Artigos

com esta chuva de annemarie schwarzenbach

Contos de viagens. Textos curtos, quase sempre cruéis que espelham uma palete forte de emoções: solidão, inquietude, paixão, desespero, conformismo.

Com uma linguagem sem luxos a autora cria cenários febris, personagens exóticas – impossível não gostar desta escrita estimulante.

Tradução de Ana Falcão Bastos

a catedral do mar de ildefonso falcones

A história é épica. “A Catedral do Mar” de Ildefonso Falcones tem todos os ingredientes clássicos para envolver o leitor: tragédia, revolta, esperança, vingança, superação, paixão, traixão.

Barcelona e a Catedral Santa Maria do Mar são duas personagens que testemunham as desventuras de Arnau. Personagens fortes, bem delineadas, e uma narração bem cadenciada oferecem uma história emotiva.

Não desgostei.

Tradução de José Vala Roberto e de João Quina Edições

manter a paixão

Desde o início da pandemia que Aleksandro é recebido no hall, assim que chega do trabalho, pela sua mulher Rubena ornada com luvas e máscara cirúrgica. Ela despe-lhe toda a roupa, colocando-a num saco de plástico; a roupa irá posteriormente para a máquina de lavar roupa.

Completamente nu, Rubena inicia uma tarefa que Salas sente ser agora o epítome da paixão. Rubena besunta-lhe o corpo com gel desinfectante com uma solução de 95% de álcool e demora-se pacientemente em todas as partes; sem pressas Aleksandro sente o corpo ser higienizado – sublime. E com um beijo nos lábios do seu marido Rubena dá o trabalho por terminado.

Esta rotina decorreu sem sobressaltos durante catorze dias. Hoje antes do ritual do beijo Rubena coloca uma máscara em Aleksandro e sussurra-lhe sensualmente ‘espera pela surpresa’. De olhos vendados ele aguarda saturado de desejo o regresso de Rubena.

A última frase que Aleksandro ouviu na sua vida antes do raspar de um fósforo foi ‘sente agora o ardor da nossa paixão’.

malchik

Um dos habitantes mais populares da estação de Metro Mendeleyevskaya era um rafeiro apelidado de Malchik. O que o destacava dos outros canídeos era o facto de ter escolhido aquela estação de metro como residência definitiva. Protegia a estação e os seus frequentadores contra a presença de outros animais e bêbedos.

Em 2001, Yulia Romanova, matou à facada Malchik. Este incidente provocou uma revolta generalizada. Mais tarde, em 2007, através de uma recolha de fundos, foi erigida uma escultura em memória de Malchik chamada “Compaixão”.


Episódio narrado por Claudio Magris em “O rafeiro e uma modelo” no livro Instantâneos.

página 98

e então vai entender de claudio magris

Neste monólogo narrativo sobre um amor total e falhado, uma mulher fala-nos a partir de uma obscuridade misteriosa – a partir da morte? – e revela-nos num tom terno e impiedoso, que contém toda a grandeza e mesquinhez da vida e da morte, as alegrias e misérias da paixão – e do homem que ela ama, mas renuncia seguir de volta à vida. Em E Então Vai Entender, Claudio Magris movesse entre a experiência pessoal e o mito; entre a vontade de fuga e a intensidade da permanência, entre a ligeireza e a tragédia.

Quetzal Editores

Excelente narrativa.


Tradução de José Colaço Barreiros

cinco esquinas por mario vargas llosa

O primeiro livro que tentei ler de Mario Vargas Llosa foi “A Festa do Chibo” comprado para ler durante a recuperação de uma sofrida intervenção cirúrgica. Não o consegui terminar porque decidi que precisava de uma leitura mais suave. Tenho um dia destes de pegar novamente no dito cujo.

Desta vez, sem quaisquer constrangimentos dolorosos, peguei no livro “Cinco Esquinas” e gostei. Gostei do suspense, das paixões, dos horrores, das denúncias, dos conflitos – uma excelente sátira de costumes.

Apesar de existir algumas personagens interessantes a exigir um maior desenvolvimento Vargas Llosa consegue com fácil destreza tratar da opressão política, da decadência moral, do papel importante do jornalismo; tudo isto bem misturado permite uma leitura bem divertida.

sensações

Não tenho muitos boxers temáticos; mas hoje que viste os meus boxers Paixão de Cristo sinto-me capaz de coisas altamente pecaminosas.

A cor púrpura é brutal!

4 3 2 1 de paul auster

Entre muitas outras leituras fui lendo calmamente esta obra.

Antes de mais, 4 3 2 1, é um livro pesadão de 872 páginas, mas que se lê bem; muito bem até.
Archie Ferguson, a personagem principal, tem a sua vida desdobrada em quatro caminhos. São, assim, apresentadas quatro vidas de Archie, temperadas com sexo, solidão, amor(es), tristeza, alegria, que divergem umas das outras devido a pequenos acontecimentos e escolhas. Mas logo se percebe que as pequenas escolhas se transformam em grandes mudanças.

Para ajudar na distinção da vida dos quatro Archie os capítulos são numerados da seguinte forma:
Archie I
1.1, 2.1, 3.1, 4.1, 5.1, 6.1, 7.1 – Fica-se a saber que Archie morre num incêndio em Rochester enquanto dormia.
Achie II
1.2, 2.2 – Archie morre com o impacto de um ramo na sua cabeça.
Archie III
1.3, 2.3, 3.3, 4.3, 5.3, 6.3 – Archie morre atropelado em Londres.
Archie IV
1.4, 2.4, 3.4, 4.4, 5.4, 6.4, 7.4 – e aqui tudo fica explicado ou talvez não…

Assim 4 3 2 1 é, naturalmente, a contagem decrescente para a morte de Archibald Isaac Ferguson (Archie Ferguson).
E descobre-se que o livro tem vários livros dentro de si. Não é apenas quatro em um, mas acima de tudo um em quatro.

É uma obra de grande fôlego. Narra, não apenas as vidas dos Archie, mas consegue-o envolver perfeitamente nas convulsões sociais dos EUA: a contracultura, o movimento dos direitos civis, o Black Power, a guerra do Vietname,  e os movimentos pró e contra, a importância do SDS, a ocupação da Universidade Columbia, em Nova York por estudantes,  a revolta em Newark, Nova Jersey, o assassinato de Martin Luther King e a onda de violência que se seguiu.

4 3 2 1 fala de filmes e de livros com uma paixão desmedida, ah! e também de música. Uma maravilha.

É um livro que merece ser lido com calma.

mesa redonda com ilustradores – feira do livro de braga: a minha apreciação

mesa redonda com ilustradores

mesa redonda

Assumo que fui ontem a Braga apenas à apresentação do livro Obscurum Nocturnus por Diogo Carvalho. Desconhecia, assim, que ia haver uma Mesa Redonda com Ilustradores.

Apenas um suave apontamento: se o meu programa de reconhecimento facial demora um bocado de (muito) tempo a processar a imagem que os meus olhos recebem e é algo pelo qual sou conhecido, para o bem ou para o mal, cada um o entenderá como o quiser, digo-o, contudo, que nunca é intencional. Como diz a minha filha “pai tu andas sempre nas nuvens, mas devem ser especiais porque és robusto 🙂

Como o que mais tinha era tempo lá esperei e assisti mesmerizado a cada uma das intervenções. E apesar de conhecer, apenas, os trabalhos de Diogo Carvalho, mais profundamente, e de Sebastião Peixoto (descobri pela primeira uma ilustração sua na excelente Tornado – Digital Zero Artshow) e Pedro Seromenho, ligeiramente, fiquei naturalmente perplexo por tão perto de mim, ainda, ter dois artistas desconhecidos: Susana Leite e César Figueiredo.

O que saliento desta informal mesa redonda é a paixão que cada um dos oradores dedica ao que faz e é essa paixão que os torna cativantes e fáceis de escutar.

César Figueiredo foi a grande descoberta da noite e revela o quanto por muito conhecimento que penso adquirir a cada leitura que faço a verdade é que ainda há muito a descobrir no mundo da ilustração.
O engraçado é que apesar de ler com alguma regularidade a revista francesa Historia e mergulhar em mundos antigos através de imagens nunca parei para analisar sobre o trabalho que está por detrás daquelas ilustrações. Levei, educadamente, um metafórico puxão de orelhas de César Figueiredo, que sem usar qualquer termo técnico explicou de forma colorida o mundo maravilhoso da ilustração arqueológica e histórica.
Como curiosidade já tinha descoberto o desenho cientifico já que fui levado a esse mundo pela primeira vez através de Pedro Salgado que publicou um artigo na revista Margens e Confluências 2008/2009 e da qual tenho um precioso exemplar.

césar figueiredo

césar figueiredo

Sebastião Peixoto, confessou que não se sente confortável a falar para o microfone; isso não o impediu no mais espectacular estilo telegrama de conseguir obter sorrisos rasgados enquanto explicou em “filme sem som” mas com comentários pontuais o que é a ilustração digital.

sebastião peixoto

sebastião peixoto

Diogo Carvalho, foi para mim o momento especial da noite e a razão de estar ali. Adorei o ouvir e sentir o homem que criou “Cabo Connection” e o espectacular Obscurum Nocturnus. Falou sobre BD – Arte sequencial explicando através do seu trabalho um pouco da nona arte.

diogo carvalho

diogo carvalho

Compro pouca banda desenhada, porque me apaixonei pelo trabalho de “certos e determinados” artistas e estou sempre à espera que produzam novas obras.
Sim: também vou comprando outras coisas, mas mais alternativas como ultimamente: Magic Mirror – A Collection of Comics por Ed Pinsent, ou The Unknown Adjective and Other Stories por Doug Skinner.

diogo carvalho + eu + diogo campos

diogo carvalho + eu + diogo campos

Pela altura da sessão de autógrafos tive a oportunidade de falar um pouco com Diogo Campos e de estar com Arlindo Fagundes que veio cumprimentar o Diogo Carvalho.

Pedro Seromenho é um orador nato. É um contador de histórias multifacetado. Senti-me um puto a ouvir as suas palavras e a seguir os seus gestos. Pedro conseguiu-me hipnotizar e colocar-me dentro de um filme 3D apenas com gestos e palavras. Falou do seu novo livro e da relação entre a escrita e a ilustração.

pedro seromenho

pedro seromenho

Susana Leite não se deixou intimidar pela maioria masculina e revelou que é uma mulher de armas e com uma imaginação soberba. Falou sobre ilustração e técnicas mistas usando um dos seus livros como exemplo e digo-vos que exemplo! Um livro ímpar. Material base: pintura em cerâmica. Foi ousada, mas conseguiu obter um resultado mágico.

susana leite

susana leite

Para mim foi uma noite em grande, na companhia de cinco artistas que revelaram preto no branco e a cores e a som trabalhos tão diferentes, mas que estão todos unidos pela paixão, pela criatividade, pelo sacrifício.

Venderam-me bem o peixe – admito, mas a culpa é deles eu fui uma vítima inocente.

jen zee

I have much to explore, and am even more excited to learn all that I can within the realm of conceptual art and illustration. Though sacrificing personal art-time for theorum-proofing does indeed suck, I would like to believe it has given me a passion for learning, positively affected my work ethic, and lead to development of way-too-many interests which fit nicely with my art-brain (i.e. my favorite book is “Star Wars: The Essential Guide to Vehicles and Vessels”… no… really). Just the same, thank goodness I’m finished with it. On with the art.

from Jen Zee

becoming real

becoming real

copyright by Jen Zee