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blueberry #04 – o cavaleiro perdido de charlier e giraud

Blueberry voluntaria-se para se encontrar com o chefe apache Cochise e encetar negociações de paz. Mas, para isso, tem de encontrar Crowe. Jim MacClure, um batedor que conhece a região melhor do que os próprios índios, aceita servir-lhe de guia até ao acampamento do chefe Charriba, onde, segundo ele, Crowe se encontra. À sua chegada, porém, ambos são tomados por perigosos espiões e capturados. Prestes a serem torturados e executados, são salvos pela chegada inopinada de Crowe, que assume a sua defesa junto do chefe. Mais tarde, Crowe informa Blueberry que o chefe Cochise e os seus homens se encontram em Sierra Madre, no México, onde o governador Armendariz lhes fornece armas e munições para continuarem a guerra…

Bandas Desenhadas

Aqui é dada a conhecer uma personagem super divertida – Jim MacClure.


Tradução Paula Caetano

blueberry #03 – a águia solitária de charlier e giraud

A guerra contra os Apaches está ao rubro, mas Blueberry consegue resgatar o jovem Stanton com a ajuda de Crowe. Este, contudo, desaparece na refrega, deixando Blueberry sozinho na missão de convencer as autoridades de que não são os Apaches os responsáveis pela guerra. Para defender a causa da paz junto do general Crook, que tem plenos poderes na matéria, Blueberry parte para Camp Bowie, onde Crook reside; mas, para isso, tem de escoltar até lá uma carroça carregada de munições. Assim começa uma viagem de alto risco, seguida de perto por um terrível adversário que tudo vai fazer para se apoderar das munições em trânsito e, com isso, assegurar a continuação da guerra a qualquer preço: um apache rebelde de nome Águia Solitária.

Bandas Desenhadas

E isto continua a bombar forte e feio – fantástico.


Tradução Paula Caetano

Em que é que estava a pensar, naquele momento?
Nos seus segredos e em todas as esperanças e medos, no lugar que ocupava no amor: a minha mãe era uma mulher complicada, embora na altura eu tivesse a impressão de que ela era simples e transparente.
O que eu sei sobre nós, sobre o que nos aconteceu, está encerrado nesta imagem: braços abertos, ninguém que ela possa apertar ou agarrar, a única coisa que ela era capaz de fazer, e eu a afastar-me.
A Vida Feliz de Elena Varvello (página 81)
Os livros mudam o mundo? Sim, claro, alguns mudam — estão mudando. Basta pensar na Bíblia, no Alcorão, n’ A Origem das Espécies, n’O Manifesto Comunista, em Lolita, n’Os Versículos Satânicos ou em Dona Benta — Comer Bem. Mas mudar, infelizmente, não significa melhorar. Dos livros citados acima nem todos trouxeram paz e prosperidade ao planeta — muito pelo contrário. Não que sejam intrinsecamente maus. Acontece que muitas pessoas olham para os livros como para espelhos: não estão interessado em ver os outros neles (que é o melhor que um livro nos pode dar), mas apenas a si mesmas; não procuram o confronto de ideias, querem encontrar nos livros a confirmação dos seus próprios preconceitos.
O Paraíso e Outros Infernos por José Eduardo Agualusa (pág. 228/229)

chocolate

— Comeste chocolate?
— Como sabes?
— O teu hálito cheira a chocolate.
— Ah! Sim comi.
— Nem foste capaz de negar.
— Queres que seja mentiroso? Tu é que compras o chocolate. Tentas-me.
— Sim, sou eu que compro o chocolate, mas eu sou magra. E além do mais estava escondido.
— Escondido? Que grande esconderijo, à frente das bolachas. Conclusão, sou gordo e guloso. E o facto de seres magra dá-te direito a comeres só tu o chocolate? E toda esta revolta por causa de 100 gramas de chocolate. Insultas-me.
— Insultos? Não és gordo?
— Claro que não sou gordo, tenho é excesso de peso.
— Pois é isso mesmo… e não foste guloso em comer todoooo o chocolate?
— Claro que não, fui oportunista. A oportunidade faz o comilão.
— Tens razão não és gordo nem guloso… és um chato do caraças. Xiça.
— Não digo que não. Quando vais comprar e esconder mais chocolate?
— Apaga a luz e dorme.

O exemplo possível de uma conversa com uma pessoa que não saiba partilhar chocolate.

a forca por joe abercrombie

Como defenderá alguém uma cidade rodeada por inimigos e infestada de traidores, quando os seus aliados não merecem confiança e o seu antecessor desapareceu sem deixar rasto? Bastará para fazer um torturador sentir vontade de fugir (mesmo que conseguisse caminhar sem bengala) e o inquisidor Glokta precisará de encontrar as respostas antes que o exército gurkês lhe bata aos portões. Os nortenhos passaram a fronteira de Angland e espalham fogo e morte pelo território gelado. O príncipe Ladisla pretende rechaçá-los e cobrir-se de glória eterna. Há apenas um problema: ele comanda o exército com o pior armamento, a pior preparação e a pior liderança em todo o mundo. E Bayaz, Primeiro dos Magos, lidera um grupo de aventureiros arrojados numa missão pelas ruínas do passado. A mulher mais odiada do Sul, o homem mais temido do Norte e o rapaz mais egoísta da União poderão ser estranhos companheiros de viagem, mas, se conseguissem deixar de se odiar, seriam também companheiros potencialmente letais. Segredos ancestrais serão expostos. Batalhas sangrentas serão ganhas e perdidas. Inimigos declarados serão perdoados… mas não antes da forca.

Edições Asa

A Forca, segundo volume da trilogia “A Primeira Lei”, por Joe Abercrombie é uma leitura sólida. Não há surpresas, e como tal é lida sem sobressaltos. Se o uso de capítulos intercalados, que nos obrigam a perceber as aventuras de várias personagens ao mesmo tempo, para forçar a leitura, é um método poderosamente condicionante, e que na “Lâmina” foi uma mais valia, o ponto alto da narrativa aconteceu, mesmo, quando personagens aparentemente sem nada em comum se encontram, n’A Forca, isto, aborreceu-me um pouco.

Tirando as cenas de cariz sexual, fracas e quanto a mim descontextualizadas, o resto do livro vale por ser mais do mesmo: violência, magia, mais violência, linguagem sem papas-na-língua e violência, e traição.

a terrível e a mascote

A primeira foto comprova preto no autocolante o quanto a filhota adora decorar, colar, pintar. Aparentemente não é nada, concretamente é um roupeiro.

Estas duas exibem o seu peluche de eleição o temível e assustador crocodilo capaz de afastar qualquer pesadelo e matar potenciais monstros debaixo da cama.

a terrível e a mascote

a terrível e a mascote, zoom

a terrível e a mascote, margarida

a terrível e a mascote

as palavras

“Foda-se!”, gritei mal os lábios tocaram o líquido castanho.
“O senhor bem que podia ter cuidado com a linguagem. Está aqui uma criança.” Isto foi nasalado por uma senhora pimpona acompanhada por um rapaz dos seus 15 anos.
Reconheço que o impropério saiu-me assim de rajada. No entanto o café estava quente como o caraças.
Controlei-me para não mandar a senhora dar uma volta ao bilhar grande. Detesto que me chamem a atenção. Odeio.
Contudo, a minha rebeldia ganhou. Tive de cuspir uma resposta em tom de pergunta. Arrojei um “PÁ!” para chamar a atenção do adolescente; e perguntei-lhe “sabes o que quer dizer a palavra cona?” A senhora ficou mais do que chocada, não sei se pela pergunta, se pelo balançar da cabeça do miúdo a indiciar um sim.
“Se sabes o que significa cona significa que já sabes de foda. Por isso foda-se e deixe-me em paz!.

o vosso rebelde: BigPole

(…) De certo modo, todos os deuses das velhas religiões eram imperfeitos, tendo em conta que os seus atributos eram apenas os atributos humanos ampliados. O Deus do velho testamento, por exemplo, exigia uma submissão humilde e sacrifícios e tinha ciúmes dos outros deuses. Os deuses gregos tinham ataques de amuo e querelas de família e eram tão imperfeitos como os mortais…
— Não – interrompi — Não estou a pensar num deus cuja imperfeição é fruto de candura dos seus criadores humanos, mas um deus cuja imperfeição represente a sua característica essencial: um deus limitado na sua omnisciência e poder, falível, incapaz de prever as consequências dos seus actos e criando coisas que conduzem ao terror. Ele é um Deus… doente, cujas ambições excedem os seus poderes e que, a princípio, não realiza esse facto. Um deus que criou os relógios, mas não o tempo de que estes são a medida. Criou sistemas e mecanismos que serviam fins específicos, mas agora ultrapassou-os e traiu-os. E criou a eternidade, que deveria ser a medida do seu poder e que afinal é a medida da sua infinita derrota.

Solaris por Stanislaw Lem

os dados estão lançados

Com uns miseráveis 7 anos comecei a ler “Guerra de Paz”; apenas 7 anos depois é que retomei a leitura e a terminei.

Com uns deliciosos 10 anos li – oferta da minha mãe – “Esplendores e Misérias das Cortesãs” e uma obra, rapinada ao meu Tio João, “Os Dados Estão Lançados”, que me catapultou para outros níveis; muito mais tarde consegui comprar só para mim uma edição (5ª edição) da obra de Sartre.

De seguida li o “Despertar dos Mágicos” cujo número de páginas não me assustou. Se percebi metade do que li, claro que não, acho que nem um terço.

Depois, com este impulso, comi avidamente todos os clássicos literários/ensaios, etc. Se algum ficou de fora foi por que não havia na biblioteca itinerante Gulbenkian à qual tinha acesso privilegiado. Iniciei-me na letra [A]lain-Fournier e terminei na Stefan [Z]weig – literalmente.

“Os livros da minha vida”, um artigo que recomendo lerem de David Soares na revista Bang n.º 9 (falarei da revista noutra altura), levou-me a pensar nos meus livros; esta é a primeira verdadeira entrada directamente do sótão.

Para terminar entendo que devo concluir esta pequena visita ao sótão dos meus livros com umas palavras que estão escritas num possível livro que está, apenas – para já, para sempre? – a ser-me revelado:

O que é deliciosamente assustador, naturalmente, sem a profusão literária das memórias involuntárias produzidas pelo sabor das migalhas da madeleine de Proust misturadas numa colher com chá, são os pequenos pedaços do meu passado, desencadeados por um cheiro intenso de saudável maresia, que se foram desenrolando na mente enquanto tentava adormecer e outros fragmentos que entretanto surgem enquanto tento descrever essa noite – e não havendo, na verdade, qualquer sequência cronológica e muito menos lógica nas lembranças, são, não obstante isso, os fotograficamente eternos pequenos instantes do meu passado. O que é, afinal, um homem sem memórias? de si e dos outros? Não me imagino a conseguir viver, a continuar a existir, sem a consciência de mim e do meu passado sempre presente. Descubro-me muitas vezes a pensar que são estes meus devaneios que me animam, que diabolicamente, também, me angustiam, mas que, surpreendentemente, dão – ou tentam? dar – algum ténue sentido ao meu viver.

fragmentos de um paradoxo

… e neste(s) meu(s) passado(s) os livros têm uma presença constante.