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thoughts, versão 2.0

A group of people crossed his path, and he didn’t like them.
A man crossed his path, and he didn’t like him.
A woman crossed his path, and he didn’t like her
Faced with his own reflection in a window, he did not like the hate he saw in himself.


Na tentativa de obter uma história com apenas 50 palavras a partir de um texto de 2017 – thoughts – o resultado não foi o melhor. E só deu para perceber isso quando o texto foi rejeitado.

sucesso de martin amis

É um livro de mentirosos. De mentiras. De enganos. Desenganos. Os dois narradores Terry e Gregory mentem com quantos dentes têm e sem dentes. Enganam-se a si próprios e ao leitor. O leitor é o recipiente último das loucuras, divagações, preocupações dos dois narradores.

a narração de Terry:

— Olá — disse eu. — Como te sentes? Como foi o teu dia?
— Qual dia? — perguntou ele.
— A coisa está má, hein?
— Absolutamente um horror. A manhã de hoje parece tão longe como a infância. Sinto-me tão fraco que não posso fazer nada para passar o tempo. E assim o tempo não passa.
Perante o belo incentivo deste queixume agradavelmente ensaiado, quase deixei cair o meu saco do álcool quando o Gregory disse a seguir, num tom interrogativo:
— Terry, fica cá em cima esta noite e anima-me. Vá lá. Nem sei dizer como estou deprimido. Por exemplo, conta-me o teu dia. Como foi? Anda, serve-te de um copo e senta-te (…)

página 134

e a de Gregory:

— Greg, estas acordado? — chama ele.
— Acho que sim respondo.
— Olá. Como estás? Como to sentes?
— Sobe?
Comovente, isto. A minha doença parece ter tornado fácil ao Terry expressar a sua total preocupação comigo. Todas as outras coisas que empecilham as nossas relações, toda a inveja, espanto e culto do herói passaram para segundo plano por uns tempos.
(…)
E arrancou… para uma história miserável sobre um ou outro daqueles cretinos, labregos e pseudogente que trabalham no mesmo chiqueiro tenebroso que ele.

página 139

No meio de esperanças, narração de sonhos perdidos, conquistas não conseguidas o leitor vai descobrindo duas personagens que se odeiam mutuamente, mas que perfidamente precisam uma da outra para se odiarem – o ódio é o que as une; ódio a si, aos outros.

O humor, o sarcasmo, a ironia são as notas constantes – uma maravilha este “Sucesso” de Martin Amis.

Tradução de Telma Costa

Logo que os ódios rebentam, todas as reconciliações acabaram.

Denis Diderot

you, temporada 2

Continuando as (des)aventuras de Joe Goldberg, agora como Will Bettelheim, em Los Angeles, posso afirmar que estamos perante uma série mais madura, exceptuando a pornografia visual do episódio 2 – não se enquadra no esquema geral da série – e que se tornou mais agradável de ver.

As voltas e rodopios são inesperados e interessantes e tornam, por isso, “You” mais aceitável.

O que permitiu à série dar um salto qualitativo foi, também, o aparecimento da personagem Love Quinn, interpretada por Victoria Pedretti; personagem mais complexa e não enfadonha como a Guinevere Beck.

Joe Goldberg tornou-se um activo tóxico credível.

the outsider, a série

Vi ontem o primeiro episódio “The Outsider“, baseado na obra com o mesmo nome de Stephen King, e gostei.

Se algumas adaptações para a nona arte de histórias de Stephen King são logo nos primeiros minutos uma vergonha, com esta série isso não acontece, promete.

A atmosfera está perfeita; o enredo bem cadenciado – sublime – ajudado por uma banda sonora que se acomoda muito bem.

Adorei a actuação, plena de potencial. Aguardo com ansiedade mais episódios.

algumas considerações

The Witcher (a série) – o que não me aborrece muito é terem massacrado uma grande parte da história original; o que, realmente, não suporto é um enredo inconsistente, fracos diálogos, a merda do politicamente correcto (a cena da inclusão) e com isso matar Triss Merigold; e desde quando anões são apenas pessoas pequenas e elfos apenas “tipos” de orelhas ponteagudas?

O que compensa? O facto de Henry Cavill conseguir, convencer sem muito esforço, ser Geralt de Rivia (ele leva a série às costas); as cenas de batalha – a do primeiro episódio está exactamente como imaginava Geralt a lutar.

Em resumo: os livros de Andrzej Sapkowski são fantásticos e com eles mergulhamos com facilidade no universo The Witcher, com a série isso não acontece.

fragmento.00369

(Paulete: «O amor torna as pessoas ridículas. O ódio é um sentimento mais respeitável.»)
Estação das Chuvas de José Eduardo Agualusa (página 127)

operação bagration, o outro dia d

veículos alemães abandonados numa estrada perto de bobruisk, na bielorrússia

Operação Bagration foi o codinome para a Ofensiva Bielorrussa na Segunda Guerra Mundial, que retirou completamente as tropas alemãs da República Socialista Soviética da Bielorrússia e Polônia oriental entre 22 de junho e 19 de agosto de 1944.
A operação recebeu este nome em homenagem ao príncipe Pyotr Bagration, general das forças russas que foi ferido mortalmente na Batalha de Borodino.

A acção resultou na quase completa destruição do Grupo de Exércitos Centro e três de seus componentes: 4.º Exército, 9.º Exército e 9.° Exército Panzer. O resultado, foi “a derrota mais calamitosa” do exército da Alemanha na Segunda Guerra Mundial.

Foi um triunfo militar soviético, devido ao movimento coordenado da ofensiva em todas as frentes e operações para enganar o inimigo até a ofensiva geral, no verão de 1944. Apesar do grande número de forças envolvidas na operação, o inimigo não sabia onde e nem quando seria a operação.

Após a batalha, o exército alemão havia perdido cerca de 25% de todas as forças na Frente Oriental e não se recuperou da excepcional baixa em homens e material. Perdas de oficiais nazistas: 9 generais mortos, 22 capturados, 1 perdido e 2 cometeram suicídio. Ao final da operação o “Grupo de Exércitos Central” foi quase completamente destruído. Perdas materiais: 2000 tanques e 57000 veículos. Além de cerca de 400 mil mortos.

Perdas do lado soviético: 2957 tanques e 2447 peças de artilharia, 822 aeronaves. Perdas humanas: 180.040 mortos e desaparecidos e 590848 feridos.

Wikipédia

Tudo apontava que a antiga URSS poderia por si só vencer a Alemanha, facto que não interessava às potências ocidentais. A invasão da Normandia foi um episódio claramente importante, mas não foi o factor decisivo que conduziu à derrota dos nazis.

thoughts

A group of people crossed his path, he thought: ‘I don’t like them.’
A man crossed his path, he thought: ‘I don’t like him.’
A woman crossed his path, he thought: ‘I don’t like her.’
He saw himself reflected in a glass showcase. He thought ‘I don’t like the hate I see in me.’

a razão da máscara inaudita…

Aqui estou em a ser atacado por um dos piores e infames seres humanos: um artista. Estou assustado, mas disfarcei muito bem – acho! Mas ainda hoje ando em tratamento; e graças a isto o meu psiquiatra já comprou um Ferrari. Para agravar fiquei com uma inexplicável fobia a meias pretas.

esgar acelerado

eu e ele (esgar acelerado)

Não posso deixar de registo este episódio aqui, no meu cantinho.

Paulo Brito, espectador da minha exposição Hand Jobs, vítima de um inaudito ataque ninja com pincéis… uma arte marcial desenvolvida aqui pelo autor ao longo de décadas…

by Mr. Esgar

poderoso ataque. ficaria mesmo cego não fossem os óculos. nunca mais consegui brincar com o meu sock monkey – é do trauma!