Artigos

(…) A comida tresanda a cólera, viajar lá é sempre desconfortável e por vezes perigoso, e os afegãos são preguiçosos, inativos e violentos.
O Grande Bazar Ferroviário de Paul Theroux (página 98)

Eis uma forte opinião ou apenas uma afirmação política! (livro escrito em 1975)

As pessoas queixavam-se dos impostos e do recrutamento como sempre; mas havia um vazio sob a apática crucificação da política.
O Pistoleiro de Stephen King (página 156)

momentos…

O típico americano não é o exportado pelas séries televisivas Friends ou outras que tais. Será o típico americano um boçal no seu melhor e no seu pior – talvez?

Independentemente disso Trump é o expoente máximo do tosco. Nos EUA ele é o rei dos boçais. O expoente máximo da grossaria com honras televisivas nos noticiários e fonte inesgotável de piadas nos inúmeros talk shows nocturnos.

Ontem numa amostra de quatro foi feita uma sondagem e o resultado foi unânime; não o vemos a perder a reeleição. O caos vai vencer.

E o Obama foi um bom Presidente perguntaram-me. Se olharmos para a sua presidência e retiramos da equação a sua simpatia e educação, a verdade é que com ele pouco mudou nos EUA. Por exemplo “O Muro” de Trump que tanto choca foi reforçado em algumas partes e aumentado noutras pela administração Obama, mas o sorriso dele era fantástico.

E eis quando a mais nova diz — é como nos pinguins de Madagáscar “É só sorrir e acenar, rapazes! sorrir e acenar!”


Outro momento anómalo neste meu porta VIII.

o periférico de william gibson

Grande aposta da Saída de Emergência. Autor de culto, numa obra memorável.

A história é um verdadeiro puzzle que força o leitor a juntar as peças. Com uns primeiros capítulos a obrigar a uma segunda leitura (confusos), depois de perceber a mecânica e tomar uns apontamentos paralelos foi sempre a abrir.

O Perifério é um livro complexo: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se” [1]


[1] O primeiro anúncio da Coca-Cola em Portugal, mais de 40 anos após o seu lançamento nos EUA, foi criado pelo poeta Fernando Pessoa, mas acabou por ficar apenas no papel por razões políticas.


Tradução de Luís Santos

Os pastores percorrem vastas extensões, pastam os seus rebanhos sem preocupações políticas ou sociais (…) os camponeses instalam-se, constroem, erguem, edificam aldeias (…). O capitalismos pode nascer e com ele irromper a prisão. Tudo o que recusa esta nova ordem nega o social: o nómada inquieta o poder, tornando-se incontrolável como um eletrão livre e impossível de perseguir, logo, de fixar, de convocar.
Teoria da Viagem. Uma Poética da Geografia de Michel Onfray (páginas 14 e 15)

lazarus: família (vol. i)

O mundo está agora dividido não por fronteiras políticas ou geográficas, mas sim financeiras. Riqueza é poder, e esse poder reside unicamente nas mãos de um pequeno número de famílias. Os poucos que fornecem serviços à família que os governa são bem tratados. Todos os outros são desperdício. Em cada Família, há uma pessoa a quem é dado tudo o que de melhor a Família pode oferecer: treino, tecnologia, equipamento, toda e qualquer vantagem científica. Essa pessoa torna-se a espada e o escudo da Família, o seu protetor, o seu Lazarus. O Lazarus da Família Carlyle é uma rapariga chamada Forever. Esta é a sua história.

Devir

Adorei a história negra, sangrenta e distópica. A começar a pensar em adquirir os originais não editados em Portugal. (Não estou a ver a Devir a editar a obra na sua totalidade)

Uma grande obra da dupla Greg Rucka (texto) e Michael Lark (desenhos) e cores de Santi Arcas.

o fator humano por graham greene

Maurice Castle é um ex-diplomata britânico que trabalha no MI6, em Londres, e é casado com uma bela sul-africana. O seu dia-a-dia de agente de secreto parece ser mais burocrático do que se imaginaria, até que uma fuga de informação traz à tona o seu passado, desorganiza a sua vida e coloca em xeque o seu futuro. Este livro é a história de um agente duplo, forçado a essa situação pelo seu amor por uma negra. Aborda o tema do apartheid e do racismo, condicionado de um lado pela política britânica e do outro pelas ambições russas.

Leyaonline

Mais que agradável – viciante. Continuo a adorar ler este escritor.


Tradução de Maria João Freire de Andrade

coisas de futebol e de portugal

Primeiro: não me empolgam as conquistas de futebol da equipa portuguesa. Fico mais entusiasmado com o Campeonato Mundial de Corrida de Caracóis.

Segundo: vivo com alegria num país em que todos os políticos e agentes são mais que gente séria e idónea. Talvez seja o motivo para não me impressionar com os feitos futebolísticos. Só a seriedade solidária é um feito.

As pessoas sérias têm duas características:

  1. Todos dizem de si mesmo e dos outros “é pessoa séria”
  2. apesar de sofrerem todos eles de “falta de memória

Será, possivelmente, a falta de memória que os faz ser pessoas sérias? A amnésia selectiva é actualmente a doença profissional galopante entre esta gente.

Apesar de todos se sentirem ser gente séria acredito cada vez menos nesta gente e mais no Pai Natal.


_update: 15h13
Agora que visito um dos meus blogs de referência encontro isto.

Substituir os políticos no poder pelos que estão hoje na oposição e esperar que alguma coisa mude é o como pintar uma pedra de amarelo e ter fé que, espremendo bem, dê limonada.
O Paraíso e Outros Infernos por José Eduardo Agualusa (pág. 306)

unthinkable

Este filme dirigido por Gregor Jordan tem um argumento muito inteligente de Peter Woodward e com as actuações de Samuel L. Jackson, Carrie-Anne Moss e Michael Sheen à altura. O filme pode ter muitas leituras políticas, mas, e quanto a mim, o que me interessa são as questões morais que coloca.

O filme está estruturado de uma forma inteligente porque nos obriga a colocar imensas perguntas. O que é moralmente aceitável? Até onde é podemos ir para salvar a vida de milhares de pessoas? Será que a tortura de um (morte até) é justificável para salvar milhares e pessoas? Que leis podem regular isto? Será que isto pode ser regulado?

informações: a imagem é usada para fins informativos no contexto do post unthinkable