Tag Archive for: pai

coccinella septempunctata

01 Mai
01.05.2010

“Olha, pai, uma carochinha. Anda fotografar!” – gritou a minha filhota.

Foi mais fácil de dizer do que fazer. A insecta não estava quieta; foi quase pisada por não ser mais caracol.

o espermograma ou a recolha mecânica de esperma

30 Mar
30.03.2010

Tirei a manhã porque o “casulo” que guardou o meu esperma teve de ser entregue até às 11h30 e nunca após terem passado duas horas da recolha – foi um trabalho mais que cronometrado.

Pensei que a “recolha” ia ser uma uma masturbação a duas mãos, mas as férias começaram e os filhos andam a fazer o que fazem melhor… a ferrar-me os joelhos – e ao descobrirem, anormalmente, o pai em casa de manhã, tive de refugiar-me no quarto de banho para um “solo mio“. Deve ter havido a libertação de quaisquer feromonas para que a populaça juvenil estivesse já acordada a horas pouco habituais; afinal a ideia de um coitus interruptus versão frasco de plástico foi destruída – cheque-mate!

Quando tinha 14 anos bastava pensar nas mamas da Edwige Fenech, agora diz-se seios!, mas na altura eram mamas e tetas os vocábulos popularizados, para a ejaculação sair fluída e sem qualquer negativismo Krishna. Com o barulho matinal não consegui atingir o relaxe perfeito adequado para a “recolha” e as batidas ritmadas na porta do quarto de banho seguidas dos gritos “paiiiiiiiiii o que estás a fazer???! caís-te!!…….”, “mãe o paiiiiii, nunca mais sai do quarto de banho” – a resposta da minha mulher “deixem o pai em paz, ele está com cólicas” mitigava os avanços contra a porta do maior vampiro que tenho em casa: a minha filha de 3 anos que após ranger os dentes, colocar os dedos em posição de garras e verbalizar uma onomatopeia rrrrrrrrrhhhhhhh afirma “sou mesmo um vampiro maléfico”.

Claro que nesta aventura a minha mulher ajudou-me imenso; as sua frases, ditas quando os miúdos estavam afastados do meu refúgio, foram o meu ânimo “então solitário como corre a brincadeira?”, “queres que coloque alguma música? ou que queime incenso?… já sei, uma dança!?” ou esta frase que revela incontestavelmente o quanto ela me ama “isso tem de ser entregue até às 11h30! por isso…”

A verdade é que já com alguma calosidade consegui cuspir, com alguma glória e quanto basta, esperma para o frasco de recolha.
Terminou. Espero que o resultado seja a ausência total de espermatozóides.

ah! mexilhões

08 Out
08.10.2009

O meu pai e mais dois familiares aventuram-se corajosamente no Domingo passado pelo mar dentro na busca dos melhores mexilhões que o atlântico pode oferecer.

A costa da Apúlia com os seus rochedos assustadores e perigosos foi o palco escolhido para audaz aventura.

Lutaram contra o sono, levantaram-se muito cedo, lutaram contra o vento, foram de bicicleta, desafiaram o frio de Outono, a temperatura da água rondava os 15ºC, mas não desistiram e de facas de cozinha em punho arrancaram piedosamente das rochas mexilhões suficientes para saciar várias pessoas desejosas de petiscar uma boa caldeirada.

Eu só soube desta aventura digna de qualquer epopeia quando recebi em minha casa, e maravilhas das maravilhas, sem qualquer contrapartida, um tacho com uma caldeirada super-mega apetitosa de mexilhão.

flower n.05

05 Out
05.10.2009

Mais uma flor do jardim do meu pai.
Adoro fotografar flores.
Não se queixam.
E são sempre fotogénicas.

Tenho mais algumas fotografias de flores no meu arquivo fotográfico.

vários i

26 Set
26.09.2009

vários I

Hoje ataquei mais umas prateleiras na casa dos meus pais e nos armários da minha casa. Sempre com o objectivo de uma ordenação bedêfila e não só. E descobri uma coisa do arco-da-velha:
uma encadernação identificada na lombada com os dizeres “Vários I” composta por páginas retiradas/rasgadas dos suplementos do jornal Público, El País e do Jornal de Notícias.

1. Do Público são diversas páginas de banda desenhada com o título “Histórias de Amor” desenhados por Miguel. São histórias com um humor, por vezes agri-doce, simplesmente delicioso. Investiguei, mas não descobri informações sobre o desenhador. As histórias datam de 1992-1993 e foram publicadas no suplemento Público Magazine.

histórias de amor

histórias de amor

2. Do jornal El País são cartoons de Mordillo, que dispensa apresentações; desenhos de de Carlos Romeu Muller (n. 1948 em Barcelona. Iniciou a sua carreira em 1971. Colabora regularmente com “El País” e com a revista “Muy Interesante”) intitulados “Historias de Miguelito” e “500 Años No Es Nada”.

urbano fobia

3. Do jornal ????? são cartoons intitulados “Blanca y Marta” por B&N. Não encontrei informações sobre o(s) autor(es).

4. Do Jornal de Notícias, no seu suplemento Notícias Magazine, são cartoons de Pedro Castro com o título Urbano Fobia; estes retratam de uma forma contundente os problemas políticos e sociais de 1992-1993, ainda, e infelizmente, muito actuais.

Falava-se da regionalização, do Tratado de Maastricht, das super-esquadras, do Alqueva, da Via do Infante, da burocracia e do célebre diploma da “vírgula”.

E já que o verso das páginas dos cartoons contêm alguma informação histórica(?) convém recordar que foi em 1993 que Luciano Benetton exibia-se nu num cartaz da sua marca com os dizeres “Quero a minha roupa”; na Sic tínhamos a novela “A Viúva do Enforcado”; foi, também, em 1993 que a marca de bolachas Maria Vieira de Castro ganhou nova embalagem.

lacertidae

13 Set
13.09.2009

Actualmente é uma lagartixa morta. A razão é simples: sobrevivência dos mais aptos.

O meu pai perante o grito apocalíptico da neta arrojou-se de vassoura em punho e pumba arrebentou as entranhas do bicho. Fica a foto para a posteridade.

já vou

07 Set
07.09.2009

Já = Neste instante, agora. imediatamente, sem demora, no mesmo instante. (ver priberam)

O meu filho, talvez por causa dos seus 11 anos, ainda não abraçou a filosofia do “já”. O “já” para ele é quando for; quando tiver de ser. O “já” dele ocorre essencialmente depois de tudo; depois da televisão, depois do wow, depois do guitar hero. E, com algum cansaço meu, poderia verificar-se nunca.

– Vai já lavar os dentes.
– Vou já.
– Já lavaste os dentes? Já vou, pai.

Aqui o “já” significa quebrar o tempo. É um “já” à Matrix. É um “já” “bullet time”. Este “já” demoraaaaaaaa bué e como tal é explosivamente enervante. É um “já” criador de cabelos brancos e de um violento e ruidoso suspiro.

Agora que escrevo isto já estou melhor. Até quando?

bricolage

06 Dez
06.12.2008

Hoje dia ventoso e a dita porta mal fechada a provocar de segundo a segundo o “tal” ruído. E é um barulho de merda. Chato. Irritante. Penso em levantar-me da cadeira para fechar a porta. Mas já que vou ter de elevar o meu corpo à sua posição bípede decidi ir mais longe e resolver o problema de vez.

Analiso a situação. Concluo que a calha de alumínio está ligeiramente levantada do chão e por isso a porta raspa nela.
A solução é simples e a execução ainda mais célere. De martelo na mão e após duas valentes marteladas é a maldita calha colocada numa posição mais elegante. Rente ao chão. Fecho a porta pelo lado de fora para admirar o meu trabalho de bricolage e de engenho humano. E o silêncio foi orgiástico.

Abro a porta e ela não abriu. Aparentemente embatia na calha. Mas como. COMO?

Vou pela porta frontal, a de entrada dos clientes, para perceber a sua recusa em se abrir. E não é que a calha motivada pelas marteladas ficou com a ponta levantada?? Solução mais duas marteladas na ponta. Resultado? Calha 1 – Martelo 0.
Eu deveria saber que marteladas não resolvem nada por isso resumi o uso do martelo a pancadinhas certas, cirúrgicas no alumínio. Mas a calha teimava em resistir.

Não pensem que desisti, que entrei em pânico. Eu nunca desespero. Eu chamo sempre o meu pai.

é minha

19 Mai
19.05.2008

Comprei uma bicicleta para mim, mas é o meu pai que anda nela” poderia ser o título do novo filme de Manoel de Oliveira.
# as linhas brancas seguintes servem como minuto de silêncio enquanto pensamos na assustadora possibilidade de outro filme de Manoel de Oliveira #
(pausa) (suspense) (hic)

em branco

poderia ser, mas não é. Agora que cumpri com a minha obrigação de fornecer um pouco adrenalina vou explicar. Comprei mesmo uma bicicleta. Foi com alegria que me desloquei à loja e desembolsei o pagamento. Montei na minha nova bicicleta de montanha e desci com facilidade até casa. No domingo seguinte fui conquistar Esposende. Conquistei Esposende passadas várias horas. Mas a bicicleta vinha com defeito tinha altos no selim e como tal fiquei com calos nas minhas formosas nádegas. O facto de, afinal, as subidas serem mais íngremes para quem anda de bicicleta é importante, mas irrelevante. A bicicleta ou permite um transporte com qualidade e conforto ou não vale a pena e como tal jurei a mim mesmo que enquanto não fizerem um selim mais aconchegado o meu rabiosque não seria mais torturado.

Abandonei a bicicleta e foi como que readaptada pelo meu pai. Não sei se o selim é de melhor qualidade, mas deve ser.

feirar

05 Mar
05.03.2008

“Vamos feirar.” foi dito com incontida satisfação por duas moçoilas que pairavam perto do meu pequeno-almoço.
O feirar, que é um verbo, recordou-me de uma frase dita por Egas, amigo de Carlos Maia:

Então, decidido.. Terça feira vou-te buscar ao Ramalhete, e vamo-nos gouvarinhar.

Os Maias por Eça de Queirós

Na terça-feira prometida Ega não veio buscar Carlos para se irem gouvarinhar. E foi Carlos que daí a dias, entrando como por acaso no Universal, perguntou rindo ao Ega:
— Então quando nos gouvarinhamos?

Os Maias por Eça de Queirós

Eça de Queirós, mestre dos neologismos, utiliza esta palavra quando se refere aos momentos de conversa e convívio, em casa da família da Condessa Gouvarinho.
O feirar já era usado por Gil Vicente, nomeadamente no Auto da Feira.

Quem quiser feirar,
venha trocar, qu’ eu não hei-de vender;
todas virtudes qu’ houverem mister
nesta minha tenda as podem achar,
a troco de cousas que hão-de trazer.

Auto da Feira por Gil Vicente

O feirar continua, mesmo, vivo e recomenda-se.

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beam me up, scotty!