que terminam dolorosamente em frente a uma porta de aço fria e cruel.
Tempos idos o sentido da vida era conhecido; agora os homens não ignoram que o essencial, pois sabem qual o fim da viagem e em que estalagem se encontra o leito de repouso.
Quando a ciência, a mais elementar, elevada, divinizada, julga aligeirar os fardos e uns se alegram; outros lamentam-se, sentem bem que de todos os fardos um foi ignorado: o fardo da dúvida. E só esse é o mais pesado de todos.
No meio de toda essa angústia existe uma ilha e na ilha existe um castelo, e no castelo há uma sala enorme iluminada apenas por uma pequena vela, e na grande sala estão pessoas que esperam. Esperam o quê? Não o sabem. Esperam que batam à porta, elas esperam que a vela se apague, elas esperam o Medo, elas esperam la Mort. Elas falam; sim, elas dizem palavras que perturbam um instante do silêncio, depois elas escutam novamente. Elas escutam e esperam. Ela não virá, talvez? Ela virá certamente. Ela vem sempre. Hoje é tarde virá, talvez, só amanhã. As pessoas na sala enorme esperam e sorriem. Alguém bate. E é tudo; é toda uma vida, é toda a vida.