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No enorme átrio alcatroado havia vários contentores enferrujados posicionados como os monólitos da ilha da Páscoa. O Mercedes cinzento fora estacionado de esguelha entre dois deles. Quando Hodges e Huntley chegaram, havia cinco carros da polícia no local, dois de frente um para o outro junto ao porta-bagagens do carro, como se os agentes esperassem que o grande carro cinzento se fosse ligar sozinho, como aquele velho Plymouth no filme de terror, e tentasse sair dali.
Mr. Mercedes de Stephen King (pág. 67)

Referência ao Plymouth Fury 1958 do filme “Christine” realizado por John Carpenter e que se baseia no livro (1983) livro homónimo de Stephen King.

igrejas de lalibela

o templo de são jorge

As igrejas escavadas na rocha de Lalibela constituem um Património Cultural da Humanidade situado na Etiópia, a 640 km ao norte da capital, Adis Abeba, e a 1.500 m de altitude. Onze igrejas e um mosteiro, além de vários sepulcros e outros lugares sagrados formam uma cidade labiríntica escavada no subsolo. Cada um destes templos foi talhado na rocha da montanha, como se fossem esculturas. O templo de São Jorge, um monólito em forma de cruz grega, é o principal.

Wikipédia

o templo de são jorge

A Etiópia tem uma das mais antigas tradições cristãs. Para seus fiéis, de tradição copta, a peregrinação a Lalibela tem o carácter de uma viagem a Jerusalém. As igrejas transformaram a cidade em um lugar de orgulho e de peregrinação para os fiéis da Igreja Ortodoxa Etíope, atraindo 80.000 a 100.000 visitantes por ano. Nesses dias, a Fasika, Páscoa etíope, torna Lalibela o centro do país.

Lalibela ficava para norte, a grande distância; tratava-se da longínqua zona onde ficavam situadas as belas igrejas coptas do sécul XII esculpidas em rocha vulcânica e que figuram em todos os cartazes que dizem «Venham visitar a Etiópia». A cidade ficava nas montanhas Lasta (…)

Viagem por África de Paul Theroux (página 171 )


[1] Lalibela: map of the site, showing the location of the churches (numbered) and the areas of spoil (in colour) resulting from the cutting of the monuments (satellite photograph: Google Earth. Geomorphological observations and mapping: L. Bruxelles/INRAP/CFEE)

de lado – 0026

A ASAE em conjunto com os Serviços Tributários, a PSP e a GNR está a realizar uma intervenção evangélica este Domingo. Imensas cruzes por todo o país estão a ser apreendidas por não cumprirem os mínimos critérios de higiene definidos pelo Despacho n.º 666/06 de 31.02. A não utilização de toalhetes de PH neutro para limpeza da imagem de Cristo está a levar à passagem de coimas. As congras pagas sem a passagem do respectivo recibo de quitação estão a ser retidas pelos fiscais.
Sabemos igualmente que a PSP e a GNR está a considerar algumas das cruzes armas brancas e como tal está a submeter o seu portador a testes de álcool.

Este Domingo está a ser uma Páscoa negra.

uma da páscoa, outra santa!

Duas manipulações.

o porquinho-da-índia

Ofereci ao membro mais novo da família um porquinho-da-índia abissínio de pêlo muito sedoso. Veio acompanhado de uma casota com um esconderijo, feno da montanha com extra camomila, ração, 750 gramas de cavie nature, 22kg de serradura. A compra foi uma decisão espontânea e como todas as coisas que realizo sem causa aparente tive um inicial calafrio de receio – mas o bicho é tão pequeno e fofinho. O que poderia acontecer de mal? Nada, certo? Errado.

O primeiro imprevisto surgiu logo em casa e muitas leis de Murphy poderiam ser aplicadas à situação: não foi fácil colocar a residência oficial do bicho no local pensado previamente. Com as medidas de 100cmx45cmx40cm a gaiola estacionou, finalmente, no balcão da cozinha junto à janela por uns justos centímetros, ufa! Primeiro mede-se o espaço e depois adquire-se o objecto, já deveria ter aprendido isto com o roupeiro, mas sou muito distraído com estes pormenores à carpinteiro. Tenho de admitir que não antecipo os problemas que podem ocorrer por ausência de medições prévias.

Ainda me recordo do meu primeiro contacto kafkiano com a bricolage: a colocação de uma estante na parede do quarto do meu filho. Na altura tinha uma enorme caixa de ferramentas 16 Dexter, habitáculo ideal para o vácuo. Actualmente tenho uma enorme caixa de ferramentas 16 Dexter com uma broca, fita adesiva preta, buchas, parafusos, martelo, desandador.

Na loja de ferragens: “Quero um parafuso para pendurar uma estante na parede.” “Na parede?” “Sim.” “Tamanho?” “Sei lá! Acho que deve ter 1 metro.” “Não, o tamanho do parafuso?” “Um que aguente a estante. Ou, melhor dois parafusos, a estante tem duas coisas de ferro na parte de cima.” “Ah, já vem com chapas para cabides!” “Só a montei seguindo as instruções no papel, não decorei o nome das peças.” “Pois. Bem, para isso parafusos 6 devem servir, mas se já tiver buchas leva parafusos para as buchas que tem.” “Buchas?” “Sim, são necessárias para fixar qualquer parafuso à parede.” “Veja. Eu tenho uma caixa de ferramentas com um martelo, uma broca, fita adesiva e com aquilo para apertar parafusos. Por isso dê-me o que preciso para colocar a estante na parede.” “Certo, dois parafusos 6, duas buchas 6.” “Não tem parafusos com outro feitio. A ferramenta que tenho para os parafusos não tem o formato desta racha.” “Certo, precisa de um desandador novo. O seu desandador deve ser de estrela. Mais alguma coisa?” “Não, acho que está tudo.” “Só uma pergunta. Qual o tamanho da broca?” “Não sei. O meu pai usou-a para furar a parte detrás do móvel da sala para passar o cabo da televisão e fiquei com ela.” “Mas então é uma broca de madeira.” “Não é mesmo de ferro.” “Não é isso. É uma broca para furar madeira.” “E?” “Precisa de uma diferente para furar a parede.” “Que seja. Hoje estou por tudo.” “Dois parafusos, duas buchas, uma broca, um desandador. Penso que basta. Tem berbequim?” “Não tenho, mas uso o do meu pai. Deve dar para furar a parede?” “Sim, só tem de usar a broca que leva.” “Certo. E já agora dê-me 20 parafusos e 20 buchas; assim, uso sempre as mesmas coisas para os trabalhos lá em casa.”

apenas um extracto, a história completa aguarda publicação

varicela

Para apimentar o fim das férias da páscoa o meu filhote apanhou a varicela.

Tem tido um ano de azares sortudos, porque as coisas ainda lhe vão correndo bastante bem a nível escolar, e o grave acidente com a bolota acabou em ouro. Mas desde a maldita bolota, e até hoje, a sua ausência às aulas já ultrapassa as três semanas.

páscoa, 18.04.1976

No dia 18.04.1976 foi entregue esta singela pagela aos paroquianos barcelenses.
O Prior era o Padre Alberto da Rocha Martins.

Neste post começo a exibir pagelas, vulgo “santinhos” que eram pertença das minhas saudosas avós.

trevo de 4 folhas

Não há dúvidas. Isto é um trevo de quatro folhas.
Não foi colhido no meu jardim.
Não foi colhido no jardim alheio.
Foi colhido na berma da estrada.
Entre muitos trevos normais, aqueles de três folhas, este é uma anomalia genética, uma aberração.
Decidiu ser diferente. Ora vejam só.
E como acontece a muitas “coisas” diferentes foi, talvez, mais penalizado do que beneficiado.
Foi extraído do grupo por dois dedos. O polegar e o indicador sem a necessidade do uso de força extrema encarregaram-se de o salientar do grupo arrancando-o. Simples. Mortal.
A mão a que pertence esses dois dedos, não é nem uma mão assassina, nem uma mão marota, nem uma mão amoral, nem uma mão curiosa, é apenas uma mão invejosa. Sei que não devo adjectivar desta forma uma mão; mas sinto-me desculpado. É quase páscoa e isto vale para alguma coisa? É o que eles costumam dizer por aí.
Retomando o discurso, que vejo ser já de alguma incoerência, a mão executou apenas a vontade de um ser maior, a mente. E o que desejava a mente? Um trevo de 4 folhas, uma coisa dissemelhante, para o exibir. E depois o espremer até secar entre as páginas de uma livro porque dá sorte. Que sorte?

Ser diferente é bom? Pergunto. Ou é melhor ser igual? pergunto também.

páscoa, 22.04.1962

No dia 22.04.1962 foi entregue esta singela pagela aos paroquianos barcelenses.
O Prior era o Padre Alfredo Martins da Rocha.

cruzes

Hoje já assisti ao passeio de muitas cruzes
pousadas elegantemente no ombro,
deslizando graviticamente para o chão,
empoleiradas no pescoço em precário equilíbrio,
verticalmente suspensas,
embaladas no colo.
São muitas cruzes.
Fiquei a pensar se não seria verdade o que dizem: “Deus está em todo o lado.”